BRASIL
Ministério das Cidades integra missão brasileira à Venezuela em apoio à reconstrução habitacional
Publicado
1 de julho de 2026
O Ministério das Cidades integrou nesta terça-feira (30) uma missão brasileira enviada à Venezuela para avaliar novas frentes de cooperação humanitária do Governo do Brasil em apoio às áreas atingidas pelos terremotos que afetaram o país. O secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, participou da comitiva, liderada pelo ministro da Defesa, José Múcio, que também teve a participação da vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães.
Durante o dia, o ministro da Defesa se reuniu com autoridades venezuelanas e a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, para tratar da continuidade da ajuda brasileira e da identificação de prioridades junto ao governo venezuelano. A missão atende à determinação do presidente Lula de ampliar o apoio ao povo venezuelano de forma organizada e coordenada.
A presença do Ministério das Cidades e da Caixa na comitiva tem como objetivo contribuir com a avaliação de possíveis ações relacionadas à reconstrução urbana, habitacional e de infraestrutura nas regiões atingidas, especialmente diante da situação das famílias desabrigadas. Segundo as informações apresentadas na missão, cerca de 60 mil pessoas se encontram nessa situação em razão dos terremotos.
Antes da etapa de reconstrução, está em curso o trabalho técnico de avaliação das áreas afetadas. Engenheiros venezuelanos realizam levantamentos para identificar as condições dos territórios atingidos e definir quais áreas estarão aptas para receber ações de reconstrução e realocação de moradias. A partir desse diagnóstico, poderão ser estruturadas as próximas etapas de apoio e cooperação.
O apoio brasileiro está estruturado em duas etapas: a resposta emergencial, voltada a salvar vidas e atender às necessidades imediatas da população, e a reconstrução, que envolve ações de médio e longo prazo. Nesse contexto, o Ministério das Cidades acompanha os levantamentos para identificar como a experiência brasileira em políticas urbanas, habitação e resposta a desastres pode contribuir com a recuperação das áreas afetadas.
O secretário do Ministério das Cidades, Augusto Rabelo, destacou que a participação da pasta tem como objetivo compreender as necessidades locais para apoiar o planejamento da reconstrução.
“O ministro Vladimir Lima solicitou que viéssemos para entender a situação, entender o que o governo venezuelano já está pensando, planejando e para nos colocar à disposição para ajudar com a experiência que tivemos no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, e no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida de modo geral”, apontou o secretário. “Espero que possamos continuar nos próximos dias dialogando para poder apoiar o governo venezuelano da melhor forma”.
Missão humanitária
A participação do Ministério das Cidades é parte do esforço interministerial do Governo do Brasil para apoiar a Venezuela na resposta humanitária imediata e na construção de caminhos para a recuperação das áreas atingidas.
A ajuda brasileira é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, e mobiliza aeronaves da Força Aérea Brasileira. Este é o quinto voo da operação humanitária brasileira, que decolou nesta terça-feira da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Além da comitiva, o voo transporta 45 militares da Marinha do Brasil, que atuarão no hospital de campanha de La Guaira, uma das regiões mais afetadas.
O primeiro voo partiu na sexta-feira (26), com uma equipe de busca e resgate formada por 44 profissionais, incluindo bombeiros e especialistas. No sábado (27), dois voos transportaram o hospital de campanha da Marinha, equipe médica, kits médicos e purificadores de água. No domingo (28), o quarto voo chegou a Caracas com mais 35 bombeiros de São Paulo e Minas Gerais para reforçar as equipes brasileiras em La Guaira.
» Com informações do Ministério da Defesa
Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Cidades
Atendimento à Imprensa
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E-mail: [email protected]
Fonte: Ministério das Cidades
BRASIL
Especialistas apresentam dez caminhos para enfrentar o crime organizado
Publicado
1 de julho de 2026
Brasília, 1º/7/2026 — Durante décadas, o enfrentamento ao crime organizado no Brasil avançou sem uma estratégia integrada, sustentada por dados, evidências e avaliação sistemática de políticas públicas. Embora operações policiais, prisões e alterações na legislação penal ocupem espaço central no debate público, especialistas defendem que essas medidas, quando adotadas de forma isolada, têm se mostrado insuficientes para conter a expansão das organizações criminosas, que hoje atuam em redes cada vez mais sofisticadas, diversificadas e adaptáveis.
É a partir dessa constatação que nasce Criminalidade Organizada: Diagnóstico e políticas públicas e legislativas, publicação lançada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL), em parceria com Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF). A obra reúne alguns dos principais pesquisadores brasileiros dedicados ao tema e apresenta um amplo diagnóstico sobre o funcionamento do crime organizado no País, acompanhado de propostas concretas para subsidiar políticas públicas e aperfeiçoamentos legislativos.
Mais do que reunir estudos acadêmicos, a publicação propõe uma mudança de paradigma. Em vez de compreender facções criminosas, milícias, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, circulação ilegal de armas, corrupção policial e sistema prisional como problemas independentes, o livro demonstra que esses fenômenos fazem parte de um mesmo ecossistema criminoso, sustentado por relações econômicas, institucionais, territoriais e internacionais. A partir dessa leitura integrada, os autores defendem respostas igualmente articuladas, baseadas em inteligência, produção de conhecimento, coordenação entre instituições e avaliação permanente de resultados.
Organizada por Daniel Veloso Hirata, Daniel Edler Duarte, Alberto Kopittke e Gabriel Sampaio e Carolina Christoph Grillo, a publicação reúne dez capítulos escritos por especialistas de diferentes áreas do conhecimento. Cada um deles aborda um aspecto específico da criminalidade organizada e apresenta recomendações voltadas ao fortalecimento da capacidade do Estado de enfrentar organizações criminosas de forma mais estratégica e sustentável.
Entre os temas tratados estão a estrutura e o funcionamento das facções criminosas, o controle territorial exercido por facções e milícias, o papel do sistema prisional no fortalecimento dessas organizações, os mercados ilícitos de drogas e armas, a lavagem de dinheiro, a corrupção policial, a cooperação internacional e os desafios da coordenação entre União, estados e municípios. Ao longo da obra, os autores convergem na defesa de políticas públicas orientadas por evidências e por uma atuação integrada entre diferentes órgãos do Estado.
O primeiro capítulo apresenta uma das principais inovações conceituais do livro ao aplicar a chamada criminofísica ao estudo das facções criminosas. Inspirada na teoria das redes e nos sistemas complexos, a abordagem propõe substituir ações repressivas indiscriminadas por intervenções capazes de atingir funções estratégicas das organizações criminosas, potencializando o impacto das políticas de segurança pública.
Os capítulos seguintes analisam o controle territorial exercido por facções e milícias, a influência do sistema prisional na expansão dessas organizações, o funcionamento do tráfico de drogas, a nova cadeia de suprimentos de armas, os mecanismos de lavagem de dinheiro e a utilização crescente de ativos digitais, além dos desafios impostos pela corrupção policial e pela necessidade de ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional.
A publicação também chama atenção para a necessidade de fortalecer mecanismos permanentes de inteligência, integração de bases de dados, coordenação federativa, controle institucional e avaliação de políticas públicas. Segundo os pesquisadores, enfrentar organizações altamente articuladas exige que o próprio Estado desenvolva estruturas igualmente integradas e orientadas por conhecimento científico.
Embora cada capítulo apresente recomendações específicas, a obra converge para uma conclusão comum: o enfrentamento ao crime organizado exige abandonar respostas fragmentadas e construir políticas públicas capazes de atuar sobre as estruturas que sustentam essas organizações. Nesse sentido, o livro oferece um conjunto consistente de propostas voltadas ao aperfeiçoamento da legislação, das instituições e das estratégias de segurança pública, buscando contribuir para um debate cada vez mais baseado em evidências e comprometido com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
A publicação reúne contribuições de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Confira os temas de cada capítulo e seus respectivos autores:
Capítulo 1 – Facções criminais: estrutura, energia e neutralização seletiva em sistemas complexos do crime organizado, de Bruno Requião da Cunha;
Capítulo 2 – Controle Territorial Armado e Crime Organizado no Brasil: diagnóstico, impactos e propostas de enfrentamento, de Daniel Hirata, Maria Isabel Couto e Cecília Olliveira;
Capítulo 3 – Facções criminosas em um contexto de declarado Estado de Coisas Inconstitucional nas prisões brasileiras, de Juliana Tonche;
Capítulo 4 – Tráfico de drogas e segurança no Brasil: mecanismos de um ciclo vicioso, de Gabriel Feltran e Deborah Fromm;
Capítulo 5 – A nova cadeia de suprimentos do crime: flexibilização, armas de maior poder de fogo e a “substituição de importações” no mercado ilícito brasileiro, de Bruno Langeani e Carolina de Mattos Ricardo;
Capítulo 6 – Prevenção à lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional: possibilidades e gargalos, de Davi de Paiva Costa Tangerino, Vladimir Barros Aras e Victor Américo Alves de Freitas;
Capítulo 7 – Grupos armados e a produção de territórios populares: mercados em disputa e novas articulações políticas, de Raquel Rolnik e Isadora Guerreiro;
Capítulo 8 – Desafios do enfrentamento ao crime organizado no Brasil: arranjo federativo e integração interinstitucional, de Renato Sérgio de Lima, Samira Bueno e Leonardo Silva;
Capítulo 9 – A corrupção policial e o crime organizado, de Ignacio Cano;
Capítulo 10 – Cooperação internacional no combate à criminalidade transnacional: análise do sistema brasileiro e propostas de aprimoramento normativo e institucional, de Yuri Corrêa Araujo.
BRASIL
Ministério da Justiça e Segurança Pública destina R$ 100 milhões para fortalecer atuação da Polícia Federal nas fronteiras
Publicado
1 de julho de 2026
Nova Lima, 1º/7/2026 – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, anunciou nesta quarta-feira (1º) um pacote de R$ 100 milhões em investimentos para fortalecer a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime organizado nas fronteiras do País. Os recursos, provenientes do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, serão destinados à estruturação da Coordenadoria-Geral de Fronteiras (CGFRON), além da aquisição de aeronaves, viaturas, equipamentos e da modernização de unidades da corporação.
O anúncio foi feito durante o Encontro de Polícia Judiciária 2026, realizado em Nova Lima (MG), ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues.
Durante o evento, também foi destacada a importância do Projeto Mitra, sistema avançado de vigilância e reconhecimento facial desenvolvido pela Polícia Federal. Criado inicialmente em Roraima para monitorar fluxos migratórios, o projeto evoluiu para apoiar operações em grandes centros urbanos, integrando tecnologias de georreferenciamento, biometria e inteligência artificial.
“O Projeto Mitra é essencial e reflete o espírito de ação do Brasil no combate ao crime organizado, baseado em inteligência e integração”, afirmou o ministro, acrescentando que vai trabalhar para ampliar os investimentos nessa área.
Os recursos também consolidam a atuação da Coordenadoria-Geral de Fronteiras, criada em dezembro de 2025 para ampliar a capacidade operacional da Polícia Federal nas regiões fronteiriças. Com o investimento, a unidade passa a contar com estrutura para coordenar ações de prevenção e repressão ao crime organizado transnacional.
Entre as entregas previstas estão as delegacias da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul (AC) e Rorainópolis (RR), já concluídas; a unidade de Ponta Porã (MS), em fase de construção; e a delegacia de Corumbá (MS), cuja licitação está em andamento. O pacote contempla ainda um posto avançado de fronteira, dois helicópteros, dois aviões, viaturas, binóculos e outros equipamentos destinados às operações de enfrentamento às organizações criminosas.
O Encontro de Polícia Judiciária 2026 reuniu policiais federais de Minas Gerais, dirigentes das principais áreas estratégicas da instituição e superintendentes regionais de diversos estados para discutir a modernização da atividade de polícia judiciária, o enfrentamento ao crime organizado e os desafios da segurança pública no Brasil.
Projeto Mitra
O banco de dados do Projeto Mitra reúne atualmente 122,8 milhões de registros faciais, integrando 56 bases estaduais e federais e cerca de 100 câmeras distribuídas pelo país. O sistema incorpora módulos como FindFace, Clearview, Facebook Expert, Pimentel Eyes, Abis/PF, PocFacial e GestBio/TSE.
Em junho de 2024, o Mitra possibilitou a prisão, em tempo real, de procurados pela Justiça, incluindo foragidos localizados em rodoviárias e suspeitos mascarados identificados por meio da combinação de dados faciais e digitais.
Segundo a Polícia Federal, a taxa de falso positivo do sistema é praticamente nula, e a plataforma já figura entre as três maiores do mundo em capacidade tecnológica. A expectativa é incorporar mais 50 milhões de registros faciais nos próximos meses, ampliando ainda mais a capacidade operacional da ferramenta.
Programa Brasil Contra o Crime Organizado
Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado reúne ações voltadas ao enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, ao enfrentamento do tráfico de armas, à qualificação da investigação de homicídios e ao fortalecimento da segurança no sistema prisional.
Lançada em maio deste ano, a iniciativa já provocou um prejuízo estimado de R$ 2 bilhões às facções criminosas em decorrência de operações integradas realizadas em todo o país. Até o momento, o programa contabiliza 12.312 prisões, mobilizou 15.793 profissionais de segurança pública e realizou 11 operações nacionais, reforçando a integração entre forças federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado.
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