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Mato Grosso e Bolívia firmarão acordo para combate ao tráfico de pessoas

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O Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Netrap), que é vinculado a Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Setasc), firmará um acordo bilateral com a Bolívia para viabilizar medidas de combate ao tráfico de pessoas.

O assunto foi pauta de uma reunião entre representantes bolivianos com o governador do Estado, Mauro Mendes, e a secretária da Setasc, Rosamaria Carvalho, e realizado na segunda-feira (29.07), dia que antecede o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.  Após o encontro, foi também realizada a 2ª Reunião Bilateral Brasil-Bolívia sobre Tráfico de Pessoas. 

O governador ressaltou a importância do trabalho em conjunto e a boa vontade para resolver os problemas que envolvem o assunto.

“O tráfico de pessoas é algo que envolve muitos setores. É preciso que a importância do assunto seja de entendimento de todos. Estaremos sempre apoiando ações como essa”, disse Mendes.

“Haverá todo um trabalho em conjunto para combater o tráfico de pessoas, cuja luta está inserida na pasta de Direitos Humanos da Setasc, mas dependerá de ações de outras secretarias e entidades ligadas ao Estado”, completou Rosamaria.

A secretária-adjunta de Direitos Humanos, Salete Morockoski, explicou que a 2ª Reunião Bilateral Brasil-Bolívia sobre Tráfico de Pessoas será dividida em três dias, finalizando com a assinatura do termo de intenção entre o governo de Mato Grosso e a Bolívia.

“Estamos discutindo todas as áreas que envolve a problemática, incluindo entidades e representantes que trabalham com o tema, para chegar ao acordo bilateral”, pontuou. 

A coordenadora do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap-MT), Dulce Regina Amorim, explicou que o tráfico de pessoas cresceu nos últimos anos principalmente entre crianças e adolescentes para exploração sexual, embora muitos casos não sejam quantificados.

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“É preciso uma atuação mais compacta para proteger a vítima. Temos casos impressionantes de tráfico para Bolívia, assim como em situações que envolvem pessoas bolivianas traficadas em Mato Grosso”, afirmou Amorim.

 

Dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) mostram que mais de 500 pessoas foram vítimas de tráfico, entre 2013 e 2017, direcionadas, na maior parte, para o trabalho escravo. A representante do governo boliviano, Ana Valeria Escobar, informou os trabalhos de combate ao tráfico de pessoas realizados na Bolívia, mas destacou a necessidade do apoio bilateral para a continuidade das ações, principalmente no que se refere a prevenção. 

“É fundamental essa sincronia de informações para coibir esse crime nos dois países”, pontuou. 

O coordenador do Programa Escola de Conselhos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Antônio José Ângelo Motti, que desenvolveu um trabalho de combate ao tráfico de pessoas nos países da Mercosul, ressaltou que esse acordo bilateral Brasil/Bolívia, de iniciativa do governo mato-grossense, é um avanço único no país.

“Tivemos várias discussões em Mato Grosso do Sul, mas nada que envolvesse outro país”, concluiu.

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Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT

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Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.

A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.

O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.

“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou

Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.

A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.

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“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.

Participação ativa

Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.

“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou

Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.

“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.

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Formação alinhada às metas institucionais

A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.

O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.

O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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