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AGRONEGÓCIOS

Desenrola Rural vai até 20 de dezembro. Saiba aqui como renegociar

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Produtores rurais têm até o próximo dia 20 de dezembro para regularizar débitos do Pronaf e fundos constitucionais sob as regras do Desenrola Rural. Com o semestre final se aproximando, especialistas alertam que a demora na busca pela agência bancária pode significar a perda de condições especiais de parcelamento e descontos de até 96%.

A medida, que visa dar fôlego financeiro aos produtores em um cenário de custos elevados e impacto climático na safra, é uma tentativa de estancar a inadimplência no setor, que já ultrapassa a marca de 8%, segundo dados da Serasa Experian. O programa foca na regularização de débitos de pequenos produtores, permitindo descontos que chegam a 96% sobre encargos e prazos de até 10 anos para o pagamento.

O benefício não é universal. A regra vale exclusivamente para contratos de crédito rural firmados entre 2012 e 2022, especificamente nas operações do Pronaf e nos financiamentos via Fundos Constitucionais (FCO, FNO e FNE). O enquadramento ignora o tamanho da propriedade, focando estritamente na natureza da dívida. Ao formalizar a adesão, o produtor tem o nome retirado dos cadastros de restrição ao crédito, o que devolve a capacidade de tomar novos financiamentos para a safra — peça-chave para a sobrevivência da atividade agrícola.

O principal gargalo para o sucesso do programa está na ponta do atendimento bancário. Especialistas em Direito Agrário alertam que instituições financeiras costumam ignorar a política pública para oferecer “pacotes internos” de renegociação, que frequentemente carecem das vantagens garantidas pelo programa federal.

A recomendação para o produtor ir à agência bancaria munido dos contratos e exigir, expressamente, a aplicação das regras do Desenrola Rural. Aceitar soluções genéricas oferecidas pelo banco sem comparar com as condições federais é um erro que pode custar a rentabilidade da propriedade e o acesso ao crédito no longo prazo.

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O Desenrola Rural, contudo, ignora o médio e o grande produtor, que também sofrem com a crise de rentabilidade do setor. Sem uma política pública universal, esse perfil de produtor depende da aplicação rigorosa do Manual de Crédito Rural (MCR) para a reestruturação de suas dívidas. Na prática, a falta de flexibilidade voluntária dos bancos tem forçado esses produtores a buscar o Poder Judiciário para garantir o direito de repactuar débitos sem colocar em risco a viabilidade do negócio.

Guia prático

Para garantir o direito à renegociação sob as regras do Desenrola Rural e evitar as armadilhas dos “pacotes genéricos” dos bancos, a preparação documental é o passo mais estratégico. O produtor deve encarar a ida à agência não como um pedido de favor, mas como uma formalização de direito garantido pelo programa federal.

Antes de comparecer à agência, o produtor deve organizar um dossiê completo. A falta de um único documento pode ser usada como justificativa pelo gerente para negar o enquadramento ou direcionar o cliente para outras linhas de crédito com juros mais altos.

Documentação essencial

  • Identificação Pessoal: RG e CPF (ou CNH) atualizados do titular do crédito.

  • Comprovação da Propriedade: Matrícula atualizada do imóvel rural, além do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e a última declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Esses documentos atestam a regularidade da área e são fundamentais para o histórico de crédito junto à instituição.

  • Cédula de Crédito Rural ou Contrato: Este é o documento central. É ele que prova a origem da dívida (se Pronaf ou Fundos Constitucionais como FCO, FNO ou FNE) e o período de contratação (entre 2012 e 2022). Caso o documento original tenha sido extraviado, o produtor deve solicitar formalmente uma cópia autenticada ou declaração detalhada à própria agência antes da data da renegociação.

  • Extrato atualizado da dívida: Levar o demonstrativo do débito facilita a identificação imediata da operação na tela do gerente e evita divergências de valores na simulação do acordo.

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Postura no atendimento

O advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário, reforça que a documentação serve como escudo contra ofertas pouco vantajosas.

  • Exija o enquadramento: Ao apresentar os documentos, o produtor deve solicitar expressamente a aplicação das condições do Desenrola Rural. Se o gerente informar que “o sistema não libera”, o produtor deve pedir uma justificativa por escrito ou o número de protocolo do atendimento.

  • Não assine sem conferir: É comum que instituições ofereçam renegociações internas, que raramente trazem os descontos de até 96% previstos pelo programa federal. O produtor deve recusar qualquer proposta comercial que não apresente as condições estabelecidas pela norma do governo.

  • Formalize a recusa: Caso a agência insista em ignorar o programa, o produtor tem o direito de registrar uma reclamação no Banco Central, munido do protocolo de atendimento negado.

A organização prévia destes documentos é o que define se a renegociação será uma solução eficiente para o fluxo de caixa da propriedade ou apenas uma postergação de um problema financeiro. O prazo final para essa regularização é 20 de dezembro de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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Brasil e Trinidad e Tobago avançam em cooperação agropecuária, inovação e segurança alimentar

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A missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a Trinidad e Tobago fortaleceu o diálogo bilateral e abriu novas perspectivas de cooperação em áreas estratégicas para a agropecuária, a inovação e a segurança alimentar. A agenda incluiu reuniões com autoridades governamentais, organismos internacionais e centros de pesquisa de referência na região do Caribe.

Um dos principais compromissos da missão foi a reunião entre a delegação brasileira, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, com o ministro da Agricultura, Terras e Pesca de Trinidad e Tobago, Ravi Ratiram, e o diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Muhammad Ibrahim. Durante o encontro, foram discutidas iniciativas voltadas ao intercâmbio de material genético, ampliação do comércio agropecuário e cooperação tecnológica.

Trinidad e Tobago apresentou interesse em acessar material genético brasileiro de mandioca, café e coco-anão, além de propor a instalação de uma planta esmagadora de soja no país. A iniciativa busca aproveitar o baixo custo da energia elétrica local para a produção de óleo vegetal e ração animal destinados ao mercado caribenho, potencial ampliado pela recente adesão do país ao Mercosul.

O Brasil, por sua vez, manifestou interesse em avançar nos protocolos de certificação sanitária para exportação de carne bovina, carne suína, pet food e citros. A delegação também apresentou os resultados alcançados pelo país no uso de bioinsumos, destacando os cerca de 42 milhões de hectares manejados com tecnologias de controle biológico.

Cooperação em pesquisa e desenvolvimento

A agenda incluiu visita ao Caribbean Agricultural Research and Development Institute (CARDI), instituição regional de pesquisa agrícola que atua em 14 países da Comunidade do Caribe (CARICOM). Com histórico de cooperação com a Embrapa, o instituto identificou novas oportunidades de parceria em temas como banana resistente à Fusarium TR4, milho, trigo tropical, forrageiras e melhoramento genético da raça ovina Berganês.

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O CARDI tem papel central na estratégia regional para reduzir em 25% os gastos com importação de alimentos até 2030. Nesse contexto, a experiência brasileira em agricultura tropical foi apontada como uma importante referência para o fortalecimento da produção local.

A delegação também visitou o Cocoa Research Centre (CRC), da Universidade das Índias Ocidentais, que abriga uma das maiores coleções de germoplasma de cacau do mundo, com cerca de 2.400 acessos genéticos. Durante a visita, os representantes brasileiros conheceram a nova fábrica de chocolate do centro, com capacidade de produção de 200 toneladas por ano e equipada com máquinas fabricadas por empresa brasileira.

O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, destacou a contribuição histórica da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) para a pesquisa cacaueira mundial e ressaltou as oportunidades de cooperação em melhoramento genético e sustentabilidade. Também foi discutida a criação da iniciativa regional ProCacau, voltada à integração em pesquisa, genética e desenvolvimento de mercados na América Latina e Caribe. 

Fertilizantes e promoção do agronegócio brasileiro

A missão contemplou ainda visita técnica à região de Point Lisas, principal polo petroquímico de Trinidad e Tobago com potencial estratégico para distribuição de fertilizantes na região.

Outro destaque da agenda foi a apresentação da iniciativa Agro Brasil Experience, programa que promove a vinda de autoridades, pesquisadores e formadores de opinião estrangeiros ao Brasil para conhecer, em campo, as tecnologias, a inovação e as práticas sustentáveis desenvolvidas pelo agronegócio brasileiro.

Ao fortalecer parcerias com instituições de pesquisa, organismos internacionais e governos da região, a missão reafirma o compromisso do Brasil com a promoção da inovação, da segurança alimentar e da cooperação agrícola internacional, em articulação com parceiros como o IICA, ampliando oportunidades para o desenvolvimento sustentável e para a inserção do agronegócio brasileiro em novos mercados.

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Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27

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Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.

Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.

A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.

O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.

Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.

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Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.

A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.

O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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