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MATO GROSSO

Ex-funcionária da câmara de Sinop relata assédio, ameaças e gravações não consentidas envolvendo vereador Marcos Vinícius

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Uma ex-funcionária da Câmara Municipal de Sinop relatou episódios de assédio, ameaças e supostas gravações não consentidas pelo vereador Marcos Vinícius Borges (PSDB). A denúncia foi divulgada pelo portal Pauta Livre MT e também já registrada na Delegacia da Polícia Civil de Sinop, que investiga o caso.

De acordo com o relato da ex-servidora que trabalhava no gabinete do vereador Marcos Vinícius, o contato com o parlamentar teria começado em ambientes sociais e evoluído para uma aproximação pessoal. Pouco tempo depois, segundo ela, Marcos a teria convidado para trabalhar na Câmara Municipal, onde ela iniciou as atividades em 2026.

A ex-funcionária afirmou que, durante a convivência, o vereador teria falado sobre fetiches de ser corno e comportamentos que não seriam compatíveis com os valores dela. Ainda conforme o depoimento, ele teria insistido em práticas com as quais ela não concordava, mesmo após ela manifestar resistência.

Um dos episódios relatados teria ocorrido dentro da própria Câmara de Vereadores. A ex-funcionária afirma que um amigo do vereador teria ido até a sala onde ela estava sozinha a mando dele, segurado sua perna e feito investidas de cunho sexual para forçar a realização do fetiche.

Segundo ela, o homem teria dito que a contratação dela fazia parte de um “jogo” e que a intenção seria que ela se envolvesse com os dois. A ex-servidora disse que pediu para que ele parasse e deixasse a sala.

Após o episódio, a mulher contou que teria procurado Marcos Vinícius para relatar o ocorrido. Conforme a denúncia, inicialmente o vereador teria negado que a situação fizesse parte de qualquer plano, afirmando que teria ficado surpreso e triste com a atitude do amigo.

A ex-funcionária também declarou que chegou a utilizar o celular de uma amiga para registrar conversas relacionadas aos fatos. 

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Ameaças envolvendo imagens íntimas
O principal ponto da denúncia diz respeito a supostas ameaças relacionadas a imagens íntimas captadas por câmeras de segurança. A ex-funcionária afirma que teria mantido uma relação sexual com o vereador em um imóvel onde havia uma câmera, cuja existência, segundo ela, não era conhecida nem autorizada.

Ainda conforme o depoimento, depois que decidiu encerrar o relacionamento e manifestou o desejo de continuar trabalhando, ela teria sido ameaçada por um amigo do vereador, que teria dito que ela deveria deixar o ambiente de trabalho.

A mulher relatou que, em uma conversa com Marcos Vinícius, teria pedido para que as ameaças cessassem. Segundo ela, nesse momento o vereador teria mencionado a possibilidade de divulgar vídeos íntimos registrados por câmeras de segurança.

“Em nenhum momento isso foi consensual”, afirmou a ex-funcionária durante o depoimento. Ela também declarou que teria sido ameaçada para não denunciar o caso e que o vereador teria dito conhecer muitas pessoas influentes, além de afirmar que a palavra dela não teria impacto.

Relatos sobre outras mulheres

Durante a entrevista, a ex-servidora também fez acusações envolvendo outras mulheres. Ela afirmou ter tomado conhecimento de relatos de supostos abusos, ameaças, manipulação e exposição de imagens íntimas.

Entre as denúncias mencionadas estão casos que envolveriam adolescentes. A ex-funcionária relatou que  uma menina que teria sido abusada aos 11 anos e que, posteriormente, precisou deixar Sinop. Também mencionou outra adolescente que, segundo ela, teria sido abordada com mensagens e propostas de natureza sexual.

A ex-funcionária declarou ainda que o vereador teria mostrado a ela um vídeo íntimo envolvendo uma antiga namorada. Segundo o relato, a gravação teria sido feita durante uma situação sexual com outros homens, sem que a mulher tivesse autorizado a divulgação do conteúdo.

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Medo e pedido de Justiça

A denunciante afirmou que está psicologicamente abalada e que teme sofrer novas ameaças ou algum tipo de represália. Apesar disso, disse ter decidido falar publicamente por acreditar que outras possíveis vítimas também precisam de apoio e proteção. “Se eu me calo, eu calo outras mulheres”, declarou.

Ela pediu que as autoridades investiguem os relatos e ofereçam acolhimento psicológico às supostas vítimas. Também afirmou esperar que a Justiça apure as denúncias relacionadas a mulheres e adolescentes.

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia da Polícia Civil de Sinop. A divulgação da denúncia pelo Pauta Livre MT ocorre com base no depoimento da ex-funcionária.

Boletim de ocorrência Cliquei aqui!!!

Veja o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=eLdusAvyKL0

Fonte: Denuncia

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Prevenção ao suicídio exige olhar além da dimensão clínica

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“Em um mundo repleto de injustiças, é preciso encontrar um modo de apostar na vida”. A reflexão apresentada pela médica psiquiatra e psicoterapeuta Juliana Belo Diniz deu o tom do webinar promovido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), nesta terça-feira (22), sobre os desafios e as possibilidades de prevenção ao suicídio. Palestrante do evento, ela defendeu uma compreensão mais ampla do fenômeno, que considere não apenas aspectos clínicos, mas também fatores sociais, econômicos e culturais que influenciam a saúde mental.A frase, de autoria do psiquiatra e psicanalista Marcelo Veras e extraída do livro “A morte de si”, sintetiza a perspectiva desenvolvida ao longo da palestra, segundo a qual o sofrimento psíquico está diretamente relacionado a desigualdades, processos de exclusão e diferentes formas de vulnerabilidade social.Na abertura, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira destacou a importância de ampliar os espaços de reflexão sobre saúde mental e de qualificar o debate sobre o tema. Ao agradecer a participação da palestrante, ele lembrou que a defesa integral da saúde está entre os pilares da atuação institucional do Ministério Público na promoção da cidadania e da dignidade humana.Durante a exposição, Juliana Belo Diniz apresentou o suicídio como um fenômeno que deve ser analisado sob perspectivas complementares, tanto sociais quanto individuais. Segundo a especialista, embora transtornos mentais possam estar presentes em muitos casos, fatores relacionados às condições de vida, à exclusão social, à pobreza, à discriminação e à perda de perspectivas exercem influência significativa sobre o comportamento suicida.Ao abordar pesquisas nacionais e internacionais, a psiquiatra mostrou que as taxas de suicídio não se distribuem de forma homogênea na sociedade. Ela citou estudos que apontam maior incidência do fenômeno entre trabalhadores da agricultura, populações indígenas, pessoas LGBTQIAPN+ e jovens em situação de vulnerabilidade. “A condição de ser permanentemente e estruturalmente segregada é um fator de suicídio. Quando a gente constrói uma estrutura de falas de exclusão, de lugares de exclusão, a gente aumenta também a chance dessas populações vulnerabilizadas aderirem a comportamentos suicidas”, afirmou.A palestrante observou ainda que a ausência de condições mínimas de existência compromete a capacidade das pessoas de vislumbrar um futuro possível. “Em populações muito vulnerabilizadas, muito desesperançadas, em que a gente não oferece nenhuma condição mínima de existência, fica muito difícil apostar na vida”, pontuou.Outro aspecto debatido foi o crescimento dos casos de automutilação e das tentativas de suicídio entre adolescentes. Conforme explicou a expositora, não há uma causa única para esse cenário. Esse cenário é resultado de fatores familiares, emocionais, sociais, econômicos e culturais.Nesse contexto, Juliana Diniz também analisou os impactos das transformações contemporâneas na saúde mental, como a pressão por desempenho, a competitividade excessiva, o isolamento social e a influência do ambiente digital. Segundo ela, situações como bullying, discursos de ódio, cancelamentos e a exposição permanente nas redes sociais podem intensificar o sofrimento psíquico, especialmente entre os mais jovens.Ao tratar dos aspectos subjetivos envolvidos no comportamento suicida, a especialista ressaltou que o fenômeno também pode expressar sentimentos profundos de frustração e sofrimento. “Existe uma relação entre o suicídio e a própria violência na sociedade, e o suicídio muitas vezes é um ato de raiva. Em todo ato suicida existe um pouco de desejo de matar, um pouco de desejo de morrer e um pouco de desejo de ser morto. O desejo de matar e o desejo de morrer são muito movidos por raiva, muitas vezes alimentada por grandes frustrações”, explicou.Ao abordar estratégias de prevenção, Juliana Diniz defendeu a valorização da escuta qualificada e o fortalecimento das redes de apoio, alertando para os riscos da medicalização excessiva e da burocratização do cuidado. Segundo ela, muitas vezes o acolhimento começa pela simples possibilidade de diálogo. “Às vezes, o que as pessoas precisam é mesmo de um lugar para falar. Elas mesmas, falando, conseguem muitas vezes dar conduções bastante pertinentes para os seus próprios problemas”, destacou.Para a psiquiatra, as iniciativas de prevenção precisam ultrapassar os limites da assistência especializada e incluir ações voltadas ao fortalecimento da dignidade, dos vínculos sociais e das perspectivas de vida. “A atuação no sentido de prover condições para que as pessoas possam construir sentido, mesmo em situações de muita vulnerabilidade, talvez seja o ponto mais importante e mais relevante, muito mais do que qualquer atuação da psiquiatria diretamente”, defendeu.Ao encerrar a palestra, Juliana Belo Diniz reforçou que a prevenção ao suicídio está diretamente relacionada à promoção da esperança e do sentido da vida. “Prevenção ao suicídio não é um brigar contra o desejo de morrer, é uma busca pelo desejo de viver. A gente precisa transmitir que a vida pode ter sentido em muitas chaves, e não só na chave material”, concluiu.Atuando como debatedor, o promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho avaliou que a palestra contribuiu para ampliar a compreensão sobre um tema complexo e sensível ao relacionar saúde mental, vulnerabilidades sociais e condições de vida. Segundo ele, é necessário superar uma visão exclusivamente biomédica do problema, já que muitos casos estão associados a fatores sociais e relacionais que impactam diretamente o bem-estar das pessoas.Durante o debate, o promotor de Justiça ressaltou a importância de qualificar a discussão pública sobre o tema e de construir estratégias de prevenção mais abrangentes. Para ele, “os problemas são sociais e relacionais”, razão pela qual o suicídio deve ser analisado sob diferentes perspectivas. Carlos Rubens Filho também defendeu uma abordagem responsável do assunto. “É importante tratar o suicídio de forma séria, sem infantilizar, patologizar ou espetacularizar o assunto”, afirmou.Ao participar das discussões, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira reforçou que a compreensão do suicídio exige um olhar que vá além dos aspectos clínicos, contemplando também fatores psicossociais que influenciam o sofrimento humano. Com base em experiências vivenciadas ao longo da atuação na área da infância e juventude, ele observou que questões como pressão familiar, desigualdades e transformações sociais afetam diretamente a saúde mental da população.Para o procurador de Justiuça, o contexto atual apresenta desafios especialmente relevantes para as novas gerações. “É uma pressão de todos os lados para a juventude: a desvalorização do idoso, a autoimagem, a inteligência artificial e um momento de transição muito violenta”, ressaltou. José Antônio Borges Pereira também defendeu abordagens mais humanizadas para o enfrentamento do problema, afirmando que “medicar, medicar, medicar não vai resolver questões que precisam de um olhar humano”.Promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, o webinar buscou ampliar o debate sobre a prevenção do suicídio, abordando fatores de risco e proteção, sinais de alerta e formas adequadas de acolhimento.

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Assista ao webinar aqui.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MATO GROSSO

Conselheiros do TCE-MT publicam nota de solidariedade a Waldir Júlio Teis após exoneração da Escola Superior de Contas

Publicado

Os conselheiros Antonio Joaquim, Guilherme Maluf e Alisson Carvalho, do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), divulgaram nota pública de solidariedade ao conselheiro Waldir Júlio Teis, exonerado na segunda-feira (21) da função de Supervisor da Escola Superior de Contas do órgão. A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo.

No documento, os signatários afirmam que a medida causa “grave preocupação institucional” pelas circunstâncias em que foi adotada e pela mensagem que projeta sobre a independência funcional dos membros do Tribunal. Eles defendem que, em uma Corte de natureza colegiada, a divergência de entendimentos é legítima, necessária e inerente ao exercício da função de conselheiro.

Segundo a nota, nenhum membro pode se sentir constrangido, limitado ou sujeito a consequências administrativas em razão de posições regularmente manifestadas no desempenho de suas atribuições. Os conselheiros ressaltam ainda que as prerrogativas da Presidência devem ser exercidas com absoluto respeito à autonomia dos conselheiros, à colegialidade e à pluralidade de entendimentos.

Os autores do manifesto consideram que medidas administrativas que, por suas circunstâncias, possam ser percebidas como resposta a manifestações funcionais são incompatíveis com o ambiente de independência e equilíbrio que deve reger a Corte. Por essa razão, manifestam firme discordância com a decisão e defendem sua reconsideração, em respeito à independência dos membros do Tribunal, à harmonia institucional e à autoridade do colegiado.

Segue integra da nota:

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO CONSELHEIRO WALDIR JÚLIO TEIS

Os conselheiros abaixo assinados vêm a público manifestar sua solidariedade ao Conselheiro Waldir Júlio Teis, diante de sua exoneração da função de Supervisor da Escola Superior de Contas do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, por ato da Presidência do TCE-MT.

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A medida causa grave preocupação institucional pelas circunstâncias em que foi adotada e pela mensagem que projeta sobre a independência funcional dos membros desta Corte.

Em um Tribunal de natureza colegiada, a divergência de entendimentos é legítima, necessária e inerente ao exercício da função de conselheiro. Nenhum membro pode se sentir constrangido, limitado ou sujeito a consequências administrativas em razão de posições regularmente manifestadas no desempenho de suas atribuições.

As prerrogativas da Presidência devem ser exercidas com absoluto respeito à autonomia dos conselheiros, à colegialidade e à pluralidade de entendimentos. Medidas administrativas que, por suas circunstâncias, possam ser percebidas como resposta a manifestações funcionais são incompatíveis com o ambiente de independência e equilíbrio que deve reger esta Corte.

Por essa razão, manifestamos nossa firme discordância com a decisão adotada e defendemos sua reconsideração, em respeito à independência dos membros do Tribunal, à harmonia institucional e à autoridade do colegiado.

Cuiabá-MT, 22 de setembro de 2026.

Antonio Joaquim
Conselheiro – TCE/MT

Guilherme Maluf
Conselheiro – TCE/MT

Alisson Alencar
Conselheiro – TCE/MT

Fonte: TCE

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