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AGRONEGÓCIOS

Atacado e exportação estabelecem ritmo recorde em agosto

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Os preços da carne de frango voltaram a subir no mercado interno, enquanto as exportações brasileiras iniciaram agosto no maior ritmo diário já registrado. A combinação de estoques ajustados, recuperação do consumo doméstico e forte procura internacional dá sustentação às cotações neste começo de mês.

Na quinta-feira (13.08), o frango congelado foi negociado no atacado da Grande São Paulo a R$ 7,20 o quilo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O valor acumula alta de 0,84% desde o início de agosto.

A reação ocorre depois de um período de pressão sobre os preços no fim de julho e nos primeiros dias deste mês. O recebimento de salários aumentou o poder de compra das famílias, enquanto a volta às aulas impulsionou a procura por uma proteína amplamente utilizada no consumo doméstico, em restaurantes e na alimentação escolar.

Os estoques também estão relativamente ajustados à demanda. Esse equilíbrio reduz a necessidade de concessão de descontos por atacadistas e frigoríficos e ajuda a conter a pressão provocada pela maior oferta nacional de carne de frango.

A melhora no atacado, entretanto, não significa necessariamente uma recuperação imediata e na mesma proporção para todos os elos da cadeia. O efeito sobre a remuneração dos avicultores depende dos contratos de integração, dos custos de produção e do comportamento dos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação das aves.

No mercado externo, os números indicam uma procura ainda mais forte. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou, em média, 30 mil toneladas de carne de frango in natura por dia nos cinco primeiros dias úteis de agosto.

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É a maior média diária para o período desde o início da série histórica, em 1997. Considerada a parcial, aproximadamente 150 mil toneladas foram exportadas nos cinco primeiros dias úteis do mês.

O resultado deve ser interpretado com cautela, porque ainda não permite projetar o volume total de agosto. O ritmo dos embarques pode variar ao longo do mês devido à programação dos portos, à disponibilidade de navios, aos contratos dos frigoríficos e ao calendário dos países compradores.

A arrancada de agosto, porém, dá sequência a um julho de forte desempenho. No mês passado, o Brasil exportou 519,2 mil toneladas de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, crescimento de 29,9% em relação a julho de 2025. A receita ficou próxima de R$ 5,2 bilhões, alta de 34,3% na comparação anual, medida originalmente em dólares.

O avanço elevado também reflete a base mais fraca de 2025, quando restrições sanitárias temporárias adotadas após a confirmação de influenza aviária em uma granja comercial afetaram as vendas brasileiras. O foco foi eliminado e o Brasil recuperou gradualmente o acesso aos mercados que haviam suspendido as compras.

No primeiro semestre de 2026, os embarques chegaram a 2,936 milhões de toneladas, alta de 12,9% sobre igual período do ano anterior e recorde para os seis primeiros meses do ano.

O desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne de frango. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas de 2025.

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As exportações podem alcançar 5,875 milhões de toneladas neste ano, avanço de até 10,3%. Mesmo com o crescimento dos embarques, a disponibilidade para o mercado interno está estimada em aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, 3,1% acima do volume registrado no ano passado.

A presença simultânea de demanda doméstica mais aquecida e exportações em ritmo elevado tende a reduzir a pressão de oferta sobre o atacado. A continuidade da recuperação, contudo, dependerá do consumo após o período de pagamento de salários e da manutenção das encomendas internacionais.

Para produtores e agroindústrias, o cenário é favorável, mas exige atenção aos custos. A valorização da carne melhora a capacidade de absorver despesas, enquanto uma eventual alta do milho ou do farelo de soja pode limitar as margens. Nas próximas semanas, o mercado acompanhará se o recorde diário dos embarques será mantido e se a reação observada no atacado chegará aos demais elos da cadeia.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIOS

Exportações do agronegócio brasileiro alcançaram R$ 85,4 bilhões em julho

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As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram o equivalente a R$ 85,4 bilhões em julho e estabeleceram um novo recorde para o mês. O resultado representa crescimento de 5,4%, medido em dólares, na comparação com julho de 2025.

Os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que o desempenho foi impulsionado principalmente pelo complexo soja, que respondeu por quase 44% de toda a receita obtida pelo setor no mercado externo.

Em julho, o agronegócio foi responsável por 47,9% das exportações totais brasileiras. Os demais setores embarcaram o equivalente a R$ 92,5 bilhões, avanço de 6,9% na comparação anual, também calculado em dólares.

O complexo soja gerou aproximadamente R$ 37,3 bilhões em exportações, alta de 22,4% sobre o mesmo período do ano passado. Somente a soja em grão movimentou cerca de R$ 30,7 bilhões, com o embarque de 13,4 milhões de toneladas.

O resultado da oleaginosa refletiu a combinação entre grande disponibilidade interna, competitividade dos portos brasileiros e demanda internacional firme. O farelo de soja também contribuiu para o avanço, com vendas externas próximas de R$ 4,7 bilhões e crescimento de 28,6%.

O setor de carnes apareceu na segunda posição entre os principais grupos exportadores, com faturamento equivalente a R$ 15,2 bilhões e alta de 5,2%. Carne bovina, carne de frango e carne suína permaneceram entre os dez produtos mais importantes da pauta do agronegócio.

Os produtos florestais movimentaram cerca de R$ 8,5 bilhões, avanço de 16,5%. A celulose teve papel importante nesse desempenho, com exportações próximas de R$ 5,5 bilhões.

Nem todas as cadeias, entretanto, acompanharam o crescimento. O complexo sucroalcooleiro registrou receita de aproximadamente R$ 5,9 bilhões, queda de 27,6%. As exportações de café somaram o equivalente a R$ 4,9 bilhões, recuo de 18,2%.

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A diferença entre os segmentos mostra que o recorde mensal ficou concentrado principalmente na soja, nas carnes e nos produtos florestais. Açúcar e café, por outro lado, enfrentaram uma combinação menos favorável de preços, volumes disponíveis e comportamento dos compradores.

Soja em grão, carne bovina in natura, celulose, farelo de soja, carne de frango in natura, açúcar bruto, milho, carne suína, café verde e óleo de soja formaram a lista dos dez principais produtos exportados pelo agronegócio no mês. Juntos, responderam por 78,8% da receita externa do setor.

A concentração torna o resultado brasileiro mais sensível ao comportamento de poucos produtos, especialmente soja, carnes e celulose. Alterações na demanda internacional, nas cotações das commodities ou nas condições de acesso aos principais mercados podem provocar impactos relevantes sobre a receita do setor.

A China permaneceu como o maior destino dos produtos agropecuários brasileiros. O país asiático comprou o equivalente a R$ 29,3 bilhões em julho, representando 34,5% de todas as exportações do agronegócio.

O crescimento das vendas para o mercado chinês foi sustentado por embarques maiores de soja em grão, carne de frango e celulose. Apenas a China absorveu cerca de 70% do volume de soja brasileira exportado no período.

A União Europeia ocupou a segunda colocação, com compras equivalentes a R$ 12,5 bilhões e participação de 14,7%. O bloco ampliou as aquisições de soja em grão, farelo de soja e celulose, enquanto as compras de café verde recuaram 28,5%.

A combinação entre China e União Europeia representou praticamente metade do faturamento externo do agronegócio no mês. O cenário reforça a relevância desses mercados, mas também mostra a necessidade de ampliar destinos e reduzir a exposição a mudanças comerciais ou sanitárias em poucos compradores.

Do lado das importações, o agronegócio brasileiro adquiriu o equivalente a R$ 9,1 bilhões em produtos estrangeiros, redução de 2,8% em relação a julho de 2025.

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Esse valor, entretanto, não inclui insumos utilizados pela produção agropecuária. Segundo o Mapa, fertilizantes, defensivos e outros produtos empregados pelo setor são contabilizados separadamente.

As importações de fertilizantes alcançaram aproximadamente R$ 9,2 bilhões em julho, alta de 1,5%. Já as compras externas de defensivos agrícolas somaram cerca de R$ 3,4 bilhões, queda de 7,5%.

A separação é importante para interpretar os números. Embora o agronegócio apresente amplo saldo positivo no comércio exterior, parte relevante dos custos de produção continua vinculada à importação de insumos e, consequentemente, às oscilações do dólar, dos fretes e do mercado internacional.

No acumulado entre janeiro e julho, as exportações do agronegócio chegaram ao equivalente a R$ 540 bilhões, crescimento de 6% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e novo recorde para o período.

As importações contabilizadas na metodologia do Mapa somaram aproximadamente R$ 61,2 bilhões, queda de 1,4%. Com isso, o saldo acumulado ficou próximo de R$ 479 bilhões, sem considerar fertilizantes, defensivos e outros insumos registrados separadamente.

Para o produtor, o recorde confirma a capacidade do agronegócio brasileiro de ampliar sua presença internacional, mas não significa que todas as cadeias estejam recebendo o mesmo impulso. O resultado foi fortemente sustentado pela soja, enquanto café e produtos do complexo sucroalcooleiro perderam receita.

O desempenho dos próximos meses dependerá da demanda chinesa, dos preços internacionais, do câmbio e do ritmo dos embarques de milho e carnes. A evolução dos custos logísticos e dos insumos importados também será determinante para saber quanto da receita recorde das exportações chegará efetivamente à rentabilidade no campo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIOS

USDA eleva projeção da safra para 123 milhões de toneladas

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) elevou para 123 milhões de toneladas a projeção da safra norte-americana de soja 2026/27. O volume supera a previsão de julho, de 121,8 milhões de toneladas, e ficou acima das expectativas do mercado, que apontavam uma colheita próxima de 121,7 milhões.

A nova estimativa, divulgada no relatório de agosto, equivale a 4,519 bilhões de bushels e representa a maior produção de soja já projetada para os Estados Unidos. O aumento, no entanto, não veio de uma melhora no desempenho das lavouras.

A produtividade média foi reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre. O crescimento da produção ocorreu porque o USDA ampliou em 1,4 milhão de acres a estimativa de área a ser colhida, agora calculada em 85,8 milhões de acres.

A diferença é importante para o mercado. A revisão da produtividade indica que as condições das lavouras não são tão favoráveis quanto se previa em julho, mas a expansão da área mantém elevada a oferta norte-americana. Na prática, o relatório trouxe uma combinação de safra maior e rendimento menor.

Os estoques finais dos Estados Unidos também foram elevados. O USDA passou a projetar 320 milhões de bushels, cerca de 8,7 milhões de toneladas, ante 310 milhões de bushels no levantamento anterior. A estimativa ficou acima das aproximadamente 8,2 milhões de toneladas esperadas pelos agentes do mercado.

O aumento dos estoques tende a limitar movimentos mais fortes de alta na Bolsa de Chicago, especialmente se as exportações norte-americanas não avançarem. O USDA manteve os embarques projetados em 1,66 bilhão de bushels.

Parte da oferta adicional deverá ser absorvida pela indústria. A estimativa de esmagamento foi elevada de 2,75 bilhões para 2,78 bilhões de bushels, sustentada pela demanda por farelo e óleo de soja. Esse crescimento do consumo doméstico reduz parte do efeito negativo provocado pela safra maior.

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No cenário mundial, a produção de soja em 2026/27 foi estimada em 442,25 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 441,7 milhões previstas em julho. Os estoques finais globais ficaram em 124,21 milhões de toneladas, mantendo uma relação de oferta e demanda considerada confortável.

O Brasil continua como principal responsável pela expansão da produção mundial. O USDA manteve em 186 milhões de toneladas a previsão para a safra brasileira 2026/27. Para o ciclo 2025/26, a estimativa foi elevada para 180,5 milhões de toneladas.

O número está praticamente alinhado ao levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal calcula que o Brasil colherá 180,46 milhões de toneladas de soja em 2025/26, crescimento de 5,2% sobre as 171,48 milhões de toneladas da temporada anterior.

A área brasileira foi estimada em 48,61 milhões de hectares, aumento de 2,7%. A produtividade média deve alcançar 3.712 quilos por hectare, avanço de 2,5%. A combinação de expansão da área e recuperação do rendimento levou a produção nacional para um patamar inédito.

Brasil e Estados Unidos, portanto, devem colocar no mercado duas safras de grande volume. Esse quadro aumenta a importância da demanda chinesa para o equilíbrio das cotações. O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a previsão de importações da China em 2026/27, ante 113 milhões no ciclo atual.

A disputa por esse mercado tende a crescer durante a entrada da safra norte-americana. O Brasil possui vantagem no primeiro semestre, quando concentra a colheita e os embarques, enquanto os Estados Unidos ganham competitividade a partir do segundo semestre. Preços, câmbio, frete e relações comerciais determinarão a origem escolhida pelos compradores chineses.

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Apesar do aumento da oferta projetada pelo USDA, os preços brasileiros encerraram a semana em alta. O Indicador da Soja do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com referência no porto de Paranaguá, fechou a sexta-feira (14.08) em R$ 148,95 por saca de 60 quilos, valorização de 1,37% no dia e de 2,62% na semana.

No mercado paranaense, o indicador terminou a sexta-feira em R$ 141,16 por saca, com alta semanal de 2,79%. As cotações domésticas continuam dependendo da combinação entre Bolsa de Chicago, dólar e prêmios pagos nos portos. Por isso, uma safra maior nos Estados Unidos não se traduz automaticamente em queda na mesma proporção para o produtor brasileiro.

As projeções do USDA ainda poderão mudar. Entre segunda e quinta-feira, de 17 a 20 de agosto, mais de 100 técnicos do Crop Tour da Pro Farmer percorrerão cerca de 2 mil lavouras de soja e milho em sete estados norte-americanos. O levantamento servirá como uma conferência de campo dos números oficiais, com atenção especial aos efeitos da seca, do excesso de chuva e das doenças sobre as plantas.

Para o produtor brasileiro, o relatório de agosto reforça um cenário de oferta mundial elevada e menor espaço para altas sustentadas apenas por problemas de produção. A evolução do clima nos Estados Unidos, os resultados do Crop Tour, o ritmo das compras chinesas, o câmbio e os prêmios de exportação deverão definir o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Pensar Agro

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