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AGRONEGÓCIOS

Fim das exportações de carnes para a União Europeia pode reduzir o PIB em 0,08%

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A União Europeia interrompe nesta quinta-feira (03.09) a entrada de novas cargas de carne bovina e de aves produzidas no Brasil. A restrição também alcança ovos, pescado, mel, carne de equinos e tripas utilizadas pela indústria. O bloqueio decorre da retirada do País da lista de fornecedores considerados aptos a cumprir as novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Na prática, produtos acompanhados de certificado sanitário emitido a partir desta quinta-feira não poderão ingressar no bloco. Cargas certificadas até quarta-feira (2) seguem as regras anteriores e poderão concluir o transporte e o desembaraço nos portos europeus.

A decisão não foi motivada pela descoberta de doença nos rebanhos nem pela presença de resíduos na carne exportada. A União Europeia alegou que não recebeu garantias suficientes de que o Brasil poderá comprovar, durante todo o ciclo de vida dos animais, o cumprimento das proibições impostas pelo bloco.

As normas europeias impedem a utilização de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e restringem medicamentos considerados essenciais ao tratamento de infecções em seres humanos. O Brasil sustenta que atende às exigências e que já encaminhou os documentos e protocolos solicitados.

Embora represente uma parcela pequena do volume total exportado pelo Brasil, a União Europeia é um dos mercados mais rentáveis para a carne bovina. Entre janeiro e julho deste ano, o bloco comprou 63,7 mil toneladas, com receita equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões.

O volume cresceu 10,4% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita avançou 22,8%. A União Europeia respondeu por 3,24% da quantidade de carne bovina exportada pelo País, mas por 4,92% do faturamento. O preço médio ficou próximo de R$ 44,9 mil por tonelada, o maior entre os principais compradores do produto brasileiro.

Em 2025, os embarques de carne bovina para o bloco haviam alcançado 128,9 mil toneladas e aproximadamente R$ 5,4 bilhões. Quando são somadas as carnes de aves e os demais produtos de origem animal afetados, o comércio colocado em risco pela restrição pode se aproximar de R$ 10,2 bilhões por ano.

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O impacto sobre a economia brasileira não será suficiente, isoladamente, para comprometer a balança comercial do País. O efeito mais forte deverá aparecer dentro da cadeia pecuária, sobretudo entre frigoríficos e produtores preparados para atender ao mercado europeu, que remunera melhor animais rastreados e cortes de maior valor.

A perda desse destino pode obrigar as indústrias a redirecionar produtos para outros compradores e aceitar preços menores. A substituição não é automática porque cada mercado procura cortes, embalagens e padrões diferentes. Parte da carne vendida à Europa, especialmente os cortes nobres refrigerados, não encontra comprador equivalente com a mesma facilidade.

IMPACTO – Para o engenheiro agrônomo Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o bloqueio da UE parece pequeno para a economia brasileira, mas é impactante.

“Os cerca de R$ 10,2 bilhões representam o valor anual das exportações colocadas em risco, e não uma redução automática do PIB. Tomando como referência o PIB brasileiro de R$ 12,7 trilhões em 2025, esse comércio corresponde a aproximadamente 0,08% da economia. Como a suspensão começou em setembro, a parcela potencialmente afetada neste ano ficaria perto de R$ 3,4 bilhões, ou 0,025% do PIB, antes de considerar o redirecionamento dos produtos para outros mercados”, analisa

“Para o País, o efeito direto sobre o crescimento econômico pode parecer pequeno, mas essa média esconde um impacto muito maior sobre produtores, frigoríficos e municípios dependentes da pecuária. A União Europeia compra cortes de maior valor e remunera animais que atendem a exigências específicas de rastreabilidade. Quando esse mercado desaparece, a indústria precisa buscar outros compradores, muitas vezes aceitando preços menores, o que reduz margens e pode aumentar a pressão sobre o valor pago pela arroba”, afirma.

“O Brasil precisa trabalhar simultaneamente em duas frentes: demonstrar rapidamente o cumprimento das exigências e recuperar o mercado europeu, além de ampliar destinos para reduzir a dependência de poucos compradores. O redirecionamento não será simples, especialmente porque a China também limitou suas importações por meio de cotas. Mais do que o volume interrompido, está em jogo a presença brasileira em um mercado de alto valor e a credibilidade do País como fornecedor confiável de alimentos”, acrescenta Rezende.

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REAÇÃO – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que vê com preocupação a interrupção e trabalha com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para reincluir o País na relação de fornecedores autorizados.

Segundo a entidade, um protocolo de controle do uso de antimicrobianos foi desenvolvido em conjunto com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Todas as empresas associadas à Abiec habilitadas a vender para a União Europeia já aderiram ao sistema.

A associação ressaltou que a medida tem caráter regulatório e não altera a qualidade, a segurança nem a condição sanitária da carne brasileira, atualmente comercializada em mais de 170 mercados. O problema, neste momento, é demonstrar às autoridades europeias que os controles alcançam todas as etapas exigidas pelo bloco.

A CNA considera a restrição injustificada e afirma que a União Europeia está aplicando suas próprias normas à produção realizada fora do território europeu. A entidade enviou ofícios ao Ministério das Relações Exteriores e à Comissão de Relações Exteriores do Senado pedindo providências para reverter o bloqueio.

Entre as medidas sugeridas está a avaliação do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previsto no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Esse instrumento permite discutir compensações quando uma decisão unilateral altera as condições econômicas estabelecidas entre as partes.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa as indústrias de aves, afirma que a produção brasileira de frango cumpre integralmente as exigências europeias. Uma missão da União Europeia encerra nesta sexta-feira (04.09) uma auditoria nos sistemas de produção de aves e mel. Caso o resultado seja favorável, esses produtos poderão recuperar o acesso ao bloco ainda neste ano, embora não exista data confirmada.

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Para a carne bovina, a solução tende a ser mais demorada. A União Europeia quer provas de conformidade durante toda a vida do animal, desde a criação até o abate. Isso exige registros nas propriedades, segregação dos bovinos elegíveis, rastreabilidade dos tratamentos veterinários e controles nos frigoríficos.

A Abiec afirma que as garantias oficiais já foram entregues, mas a Comissão Europeia ainda não indicou quando poderá reavaliar a situação. Autoridades do bloco admitem que a análise da cadeia bovina pode se estender além de 2026 e, no cenário mais desfavorável, chegar a 2028.

CLIMA RUIM – O bloqueio chega em um momento especialmente desfavorável. A China, maior compradora da carne bovina brasileira, estabeleceu para 2026 uma cota de 1,106 milhão de toneladas. Os embarques que ultrapassarem esse limite ficam sujeitos a uma tarifa adicional de 55%. Em 2025, o Brasil vendeu aos chineses 1,648 milhão de toneladas, o que mostra a dificuldade de transferir para aquele mercado todo o volume recusado pela Europa.

Reino Unido, México, países do Oriente Médio e outros mercados asiáticos aparecem entre as alternativas para parte dos produtos. O Reino Unido deixou a União Europeia e não acompanhou automaticamente a restrição que começa nesta quinta-feira. Ainda assim, estudos do setor indicam que o redirecionamento poderá exigir descontos e reduzir as margens dos frigoríficos.

Para o pecuarista, o risco é de maior pressão sobre o preço do boi, principalmente nas regiões onde estão concentradas propriedades e indústrias habilitadas a fornecer à Europa. O tamanho desse efeito dependerá da duração da suspensão, do comportamento das compras chinesas e da capacidade brasileira de abrir ou ampliar outros destinos.

A prioridade do governo e das entidades é conseguir a reinclusão do Brasil na lista europeia. Enquanto a avicultura e o setor de mel esperam uma resposta mais rápida após a auditoria, a pecuária bovina entra no segundo semestre diante de um processo técnico mais complexo e sem garantia de solução imediata.

Fonte: Pensar Agro

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MPA participa da 3ª Cúpula da Pesca de Pequena Escala em Roma

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) participou, neste domingo (6), da 3ª Cúpula da Pesca Artesanal (SSF Summit 2026), realizada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, Itália. O encontro reuniu governos, organizações de pescadores e pescadoras, sociedade civil e organismos internacionais para discutir a implementação das Diretrizes Voluntárias para a Sustentabilidade da Pesca em Pequena Escala.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, participou da mesa de alto nível ao lado do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e de ministros de outros países. Em sua intervenção, destacou que a sustentabilidade da pesca deve caminhar junto com a conservação dos recursos pesqueiros e a garantia de condições dignas de vida para as comunidades que vivem da atividade.

Edipo apresentou iniciativas brasileiras voltadas à pesca artesanal, incluindo o reconhecimento dos territórios pesqueiros tradicionais, políticas para mulheres e jovens, a integração entre conhecimentos científico e tradicional, a extensão pesqueira e a ampliação do acesso ao crédito. Também ressaltou a importância do pescado para a segurança alimentar e nutricional e o combate à fome.

“Não existe futuro para a pesca sem a conservação dos recursos pesqueiros, assim como não existe pesca sustentável sem garantir condições de vida dignas para as mulheres e os homens que vivem das águas. Incentivar o consumo de pescado é também uma estratégia de segurança alimentar e de combate à fome”, afirmou.

Plano Nacional da Pesca Artesanal

O diretor do Departamento de Territórios Pesqueiros e Ordenamento do MPA, Cristiano Quaresma, apresentou o Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA) como principal instrumento brasileiro para transformar as Diretrizes-SSF em políticas públicas. Construído com a participação de pescadores e pescadoras de diferentes regiões do país, o Plano estabelece uma estratégia para os próximos dez anos e contempla temas como territórios tradicionais, gestão sustentável dos recursos pesqueiros, trabalho digno, igualdade de gênero, juventudes e mudanças climáticas.

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“A nossa experiência demonstra que as Diretrizes tornam-se mais fortes quando transformamos participação em decisão, direitos em políticas públicas e pescadores e pescadoras em protagonistas de seu próprio futuro”, destacou Quaresma.

Reuniões bilaterais

Paralelamente à Cúpula da Pesca de Pequena Escala, a delegação realizou reuniões bilaterais com a Representação Permanente do Brasil e com a Direção de Pesca e Aquicultura da FAO. Entre os temas abordados, destacaram-se a reconstrução da estatística pesqueira marinha brasileira, projetos de cooperação internacional, mecanismos de financiamento e implementação do Acordo sobre Medidas do Estado do Porto (PSMA), voltado ao combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.

A participação brasileira reforça a estratégia do MPA de ampliar a cooperação internacional e fortalecer a presença do Brasil nos debates globais sobre pesca, aquicultura, segurança alimentar e sustentabilidade.

ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

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A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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