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Prazo para evitar restrições do agro brasileiro na UE termina quinta-feira

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Faltam cinco dias para o Brasil chegar ao prazo decisivo para evitar restrições às exportações de produtos de origem animal para a União Europeia. Na próxima quinta-feira (03.09), entram em vigor as novas exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, e o País terá de demonstrar que seus sistemas de controle atendem às regras para preservar o acesso ao mercado europeu.

Faltando poucos dias para o prazo, uma auditoria europeia verifica os sistemas brasileiros de controle e rastreamento do uso dessas substâncias. O governo sustenta que não existem razões técnicas ou sanitárias que justifiquem a suspensão das exportações e trabalha para que eventuais divergências sejam resolvidas durante a própria avaliação.

O ponto central não é a qualidade da carne ou a presença de resíduos acima dos limites permitidos. A União Europeia passou a exigir dos países fornecedores garantias de que animais e produtos destinados ao bloco não tenham sido produzidos com determinados antimicrobianos proibidos pelas regras europeias, inclusive aqueles utilizados com finalidade de promoção de crescimento ou aumento de rendimento.

Isso criou uma exigência adicional para os países exportadores. Não basta que o alimento entregue esteja dentro dos padrões de resíduos. O fornecedor precisa comprovar também como determinados medicamentos foram utilizados durante a criação dos animais.

É justamente essa comprovação que colocou o Brasil sob pressão nos últimos meses. A cadeia produtiva brasileira utiliza medicamentos veterinários dentro das normas nacionais e possui sistemas oficiais de controle sanitário, mas precisa demonstrar que os animais destinados ao mercado europeu podem ser segregados e acompanhados de acordo com os critérios exigidos pelo bloco.

A auditoria em andamento analisa esses mecanismos. Frango e mel estão entre os produtos diretamente avaliados nesta etapa, mas as novas regras europeias alcançam diferentes produtos de origem animal e mantêm outras cadeias exportadoras em atenção.

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A possibilidade de restrições preocupa porque o mercado europeu tem peso comercial muito superior ao volume físico comprado. A União Europeia está entre os destinos que melhor remuneram determinados cortes e produtos brasileiros, especialmente aqueles de maior valor agregado.

Na carne bovina, por exemplo, as compras europeias vêm crescendo justamente às vésperas da entrada das novas exigências. Em julho, o bloco importou 12,5 mil toneladas do Brasil, aumento de pouco mais de 52% em relação ao mesmo mês de 2025.

Entre janeiro e julho, foram 63,7 mil toneladas, crescimento superior a 10%. A receita acumulada também avançou, refletindo o valor mais elevado dos produtos destinados ao mercado europeu.

Por isso, uma eventual interrupção não teria efeito apenas sobre frigoríficos habilitados a vender para a Europa. A perda ou redução de um mercado de maior valor diminui as alternativas de comercialização da indústria brasileira e obriga o redirecionamento da produção para outros compradores.

Para o pecuarista, preservar diferentes mercados externos é importante porque aumenta a concorrência pelos animais e reduz a dependência de poucos destinos. A China continua absorvendo a maior parcela da carne bovina brasileira, mas mercados como União Europeia, Estados Unidos, Chile e México ajudam a diversificar as vendas e a composição dos cortes exportados.

O governo brasileiro argumenta que o País possui um sistema sanitário robusto e que não há fundamento técnico para a imposição de novas barreiras. A estratégia, agora, é demonstrar durante a auditoria que os controles existentes e as adaptações realizadas são suficientes para atender às exigências europeias.

O prazo curto, entretanto, mantém o setor em alerta. Se a União Europeia considerar que os mecanismos de controle ainda não garantem integralmente o cumprimento das novas regras, determinados produtos ou estabelecimentos poderão enfrentar restrições até que as inconformidades sejam corrigidas.

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A situação é diferente de um embargo provocado pela descoberta de uma doença animal ou por um problema sanitário em um carregamento. Trata-se de uma adequação regulatória que passou a ser exigida dos países que pretendem continuar exportando para o bloco.

A posição brasileira é de que não existem motivos sanitários para fechar o mercado; o desafio dos próximos dias é fazer essa avaliação prevalecer também entre os auditores europeus.

Fonte: Pensar Agro

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Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

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A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

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A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

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Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

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Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral

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A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.

A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.

A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.

Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.

A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.

O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.

Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas

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Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.

A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.

O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.

Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.

Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.

Trigo perde área e produção

O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.

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A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.

Fonte: Pensar Agro

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