MATO GROSSO
Governo de MT aumenta em 127% número de cadastros validados com CAR Digital 2.0
Publicado
24 de abril de 2026
O Governo de Mato Grosso aumentou em 127% o número de validações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) após a implementação do CAR Digital 2.0. A apresentação dos dados foi feita nesta quinta-feira (23.4), em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha as medidas adotadas pelos Estados para o combate aos incêndios florestais na Amazônia e Pantanal.
Na audiência, a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, apresentou, além da ampliação do número de cadastros, as funcionalidades dos módulos Simcar Assentamento e Simcar Compensação. A ferramenta tecnológica, lançada em junho do ano passado, possibilitou um salto de 12.163 cadastros validados de forma manual para 27.629 cadastros validados pelo CAR Digital 2.0.
“A ampliação do número de cadastros validados no CAR Digital 2.0 demonstra que estamos no caminho certo. A versão do sistema foi aprimorada e hoje promove a análise automatizada das geometrias do CAR lançado pelo interessado, com cruzamentos geoespaciais previamente validados pela Sema. O órgão ambiental atua na validação das bases do município e não no CAR individual”, ressaltou a secretária.
A discussão ocorreu no âmbito do processo relacionado à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743, que acompanha medidas estruturais voltadas à prevenção e ao combate de incêndios na Amazônia e no Pantanal, gestão territorial e regularização ambiental.
Mato Grosso possui atualmente 42.335 cadastros do CAR validados. Desse montante, 27.629 foram validados por meio do CAR Digital 2.0, 2.543 pelo CAR Digital 1.0 e 12.163 foram validados de forma manual. Dos 142 municípios de Mato Grosso, 80 estão com as bases implementadas no CAR Digital 2.0. A meta é chegar a 100% dos municípios ainda este ano.
A apresentação no STF foi realizada em audiência determinada pelo ministro Flávio Dino e conduzida pela juíza Camila Murara, com a participação de representantes técnicos dos estados e juízes auxiliares. A magistrada responsável pela condução da audiência parabenizou Mato Grosso pelos avanços obtidos.
“Mato Grosso implementou, nos últimos anos, mudanças estruturantes para impulsionar a regularização ambiental em escala. Ainda temos desafios a serem superados, mas o Estado já avançou muito e tem se destacado em nível nacional”, concluiu Mauren Lazzaretti.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Diretoria Matropolitana de Educação reúne professores e gestores em seminário do Regime de Colaboração MT
Publicado
24 de abril de 2026
A Diretoria Metropolitana de Educação (DME) realiza, nesta sexta-feira (24.4), no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá, o 3º Seminário Regional de Regime de Colaboração.
O encontro reúne professores, gestores escolares, equipes municipais e integrantes dos programas desenvolvidos pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em parceria com os municípios da região metropolitana.
Participam do seminário representantes de Acorizal, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Nova Brasilândia, Poconé, Planalto da Serra, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande.
A proposta da DME é manter um espaço de conversa técnica e de troca de experiências entre o Estado e os municípios, com foco nas ações que chegam à sala de aula. O seminário também dá visibilidade aos programas que compõem o Regime de Colaboração e ao trabalho desenvolvido pelas equipes que atuam diretamente na aprendizagem dos estudantes.
Para a secretária de Estado de Educação, Flávia Emanuelle, o seminário ganha importância porque aproxima quem formula a política de quem enfrenta, todos os dias, a sala cheia, o caderno aberto, a criança que ainda soletra e a família que precisa ser chamada para perto.
“Quando o Regime de Colaboração sai do discurso e reúne professores, gestores e equipes municipais em torno dos dados, das práticas e dos resultados, a alfabetização deixa de ser uma meta distante e passa a ser acompanhada em detalhes”, apontou.
A programação inclui palestras, apresentações culturais, oficinas práticas e momentos de reconhecimento aos profissionais que se destacaram na alfabetização com equidade. Entre os palestrantes, está o ex-secretário de Estado de Educação Alan Porto, que abordará os avanços, os resultados e os desafios do Programa Alfabetiza.
A segunda palestra será conduzida por Luciano Nery Ferreira Filho, da Associação Bem Comum, com o tema “Resultados, reflexões e possíveis caminhos para a Alfabetização na Idade Certa”. O ciclo será encerrado por Helen Ilse Deniz Pietrowski, coordenadora estadual do Programa Alfabetiza MT, vinculada à Secretaria Adjunta de Regime de Colaboração da Seduc.
A parte cultural contará com a participação de professores da Escola Estadual Manuel Gomes, de Várzea Grande, com brincadeiras e dança ao som da música “Pipoca”, sob coordenação da professora Lucimara Maria de Oliveira. Estudantes do Projeto Café Literário também farão uma performance com a música “Janela do Aprendiz”, coordenada pela professora Marina Leite da Cunha.
No período dedicado às oficinas, os participantes terão atividades voltadas ao Ensino Fundamental em formato prático, conhecido como “mão na massa”. Também serão apresentados programas e projetos que integram o Regime de Colaboração, entre eles: Alfabetiza MT, Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), Google for Education, Mais Infância, Mais Inglês, Mais MT Muxirum, Matific, Pacto pela Digitalização e ViradaTec.
Como parte do seminário, às 16h, a DME fará a entrega do TOP 10 da Diretoria Metropolitana, com reconhecimento aos professores que se sobressaíram na promoção da alfabetização com equidade. A escolha baseia-se nos resultados da Avaliação Somativa de 2025 nas turmas do 2º ano do Ensino Fundamental, na 5ª edição do Prêmio Alfabetiza MT – 2026.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
O descompasso entre crescimento e qualificação em Mato Grosso
Publicado
24 de abril de 2026
Estado lidera geração de empregos, mas enfrenta dificuldade crescente para preencher vagas por falta de mão de obra qualificadaHá um descompasso que se delineia com nitidez em Mato Grosso — e que, talvez por isso mesmo, ainda não foi enfrentado na profundidade que o tema reclama. De um lado, uma economia dinâmica, com crescimento acima da média nacional e taxas de desocupação entre as menores do país — em torno de 3% a 4%, segundo dados recentes do IBGE. De outro, um entrave persistente: vagas permanecem abertas pela ausência de mão de obra qualificada.Não se está diante de um desajuste circunstancial, nem de uma dificuldade confinada a um segmento específico. O quadro revela uma desconexão estrutural entre o ritmo da expansão econômica e a capacidade de formação profissional da população.No plano agregado, Mato Grosso mitigou o antigo problema da escassez de emprego. O desafio contemporâneo deslocou-se. Trata-se, agora, de preparar pessoas para ocupar as oportunidades que o próprio desenvolvimento engendra.Nesse contexto, um dado merece atenção. O setor de serviços concentra a maior parte dos empregos formais, tanto no Brasil quanto no estado — frequentemente superando 60% do total de vínculos. Parte dessas atividades, especialmente no comércio, na logística e em funções administrativas, atua como via relevante de inserção inicial no mercado de trabalho, embora não de forma uniforme. Ainda assim, a questão da qualificação não se distribui de modo homogêneo.Nos segmentos produtivos — especialmente agropecuária, indústria e construção — a carência de mão de obra qualificada se manifesta de forma mais intensa e com maior impacto econômico. Levantamentos de entidades empresariais indicam que cerca de 40% a 50% das empresas enfrentam dificuldade para contratar trabalhadores com as competências exigidas. O maior empregador está nos serviços; o principal gargalo, contudo, localiza-se nos setores com maior intensidade produtiva e efeito multiplicador.A evidência empírica corrobora essa assimetria. No comércio, multiplicam-se as dificuldades na contratação de vendedores e assistentes administrativos com domínio mínimo de atendimento e ferramentas digitais. Já na indústria, escasseiam operadores de máquinas, técnicos de manutenção e profissionais de eletromecânica — funções que exigem qualificação técnica específica. Na construção civil, a falta de pedreiros, eletricistas e mestres de obra compromete prazos e encarece empreendimentos. No agronegócio, intensifica-se a demanda por operadores de máquinas agrícolas e profissionais aptos a lidar com tecnologias embarcadas. Quanto à logística, a ausência de motoristas qualificados e operadores especializados limita a eficiência de cadeias inteiras.O padrão se repete com inquietante regularidade: oportunidades existem, a demanda é concreta, mas a qualificação da força de trabalho não evolui no mesmo ritmo.À primeira vista, poderia parecer que o problema reside apenas na insuficiência de cursos. Essa explicação, embora não inteiramente equivocada, é limitada. Um exame mais atento revela que a questão é mais profunda. O ponto crítico está na forma como a qualificação profissional vem sendo estruturada — ainda fragmentada, dispersa e, em larga medida, dissociada das necessidades efetivas do mercado.Cursos são ofertados. Turmas são abertas. Certificados são expedidos. Permanece, entretanto, uma indagação essencial: tais formações dialogam, de fato, com a realidade econômica dos territórios em que se inserem? Com frequência, a resposta não se mostra satisfatória.A economia mato-grossense possui feições próprias. O agronegócio, a agroindústria, a logística, a construção civil e determinados ramos industriais compõem o núcleo do desenvolvimento estadual. São esses segmentos que geram riqueza — e, justamente, aqueles que mais enfrentam dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados.Diante desse cenário, a questão ultrapassa a mera ampliação da oferta de cursos. Torna-se necessária uma qualificação orientada, territorializada e organicamente vinculada às cadeias produtivas reais.Quando essa articulação não se estabelece, o desfecho é previsível: formações que não conduzem ao emprego, empresas que não encontram trabalhadores e um crescimento econômico aquém do potencial.Experiências exitosas em outros estados — como Minas Gerais e Pernambuco, que estruturaram políticas de qualificação articuladas às demandas do setor produtivo, com oferta descentralizada e integração efetiva entre formação e trabalho — indicam caminhos possíveis. O ponto decisivo, contudo, não reside na simples replicação de modelos, mas na assimilação de um princípio fundamental: qualificação profissional não é política acessória — é eixo central do desenvolvimento.Algumas diretrizes, nesse contexto, apresentam-se com clareza.A primeira consiste na construção de um sistema permanente de inteligência sobre o mercado de trabalho. Não se planeja adequadamente a formação profissional sem conhecer, com precisão, as vagas não preenchidas, sua localização e as competências requeridas. Sem esse diagnóstico, corre-se o risco de multiplicar certificados e escassear soluções.Outra diretriz relevante é a superação da lógica de cursos isolados em favor de trilhas formativas. O trabalhador contemporâneo não necessita apenas de uma qualificação pontual, mas de um percurso que permita progressão, adaptação e atualização contínua.Igualmente imprescindível é a integração efetiva com o setor produtivo. Formações desconectadas da realidade empresarial tendem a gerar frustração recíproca. A qualificação precisa nascer do diálogo com quem emprega e incorporar experiências práticas que reduzam a distância entre aprendizagem e trabalho.A incorporação das novas tecnologias, por sua vez, já não pode ser tratada como opção. A inteligência artificial, a automação e as ferramentas digitais configuram o presente do trabalho. Ignorá-las significa condenar trabalhadores à obsolescência precoce.Nesse ponto, já é possível delinear uma proposta estruturante: a criação de um programa estadual de alfabetização em inteligência artificial e produtividade digital. Não se trata de formar especialistas, mas de assegurar que trabalhadores — do campo à cidade, do comércio à indústria — dominem instrumentos que já moldam o cotidiano profissional.Alfabetizar em inteligência artificial, hoje, não pressupõe que tenhamos superado a alfabetização digital básica — o que, de fato, ainda não ocorreu. Dados nacionais indicam que parcela significativa da população brasileira ainda apresenta limitações no uso de ferramentas digitais básicas. Ainda assim, a realidade do trabalho avança. Se antes o desafio era acessar o computador, hoje é saber utilizá-lo de forma produtiva e inteligente. A nova fronteira não substitui a anterior; sobrepõe-se a ela.A dimensão social do problema tampouco pode ser negligenciada. Em um estado marcado por desigualdades regionais, a qualificação profissional assume caráter inclusivo. Priorizar jovens, trabalhadores desempregados, mulheres chefes de família e populações vulneráveis significa, em última análise, ampliar horizontes e reduzir assimetrias.Nesse sentido, revela-se especialmente pertinente a advertência de Hannah Arendt, ao lembrar que “educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos responsabilidade por ele”. Formar para o trabalho, aqui, é também assumir responsabilidade pelo destino coletivo.Cumpre reconhecer que Mato Grosso não parte do zero. Há iniciativas relevantes em curso, tanto no âmbito estadual quanto municipal, além da atuação consistente do Sistema S. Programas como Ser Família Capacita vêm sendo ampliados, e a oferta de cursos cresce gradualmente. Ainda assim, a conclusão se impõe: as iniciativas ainda são insuficientes.Quando o crescimento econômico supera a capacidade de formação profissional, instaura-se um descompasso que tende a se aprofundar. Esse descompasso não é neutro — traduz-se em oportunidades perdidas, investimentos subaproveitados e desigualdades que se perpetuam.O que está em jogo não é apenas a eficiência do mercado de trabalho. É o próprio desenho do desenvolvimento que se pretende sustentar.Vagas não preenchidas por falta de qualificação não constituem meras estatísticas administrativas. São sinais inequívocos de que a engrenagem responsável por articular educação, trabalho e prosperidade ainda opera aquém do necessário — lenta, descoordenada, insuficiente para a complexidade do tempo presente.E engrenagens, quando desalinhadas, não entram em colapso de imediato. Persistem, rangem, perdem eficiência — até que o sistema, gradualmente, deixa de responder às exigências que sobre ele recaem.É nesse ponto que se impõe uma reflexão mais profunda. O crescimento econômico, por si só, não é garantia de desenvolvimento. Sem uma base humana qualificada, capaz de sustentar, adaptar e projetar esse crescimento, o avanço torna-se frágil, circunstancial e, em última instância, reversível.A questão decisiva, portanto, não reside em saber se Mato Grosso continuará a crescer — os indicadores sugerem que sim. A interrogação que realmente importa é outra, mais exigente e menos confortável: o Estado será capaz de converter expansão econômica em capacidade social efetiva, ou permitirá que a distância entre ambos se amplie?Em termos estruturais, o desenvolvimento consistente pressupõe a conversão da prosperidade econômica em oportunidade real para a população. Sem essa correspondência, o crescimento perde densidade e se esgota.Uma economia que avança sem qualificar sua própria população pode até expandir seus indicadores — mas dificilmente consolidará um projeto duradouro de grandeza e inclusão.*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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