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POLÍTICA NACIONAL

Vai à CCJ projeto que libera porte de arma para defensores públicos

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A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (1º) projeto que libera porte de arma de fogo aos integrantes das Defensorias Públicas da União, dos Estados e do Distrito Federal. O PL 2.343/2025, do senador Carlos Portinho (PL-RJ), recebeu parecer favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e segue agora para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

O projeto altera o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 2003) para incluir os membros das Defensorias Públicas entre os autorizados a portar arma de fogo em todo o território nacional. A autorização ficará condicionada à comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. 

Flávio Bolsonaro acatou emenda sugerida pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que acrescenta os advogados públicos no rol de pessoas que poderão passar a ser autorizadas a portar o dispositivo, desde que eles atendam aos requisitos previstos no projeto: a comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica.

Porte de arma 

O relator observou que, desde a publicação do Estatuto do Desarmamento, outras categorias passaram a integrar o grupo autorizado a portar arma. Entre elas estão as carreiras de auditoria da Receita Federal e de auditoria-fiscal do Trabalho, das polícias legislativas, das guardas municipais, da Força Nacional de Segurança Pública e servidores responsáveis pela segurança dos tribunais e dos Ministérios Públicos. O relator também menciona agentes de trânsito, fiscais ambientais e oficiais de justiça entre as carreiras que buscam ser incluídas nessa relação.  

Portinho destacou que a Defensoria Pública é instituição permanente e essencial à função jurisdicional do Estado, responsável pela promoção dos direitos humanos e pela defesa integral e gratuita dos direitos individuais e coletivos dos necessitados. O autor lembrou que os defensores atuam em situações sensíveis e de elevado risco, especialmente nas áreas de direito de família, direito penal e execução penal.  

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Portinho argumentou ainda que esses profissionais podem atuar em regiões marcadas por altos índices de criminalidade e vulnerabilidade social e sofrer represálias em razão do exercício de suas funções. Para o senador, o porte de arma serviria tanto para a proteção pessoal quanto para prevenir ameaças e tentativas de coação. O autor também sustenta que os defensores estão sujeitos a riscos semelhantes aos enfrentados por magistrados, integrantes do Ministério Público, agentes fiscais e outros servidores públicos que já têm direito ao porte.  

Nesse sentido, Portinho considera que a concessão do porte dará aos defensores condições de exercer suas atribuições com maior segurança e classifica a iniciativa como uma “medida de justiça e coerência institucional”.  

Mulheres

Após um pedido de vista coletivo aprovado, a CSP adiou a votação do projeto que autoriza porte temporário de arma de fogo para mulheres sob medida protetiva de urgência. O PL 3.272/2024, da ex-senadora Rosana Martinelli (MT), tem parecer favorável do relator, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O texto deve voltar à pauta na próxima reunião.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Jayme Campos cobra votação de projeto de amparo a mulheres agredidas

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Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (1º), o senador Jayme Campos (União-MT) cobrou da Câmara dos Deputados a votação do projeto de lei de sua autoria que cria o Fundo Nacional de Amparo a Mulheres Agredidas (PL 5.019/2013).

Segundo ele, a proposta, apresentada por ele em 2012, aguarda há mais de 13 anos pela votação na Câmara. O texto tramita como PL 5.019/2013.

A proposta prevê auxílio financeiro de um salário mínimo por mês, durante 12 meses, para mulheres que se separam dos companheiros em razão de violência doméstica. Também prevê treinamento profissional para que elas possam buscar uma oportunidade no mercado de trabalho e reconstruir a vida. Jayme Campos defendeu a medida como forma de dar independência econômica às mulheres que dependem financeiramente dos companheiros.

— Enquanto o projeto espera, a violência não espera. Enquanto a burocracia anda devagar, o agressor continua agindo — afirmou. Segundo o senador, o fundo seria formado por 10% das multas penais, doações de pessoas físicas e jurídicas e contribuições de governos e organismos estrangeiros e internacionais.

Jayme Campos também citou outras propostas de sua autoria voltadas à proteção de mulheres vítimas de violência e pediu o apoio da Bancada Feminina do Senado para que essas matérias sejam tratadas como prioridade pelo Congresso. — A violência doméstica não é um problema privado. Quando uma mulher é agredida dentro de casa, é dever do Estado bater àquela porta — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Debate expõe divisão sobre projeto que restringe publicidade das bets

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Uma audiência pública no Senado abordou nesta terça (1º) os impactos das bets sobre a saúde mental e as famílias. O debate expôs a divisão entre representantes do governo e do setor de apostas sobre o PL 2.470/2026, projeto de lei que restringe a publicidade e o patrocínio desse tipo de aposta on-line.

A audiência foi promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado (CCT) com o objetivo de discutir esse projeto, que pode receber um relatório preliminar já nesta quarta-feira (2).

O PL 2.470/2026 também estabelece medidas para proteger grupos vulneráveis e classifica os riscos associados a diferentes tipos de jogos, entre outras medias. 

A autora da proposta é a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O relator da matéria é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele ressalta que a votação dessa matéria é urgente para o país.

— Está claro e evidente que nós temos muito a conversar, a trabalhar em cima dele, mas a expectativa é que possamos já amanhã [quarta-feira] apresentar uma primeira versão de relatório para que esse projeto possa avançar — declarou Alessandro.

Para Damares Alves, as bets utilizam uma terminologia “romantizada” ao se apresentar para os usuários.

— Eles colocam de uma forma tão romântica: “Jogo responsável” [ideia utilizada para recomendar o uso consciente das plataformas das bets]. Não é jogo responsável; é jogo de azar, é perda responsável — criticou a senadora, acrescentando que o termo “jogo responsável” deveria ser substituído por “perda responsável”.

Saúde pública

Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Kimati Dias informou que cerca de 25 milhões de brasileiros apostaram em plataformas legalizadas de bets no ano passado. Ele disse que uma parcela desses usuários desenvolveu transtornos relacionados ao jogo.

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Dias, que é o diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas desse ministério, destacou que pessoas com problemas com apostas apresentam risco de suicídio até 15 vezes maior do que a população em geral.

— Do ponto de vista de escala, é um problema de saúde pública muito maior, que se configura muito rapidamente.

Ele também informou que os atendimentos na rede pública relacionados a jogos e apostas cresceram 140% entre 2018 e 2025. Segundo ele, o perfil social da população afetada por esses problemas é composto majoritariamente por pessoas jovens, negras, de baixa renda e moradoras da Região Nordeste.

Custo

Consultor nacional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Francisco Cordeiro citou um levantamento dessa instituição sobre o custo das bets para o país.

— Um estudo nosso, publicado em dezembro do ano passado, demonstra que a comparação do que o setor recolheu com o que é estimado como custo social das apostas significa que, para cada real que o Estado arrecada, o país gasta pelo menos algo em torno de R$ 4 para lidar com o estrago — apontou Cordeiro.

Representante do Ministério da Justiça, Daniel Amaral Nunes Carnaúba defendeu o fortalecimento da regulação do setor. Ele é diretor do Departamento de Defesa do Consumidor desse ministério.

Carnaúba salientou que o departamento mantém processos administrativos para investigar publicidade irregular de apostas, influenciadores digitais e empresas ligadas ao mercado ilegal do setor.

— Hoje as bets são a principal fonte de financiamento de eventos esportivos. Mas a pergunta que temos de fazer é: a que custo? É o custo de onde está vindo esse dinheiro (…), endividando as famílias, provocando suicídios e fazendo com que os consumidores percam todo o seu patrimônio — alertou ele.

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Setor de jogos

Representante do Instituto Brasileiro do Jogo, Carlos Lima citou estudo da Aliciar Consultoria que, segundo ele, indica que o endividamento da população brasileira decorre de outros fatores, como a compra de celulares, os serviços de streaming e o consumo de bebidas alcoólicas. Ele frisou que as apostas estão em último lugar na lista apresentada pela pesquisa.

Além disso, ele destacou as contrapartidas oferecidas pelo mercado regulamentado de apostas.

— É um setor que hoje representa R$ 9,6 bilhões de arrecadação para o país e que gera mais de 15,5 mil empregos diretos e indiretos. É um setor que colabora com contribuições sociais para o esporte, serviços de saúde, enfim (…). E é um setor que tem faturamento bruto de R$ 35 bilhões.

Já o presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Carlos Eduardo Cabral Lima, argumentou que o principal desafio do setor é combater as plataformas clandestinas. Ele observou que o mercado regulado conta com mecanismos de verificação de identidade, limites de apostas e ferramentas de proteção que não existem em plataformas ilegais de apostas.

Medidas do governo

Marcelo Kimati Dias lembrou que o Ministério da Saúde desenvolveu a Rede de Atenção Psicossocial, que apresenta conteúdos sobre os riscos de apostas e uma linha de cuidado direcionada a pessoas com problemas com jogos e apostas.

Ele ressaltou que apenas 1% da arrecadação com as bets é repassada para o Ministério da Saúde.

Representante do Ministério da Fazenda, Andiara Maria Braga Maranhão destacou que o governo federal lançou em dezembro a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite ao apostador bloquear o seu próprio acesso às plataformas autorizadas no país.

Segundo Andiara, que é coordenadora-geral de Monitoramento do Jogo Responsável da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, mais de um milhão de pessoas já utilizaram a ferramenta.

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Ela também enfatizou que a legislação atual proíbe a participação de menores de 18 anos nesses jogos e estabelece regras para publicidade, atendimento ao consumidor e conscientização sobre os riscos das apostas.

O debate também contou com a participação da diretora de Relações Institucionais do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), Rebeca dos Santos Freitas; e da representante do Data Privacy Brasil, Carla Cristina Santos Rodrigues.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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