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TECNOLOGIA

Brasil amplia parcerias internacionais em ciência e tecnologia durante missão na Europa

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Maior cooperação científica, novas possibilidades de pesquisa conjunta, articulação com brasileiros que atuam no exterior e abertura de caminhos para transformar conhecimento em desenvolvimento. Esses são alguns dos são resultados da participação do ministro interino do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Fernandes, na missão presidencial à Europa, de 16 a 21 de abril. A passagem pela Espanha e pela Alemanha integrou o esforço do Governo do Brasil para fortalecer relações bilaterais, ampliar parcerias estratégicas e apoiar a reindustrialização do País com base em ciência, tecnologia e inovação.

Reuniões bilaterais e encontros institucionais tiveram como foco ampliar a cooperação internacional em áreas estratégicas como inteligência artificial, supercomputação, clima, energia, tecnologias quânticas, oceanos e minerais críticos. As tratativas buscaram viabilizar projetos conjuntos, aproximar a produção científica brasileira de iniciativas internacionais e fortalecer a conexão entre pesquisa, inovação e setor produtivo.

Na Espanha, o ministro interino do MCTI se reuniu com a ministra da Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant, para avançar na cooperação bilateral em CT&I. Foram discutidos os próximos passos do plano de trabalho 2026-2028, que prevê chamadas conjuntas, intercâmbio de pesquisadores e desenvolvimento de projetos em áreas como clima, transição energética, saúde, espaço, oceanos e transformação digital. Entre as prioridades estão iniciativas em vacinas, monitoramento ambiental e inteligência artificial, incluindo grandes modelos de linguagem em português e espanhol.

Ao destacar os objetivos da cooperação internacional, o ministro enfatizou o foco em resultados concretos. “O plano envolve ações concretas como o desenvolvimento de vacinas, modelos de aplicação de monitoramento ambiental e climático, desenvolvimento de grande modelo de linguagem de IA em português e espanhol, e financiamento conjunto de projetos de pesquisa e inovação”, afirmou.

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Em Barcelona, Luis Fernandes também acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agenda no Barcelona Supercomputing Center (BSC), referência europeia em computação de alto desempenho. O encontro destacou a importância da infraestrutura computacional para a soberania tecnológica e o avanço da inteligência artificial, além de reforçar a cooperação já em curso com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e o Instituto Eldorado no desenvolvimento de soluções avançadas e novas arquiteturas de chips.

Parcerias estratégicas e novos acordos

Na Alemanha, a programação incluiu encontro com a ministra federal de Pesquisa, Tecnologia e Espaço, Dorothee Bär, seguido da assinatura de seis atos de cooperação entre Brasil e Alemanha. Os instrumentos tratam de áreas estratégicas e buscam abrir ou renovar frentes de trabalho com potencial de desdobramento em projetos conjuntos, chamadas públicas e mecanismos de financiamento.

Atos firmados:

  • Espaço: missão CO2Image, de monitoramento de gases de efeito estufa a partir de fontes pontuais
  • Clima: ampliação da cooperação em pesquisa, com iniciativas ligadas à Amazônia e a outros biomas, como o Cerrado
  • Energia climaticamente neutra: desenvolvimento de soluções como hidrogênio de baixa emissão, combustíveis sustentáveis e outras tecnologias para a transição energética
  • Pesquisa marinha: fortalecimento do intercâmbio em observação oceânica, resiliência climática, ciência polar e economia azul
  • Tecnologias quânticas: promoção de parcerias em pesquisa, formação e desenvolvimento de aplicações em área de fronteira
  • Minerais críticos e estratégicos: cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação com foco em agregação de valor e fortalecimento de cadeias produtivas no Brasil

Conexão com pesquisadores no exterior

Durante a missão, o ministro interino também se reuniu com integrantes da Rede Apoena, formada por pesquisadores brasileiros que atuam na Alemanha. No encontro, o grupo manifestou interesse em ampliar a colaboração com instituições nacionais e atuar como ponte para iniciativas conjuntas entre Brasil e Alemanha, o que reforça a importância de manter vínculos ativos com a diáspora científica e de criar caminhos para circulação de conhecimento e desenvolvimento de projetos colaborativos.

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Na ocasião, Luis Fernandes apresentou oportunidades abertas pelo MCTI, incluindo chamadas e ações do programa Conhecimento Brasil, que atrai e reconecta pesquisadores brasileiros com o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.

Inteligência artificial e agenda industrial

Outro compromisso em Hannover foi a reunião com o ministro federal Karsten Wildberger para o fortalecimento da cooperação em inteligência artificial. A iniciativa busca estruturar uma frente estratégica com aplicações na indústria e no governo digital, além de prever a definição de pontos focais e o desenvolvimento de ações conjuntas. A proposta envolve temas como infraestrutura computacional, uso de dados, inovação empresarial e diretrizes para aplicação responsável da tecnologia, em alinhamento com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia).

Na frente de minerais críticos, a cooperação foi estruturada para ir além da exportação de matérias-primas. O objetivo apresentado nos documentos é estimular pesquisa, desenvolvimento e inovação em exploração, extração, processamento, circularidade e monitoramento, com participação de instituições científicas e empresas dos dois países. A orientação é agregar valor no território brasileiro, fortalecer capacidades industriais e aproximar a agenda mineral da estratégia nacional de soberania tecnológica.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

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A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

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Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Pesquisa sobre águas da Amazônia leva Maria Teresa Fernandez Piedade ao Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026

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A trajetória científica de Maria Teresa Fernandez Piedade, marcada por décadas de dedicação à Amazônia, foi reconhecida com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026, uma das principais honrarias da ciência brasileira. Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ambos vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ela se consolidou como referência no estudo das áreas alagáveis e da dinâmica dos rios amazônicos, essenciais para o equilíbrio ambiental e climático do País. 

Desde o início de sua formação, a cientista já indicava o caminho que seguiria. “Sempre tive uma curiosidade natural pela água e pelos organismos associados”, relata. A escolha pela biologia veio acompanhada do desejo de atuar na Amazônia. “Quando decidi fazer biologia, imediatamente pensei em fazer pesquisa, e, de preferência, na região. Naquela época, esse desejo parecia apenas um sonho”, lembra. 

Ao longo de quase cinco décadas, Maria Teresa concentrou seus estudos nas adaptações da vegetação e de outros organismos às variações dos níveis dos rios, fenômeno que altera profundamente os ecossistemas amazônicos. Segundo ela, compreender essa dinâmica é essencial para entender o funcionamento da floresta e suas conexões. “Meu trabalho é, principalmente, buscar as adaptações da vegetação aos corpos de água da região dos grandes e dos pequenos rios da Amazônia e estudar como os organismos se adaptam a esses sistemas onde a água sobe e desce ao longo do ano”, resume.  

A pesquisadora também tem se dedicado a investigar os impactos das intervenções humanas nesses ambientes. Estudos conduzidos por sua equipe apontam que alterações no regime natural dos rios, como as causadas por barragens, podem provocar mudanças profundas na vegetação e na biodiversidade.  

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Apesar dos avanços, ela faz um alerta sobre os desafios persistentes. “É uma corrida contra o tempo”, diz, ao se referir às pressões causadas por desmatamento, poluição e mudanças climáticas. Para a cientista, ainda há grandes lacunas de conhecimento na região, o que torna urgente a formação de novos pesquisadores e o fortalecimento da ciência na Amazônia. 

O prêmio  

Ao comentar a premiação, Maria Teresa reconhece o caráter simbólico da conquista. “Receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável”, afirma. “Eu nunca pensei que receberia essa honraria, foi uma grata surpresa que me deixou bastante emocionada e lisonjeada”, comemora.   

Ela também ressalta o papel do apoio institucional ao longo de sua trajetória, especialmente do CNPq, que viabilizou bolsas e projetos fundamentais para o desenvolvimento de suas pesquisas. 

Piedade também enfatiza a importância de ampliar a participação feminina na ciência. “Nenhuma mulher deve se sentir menor e deixar de fazer pesquisa porque é mulher”, afirma, destacando a contribuição feminina para uma ciência mais colaborativa e sensível às dimensões humanas do trabalho científico. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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