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Casos de ferrugem-asiática triplicam e acendem alerta para o plantio da nova safra

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O plantio da safra 2026/27 de soja começa em setembro no Centro-Oeste sob um alerta fitossanitário. A temporada passada registrou 379 ocorrências de ferrugem-asiática no País, mais de três vezes os 124 casos contabilizados no ciclo 2024/25, segundo o Consórcio Antiferrugem.

O aumento ganha importância porque faltam poucos dias para o fim do vazio sanitário nas primeiras grandes regiões produtoras. Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, poderá iniciar a semeadura em 7 de setembro. Em Mato Grosso do Sul, as máquinas entram oficialmente nas lavouras a partir do dia 16 e, em Goiás, no dia 25.

Minas Gerais e Distrito Federal terão de esperar um pouco mais. Nos dois casos, o vazio sanitário termina em 30 de setembro e a semeadura está autorizada a partir de 1º de outubro.

As datas foram estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por meio da Portaria 1.579/2026, que definiu o calendário nacional do vazio sanitário e da semeadura da soja para a temporada 2026/27.

O vazio sanitário é uma das principais ferramentas utilizadas para reduzir a pressão da ferrugem-asiática entre uma safra e outra. Durante o período determinado para cada região, não podem ser mantidas plantas vivas de soja no campo, incluindo aquelas que nascem espontaneamente depois da colheita, conhecidas como tigueras ou guaxas.

A medida tenta interromper a chamada “ponte verde”. Sem plantas de soja disponíveis para hospedar o fungo durante algumas semanas, diminui a quantidade de inóculo capaz de alcançar as primeiras lavouras da nova temporada.

A ferrugem-asiática é provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e está entre as doenças de maior potencial de dano à soja. Quando encontra condições favoráveis e não é controlada adequadamente, provoca desfolha antecipada, compromete o enchimento dos grãos e pode causar perdas expressivas de produtividade.

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O problema não termina com a aplicação de fungicidas. O uso repetitivo dos mesmos mecanismos de ação aumenta a pressão de seleção sobre o fungo e favorece populações menos sensíveis aos produtos disponíveis. É justamente por isso que o calendário de semeadura passou a integrar a estratégia de controle.

Ao limitar o período em que existem lavouras de soja no campo, o calendário reduz o tempo de multiplicação do fungo e também procura diminuir a quantidade de aplicações necessárias ao longo da temporada.

Para o produtor, portanto, a preparação da safra começa antes de colocar a plantadeira no campo. Áreas de soja da temporada anterior, margens de estradas, carreadores, pátios, locais próximos a armazéns e outros pontos onde possam surgir plantas voluntárias precisam continuar sendo monitorados até o encerramento do vazio sanitário.

O cuidado ganha peso adicional depois do aumento das ocorrências registrado em 2025/26. Quanto mais cedo a ferrugem chegar às lavouras, maior tende a ser o período durante o qual o produtor terá de conviver com a doença e mais complexo pode se tornar o programa de controle.

A abertura do calendário também não significa que plantar no primeiro dia permitido seja necessariamente a melhor decisão. A escolha da data depende das condições de umidade do solo, da previsão de chuvas, da cultivar, do ciclo da soja e do planejamento das culturas que serão implantadas posteriormente.

No Centro-Oeste, essa decisão interfere ainda diretamente na segunda safra de milho e de algodão. Antecipar a soja pode ampliar a janela disponível para a cultura seguinte, mas colocar sementes no solo sem umidade suficiente aumenta o risco de falhas de emergência e necessidade de replantio.

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Com a aproximação de setembro, o produtor entra agora na fase final de preparação de máquinas, sementes, fertilizantes e defensivos. Depois de uma temporada em que as ocorrências de ferrugem aumentaram fortemente, o monitoramento das primeiras lavouras será também uma das tarefas decisivas no início da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

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Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

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É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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Brasil caminha para produzir 16 milhões de toneladas de frango

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A avicultura brasileira deve superar pela primeira vez a marca de 16 milhões de toneladas de carne de frango em 2026, ao mesmo tempo em que amplia exportações e recupera mercados afetados pela influenza aviária no ano passado. O crescimento aumenta a responsabilidade dentro das granjas: uma falha sanitária localizada pode produzir consequências comerciais para uma cadeia que vende seus produtos a mais de 150 países.

As projeções mais recentes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam produção entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas neste ano. Se alcançar o limite superior, o Brasil produzirá 5,6% mais que as 15,289 milhões de toneladas registradas em 2025.

O País já é o maior exportador mundial e o terceiro maior produtor de carne de frango. Para 2026, os embarques podem alcançar 5,875 milhões de toneladas, crescimento de até 10,3% sobre as 5,324 milhões de toneladas exportadas no ano passado.

A recuperação ficou evidente nos números recentes. Somente em julho, o Brasil embarcou 519,2 mil toneladas de carne de frango, aumento de 29,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, foram 3,455 milhões de toneladas, crescimento de 15,2%.

Parte dessa forte variação, entretanto, decorre de uma base de comparação atípica. Em 2025, o primeiro foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial brasileira levou importantes compradores a suspender temporariamente as importações.

O episódio foi registrado no Rio Grande do Sul e rapidamente controlado, mas demonstrou como um problema sanitário em uma única propriedade pode ultrapassar os limites da granja e atingir frigoríficos, exportadores e produtores de diferentes regiões do País.

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Mercados importantes que haviam adotado restrições retomaram as compras. Em julho deste ano, a China voltou a ocupar a primeira posição entre os destinos do frango brasileiro, com 70,5 mil toneladas. A União Europeia comprou 36,8 mil toneladas no mês. Ambos estavam fechados ao produto brasileiro no mesmo período de 2025.

É nesse cenário que a ABPA voltou a reforçar, durante a campanha do Dia do Avicultor, comemorado na sexta-feira (28.08), a necessidade de manutenção permanente das medidas de biosseguridade nas propriedades.

Entre os cuidados estão o controle de entrada de pessoas e veículos, higienização de equipamentos, restrição da circulação dentro das granjas, acompanhamento constante das aves e comunicação imediata aos órgãos de defesa sanitária diante de qualquer suspeita.

Para o produtor, biosseguridade deixou de representar apenas proteção do próprio plantel. O status sanitário brasileiro influencia diretamente a abertura e a manutenção de mercados e, consequentemente, a demanda das agroindústrias pelos animais produzidos no campo.

A dimensão econômica explica a preocupação. Somente a produção brasileira de carne de frango gerou Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 112,6 bilhões em 2025.

E a expansão não ocorre apenas na produção de carne. O Brasil também deverá produzir até 64,8 bilhões de ovos em 2026, crescimento de 4,1% sobre os 62,253 bilhões registrados no ano passado.

O consumo interno acompanha esse movimento. A estimativa é de que cada brasileiro consuma, em média, 48,1 quilos de carne de frango neste ano, ante 46,7 quilos em 2025. No caso dos ovos, o consumo deve passar de 288 para 301 unidades por habitante.

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As primeiras projeções para 2027 apontam continuidade do crescimento. A produção de carne de frango pode chegar a 16,6 milhões de toneladas e a de ovos, a 66,5 bilhões de unidades.

O avanço reforça a importância econômica da avicultura, mas também aumenta a exposição do setor a problemas sanitários. Depois do alerta de 2025, o desafio é crescer sem permitir que a expansão do número de aves e da produção seja acompanhada por aumento do risco sanitário.

Para o avicultor, essa vigilância começa na porteira. Em uma cadeia cada vez mais dependente do comércio internacional, procedimentos rotineiros de biosseguridade dentro de cada granja ajudam a proteger não apenas os próprios animais, mas o acesso de toda a produção brasileira aos mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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