A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), em parceira com a Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase da Assembleia Legislativa (ALMT), conclui nesta quinta-feira (16.4) a 1ª Capacitação em Hanseníase para Agentes Comunitários de Saúde. O evento, iniciado neta quarta-feira (15), reúne 80 profissionais de Várzea Grande em uma imersão técnica voltada ao fortalecimento da rede de assistência primária.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da SES, Janaina Pauli, destacou a importância da união entre as instituições para enfrentar este problema de saúde pública e diminuir o número de pacientes que não finalizam o tratamento de hanseníase.
“Mato Grosso sempre foi endêmico porque realiza busca ativa de casos notificados. O problema hoje, além de todo o estigma que a própria doença traz, é a questão do abandono. Por isso, a gente somou esforços com a Assembleia para que vocês, agentes de saúde, pudessem entender um pouquinho mais do agravo e fossem uma ponte para a sensibilização desses pacientes que, por ventura, estão em casa com vergonha de ir para uma unidade de saúde”, afirmou.
Janaina acrescentou que o Sistema Único de Saúde (SUS) proporciona tratamento gratuito para a doença e é fundamental que os pacientes tenham acesso ao tratamento adequado e uma evolução para a cura.
“Este é um projeto piloto e que, se tudo der certo, vamos estender para os outros 141 municípios do Estado. O objetivo é que esses profissionais saiam daqui encorajados para nos ajudar a continuar a enfrentar a hanseníase em Mato Grosso”, avaliou.
O deputado estadual Dr. João afirmou ter convicção de que o projeto inicia uma virada de chave no enfrentamento à hanseníase, com o objetivo de melhorar a saúde de Mato Grosso. Ele destinou R$ 2 milhões para a SES investir no cuidado em hanseníase.
“Nós precisamos mudar essa realidade. E essa mudança começa justamente na Atenção Primária. O nosso objetivo é, claro, tirar Mato Grosso dessa posição, reduzir a transmissão, evitar sequelas, combater o preconceito e garantir que o paciente tenha a chance de cura com muita dignidade”, destacou.
O promotor de Justiça, Milton Mattos, que atua na defesa da saúde, parabenizou a iniciativa conjunta e pediu que a próxima capacitação de hanseníase seja realizada com o município de Cuiabá.
“Esse trabalho no dia a dia, na casa da pessoa, no convencimento, é muito mais importante do que, às vezes, o trabalho do médico, do enfermeiro, lá na Unidade Básica de Saúde (UBS). E vocês têm que reconhecer a importância que vocês têm. Vocês são autoridades, fazem parte importante do SUS, têm uma responsabilidade social e podem fazer muita diferença na vida do cidadão”, disse aos agentes comunitários.
O conselheiro e presidente da Comissão de Saúde do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Guilherme Maluf, destacou que os agentes podem fazer buscas ativas dentro das comunidades e, sobretudo, conscientizar a população da importância de não desistir do tratamento.
“Fiz questão de estar aqui hoje porque entendo a importância desse evento, um pontapé inicial na capacitação desta categoria que é fundamental, na virada da chave do combate à hanseníase, uma doença milenar com estigma altíssimo. Muita gente se envergonha, não fala para o médico que tem, chega em casa e não conta para os familiares que tem e ela é silenciosa, mas transmite, com alto grau de infecção”, ponderou.
Sobre o curso
Com carga horária de 12 horas, o curso tem metodologia participativa e centrada na prática, estimulando o protagonismo dos Agentes Comunitários de Saúde no processo de aprendizagem.
Serão utilizadas estratégias como discussão de situações do cotidiano do território; simulação da aplicação do Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH); análise de sinais e sintomas suspeitos de hanseníase e troca de experiências entre os participantes.
Essa abordagem tem o objetivo de fortalecer a capacidade dos agentes na identificação precoce de sinais e sintomas da hanseníase, contribuindo para a sensibilização no diálogo com o paciente.
A capacitação teve como palestrantes a fisioterapeuta e responsável técnica do Ambulatório de Atenção Especializada Regionalizado de Várzea Grande (AAER), Vanessa Matias; a enfermeira apoiadora do Ministério da Saúde, Fabiana Pisano, e a fisioterapeuta apoiadora do Ministério da Saúde, Geísa Campos.
Saiba mais sobre a hanseníase
A hanseníase é uma doença crônica e transmissível, causada por uma bactéria que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos. Ela tem cura e pode ser tratada gratuitamente pelo SUS. A detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar incapacidades permanentes e interromper a transmissão.
A hanseníase pode ser tratada inicialmente nas unidades municipais de saúde. Em casos mais graves, os pacientes são direcionados para os Ambulatórios de Atenção Especializada Regionalizados (AAER) ou para o Centro de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), em Cuiabá.
A ideia de que o autismo está sempre associado a habilidades extraordinárias pode parecer positiva à primeira vista, mas esconde um risco silencioso: a invisibilização dos desafios enfrentados por milhares de pessoas e famílias. O alerta foi feito pelo neurologista pediátrico Thiago Gusmão, durante a palestra “O perigo da romantização do autismo: do nível 1 ao 3”, que abriu a programação da tarde do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, nesta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá.
A iniciativa marca a primeira edição de 2026 do evento, promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), reunindo magistrados, servidores e representantes da sociedade civil para discutir inclusão e acessibilidade no sistema de Justiça. A ação é coordenada pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão, em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), a Escola dos Servidores, Prefeitura de Cuiabá e a Igreja Lagoinha.
Durante a palestra, o especialista destacou que o autismo, independentemente do nível de suporte (1, 2 ou 3), é caracterizado por prejuízos na comunicação, na interação social e por comportamentos restritos e repetitivos, aspectos que muitas vezes são ignorados em discursos superficiais difundidos principalmente nas redes sociais. “Hoje existe uma cadeia de influenciadores que mostram apenas o lado positivo, as potencialidades. Elas existem, mas o diagnóstico é baseado nas dificuldades. Quando se vê apenas esse lado romantizado, a visão fica superficial”, explicou.
Segundo ele, a crença de que todo autista possui altas habilidades, como ocorre em casos raros de “savants”, compromete a compreensão social sobre o transtorno. “Isso representa uma pequena parcela. Quando a sociedade passa a acreditar nisso, perde a capacidade de enxergar os prejuízos intensos que o autismo pode trazer”, pontuou.
Ao longo da exposição, Thiago Gusmão reforçou que o autismo não pode ser analisado apenas sob a ótica da inteligência, mas principalmente da funcionalidade. Ou seja, da capacidade de autocuidado, organização da rotina, independência e estabelecimento de relações sociais.
Ele destacou que muitas pessoas no espectro, inclusive com alto nível intelectual, enfrentam dificuldades significativas para gerir a própria vida cotidiana. Além disso, comportamentos como agressividade ou autolesão não devem ser interpretados como “birra”, mas como formas de expressão de sofrimento, frequentemente relacionadas à dificuldade de comunicação e regulação emocional.
O especialista também chamou atenção para o aumento dos diagnósticos, explicado pela ampliação dos critérios, maior conscientização e melhor preparo dos profissionais. Casos antes confundidos com ansiedade, depressão ou transtornos de personalidade hoje são identificados corretamente como autismo, inclusive em mulheres, que historicamente foram subdiagnosticadas devido à chamada “camuflagem social”.
Impacto no Judiciário
Levar esse debate ao Judiciário, segundo Thiago Gusmão, é fundamental para garantir decisões mais justas e efetivas. Isso porque muitas famílias enfrentam dificuldades no acesso a terapias, suporte educacional e benefícios, dependendo de decisões judiciais para assegurar direitos básicos. “Falar com quem faz a lei prevalecer é essencial. Na base, temos mães que enfrentam realidades extremamente difíceis, muitas vezes sem acesso a tratamento. Até chegar a uma decisão judicial, é fundamental que o juiz compreenda o autismo”, afirmou.
Durante a palestra, ele ressaltou que a falta de conhecimento técnico pode comprometer a análise de laudos e a concessão de direitos, reforçando a importância de capacitações contínuas para magistrados e servidores.
O especialista também destacou o impacto social e econômico do transtorno, que vai além do indivíduo e atinge toda a família. Muitas vezes, responsáveis precisam abandonar o trabalho para cuidar dos filhos, enquanto os custos com terapias são elevados e contínuos.
Ao final, reforçou que inclusão não é um ato de boa vontade, mas um direito. “O objetivo é garantir dignidade e qualidade de vida. O autismo é um tema sério, que exige informação, políticas públicas e conscientização permanente”, concluiu.
O evento segue até quinta-feira (16), com uma programação voltada ao aprofundamento técnico e à construção de um Judiciário mais preparado para lidar com as demandas das pessoas com deficiência, fortalecendo o acesso à Justiça de forma inclusiva e efetiva.
Faltam cinco dias para o encerramento das inscrições do concurso público do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) destinado ao provimento do cargo de Promotor de Justiça Substituto. O prazo termina às 16h do dia 21 de abril de 2026, conforme o horário oficial de Brasília.O edital do certame, publicado em março, prevê o preenchimento de oito vagas imediatas, além da formação de cadastro de reserva, com subsídio inicial de R$ 37.765,55. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, por meio do site da Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso. A taxa de inscrição é de R$ 400,00.Do total de vagas, 10% serão reservadas a pessoas com deficiência e 20% a candidatos negros, conforme a legislação vigente e as normas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).O concurso será composto por cinco fases sucessivas: prova objetiva preambular, prova discursiva, inscrição definitiva, prova oral e avaliação de títulos. A prova objetiva está prevista para o dia 14 de junho de 2026, das 13h às 18h, com aplicação nas cidades de Cuiabá e São Paulo. Já as provas discursivas ocorrerão nos dias 16 e 17 de agosto de 2026, em dois turnos, exclusivamente na capital mato-grossense. Todas as etapas serão organizadas e executadas pela FGV.O edital ressalta que datas, horários e locais das provas poderão sofrer alterações. Acesse aqui o edital completo e demais informações sobre o concurso.