Para enfrentar a violência de gênero no país do futebol, em que o ambiente de campo e arenas ainda é predominantemente masculino, o Ministério das Mulheres, em parceria com o Ministério dos Esportes, compôs uma seleção de representantes para definir estratégias de perspectiva de gênero para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Para que a competição, que ocorre pela primeira vez na América do Sul, seja um marco de desenvolvimento, inclusão e legado social, os ministérios vêm trabalhando por meio de dez comissões técnicas, de forma a abarcar as exigências e melhorias para o mundial, que acontecerá em oito cidades-sedes (Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), com 32 seleções, no período de 24 de junho a 25 de julho de 2027.
A agenda, que já está em articulação entre as pastas e outros órgãos do governo federal, como Turismo e Segurança Pública, busca elaborar o plano nacional do legado da Copa Feminina, previsto para setembro. Dentre as pautas transversais desenhadas está a busca pela igualdade entre homens e mulheres no esporte, valorização da profissão de jogadora feminina, bem como a ampliação de atletas femininas na categoria de base.
Sem violência em campo
Em 2023, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) revisou o Código de Ética e Disciplina, eliminando o prazo limite para a denúncia de casos de abuso sexual, assédio e exploração, permitindo que vítimas denunciem agressões antigas.
A ministra interina do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, destacou que a parceria entre o Esporte e Mulheres é antiga. Para ela, a pauta que une os ministérios é transversal e necessária, pois dialoga com mulheres e meninas no esporte. “Queremos construir não só um excelente evento, mas construir estratégias para essa pauta tão importante para meninas e mulheres no Brasil”, afirmou Eutália.
Para a secretária Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, Juliana Agatte, do Ministério do Esporte, os ministérios buscam entregar para a sociedade, além de um legado esportivo, um legado social.
“Não tem como falar de futebol, de Copa Feminina de futebol, sem falar do Ministério do Esporte junto com o Ministério das Mulheres. A gente tem o objetivo de construir o plano nacional do legado, que passa pela ideia da profissionalização do futebol feminino, mas também pelo legado social, que reforça as formas de violência contra a mulher e combate ao feminicídio”, explicou Juliana.
Desdobramentos
Até o início da competição mundial, que começa em junho de 2027, as pastas trabalharão juntas para discutir melhorias e implementar ações que possam corroborar para o fim da violência nos estádios.
O objetivo é fazer com que campeonatos de futebol possam ser frequentados por mulheres e meninas, em segurança. Atualmente, apenas um estádio possui equipamento especializado de atendimento à mulher, que é o Mineirão, em Belo Horizonte. De acordo com a secretária Juliana, a expectativa é que, a exemplo do que acontece na capital mineira, as arenas do país possam contar com essa estrutura de atendimento às mulheres, principalmente, nas cidades-sedes do Mundial Feminino.
Fonte: Ministério das Mulheres