Reconhecida como a Capital do Café em Mato Grosso, Colniza consolidou sua posição como o maior município produtor do Estado, responsável por mais de 50% da produção estadual do grão. O avanço da cafeicultura no município é resultado da combinação entre investimentos do Governo do Estado, inovação tecnológica e assistência técnica continuada aos produtores rurais.
Nos últimos anos, o Governo de Mato Grosso investiu mais de R$ 4,4 milhões no fortalecimento da cafeicultura em Colniza, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf). Os recursos foram destinados à entrega de máquinas, implementos agrícolas, mudas clonais, kits de irrigação, equipamentos e outras ações de incentivo à produção, permitindo que centenas de agricultores familiares ampliassem sua capacidade produtiva.
Além dos investimentos em infraestrutura, um dos principais pilares desse crescimento tem sido a assistência técnica prestada pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). Com engenheiros agrônomos, pesquisadores e extensionistas, a instituição leva conhecimento científico ao campo, orientando os produtores em todas as etapas do cultivo, desde a análise e correção do solo até o manejo nutricional, irrigação, condução das lavouras e colheita.
Os resultados desse trabalho são percebidos diretamente nas propriedades rurais. No Sítio Alto Alegre, em Colniza, o agricultor familiar Edmar Mutz viu sua produção mudar completamente após adotar o café clonal e contar com o acompanhamento técnico da Empaer.
“Antes essa lavoura era uma lavoura comum, produzia muito pouco e as variedades não eram boas. Cheguei até a colocar pasto. Quando conheci o café clonal, ainda não sabia como trabalhar com ele. Fui buscar conhecimento em Rondônia sobre as variedades e, depois disso, conheci o técnico da Empaer, Ronaldo. Perguntei a ele sobre plantio e adubação e, desde 2017, ele vem me acompanhando na produção do café”, relata o produtor.
Segundo Edmar, a orientação técnica foi decisiva para o sucesso da nova lavoura. “Quando trabalhávamos com a lavoura comum, a produção era muito baixa. O Ronaldo me incentivou a investir na área. Resolvi arrancar o café antigo e plantar o clonal. Ele orientou toda a adubação de plantio e, na primeira colheita, com apenas dois anos e meio, o resultado foi impressionante. Foi uma produção excelente”, afirma.
Para o engenheiro agrônomo e extensionista da Empaer, Ronaldo Benevides, o desempenho da propriedade demonstra o impacto da assistência técnica baseada em pesquisa e recomendações agronômicas.
“Realizamos todas as recomendações técnicas preconizadas por instituições de referência, como a Empaer e a Embrapa. Fizemos análise de solo, calagem, correção da fertilidade e adubação de plantio. Em 2017, a produtividade média de Colniza era de aproximadamente 17 a 18 sacas por hectare. Já em 2019, essa propriedade alcançou mais de 110 sacas por hectare, muito acima da média municipal. Hoje temos um talhão que produz cerca de 205 sacas por hectare, um resultado realmente fora da curva”, explica o agrônomo.
A evolução da produtividade demonstra que o sucesso da cafeicultura vai além da adoção de novas variedades. A transferência de tecnologia, aliada ao acompanhamento técnico permanente, permite que os produtores tomem decisões mais assertivas sobre manejo, fertilidade do solo, irrigação e controle fitossanitário, aumentando a produtividade e a rentabilidade das propriedades.
A experiência de Colniza mostra que políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar produzem resultados ainda mais expressivos quando investimentos em infraestrutura são aliados à assistência técnica qualificada. Em Mato Grosso, essa parceria entre o Governo do Estado, por meio da Seaf, e a Empaer vem consolidando um modelo de desenvolvimento da cafeicultura baseado em inovação, pesquisa e presença constante dos profissionais no campo.
O fortalecimento da cadeia produtiva também tem estimulado a valorização da qualidade do café produzido no município. Recentemente, Colniza sediou o lançamento do 1º Concurso de Qualidade do Café, iniciativa do Governo de Mato Grosso, por meio da Seaf, em parceria com a Empaer e com apoio do Sebrae Mato Grosso. O resultado do concurso será divulgado no dia 31 de outubro, durante evento no município de Juína.
“Eu já me inscrevi para o concurso e estou otimista com o produto que irei apresentar”, afirma Edmar Mutz, confiante de que o trabalho desenvolvido na propriedade também será reconhecido pela qualidade do café produzido.
“Eu fui fazendo uma etapa, depois a outra. Não consegui fazer tudo de uma vez. Se o prazo é curto, às vezes ele acaba passando e depois a mulher entende tudo o que aconteceu, mas já não consegue mais agir. Esse prazo é importante para que ela tenha coragem e consciência do que está vivendo”. O relato da dona de casa C.S.A.C., assistida pelo Centro Especializado de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAV), resume a realidade enfrentada por muitas mulheres vítimas de violência doméstica. Entre o medo, a dependência financeira, os vínculos afetivos e o impacto emocional causado pelas agressões, nem sempre denunciar é uma decisão imediata.
Pensando nessa realidade, uma nova legislação ampliou de seis para 12 meses o prazo para o exercício do direito de queixa ou de representação nos casos de crimes praticados no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. A mudança fortalece os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha e busca garantir que mais vítimas tenham condições de acessar a Justiça no momento em que estiverem preparadas para denunciar.
Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, a ampliação do prazo contempla uma necessidade observada diariamente nos atendimentos às vítimas. “Primeiramente, muitas vítimas demoram para compreender que estão numa situação de violência. Muitas demoram para entender que estão dentro de um ciclo de violência e, depois disso, ainda precisam de tempo para romper esse ciclo. Esse aumento de prazo para 12 meses facilita porque, muitas vezes, a mulher só consegue refletir melhor sobre a situação quando já não está tão pressionada emocionalmente dentro daquele relacionamento”, explica.
A magistrada destaca que a alteração vale para crimes que dependem da manifestação da vítima, como perseguição (stalking) e crimes contra a honra, entre eles calúnia, difamação e injúria. Já delitos como lesão corporal, estupro e feminicídio não dependem da representação da vítima para que o Estado dê continuidade ao processo.
Segundo Tatyana, o prazo maior pode contribuir diretamente para ampliar o acesso das mulheres à Justiça. “Aumentando esse prazo, ela tem mais condições de refletir e apresentar a representação entre seis meses e um ano. Muitas vezes, a vítima precisa de apoio psicológico e de uma rede de acolhimento para compreender o que está acontecendo antes de conseguir formalizar a denúncia”, afirma.
A própria experiência de C.S.A.C. demonstra como esse tempo pode ser decisivo. Ela levou meses para compreender a gravidade da violência que vivia e acredita que o prazo anterior poderia impedir muitas mulheres de exercerem seus direitos. “Acho que foi muito importante esse aumento (de prazo). Tem muitas coisas que influenciam para que a mulher não procure ajuda de imediato. Precisa de tempo para entender o que está acontecendo, para aceitar o que aconteceu e para ter coragem. O medo atrapalha demais”, relata.
A cozinheira M.I.L.E., também acompanhada pelo CEAV, considera a mudança um avanço necessário. “O tempo não pode ser um obstáculo. Até você perceber que está num problema sério e que precisa resolver aquilo, leva tempo. Quando eu vi que o prazo passou para 12 meses, achei muito importante. Em 12 meses você consegue pensar, repensar e buscar ajuda. Acho que vai melhorar bastante”, avalia.
Rede de proteção faz a diferença
Além da ampliação do prazo, especialistas reforçam a importância do acolhimento psicológico e do apoio familiar para que as vítimas consigam romper o ciclo da violência.
A juíza Tatyana orienta que mulheres em situação de violência procurem familiares, amigos ou qualquer integrante da rede de proteção disponível. “É importante buscar ajuda. Muitas vezes, a vítima está tão pressionada emocionalmente que não consegue enxergar todas as possibilidades. Aqui em Cuiabá existe uma rede de enfrentamento à violência preparada para acolher, orientar e encaminhar essas mulheres aos serviços necessários”, destaca.
A mensagem, segundo ela, é clara: nenhuma mulher precisa enfrentar a violência sozinha. Com mais tempo para denunciar e uma rede de apoio estruturada, as chances de romper o ciclo da violência, buscar proteção e garantir o acesso à Justiça tornam-se ainda maiores.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Josi Dias e Rodrigo Moura
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu a Operação Virtude 2026, ação nacional voltada ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. Durante os 15 dias de operação em Cuiabá e região, foram atendidas 295 vítimas, apuradas 99 denúncias de violência e violações de direitos, além da realização de 19 ações educativas, que alcançaram mais de 8.200 pessoas em todo o estado.
A operação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa (DEDCPI) e reuniu ações de fiscalização, investigação e conscientização para fortalecer a rede de proteção às pessoas idosas e garantir a responsabilização dos autores de crimes.
Ao longo da operação, as equipes da Polícia Civil realizaram diligências para apuração de denúncias envolvendo maus-tratos, abandono, violência psicológica, exploração financeira e outras formas de violação de direitos. As equipes também efetuaram visitas para averiguação das informações recebidas, ouviram vítimas e testemunhas e adotaram as providências cabíveis em cada caso.
Como resultado dos trabalhos, foram registrados 31 boletins de ocorrência, instaurados 46 inquéritos policiais e concluídos 14 inquéritos com autoria identificada, permitindo o avanço das investigações e a responsabilização dos envolvidos.
A Operação Virtude também teve forte atuação preventiva. Foram promovidas 19 ações educativas, entre palestras, visitas institucionais, entrevistas e distribuição de materiais informativos, alcançando mais de 8.200 pessoas com orientações sobre os direitos da pessoa idosa, formas de prevenção à violência e canais de denúncia.
Segundo o delegado titular da Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa, Marcos Aurélio Veloso e Silva, a operação reforçou o trabalho permanente desenvolvido pela unidade especializada.
“A Operação Virtude ampliou nossa capacidade de atendimento às denúncias e permitiu intensificar tanto as diligências investigativas quanto as ações de orientação à sociedade. A proteção da pessoa idosa depende da atuação integrada dos órgãos públicos e, principalmente, da participação da população na comunicação de qualquer situação de violência ou violação de direitos”, destacou o delegado.
Realizada simultaneamente em diversos estados brasileiros, sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Operação Virtude tem como principal objetivo fortalecer a rede de proteção às pessoas idosas, promovendo um envelhecimento com dignidade, respeito e garantia de direitos.
Denúncias
Casos de violência contra a pessoa idosa podem ser comunicados à Polícia Civil por meio do registro de boletim de ocorrência em qualquer unidade policial ou de forma anônima. As informações recebidas são apuradas pelas equipes especializadas, que adotam as medidas necessárias para proteger as vítimas e responsabilizar os autores das violações.