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AGRONEGÓCIOS

Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões

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O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.

A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.

A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.

Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.

A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.

O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.

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Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.

Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.

As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.

A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.

Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.

Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.

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Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.

Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.

O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.

A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.

Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.

A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.

Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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Pesca esportiva em debate em Foz do Iguaçu

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Representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) participaram, na última sexta-feira (4), em Foz do Iguaçu (PR), do Simpósio Internacional de Pesca Esportiva, no International Fish Congress & Fish Expo Brasil. Reunindo pescadores esportivos, guias de pesca, representantes do poder público e entidades do setor, o evento abordou as principais demandas e oportunidades relacionadas à atividade.

A coordenadora-geral de Desenvolvimento da Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do MPA, Lariessa Soares, participou como painelista e moderadora das duas mesas de debate, que trataram da relação entre a pesca esportiva, o turismo e a economia das regiões onde a atividade é realizada. O primeiro painel, “Pesca Esportiva como Vetor de Desenvolvimento Regional”, abordou como a atividade pode movimentar o turismo e gerar oportunidades de trabalho e renda, especialmente por meio dos serviços oferecidos por guias de pesca, da realização de torneios e da presença de visitantes em municípios que recebem pescadores. Participaram da discussão o pescador esportivo Marlon Bambolim, o guia de pesca esportiva e consultor técnico Ricardo Sanches e o representante da Federação Paranaense de Pesca Esportiva, Márcio Freitag.

Na segunda mesa, “Políticas Públicas para a Pesca Amadora e Esportiva”, os participantes discutiram as necessidades do setor e a relação da pesca esportiva com áreas como turismo e esporte, além dos desafios para o desenvolvimento da atividade. Ao longo do encontro, os participantes destacaram a importância do diálogo entre órgãos públicos, pescadores, profissionais e entidades do setor para identificar as principais necessidades da pesca amadora e esportiva e discutir possíveis caminhos para a atividade.

O simpósio terminou com um debate aberto para reunir as principais contribuições apresentadas durante os painéis, que também serviram para identificar demandas prioritárias do setor. O IFC Brasil 2026 reúne, em Foz do Iguaçu, representantes de diferentes áreas da cadeia do pescado, com programação voltada à troca de experiências e à discussão de temas relacionados à pesca e à aquicultura.

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Matheus Silveira
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Soja mais cara devolve fôlego à compra de fertilizantes

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A valorização da soja e a queda recente de alguns fertilizantes melhoraram o poder de compra do produtor brasileiro na reta final de preparação da safra 2026/2027. O alívio não eliminou o aumento dos custos acumulado durante o ano, mas permitiu que o setor atravessasse a forte volatilidade internacional sem comprometer o abastecimento das lavouras de soja que começam a ser plantadas no país.

A relação de troca mostra quantas sacas o produtor precisa vender para comprar uma tonelada de fertilizante. Quanto menor a quantidade exigida, maior é o poder de compra. O cálculo é mais útil que a análise isolada do preço do adubo, porque considera também a cotação recebida pela produção agrícola.

Essa relação melhorou durante agosto. Os fertilizantes nitrogenados registraram as maiores quedas, enquanto soja, milho e outras commodities recuperaram parte do valor perdido nos meses anteriores. Em Mato Grosso, por exemplo, os preços negociados para a soja da safra 2026/2027 acumularam valorização próxima de 10% em 30 dias, depois de terem ficado abaixo de R$ 100 por saca no início da comercialização.

A ureia recuou aproximadamente 12,5% durante agosto. Convertidas pela cotação atual do real, as referências internacionais de chegada aos portos brasileiros caíram de cerca de R$ 2.456 para R$ 2.148 por tonelada. O sulfato de amônio apresentou redução ainda maior, de aproximadamente 16%, passando de R$ 1.336 para perto de R$ 1.120 por tonelada.

A combinação entre fertilizante mais barato e grão mais valorizado reduziu o volume de produção necessário para pagar pelo insumo. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o movimento reabriu uma janela de compras principalmente para os fertilizantes nitrogenados utilizados na segunda safra de milho.

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O alívio veio depois de uma forte deterioração. Em março, quando a tensão no Oriente Médio provocou uma disparada nos preços, uma tonelada de ureia chegou a equivaler a 32 sacas de soja ou 59 sacas de milho. Um ano antes, eram necessárias 17 sacas de soja ou 33 de milho.

No caso do fosfato monoamônico, conhecido pela sigla MAP, a relação chegou a 39 sacas de soja ou 72 sacas de milho por tonelada, diante de 25 e 49 sacas, respectivamente, no mesmo período de 2025. Os cálculos consideravam o produto entregue no porto e, portanto, não incluíam frete até a fazenda, armazenagem e custos financeiros.

Não existe, contudo, uma única relação de troca válida para todo o Brasil. O resultado varia conforme a cotação do grão em cada região, a distância dos portos, o fertilizante adquirido, a data da negociação, o prazo de pagamento e o custo do transporte. Para produtores mais distantes dos pontos de entrada dos adubos, a conta geralmente exige um número maior de sacas.

A recuperação também não ocorreu de forma igual entre os nutrientes. Enquanto ureia, sulfato de amônio e cloreto de potássio recuaram, os fertilizantes fosfatados permaneceram caros. No fim de agosto, o MAP ainda equivalia a aproximadamente R$ 4.350 por tonelada nos portos brasileiros, antes do frete interno.

Uma das razões é a alta do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação dos fosfatados. O preço médio do produto mais que dobrou desde janeiro, reduzindo o espaço para novas quedas do MAP e do superfosfato simples. Restrições à oferta internacional também continuam sustentando os preços.

Apesar disso, a maior parte da necessidade da soja já foi garantida. Estimativa da Agrinvest indica que os produtores brasileiros compraram cerca de 90% dos fertilizantes destinados à safra 2026/2027 da oleaginosa. O percentual reduz o risco de falta de produto durante a semeadura e limita o impacto de novas oscilações internacionais sobre o custo desta temporada.

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A situação é diferente no milho. Aproximadamente 45% dos fertilizantes destinados à segunda safra de 2027 haviam sido adquiridos no início de setembro. Como o milho utiliza grande quantidade de nitrogênio, uma eventual retomada da alta da ureia poderá atingir uma parcela maior dos custos ainda não contratados.

O ritmo das importações ajuda a explicar a cautela. O Brasil comprou no exterior 22,39 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e julho, volume cerca de 7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Somente em julho entraram 4,10 milhões de toneladas, queda de 14,4% na comparação anual.

No caso da ureia, as importações somaram 2,3 milhões de toneladas nos sete primeiros meses do ano, redução de 24,7%. Julho, entretanto, apresentou recuperação e registrou a entrada de 601 mil toneladas, o maior volume mensal de 2026.

O país continua altamente exposto às oscilações externas. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que aproximadamente 93% dos fertilizantes utilizados em 2025 tiveram origem importada. Alterações no preço do petróleo e do gás natural, conflitos, sanções econômicas, restrições adotadas por grandes exportadores e problemas logísticos chegam rapidamente ao custo das lavouras brasileiras.

A antecipação das compras foi, portanto, uma das principais proteções adotadas pelos produtores de soja. Quem fechou parte dos insumos antes das maiores altas reduziu sua exposição. Quem esperou encontrou preços elevados durante o primeiro semestre, mas ganhou nova oportunidade com o recuo de agosto e a recuperação da oleaginosa.

O crédito passou a ser um obstáculo mais importante para as compras restantes. Produtores endividados ou com menor limite bancário podem ter dificuldade para aproveitar uma relação de troca mais favorável. Nesses casos, entram no planejamento alternativas como negociação a prazo com fornecedores, operações de troca por produção futura, cooperativas, Cédulas de Produto Rural e compras parceladas.

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A melhora recente permite afirmar que a relação de troca ganhou fôlego, mas não que os fertilizantes tenham voltado à normalidade. O fosfato continua pressionando a soja, grande parte do adubo do milho ainda precisa ser comprada e o mercado internacional permanece sujeito a movimentos bruscos. Para o produtor, a proteção está em combinar compra escalonada, venda antecipada de parte da produção e cálculo da relação de troca nas condições efetivas de sua propriedade.

Fonte: Pensar Agro

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