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MATO GROSSO

Polícia Civil cumpre 21 mandados contra grupo suspeito de golpes e lavagem de dinheiro

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6.5), a Operação Janus, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso estruturado para a prática de crimes de estelionato, integração a organização criminosa e lavagem de capitais.

Na operação, são cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de contas bancárias de 21 suspeitos, além de ter sido decretada a indisponibilidade de valores até o limite de R$ 160 mil, com o fim de assegurar a recuperação dos ativos ilícitos e o ressarcimento dos prejuízos causados às vítimas.

As ordens judiciais foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá, com base em investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, que evidenciou a atuação coordenada e reiterada do grupo criminoso.

Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger, além de cidades dos Estados de Minas Gerais e do Acre.

Modo de atuação

De acordo com as investigações, no mês de janeiro de 2024, duas vítimas foram alvos do denominado “golpe do terceiro intermediário”, modalidade de fraude caracterizada pela intermediação enganosa entre comprador e vendedor de veículo. Os golpistas simulam negociações legítimas para induzir as partes ao erro e obter vantagem ilícita.

No curso das diligências, foi possível identificar o principal articulador do esquema criminoso, responsável pela criação de perfis falsos em redes sociais e pela coordenação das transações fraudulentas.

Os demais investigados atuavam como titulares de contas bancárias utilizadas para o recebimento dos valores ilícitos, ou como operadores na cadeia de lavagem de capitais. Ao todo, apurou-se a movimentação de aproximadamente R$ 160 mil, quantia subtraída das vítimas.

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Lavagem de dinheiro

As investigações também revelaram que o grupo operava uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro, utilizando múltiplas contas bancárias distribuídas em diversos estados do país, incluindo Mato Grosso, Minas Gerais, Acre, Rondônia e Rio de Janeiro.

Os valores eram submetidos a um processo de triangulação financeira, por meio de transferências sequenciais e fracionadas, com o objetivo de dificultar o rastreamento e a identificação da origem ilícita dos recursos.

O delegado Bruno Palmiro, responsável pelas investigações, destaca que a Operação Janus representa mais uma ação estratégica no enfrentamento qualificado aos crimes patrimoniais e financeiros.

“Especialmente aqueles praticados por meio de fraudes eletrônicas e estruturas organizadas, reafirmando o compromisso da Polícia Civil com a repressão à criminalidade complexa e a proteção do patrimônio da sociedade”, disse o delegado.

Operação Janus

O nome da operação, “Janus”, faz referência a Jano, tradicionalmente representado com duas faces, e remete ao modus operandi do golpe do terceiro intermediário, no qual o fraudador se apresenta de forma distinta para cada uma das vítimas, conseguindo enganar tanto o vendedor quanto o comprador do veículo, manipulando informações e conduzindo a negociação de maneira fraudulenta.

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

Comprador será ressarcido em R$ 100 mil após imóvel prometido não ser construído

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A imagem apresenta uma balança dourada, símbolo da justiça, centralizada em um fundo branco. À direita da base da balança, as letras "TJMT" em dourado. No lado direito, a frase "2ª INSTÂNCIA" em azul e "DECISÃO DO DIA" em azul escuro e negrito. No lado esquerdo, três linhas horizontais azul-marinho.Resumo:

  • Comprador consegue rescindir contrato e reaver valores após empreendimento imobiliário não sair do papel.

  • Decisão também permite atingir bens dos sócios, mas afasta indenização por dano moral.

Um comprador que adquiriu uma unidade imobiliária e não viu o empreendimento sair do papel conseguiu rescindir o contrato e garantir a devolução integral dos valores pagos. A decisão é da Terceira Câmara de Direito Privado, relatada pelo juiz convocado Antonio Veloso Peleja Junior.

De acordo com o processo, o consumidor firmou contrato para aquisição de um imóvel em um empreendimento que sequer teve as obras iniciadas, mesmo após mais de um ano da negociação. Além disso, foi constatado que o terreno destinado à construção enfrentava entraves judiciais, o que inviabilizou a execução do projeto.

Diante do descumprimento contratual, a sentença de Primeira Instância já havia determinado a rescisão do contrato e a restituição de R$ 100 mil pagos pelo comprador. No recurso, o autor buscava, entre outros pontos, a responsabilização dos sócios das empresas envolvidas e indenização por danos morais.

Ao analisar o caso, o relator afastou a alegação de cerceamento de defesa, destacando que o julgamento antecipado não causou prejuízo, já que o pedido principal havia sido integralmente acolhido.

O colegiado reconheceu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, inclusive na modalidade de “consumidor-investidor”, entendendo que o comprador, embora pretendesse investimento, não possuía expertise no mercado imobiliário e, por isso, era parte vulnerável na relação.

Com base nisso, foi aplicada a chamada teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica. O entendimento foi de que, nas relações de consumo, basta a comprovação de que a empresa representa um obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos. No caso, pesaram fatores como a existência de diversas ações semelhantes contra a empresa, valores que superam seu capital social, a admissão de que o empreendimento não seria executado e indícios de débitos fiscais.

Assim, foi autorizada a inclusão do patrimônio dos sócios para garantir o pagamento da dívida ao consumidor.

Por outro lado, o pedido de indenização por danos morais foi negado. Segundo o relator, o inadimplemento contratual, por si só, não gera automaticamente dano moral, sendo necessária a comprovação de abalo significativo, o que não ficou demonstrado nos autos.

A decisão também alterou a distribuição das custas do processo. Como o comprador teve êxito na maior parte dos pedidos, foi reconhecida sucumbência mínima, determinando que as empresas arquem integralmente com custas e honorários advocatícios.

Processo nº 1012822-95.2023.8.11.0040

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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MATO GROSSO

A Resiliência Amazônica e o Valor da Ciência: Contraponto ao Alarmismo

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O futuro da Amazônia é, sem dúvida, uma das questões mais prementes do nosso tempo. Nas últimas décadas, o debate ambiental tem sido frequentemente dominado por narrativas que apontam para um colapso iminente. A tese do “ponto de não retorno” (ou tipping point), formulada e defendida por cientistas de renome como Carlos Nobre e o saudoso Thomas Lovejoy, sugere que o desmatamento contínuo e as mudanças climáticas podem empurrar a maior floresta tropical do mundo para um processo irreversível de savanização. Como pesquisador e doutor em Ciências Ambientais pela UNEMAT, com atuação na intersecção com a regulação jurídica, acompanho de perto essas discussões. Reconheço a importância do alerta, mas também compreendo que o direito e as políticas públicas precisam ser fundamentados em evidências científicas robustas e multifacetadas, e não apenas no medo do pior cenário. Em um estado como Mato Grosso, onde produção agropecuária, investimento e conservação ambiental coexistem, ciência de qualidade também é condição para políticas públicas estáveis e previsibilidade regulatória. Essa discussão não é abstrata. Ela diz respeito ao modo como Mato Grosso conciliará produção, segurança jurídica e proteção ambiental nas próximas décadas. Nesse contexto, a publicação recente do artigo “Forest recovery pathways after fire, drought, and windstorms in southeastern Amazonia” (Maracahipes et al., 2026), na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), traz uma contribuição inestimável. Trata-se de um estudo de longo prazo, conduzido ao longo de duas décadas, que investiga a capacidade de recuperação da floresta após perturbações severas. A pesquisa ganha ainda mais relevância pela credibilidade das instituições envolvidas, incluindo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Yale University, o Woodwell Climate Research Center, a Columbia University e o Max Planck Institute. O monitoramento contínuo de áreas afetadas por incêndios, secas e tempestades de vento oferece dados empíricos cruciais para entendermos a verdadeira dinâmica de resiliência do bioma. A metodologia adotada pelos pesquisadores é fascinante e rigorosa. Em vez de apenas observar áreas desmatadas, o estudo acompanhou parcelas experimentais na região de transição entre a Amazônia e o Cerrado, no Mato Grosso, Município de Querência onde está localizada a Estação de Pesquisa Tanguro, operada e mantida pelo IPAM. A escolha do local é relevante porque representa uma zona de transição ecológica crítica onde a floresta amazônica encontra o bioma do Cerrado. Essa área é particularmente vulnerável a incêndios e mudanças de cobertura vegetal, tornando-a um laboratório natural ideal para estudar os efeitos de perturbações múltiplas (incêndios, secas e tempestades) na resiliência florestal. Algumas dessas áreas foram submetidas a incêndios controlados anuais e trienais entre 2004 e 2010, período que também coincidiu com secas severas. Após 2010, o fogo foi interrompido, permitindo que os cientistas observassem a recuperação natural da floresta. O diferencial desta pesquisa é que ela não se limitou a verificar se as árvores voltaram a crescer; os autores analisaram a diversidade de espécies, a composição da vegetação e o funcionamento ecológico, como a resistência à seca e a dinâmica de invasão por gramíneas. Os resultados são reveladores e trazem uma mensagem de esperança fundamentada. O estudo demonstra que, uma vez cessado o fogo, a floresta apresenta uma notável capacidade de recuperação estrutural. A cobertura de gramíneas invasoras, que inicialmente dominou as bordas queimadas, reduziu-se drasticamente com o retorno do dossel florestal. No entanto, a pesquisa também faz um alerta importante: a floresta que ressurge não é idêntica à original. Observou-se uma perda significativa de espécies florestais especializadas e um aumento de espécies generalistas, mais tolerantes a condições adversas. Isso significa que, embora a floresta se recupere, sua composição e diversidade são alteradas, tornando-se ecologicamente mais simples. É aqui que o estudo de Maracahipes e colegas dialoga de forma brilhante com as teses de Nobre e Lovejoy. De maneira respeitosa, a pesquisa relativiza a ideia de um colapso imediato e homogêneo. Os dados mostram que a Amazônia possui uma resiliência local, capaz de reverter processos de degradação quando as pressões (como o fogo recorrente) são removidas. Contudo, isso não invalida os riscos sistêmicos em larga escala apontados pelos defensores do tipping point. Pelo contrário, o estudo evidencia que a degradação contínua altera a estrutura da floresta, o que, em um cenário de mudanças climáticas agravadas, pode facilitar a transição para ecossistemas mais abertos. Como em todo trabalho científico de excelência, é necessário reconhecer as limitações do estudo para delimitar adequadamente seu alcance. A pesquisa concentrou-se em um único sítio experimental e avaliou a recuperação em uma escala temporal de cerca de vinte anos, o que exige cautela na generalização de seus resultados e na comparação com outras abordagens que trabalham com horizontes ecológicos mais amplos. Ainda que os objetivos dos estudos sejam distintos, pesquisas de larga escala temporal indicam que a recuperação florestal plena — especialmente em termos de biomassa total e, sobretudo, de composição de espécies, que define a identidade ecológica do ecossistema — ocorre em escalas de décadas a séculos, e não de poucos decênios. Artigo publicado na revista Science, coordenada por Poorter, fala em até 12 décadas para que a biomassa e composição de espécies voltem a valores próximos aos originais. Em outro estudo, publicado na Science Advances, os pesquisadores Rozendaal e colegas chegam a falar em tempo médio de 780 anos, por exemplo. Assim, embora o estudo de Maracahipes e colaboradores ofereça evidências robustas de resiliência local e recuperação inicial após a interrupção do fogo, sua escala temporal pode não ser adequada para avaliar processos ecológicos de longo prazo, particularmente aqueles associados à reconstrução funcional completa da floresta. Reconhecer essa limitação não diminui o valor do trabalho, mas reforça que seus resultados devem ser lidos como parte inicial de trajetórias ecológicas muito mais longas e complexas.Por fim, o foco na dicotomia floresta-savana pode subestimar formas intermediárias de degradação florestal que também comprometem os serviços ecossistêmicos. Essas ressalvas, no entanto, não desqualificam o estudo; pelo contrário, reforçam a necessidade de mais ciência. É importante lembrar que produção agropecuária legal e desmatamento ilegal são fenômenos distintos — e a ciência é essencial justamente para diferenciá-los e orientar respostas adequadas a cada um. Nesse contexto, o artigo de Maracahipes representa um avanço fundamental para a ecologia amazônica e para a formulação de políticas públicas. Ele nos ensina que a ciência se constrói com a acumulação de evidências e o debate contínuo, não com dogmas, posições ideológicas ou conclusões definitivas. A Amazônia demonstra uma resiliência extraordinária, mas essa capacidade de recuperação não é infinita nem garantida. O modo como lidamos com essa resiliência hoje determinará o tipo de floresta — ou sua ausência — que será herdada pelas próximas gerações. Proteger a floresta continua sendo a estratégia mais eficaz e juridicamente prudente, mas compreender sua capacidade de regeneração é essencial para desenharmos estratégias de restauração realistas e baseadas em dados, afastando-nos do alarmismo paralisante e abraçando a ação informada. Marcelo Caetano Vacchiano é Promotor de Justiça e atua na área ambiental há mais de 20 anos em Mato Grosso e Diretor da Fundação Escola Superior do Ministério Público. Mestre em Geografia (UFMT) e Doutor em Ciências Ambientais (UNEMAT)

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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