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AGRONEGÓCIOS

Política de minerais estratégicos deve ampliar produção nacional de insumos

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O governo federal sancionou nesta quarta-feira (16.09) a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Para o agronegócio, o principal avanço está no tratamento prioritário concedido a projetos relacionados à produção de fertilizantes fosfatados, potássicos e nitrogenados.

A Lei nº 15.506/2026 estabelece instrumentos para estimular a pesquisa mineral, a abertura de minas, o beneficiamento e a transformação das matérias-primas dentro do Brasil. A proposta é deixar de exportar predominantemente minerais com pouco processamento e ampliar a produção nacional de insumos de maior valor agregado.

A medida também pode contribuir para reduzir uma das principais vulnerabilidades da agricultura brasileira. O país importa mais de 80% dos fertilizantes minerais utilizados nas lavouras, segundo dados oficiais e estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A dependência é especialmente elevada no caso do potássio.

Essa exposição faz com que o custo de produção no campo seja diretamente afetado pelo câmbio, pelos preços internacionais, pelos fretes marítimos e por crises geopolíticas nos países fornecedores. Soja, milho e cana-de-açúcar estão entre as culturas que mais consomem fertilizantes no Brasil.

A nova política considera críticos os minerais necessários a setores importantes da economia cuja oferta interna seja insuficiente ou vulnerável. A lei cita expressamente a segurança alimentar como um dos critérios para o enquadramento e determina que sua execução seja articulada ao Plano Nacional de Fertilizantes.

Na prática, projetos de produção de fosfato, potássio e minerais empregados na fabricação de fertilizantes poderão ter prioridade na análise administrativa, no acesso a garantias financeiras e na emissão de títulos destinados a financiar os investimentos.

A lei autoriza a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral, que poderá receber participação da União de até R$ 2 bilhões. O mecanismo terá a função de oferecer garantias a empreendimentos considerados estratégicos, reduzindo parte do risco financeiro associado à pesquisa, à implantação das minas e à construção das unidades industriais.

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Outro instrumento previsto é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos. As empresas habilitadas poderão receber créditos fiscais equivalentes a até 20% dos gastos realizados no Brasil com beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana.

Os créditos serão limitados a R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034, o que representa um potencial de até R$ 5 bilhões no período. A concessão dependerá de regulamentação, previsão no orçamento e seleção dos projetos por procedimento concorrencial.

Somados, o fundo garantidor e os créditos fiscais previstos na legislação poderão mobilizar até R$ 7 bilhões em instrumentos públicos. Isso não significa que todo o valor será destinado à cadeia de fertilizantes, mas os projetos de fosfatados, potássicos e nitrogenados estão expressamente incluídos entre os investimentos considerados prioritários.

A política também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por elaborar o plano nacional do setor, atualizar a relação dos minerais abrangidos e selecionar os projetos que terão prioridade.

O colegiado reunirá representantes do governo federal, estados, municípios, setor privado e instituições de ensino superior. A Agência Nacional de Mineração continuará responsável pelas funções de regulação, fiscalização e concessão dos direitos minerários.

Para receber os benefícios, os empreendimentos deverão assumir compromissos relacionados à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico, à contratação de mão de obra, à compra de produtos nacionais e à redução dos impactos sociais e ambientais.

Nos primeiros seis anos após a regulamentação, as empresas enquadradas deverão aplicar ao menos 0,3% da receita operacional da atividade em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Outros 0,2% serão destinados à integralização de cotas do fundo garantidor. Posteriormente, o investimento mínimo em inovação passará a 0,5%.

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A legislação também institui um sistema de rastreabilidade para acompanhar a origem dos minerais, as licenças ambientais, os títulos minerários, o transporte, as transações comerciais e o destino dos produtos. O objetivo é oferecer segurança jurídica aos investidores e, ao mesmo tempo, ampliar o controle sobre toda a cadeia.

Para o produtor rural, os efeitos não serão imediatos. Projetos minerais demandam pesquisa geológica, licenciamento, infraestrutura, implantação industrial e investimentos de longo prazo. A nova lei, entretanto, cria condições para que esses empreendimentos avancem com maior previsibilidade.

O resultado esperado é a ampliação gradual da oferta nacional de matérias-primas para fertilizantes. Com maior produção interna, o Brasil poderá diminuir a exposição a interrupções no comércio internacional, reduzir parte dos custos logísticos e fortalecer a segurança do abastecimento das lavouras.

A política não elimina a necessidade das importações nem garante redução imediata dos preços pagos pelo agricultor. Seu principal efeito é criar uma estrutura de longo prazo para que o país aproveite melhor suas reservas minerais, atraia investimentos e transforme parte de sua capacidade agrícola em maior segurança sobre os insumos que sustentam a produção.

Fonte: Pensar Agro

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Congresso reúne cadeia do algodão após safra recorde de 4,14 milhões de toneladas

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O Brasil chega ao 15º Congresso Brasileiro do Algodão com a maior produção de pluma de sua história e posição de liderança no comércio mundial. Entre os dias 22 e 24 de setembro, produtores, pesquisadores, consultores, exportadores e representantes da indústria estarão reunidos no Expominas, em Belo Horizonte, para discutir como transformar esse crescimento em rentabilidade, qualidade e novos mercados.

A Companhia Nacional de Abastecimento estima que a safra 2025/26 alcance 4,14 milhões de toneladas de pluma, alta de 1,5% sobre o ciclo anterior. O recorde foi obtido mesmo com redução de 3,2% na área cultivada, resultado do aumento de 4,9% na produtividade média das lavouras.

Os números mostram que a cotonicultura conseguiu produzir mais em uma área menor, mas o avanço físico não elimina os desafios econômicos. Custos elevados, preços internacionais pressionados, necessidade de controle fitossanitário, qualidade da fibra, logística e exigências de rastreabilidade continuam influenciando a margem dos produtores.

É nesse ambiente que o congresso deverá concentrar as discussões. A programação inclui manejo de pragas e doenças, biotecnologia, melhoramento genético, fertilidade do solo, agricultura de precisão, inteligência artificial, colheita, beneficiamento, qualidade da pluma e destruição da soqueira.

Também serão debatidos cenários de mercado, sustentabilidade, demanda da indústria têxtil e estratégias para ampliar a presença brasileira no exterior. A programação foi organizada em plenárias técnicas, painéis estratégicos, núcleos temáticos, minicursos e atividades práticas.

O evento ocorre em um momento no qual o Brasil precisa preservar a competitividade conquistada. O país ampliou a produção, profissionalizou a classificação da fibra e avançou na rastreabilidade, fatores que ajudaram o algodão brasileiro a ganhar espaço entre compradores internacionais.

O desempenho das exportações também aumentou a responsabilidade do setor. O produto precisa chegar ao mercado externo com regularidade, qualidade homogênea e documentação capaz de comprovar sua origem e as práticas empregadas na produção.

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Para o produtor, isso significa que produtividade já não é o único indicador relevante. Comprimento, resistência, uniformidade, índice de fibras curtas, contaminação e condições de beneficiamento podem interferir no preço obtido e na aceitação dos lotes pela indústria.

O manejo fitossanitário será outro ponto importante. O algodão possui ciclo longo e exige acompanhamento constante contra pragas como o bicudo-do-algodoeiro, a mosca-branca, lagartas e percevejos. Falhas no controle dentro de uma propriedade podem elevar a pressão sobre áreas vizinhas e aumentar o custo de toda a região produtora.

A destruição correta da soqueira e das plantas voluntárias reduz a disponibilidade de alimento e abrigo para o bicudo durante a entressafra. O cumprimento do vazio sanitário, associado ao monitoramento das lavouras e ao uso racional de defensivos, é considerado essencial para evitar o crescimento das populações resistentes.

Os debates sobre nematoides, doenças e plantas daninhas também ganham importância diante da sucessão entre soja, milho e algodão. Sem diagnóstico adequado, o produtor pode repetir culturas hospedeiras, aumentar a população de organismos presentes no solo e enfrentar perdas nas safras seguintes.

Na área de tecnologia, o congresso deverá apresentar aplicações de sensores, imagens, máquinas conectadas, inteligência artificial e sistemas de agricultura de precisão. Essas ferramentas podem melhorar a distribuição de sementes e fertilizantes, orientar aplicações localizadas e identificar falhas antes que elas comprometam parcelas maiores da lavoura.

O desafio é fazer com que a inovação produza retorno econômico. Em períodos de margem apertada, a adoção de uma tecnologia precisa considerar o custo por hectare, a capacidade da equipe, a compatibilidade entre equipamentos e o ganho efetivo de produtividade ou eficiência.

A programação científica contempla pesquisas em produção vegetal, nutrição, fisiologia, agricultura digital, controle de pragas, fitopatologia, nematologia, melhoramento genético, biotecnologia, colheita, beneficiamento e qualidade da fibra. Os trabalhos serão apresentados em formato digital, com espaço para reconhecimento de pesquisas desenvolvidas por estudantes, professores e profissionais do setor.

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O encontro também aproxima o campo da indústria têxtil. Essa integração permite que o produtor compreenda quais características são valorizadas na fabricação de fios e tecidos e ajuda a indústria a acompanhar as condições enfrentadas nas lavouras.

O tema desta edição será “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. A proposta está relacionada à necessidade de diferenciar o produto brasileiro em um mercado no qual fibras naturais disputam espaço com materiais sintéticos e compradores cobram informações sobre origem, impactos ambientais e condições de produção.

Realizado a cada dois anos pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o congresso tornou-se o principal encontro técnico e comercial da cotonicultura nacional. A edição anterior, realizada em Fortaleza, reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países, 114 palestrantes, 62 patrocinadores e 288 trabalhos científicos.

Ao reunir pesquisa, produção, beneficiamento, exportação e indústria, o encontro em Belo Horizonte deverá mostrar que o próximo avanço da cotonicultura dependerá menos da simples expansão da área e mais da capacidade de produzir com eficiência, controlar custos, preservar a qualidade e atender às exigências dos compradores.

O 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado de 22 a 24 de setembro, no Expominas, localizado na Avenida Amazonas, 6.200, no bairro Gameleira, em Belo Horizonte. A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site oficial do evento.

Fonte: Pensar Agro

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Região reforça defesa de soja e algodão contra pragas antes da nova safra

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A proteção de mais de 417 mil hectares de algodão, a prevenção de perdas nas lavouras de soja e o uso sustentável da água mobilizaram produtores, técnicos e pesquisadores do Matopiba às vésperas da safra 2026/27. O avanço da mosca-branca, a identificação de uma nova espécie de nematoide e a necessidade de melhorar o controle sobre o Aquífero Urucuia colocaram o manejo preventivo no centro das decisões para o próximo ciclo.

Os temas foram discutidos no 1º Simpósio Fitossanitário do Matopiba, realizado nos dias 15 e 16 de setembro, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia. Matopiba é a região agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e concentra algumas das principais lavouras de soja, milho e algodão do país.

O encontro ocorreu no momento em que a colheita do algodão se aproxima do fim e os produtores iniciam a preparação para a semeadura da soja. A escolha das estratégias de controle antes do plantio pode reduzir a pressão de pragas e doenças, evitar aplicações desnecessárias e preservar o potencial produtivo das lavouras.

A Bahia cultivou mais de 417 mil hectares de algodão na safra 2025/26 e deve superar 1 milhão de toneladas de pluma, o maior volume já registrado no Estado. Cerca de 80% da área havia sido colhida quando o simpósio foi realizado. O desempenho reforça a posição baiana como segunda maior produtora nacional, atrás apenas de Mato Grosso.

Manter esse crescimento, porém, exige atenção à destruição dos restos culturais, ao cumprimento do vazio sanitário e ao combate ao bicudo-do-algodoeiro. Plantas remanescentes podem servir de abrigo e alimento para insetos durante a entressafra, aumentando a população presente no início do próximo cultivo e elevando os custos de controle.

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A mosca-branca também foi apontada como uma das ameaças de maior alcance regional. O inseto ataca soja, algodão, feijão e outras culturas, multiplica-se rapidamente e encontra abrigo em plantas cultivadas, invasoras e voluntárias. Além de retirar seiva, pode favorecer o desenvolvimento de fumagina e transmitir viroses, com reflexos sobre produtividade e qualidade.

A orientação apresentada aos produtores foi iniciar o acompanhamento desde os primeiros focos, em vez de aguardar o crescimento da infestação. O controle deve combinar monitoramento, eliminação de plantas hospedeiras, uso criterioso de defensivos, rotação de mecanismos de ação e preservação de inimigos naturais.

Produtos biológicos à base de fungos já utilizados no campo também podem integrar essa estratégia. A eficiência, entretanto, depende do momento da aplicação, das condições de temperatura e umidade e do tamanho da população da praga. Por isso, o controle biológico deve fazer parte de um programa de manejo e não ser tratado como uma medida isolada.

Outro alerta envolve o Pratylenchus brasiliensis, nematoide das lesões radiculares inicialmente identificado em áreas de soja do Tocantins e já encontrado em outros estados produtores. O organismo invade as raízes, prejudica a absorção de água e nutrientes e pode causar reboleiras, redução do desenvolvimento e queda de produtividade.

Estudo recente conduzido por pesquisadores brasileiros encontrou elevada capacidade de reprodução da espécie em soja. As cultivares avaliadas mostraram suscetibilidade, resultado que aumenta a importância do diagnóstico laboratorial e de pesquisas para identificar plantas hospedeiras, fontes de resistência e alternativas de rotação.

Para o produtor, a dificuldade está no fato de os sintomas poderem ser confundidos com deficiência nutricional, compactação do solo ou falta de água. A confirmação exige coleta adequada de solo e raízes. Sem o diagnóstico correto, a adoção de uma cultura de cobertura que também seja hospedeira pode aumentar a população do nematoide, em vez de reduzi-la.

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A água constituiu o outro grande eixo do encontro. Aproximadamente 80% do Sistema Aquífero Urucuia estão em território baiano. A reserva subterrânea abastece cidades, contribui para a vazão dos rios e sustenta parte da agricultura irrigada do Oeste da Bahia, região que já reúne mais de 400 mil hectares irrigados.

A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos trabalham na implantação de uma rede com 300 poços de monitoramento ao longo dos próximos quatro anos. Os equipamentos deverão acompanhar o nível da água e produzir informações sobre recarga, reservas disponíveis e capacidade sustentável de uso.

O acompanhamento permitirá substituir estimativas gerais por dados coletados continuamente. Para os agricultores, essas informações poderão melhorar o planejamento da irrigação, orientar investimentos e dar maior segurança técnica às autorizações de uso da água. O sistema também deverá ajudar a identificar eventuais quedas do nível do aquífero antes que o problema comprometa a produção ou o abastecimento público.

Além da Bahia, o Aquífero Urucuia alcança áreas de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí. A gestão da reserva, portanto, influencia não apenas propriedades isoladas, mas a segurança hídrica e a produção agropecuária de uma extensa faixa do Cerrado.

O simpósio reuniu representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, Associação Baiana dos Produtores de Algodão, Associação dos Produtores de Soja e Milho da Bahia, Fundação Bahia, Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães e Agência de Defesa Agropecuária da Bahia.

As discussões mostraram que a próxima safra começa antes da entrada das plantadeiras no campo. A eliminação de restos culturais, o monitoramento antecipado de insetos, a análise de solo e raízes, o uso integrado de produtos químicos e biológicos e o controle do consumo de água podem reduzir custos e evitar que problemas localizados se espalhem pelas lavouras do Matopiba.

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Fonte: Pensar Agro

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