Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGÓCIOS

INSS inicia pagamento de R$874 milhões a mais de 149,5 mil pescadores artesanais

Publicado

Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) inicia, no dia 7 de julho, o pagamento dos benefícios do Seguro-Defeso do Pescador Artesanal (SDPA) referentes aos períodos de defeso anteriores a 2026. Os valores serão depositados em parcela única para 149,5 mil pescadores artesanais que tiveram o direito ao benefício reconhecido e aguardavam a emissão do pagamento.

A medida foi viabilizada após a publicação da Lei nº 15.399, de 4 de maio de 2026, que autorizou, em caráter excepcional, o pagamento dos requerimentos referentes aos períodos de defeso anteriores a 2026, desde que tenham sido solicitados dentro do prazo legal e atendam a todos os requisitos previstos na legislação. O investimento é de aproximadamente R$ 874,5 milhões.

A operacionalização dos pagamentos resulta da atuação conjunta do INSS, do Ministério da Previdência Social (MPS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Dataprev, responsável pelo suporte tecnológico necessário para a emissão das parcelas.

Como consultar

Os pescadores artesanais que já tiveram o benefício deferido e aguardavam apenas a liberação dos recursos podem consultar a situação do pagamento pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Emprega Brasil.

Quem ainda possui requerimentos em análise ou pendências deve acompanhar o andamento do processo pelos canais oficiais: Meu INSS (site e aplicativo) e Central 135.

Os requerimentos que ainda dependem da regularização de pendências ou da conclusão da análise administrativa continuarão sendo processados pelo INSS. À medida que essas etapas forem concluídas e o direito ao benefício for reconhecido, os pagamentos serão incluídos nos próximos lotes.

 

Maria Tereza Castro (Ascom – INSS)

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Comentários Facebook
Leia mais:  Estado lidera crescimento econômico nacional em 2026, aponta estudo
publicidade

AGRONEGÓCIOS

Safra de cana no Centro-Sul atinge 9,17 milhões de hectares

Publicado

A área de cana-de-açúcar disponível para colheita no Centro-Sul do Brasil atingiu 9,17 milhões de hectares na safra 2026/27. O número representa uma expansão de 3,1% em comparação aos 8,9 milhões de hectares do ciclo anterior, consolidando um movimento de crescimento monitorado por imagens de satélite e geotecnologia. O dado é acompanhado por uma reconfiguração na lista dos principais polos produtores, influenciada diretamente pelo cronograma de renovação dos canaviais.

A mudança no ranking dos municípios que mais ofertam cana para colheita é reflexo direto do manejo das lavouras. Áreas que passam por reforma ficam temporariamente indisponíveis para o corte e retornam ao sistema após ganharem novo potencial produtivo. Esse ciclo de rotatividade explica a ascensão de Nova Alvorada do Sul (MS) à primeira colocação nacional e a entrada de Nova Andradina (MS) no grupo dos 12 maiores produtores da região, deslocando Guaíra (SP).

Apesar dessas variações locais, a concentração da atividade agrícola permanece estável. O bloco dos 12 municípios com maior extensão de cana disponível responde por cerca de 10,4% de toda a área mapeada no Centro-Sul, um patamar praticamente idêntico ao observado na temporada passada.

Geografia da produção

A estrutura produtiva mantém uma forte centralização em quatro estados, que juntos somam 91% da área total:

  • São Paulo: 57,1% (5,24 milhões de hectares).

  • Goiás: 12,4%.

  • Minas Gerais: 12,2%.

  • Mato Grosso do Sul: 9,3%.

Embora São Paulo sustente a dominância no setor, Mato Grosso do Sul foi o estado com o maior incremento proporcional na área cultivada entre os dois ciclos, com alta de 0,3%. O desempenho reflete a força de polos como Rio Brilhante, Costa Rica e Ivinhema.

Leia mais:  Governo do Brasil amplia a participação social em Santa Catarina

O monitoramento contínuo das áreas, segundo analistas do agronegócio, é essencial para compreender não apenas o volume disponível, mas as tendências de longo prazo na oferta de matéria-prima para o setor de biocombustíveis. A precisão na identificação de áreas em reforma versus áreas prontas para colheita permite antecipar oscilações de produtividade que impactam diretamente a cadeia de etanol e açúcar no país.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

AGRONEGÓCIOS

Onde a maré ensina: a história de Adenilse, a pescadora que transforma saberes em resistência

Publicado

Há quem aprenda a ler nos livros. Adenilse Borralhos Barbosa aprendeu primeiro a ler as marés. Ainda menina, enquanto observava o pai e o avô saírem para o rio, descobriu que a pesca era mais do que uma forma de garantir alimento, era uma linguagem. O silêncio das águas, o movimento dos ventos, o tempo das luas, a paciência diante das redes vazias e o respeito pelo ritmo da natureza se tornaram parte da sua formação. Décadas depois, aos 48 anos, ela continua ouvindo o que o rio tem a dizer. 

Filha e neta de pescadores, Adenilse nasceu e vive na comunidade pesqueira de Espírito Santo do Tauá, no nordeste paraense, onde a economia e a cultura caminham no compasso das marés. Poetisa, professora, pesquisadora e pescadora artesanal, ela representa uma geração de mulheres que transformaram uma atividade, antes invisibilizada, em espaço de protagonismo, organização e defesa dos territórios tradicionais. 

“Pescar nunca foi motivo para abandonar os estudos”, costuma dizer. Enquanto muitos imaginavam que precisaria escolher entre a educação e a pesca, Adenilse decidiu seguir os dois caminhos. Conquistou o ensino superior, tornou-se professora e pesquisadora, mas jamais deixou o rio. Hoje, continua pescando ao lado do esposo, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações. 

Sua rotina acompanha o tempo da natureza. A pesca de camarão, siri e caramujo depende da maré, mas também depende do respeito às crenças da comunidade. Durante a Semana Santa, o Dia de Finados, Corpus Christi e outras datas consideradas sagradas, ninguém sai para pescar. O rio é tratado como um ser que merece reverência. 

Esse mesmo respeito aparece em gestos cotidianos, os pescadores não apenas evitam jogar lixo nas águas, mas recolhem resíduos encontrados às margens do rio Tauá. Sabem que preservar o ambiente significa proteger o futuro da pesca e das famílias que dele dependem. 

Leia mais:  Plano Safra 26/27 destina R$ 525 bilhões para fortalecer a agricultura empresarial

Mas a vida na comunidade vai muito além da captura dos peixes e mariscos. Das várzeas também vêm o açaí, os cipós utilizados em remédios tradicionais e as sementes de andiroba, das quais é extraído um óleo conhecido por suas propriedades medicinais. Cada elemento da floresta e dos manguezais faz parte de um conhecimento construído ao longo de gerações. 

Mobilizadora social 

Nos últimos anos, Adenilse assumiu outro papel igualmente importante, o de mobilizadora social. Ao lado de outras mulheres pescadoras, promove rodas de conversa sobre direitos, organização comunitária e fortalecimento da categoria. Muitas dessas mulheres nunca tiveram acesso a informações básicas sobre políticas públicas destinadas às pescadoras artesanais. Embora ainda enfrentem dificuldades administrativas para obter a carteira de pescadora, elas seguem organizadas, confiantes de que esse reconhecimento será conquistado. 

A atuação também se estende à defesa do território, a comunidade enfrenta ameaças provocadas pela grilagem das margens do rio, onde áreas coletivas vêm sendo cercadas ilegalmente, impedindo o acesso de quem sempre viveu da pesca. Diante desse cenário, pescadores e pescadoras construíram um protocolo comunitário de consulta, dialogam com comunidades vizinhas para criar uma modalidade de proteção dos manguezais e das várzeas e já levaram denúncias ao Ministério Público Federal. A luta é para garantir que aquilo que sempre pertenceu ao coletivo continue sendo de todos. 

Outra preocupação mobiliza Adenilse, a possibilidade de exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas. Para quem vive da pesca artesanal, qualquer impacto ambiental representa uma ameaça direta à vida, aos peixes, aos mariscos e ao equilíbrio dos ecossistemas que sustentam toda a região. Se o rio adoecer, adoece junto a nossa história“, resume o sentimento compartilhado pela comunidade. 

A transformação também passa pela autonomia econômica, com apoio do Fundo Casa Socioambiental, Adenilse participou da realização de oficinas voltadas para jovens e adultos pescadores, ensinando a confeccionar redes, linhas, boias e outros apetrechos de pesca, além do conserto de redes. Em uma realidade em que muitos trabalhadores não conseguem comprar seus próprios equipamentos e dependem de empréstimos para sair ao rio, produzir os próprios materiais representa mais do que economia, significa dignidade. O maior resultado, segundo ela, foi ver a alegria estampada no rosto dos participantes ao receberem equipamentos produzidos com as próprias mãos. 

Leia mais:  Obrigatoriedade de CNPJ é adiada: veja o que muda para o produtor

Caminhada percorrida e futuro da pesca

Ao olhar para trás, Adenilse reconhece o quanto as mulheres da pesca caminharam. Durante muito tempo, eram vistas apenas como ajudantes dos maridos, invisíveis diante de um trabalho considerado exclusivamente masculino. Hoje, essa realidade começa a mudar graças à organização das próprias pescadoras, que ocupam espaços de liderança, reivindicam direitos e mostram que sempre fizeram parte da pesca artesanal. 

É justamente para fortalecer essa transformação que Adenilse sonha ampliar as formações, realizar novas oficinas, promover encontros entre mulheres pescadoras e facilitar o acesso a direitos como o seguro-defeso, crédito e financiamento para a pesca artesanal. 

Sua história revela que a pesca não é apenas uma atividade econômica. É memória, ciência popular, educação, cultura e resistência. É um conhecimento transmitido entre gerações, onde cada maré carrega ensinamentos que nenhuma escola ensina sozinha. 

Enquanto houver mulheres como Adenilse escutando o rio e ensinando outras pessoas, as águas continuarão contando histórias. Histórias de quem aprendeu que preservar o território também é preservar a própria identidade. Histórias que fazem ecoar uma certeza antiga entre os povos das águas, quem cuida do rio nunca pesca apenas peixes, pesca também futuro. 

Poesia produzida por Adenilse e Helielse:

AS TÉCNICAS DA PESCA ARTESANAL
A arte de pescar é agradável.
Que tem várias técnicas e realidades
Cada comunidade tem suas especificidades
Para começar falar das técnicas e atividades
Da arte de pescar, vamos falar de um lindo lugar
Que se chama Espirito Santo do Tauá;
Lugar lindo de morar, que fica na margem do Rio Tauá
Com seus mistérios a desvendar,
agora vamos falar da arte de pescar.
O pescador sai pra pescar na maré da preamar
No seu casco e com a sua rede de malhar
Ele vai remando devagar, até o ponto de pesca chegar.
A pesca de malhadeira, se pesca dessa maneira
De bubuia, apoitado, de arrastão e até escorado pela beira.
As técnicas são feitas de várias maneiras
Costumeiras e rotineiras
Mas na hora de ribar a festa é inteira.
No sol na chuva de dia de noite, não importa
Somos trabalhadoras e trabalhadores
Dos rios ou dos mares, buscando e retirando
Alimento desses lugares.
Vamos companheiras e companheiros
Pro rio pescar, pois ele é a nossa mãe
Sem ele não vivemos neste lugar.
Para que o peixe não falte
É preciso nos sensibilizar
Que não devemos destruir o nosso rio Tauá.

Leia mais:  Estado lidera crescimento econômico nacional em 2026, aponta estudo

É preciso lembrar e agradecer
Ao padroeiro das pescadoras e pescadores
Que protege de todo mal a vida desses lutadores
Viva São Pedro o padroeiro dos pescadores.
Na hora de pescar
Pode ser de linha, de espinhel, rede,
Malhadeira ou mutar
Técnicas, formas, normas
Tanto faz, vamos labutar
Para nos alimentar.
Não há técnica, não há transmissão
Se não houver tradição.
Cada comunidade tem suas particularidades
Suas atividades bem como as diversidades.
A pesca também tem suas simbologias
Tabus, crenças, regras e simpatias.

ÉLEN GORSKI
Ministério da Pesca e Aquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Comentários Facebook
Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

DIAMANTINO

POLÍTICA MT

POLICIAL

MATO GROSSO

POLÍTICA NACIONAL

ESPORTES

Mais Lidas da Semana