EDUCAÇÃO
Como uma instituição de educação superior se torna universidade
Publicado
25 de agosto de 2026
No sistema federal de ensino brasileiro, as instituições de educação superior são divididas em três organizações acadêmicas: faculdade, centro universitário e universidade. Todas podem emitir diploma, mas se diferenciam de acordo com suas prerrogativas e organização, a partir de requisitos relacionados ao nível de autonomia, à titulação do corpo docente, ao número de áreas e cursos, ao volume de produção científica e às atividades de extensão. Geralmente, as instituições começam como faculdade, passam a centro universitário e, depois de amadurecer suas atividades de pesquisa, pleiteiam o status de universidade.
O procedimento começa com o pedido por meio do e-MEC, sistema do MEC responsável pela tramitação dos processos regulatórios das instituições de educação superior do Brasil, dentro dos prazos do calendário regulatório. A etapa posterior consiste em análise documental, quando o MEC verifica a regularidade e a adequação da proposta institucional. Depois, uma comissão de especialistas designada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) visita a instituição a fim de avaliá-la, considerando as diferentes dimensões institucionais previstas no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), como Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), projeto pedagógico, laboratórios, biblioteca, salas de aula, corpo docente e instalações físicas.
Posteriormente, o processo recebe um parecer técnico da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC e é remetido para deliberação e parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), seguido pelo ato de homologação do ministro da Educação e publicação do ato de credenciamento institucional no Diário Oficial da União.
Para tornar-se universidade, a instituição de educação superior precisa cumprir os requisitos previstos no Decreto nº 9.235/2017, o que inclui comprovar a união entre ensino, pesquisa e extensão; ter, pelo menos, um terço do corpo docente com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; e ter, pelo menos, um terço dos professores contratados em regime de tempo integral. Além disso, a instituição precisa ter produção acadêmica com número expressivo de cursos reconhecidos e manter programas regulares de iniciação científica e pós-graduação stricto sensu (mestrados e doutorados).
Também é requisito para virar universidade obter nota igual ou superior a 4 no Conceito Institucional (CI) do Inep.
Entenda a diferença entre faculdade, centro universitário e universidade
Faculdades – Faculdades são instituições de educação superior geralmente de menor porte, muitas vezes focada em uma área específica do conhecimento, como direito, medicina ou tecnologia. Possuem baixa autonomia e precisam da autorização do MEC para abrir ou fechar cursos de graduação. Não são obrigadas a fazer pesquisas científicas ou projetos de extensão para a comunidade.
Centro universitário – Os centros universitários ficam em um nível intermediário entre faculdade e universidade. Abrangem uma ou mais áreas do conhecimento e têm autonomia para criar, alterar ou fechar cursos de graduação sem pedir permissão prévia ao MEC — precisando comunicar o órgão. Porém, uma das exigências é que, no mínimo, um terço dos professores tenha título de mestrado ou doutorado. Uma parcela dos professores também precisa ter contrato em tempo integral com a instituição.
Universidade – Já as universidades são o grau máximo de uma instituição de educação superior. Têm autonomia para criar cursos de graduação e emitir seus próprios diplomas. Multidisciplinares, possuem centros, institutos e faculdades internacionais, que são unidades de ensino ou programas voltados para o público global, com cursos ministrados em inglês ou outros idiomas, diplomas duplos, intercâmbios integrados e um ambiente multicultural com alunos e professores de vários países.
Obrigatoriamente precisam manter o tripé acadêmico: ensino, pesquisa e extensão, com serviços prestados diretamente à sociedade, como atendimento nas áreas de saúde, serviço social e direito. Também é obrigatório oferecer, no mínimo, quatro programas de mestrado e dois de doutorado e um terço do corpo docente formado por mestres e doutores em dedicação integral. Além disso, é preciso que, no mínimo, 70% dos cursos de graduação já tenham sido reconhecidos e tenham conceito satisfatório.
No âmbito do MEC, as políticas de ensino superior são executadas pela Secretaria de Ensino Superior (Sesu) no caso das universidades federais e pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), no caso das IES privadas e comunitárias.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Seres
Fonte: Ministério da Educação
EDUCAÇÃO
Redes de ensino têm até 31/8 para preencher dados do Fundeb-VAAR
Publicado
25 de agosto de 2026
Estados, municípios e o Distrito Federal têm até a próxima segunda-feira, 31 de agosto, para concluir o registro das informações e dos documentos necessários à verificação das condicionalidades do Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR) do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O procedimento deve ser realizado no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec) e é necessário para a habilitação das redes ao recebimento da complementação-VAAR no exercício de 2027.
O que precisa ser preenchido – No ciclo 2026/2027, o módulo Fundeb – VAAR – Condicionalidades, disponível no Simec, contempla o registro de informações relacionadas às condicionalidades I (Gestão Democrática), IV (ICMS Educacional) e V (BNCC e BNCC Computação).
A Condicionalidade I trata da gestão democrática e considera critérios técnicos de mérito e desempenho para o provimento de gestores escolares. A Condicionalidade IV, de preenchimento exclusivo pelas redes estaduais, está relacionada ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Educacional. Já a Condicionalidade V verifica o alinhamento dos referenciais curriculares à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e ao Complemento à BNCC da Computação.
Neste ciclo, também deve ser observado o alinhamento dos referenciais curriculares às normas de Computação na educação básica, conforme a Resolução CIF nº 24, de 15 de junho de 2026.
Como acessar – O preenchimento deve ser realizado diretamente no Simec, no módulo Fundeb – VAAR – Condicionalidades. As redes devem inserir as informações solicitadas e anexar a documentação necessária para comprovar o atendimento às condicionalidades.
As redes que já participaram do ciclo anterior podem aproveitar informações e documentos registrados anteriormente no sistema, quando aplicável.
O prazo termina em 31 de agosto. Por isso, o Ministério da Educação (MEC) orienta que os entes federativos que ainda não finalizaram o procedimento façam o registro com antecedência e verifiquem se todas as informações e os documentos exigidos foram enviados.
Além disso, o MEC oferece apoio institucional às redes de ensino durante o processo. O Guia de Preenchimento está disponível na aba “Apresentação” do módulo no Simec. Em caso de dúvidas, o atendimento é realizado por meio do WhatsApp (61) 2022-2066.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da SEB
Fonte: Ministério da Educação
Nesta etapa da educação, a criança está descobrindo o mundo. É na brincadeira, na convivência, na escuta de histórias, nas relações com outras crianças e adultos e nas diferentes experiências do cotidiano que ela começa a construir conhecimentos e desenvolver habilidades. É também nesse período que a educação tem papel fundamental no desenvolvimento integral.
Celebrado em 25 de agosto, o Dia Nacional da Educação Infantil é uma oportunidade para olhar para essa etapa da educação básica, que atende crianças desde o nascimento até seis anos de idade.
A etapa é organizada em duas subetapas: creche, para crianças de até três anos, e pré-escola, destinada às crianças de quatro a seis anos. A educação infantil possui características e objetivos próprios e considera as especificidades da infância.
Hoje, cerca de 18 milhões de crianças na primeira infância residem no Brasil. Na faixa etária de zero a três anos, correspondente à creche, 41,2% frequentam essa subetapa, sendo que aproximadamente sete em cada dez estão matriculadas na rede pública. Entre as crianças de quatro a seis anos, faixa correspondente à pré-escola, 94,6% frequentam essa subetapa e cerca de oito em cada dez estão na rede pública.
Os dados também mostram que a população infantil está distribuída de forma desigual pelo território brasileiro. O Sudeste concentra a maior população de crianças nessa faixa etária, enquanto o Norte reúne a menor população. Essas desigualdades permitem dimensionar a diversidade de contextos em que as políticas de educação infantil são implementadas.
A taxa de matrícula nessa etapa de ensino apresentou crescimento nos últimos anos, acompanhado de mudanças na formação dos profissionais que atuam na educação infantil. Ao mesmo tempo, permanecem desafios relacionados à equidade, especialmente para que crianças de diferentes territórios e condições sociais tenham acesso a oportunidades educacionais com condições adequadas de qualidade.
São direitos de aprendizagem e desenvolvimento na educação infantil: conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se. Garantir esses direitos envolve não apenas assegurar uma vaga, mas também considerar os espaços, os materiais, as práticas pedagógicas e as condições de trabalho dos profissionais que estão diariamente com as crianças.
Conhecer para planejar – Uma das frentes relacionadas ao planejamento da educação infantil é a produção de informações sobre a oferta e a demanda por vagas. Em 2026, o MEC realizou a terceira edição do Levantamento Nacional – Retrato da Educação Infantil no Brasil, iniciativa que reúne informações dos municípios e do Distrito Federal sobre a demanda manifesta por vagas em creches e pré-escolas.
O levantamento busca contribuir para a construção de um retrato nacional da situação da educação infantil. Os dados permitem constatar diferentes realidades das redes de ensino e devem subsidiar o planejamento de políticas públicas voltadas à etapa.
A iniciativa também evidencia um dos desafios presentes na educação infantil brasileira: conciliar a ampliação do acesso com a oferta de atendimento em condições adequadas de qualidade e equidade.
Essa discussão está relacionada ao Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei), que integra as políticas voltadas à etapa e considera aspectos relacionados à expansão do atendimento, à qualidade e à equidade.
No Ministério da Educação (MEC), diferentes áreas participam da agenda relacionada à educação infantil, considerando suas respectivas competências. Entre elas estão a Secretaria de Educação Básica (SEB), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Secretaria de Educação Superior (Sesu), a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e a Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (Sase).
Entre as ações relacionadas ao financiamento da etapa, o Plano Plurianual (PPA) contempla, no contexto da SEB, uma ação específica para o custeio de novas matrículas de educação infantil implementadas pelos municípios. A estrutura das instituições também envolve elementos como mobiliário escolar adequado, brinquedos e livros de literatura infantil, que compõem os espaços e as experiências oferecidas às crianças.
Formação – Quem trabalha com educação infantil participa de uma fase especialmente importante da vida das crianças. Por isso, a formação dos profissionais é parte das discussões sobre a qualidade da etapa.
Nesse campo está o Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (ProLEEI), que busca fortalecer as práticas pedagógicas e apoiar professores no desenvolvimento de experiências de leitura, oralidade e escrita adequadas às características da infância. A iniciativa integra as ações do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).
Em agosto de 2026, o MEC abriu seleção de instituições federais de ensino superior que poderão ofertar formação continuada para profissionais da educação infantil em 2027. O processo está relacionado à continuidade das ações de formação do ProLEEI.
A formação, nesse caso, não significa antecipar etapas da escolarização. O contato das crianças com livros, histórias, diferentes formas de linguagem e experiências de leitura e escrita deve fazer parte do cotidiano da educação infantil, respeitando o tempo, as características e as formas próprias de aprendizagem nessa fase da vida.
A presença de livros de literatura infantil, brinquedos e outros materiais adequados também contribui para que as crianças possam explorar, imaginar, criar e se expressar. Na educação infantil, esses elementos fazem parte de experiências que articulam cuidado, educação, brincadeira e convivência.
Gestão de qualidade – Em julho, o MEC iniciou a formação da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, iniciativa voltada ao fortalecimento da governança e à integração entre os diferentes níveis de governo nas políticas destinadas a crianças de até seis anos.
A proposta considera a necessidade de articulação entre diferentes áreas e de fortalecimento das capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas voltadas à primeira infância.
Garantir condições para que bebês e crianças se desenvolvam envolve diferentes dimensões da vida e demanda a atuação articulada de políticas de educação, saúde, assistência social e outras áreas.
No cotidiano das creches e pré-escolas, essa visão aparece em situações simples e fundamentais: uma criança que encontra um ambiente seguro para brincar; outra que escuta uma história e começa a criar suas próprias narrativas; aquela que aprende a conviver, compartilhar e se expressar; ou ainda a que descobre novas formas de conhecer o mundo por meio das interações com outras crianças e com os adultos.
Os números ajudam a dimensionar a presença da educação infantil na vida das crianças brasileiras, mas também mostram que o acesso ainda ocorre de maneira desigual entre as etapas e os territórios. Na creche, pouco mais de quatro em cada dez crianças na faixa etária correspondente frequentam a subetapa. Na pré-escola, a frequência alcança 94,6%.
A diferença reforça a importância de políticas que considerem as particularidades de cada território e as condições de acesso das famílias. O desafio da equidade passa por assegurar que as oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem estejam disponíveis para todas as crianças, independentemente de onde vivem.
Celebrar o Dia Nacional da Educação Infantil é lembrar que educar na infância envolve acolher, cuidar, brincar, conviver e criar oportunidades para que cada criança desenvolva suas potencialidades. Nesse contexto, garantir o direito à educação infantil significa reconhecer que os primeiros anos de vida são essenciais para o desenvolvimento integral da criança.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da SEB
Fonte: Ministério da Educação
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