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AGRONEGÓCIOS

Lideranças do agro questionam o Plano Safra recorde de R$ 610 bilhões: “apenas marketing”

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O lançamento do Plano Safra 2026/27, que soma R$ 610,3 bilhões em financiamentos, foi recebido com ceticismo pelo setor produtivo. Enquanto o governo federal anunciou com pompa o programa como sendo o maior da história, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) alertou que o volume total de recursos não esconde o principal entrave do campo: o elevado custo de captação.

Para lideranças do setor, como o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende( foto), o montante bilionário perde eficácia diante de taxas de juros que, na prática, inviabilizam a rentabilidade da produção agrícola nesta temporada.

“O governo venceu a batalha do marketing ao cravar uma cifra recorde, mas é só isso: “marketing”. A viabilidade operacional das fazendas depende de uma variável que o governo não conseguiu equalizar com a mesma empolgação: o custo do dinheiro”, alerta Isan.

A estratégia do governo, ancorada em um aumento de 38% nos recursos destinados a investimentos — que saltaram para R$ 140,2 bilhões —, busca estimular a modernização tecnológica e a expansão da capacidade de armazenamento. Para a equipe econômica, o volume de crédito disponível é a ferramenta necessária para garantir que o setor continue sendo o motor do PIB.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) recebeu os dados com o pé no freio. O argumento central da bancada é que o recorde nominal de R$ 610,3 bilhões deve ser interpretado com ressalvas. “Volume não substitui rentabilidade”, avalia um assessor técnico da FPA.

A preocupação é que o custo do dinheiro, atrelado a taxas de juros que ainda pressionam o caixa do produtor, torne o crédito menos atrativo ou até inacessível para quem precisa de financiamento de custeio — a parte mais sensível da operação agrícola.

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Enquanto o governo foca no “investimento de longo prazo”, o produtor foca no “custeio de curto prazo”. A discrepância de visões é clara: enquanto a União vê o plano como um sucesso de planejamento, parte do setor produtivo o enxerga como uma solução parcial. A inflação dos insumos, somada aos juros elevados, cria um cenário onde o produtor precisa de mais crédito para comprar menos insumos, o que, matematicamente, exige um volume maior apenas para manter a operação, e não necessariamente para expandi-la.

A Frente Parlamentar da Agropecuária apontou uma “engenharia financeira” do Governo para inflar os números, denunciando que na verdade houve uma redução real de R$ 29,6 bilhões no crédito rural tradicional em comparação ao ciclo anterior.

  • O que diz o Governo: O Executivo celebra o plano como um marco de modernização, destacando um aumento de 38% nos recursos destinados a investimentos. A aposta é na estruturação de longo prazo, focando em tecnologia e sustentabilidade para manter a competitividade brasileira no mercado global.

  • o que diz a  a FPA: A crítica da bancada ruralista é contundente e foca na perda de capacidade produtiva imediata. A FPA aponta cortes severos em programas vitais para a operação das fazendas: -54% no Moderfrota e -28% em programas de armazenagem. Além disso, o setor alerta para a fragilidade da subvenção ao seguro rural, que permanece insuficiente diante do cenário de instabilidade climática agravada pelo fenômeno El Niño.

Em resumo: O governo prioriza um discurso de “recorde” ancorado em investimentos de longo prazo, enquanto a FPA alerta que a base do custeio e a proteção contra riscos — essenciais para a margem de lucro do produtor nesta safra — foram fragilizadas. O custo financeiro, portanto, deixa de ser apenas uma variável econômica para se tornar o ponto central de atrito entre a estratégia oficial e a sobrevivência operacional no campo.

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O governo venceu a batalha da propaganda ao cravar a marca de mais de R$ 600 bilhões. Contudo, o sucesso prático do Plano Safra 2026/27 não será medido pelo volume de papel, mas pela velocidade com que o produtor irá buscar esse crédito nos bancos. Se as taxas de juros não se mostrarem competitivas frente ao custo real de produção, o “maior plano da história” corre o risco de ter parte significativa de seus recursos ociosa, ou seja, sem chegar a quem realmente precisa produzir.

O termômetro do setor

Para o presidente do Instituto do IA, Engenheiro Agrônomo Isan Rezende, a efetividade do Plano Safra 2026/27 não será medida apenas pelo volume nominal de R$ 610,3 bilhões, mas pela adesão real dos produtores nas linhas de crédito.

“O montante ‘bilionário’ perde o brilho diante das elevadas taxas de juros, que corroem a rentabilidade e dificultam a tomada de crédito para o custeio da safra”, pondera o presidente do IA, lembrando que o setor esperava um esforço mais condizente com a realidade de custos atual.

“O anúncio do Plano Safra não pode servir de cortina de fumaça para a dificuldade que o produtor enfrenta na ponta. Precisamos entender que o custo de produção subiu significativamente nos últimos anos e, se não tivermos taxas de juros que acompanhem essa realidade, o crédito disponível se torna uma ferramenta de endividamento, e não de desenvolvimento”.

Rezende ressalta ainda que, sem uma equalização adequada, o agricultor prefere a cautela ao risco:”O que o produtor quer é previsibilidade e competitividade. Não adianta anunciarmos bilhões se, na prática, o custo financeiro torna o projeto inviável. A nossa preocupação é que o produtor, diante desses juros, acabe reduzindo os investimentos necessários para a tecnologia que o próprio governo diz querer incentivar”.

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Por fim, o líder setorial destaca que o sucesso da próxima safra depende de um diálogo mais aberto sobre as condições de mercado. “O agronegócio é o setor que sustenta a economia nacional, mas ele precisa ser tratado com a seriedade que o custo do nosso trabalho exige. Seguiremos acompanhando a liberação desses recursos e cobrando transparência, pois o nosso compromisso é com a produtividade e a sustentabilidade econômica de quem, de fato, coloca o Brasil no topo da produção mundial”, completou Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIOS

INSS inicia pagamento de R$874 milhões a mais de 149,5 mil pescadores artesanais

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) inicia, no dia 7 de julho, o pagamento dos benefícios do Seguro-Defeso do Pescador Artesanal (SDPA) referentes aos períodos de defeso anteriores a 2026. Os valores serão depositados em parcela única para 149,5 mil pescadores artesanais que tiveram o direito ao benefício reconhecido e aguardavam a emissão do pagamento.

A medida foi viabilizada após a publicação da Lei nº 15.399, de 4 de maio de 2026, que autorizou, em caráter excepcional, o pagamento dos requerimentos referentes aos períodos de defeso anteriores a 2026, desde que tenham sido solicitados dentro do prazo legal e atendam a todos os requisitos previstos na legislação. O investimento é de aproximadamente R$ 874,5 milhões.

A operacionalização dos pagamentos resulta da atuação conjunta do INSS, do Ministério da Previdência Social (MPS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Dataprev, responsável pelo suporte tecnológico necessário para a emissão das parcelas.

Como consultar

Os pescadores artesanais que já tiveram o benefício deferido e aguardavam apenas a liberação dos recursos podem consultar a situação do pagamento pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Emprega Brasil.

Quem ainda possui requerimentos em análise ou pendências deve acompanhar o andamento do processo pelos canais oficiais: Meu INSS (site e aplicativo) e Central 135.

Os requerimentos que ainda dependem da regularização de pendências ou da conclusão da análise administrativa continuarão sendo processados pelo INSS. À medida que essas etapas forem concluídas e o direito ao benefício for reconhecido, os pagamentos serão incluídos nos próximos lotes.

 

Maria Tereza Castro (Ascom – INSS)

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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AGRONEGÓCIOS

Safra de cana no Centro-Sul atinge 9,17 milhões de hectares

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A área de cana-de-açúcar disponível para colheita no Centro-Sul do Brasil atingiu 9,17 milhões de hectares na safra 2026/27. O número representa uma expansão de 3,1% em comparação aos 8,9 milhões de hectares do ciclo anterior, consolidando um movimento de crescimento monitorado por imagens de satélite e geotecnologia. O dado é acompanhado por uma reconfiguração na lista dos principais polos produtores, influenciada diretamente pelo cronograma de renovação dos canaviais.

A mudança no ranking dos municípios que mais ofertam cana para colheita é reflexo direto do manejo das lavouras. Áreas que passam por reforma ficam temporariamente indisponíveis para o corte e retornam ao sistema após ganharem novo potencial produtivo. Esse ciclo de rotatividade explica a ascensão de Nova Alvorada do Sul (MS) à primeira colocação nacional e a entrada de Nova Andradina (MS) no grupo dos 12 maiores produtores da região, deslocando Guaíra (SP).

Apesar dessas variações locais, a concentração da atividade agrícola permanece estável. O bloco dos 12 municípios com maior extensão de cana disponível responde por cerca de 10,4% de toda a área mapeada no Centro-Sul, um patamar praticamente idêntico ao observado na temporada passada.

Geografia da produção

A estrutura produtiva mantém uma forte centralização em quatro estados, que juntos somam 91% da área total:

  • São Paulo: 57,1% (5,24 milhões de hectares).

  • Goiás: 12,4%.

  • Minas Gerais: 12,2%.

  • Mato Grosso do Sul: 9,3%.

Embora São Paulo sustente a dominância no setor, Mato Grosso do Sul foi o estado com o maior incremento proporcional na área cultivada entre os dois ciclos, com alta de 0,3%. O desempenho reflete a força de polos como Rio Brilhante, Costa Rica e Ivinhema.

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O monitoramento contínuo das áreas, segundo analistas do agronegócio, é essencial para compreender não apenas o volume disponível, mas as tendências de longo prazo na oferta de matéria-prima para o setor de biocombustíveis. A precisão na identificação de áreas em reforma versus áreas prontas para colheita permite antecipar oscilações de produtividade que impactam diretamente a cadeia de etanol e açúcar no país.

Fonte: Pensar Agro

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