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MATO GROSSO

O Idiota e a tragédia de sermos a nossa pior história

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As primeiras páginas de O Idiota (1868), contudo, revelaram o meu engano.Esse assombro não se deu por uma suposta superioridade estética, mas pelo incômodo da pergunta que o romance nos lança. Enquanto em outras obras ele investiga a anatomia do mal ou os abismos da culpa, aqui o problema é outro: o que acontece quando a bondade radical colide frontalmente com a humanidade real, com toda a sua liberdade e o seu fatalismo?A própria escolha do título já funciona como um soco. O Idiota, na tradição eslava do iuródivii (o “louco de Deus” ou o tolo sagrado), é o veredito imediato que a sociedade reserva a quem não sabe dissimular.Logo no início da trama, quando o príncipe Lev Nikoláievitch Míchkin desce do trem em Petersburgo, voltando de um sanatório na Suíça com sua trouxinha de roupas e uma capa gasta de estrangeiro, ele é a própria nudez d’alma. Observando-o, solto nos salões de intrigas da aristocracia russa, o prognóstico é quase instintivo: vão devorá-lo vivo. E quase engolem, pois ele é recebido com risinhos, escárnio e desconfiança. Acontece que a pureza despojada, invariavelmente, incomoda. A gente costuma rir do que não entende, ou do que expõe as nossas próprias máscaras. Sem proferir discursos moralistas, a simples presença do príncipe atua como um espelho profundamente desconfortável. E ninguém gosta de se olhar num espelho que não distorce os defeitos.Ao entrar na vida daquelas pessoas, Míchkin subverte as regras do jogo. É aqui que o romance revela a sua verdadeira genialidade. Se eu tivesse de resumir a grandeza de O Idiota a um único movimento, seria este:Míchkin passa a história inteira recusando-se a reduzir as pessoas à sua pior queda. A tragédia é que quase todas elas continuam a olhar para si mesmas exatamente por esse prisma.Essa miopia existencial é a patologia que contamina todo o ecossistema do livro. Não se trata de um cativeiro exclusivo de uma personagem; é a tragédia humana de estarmos aprisionados às narrativas que forjamos sobre nós mesmos.Basta olhar para Gánia. Ele se odeia por ser medíocre, por querer vender a própria vida por setenta e cinco mil rublos em um casamento de conveniência, mas se convenceu de que não tem outra saída. O mesmo vale para Rogójin, que se vê como um bruto, consumido por uma paixão doentia e incontrolável, fadado a destruir o que ama porque o fatalismo corre no seu sangue. Até a jovem e orgulhosa Agláia vive presa a ideais românticos que não param em pé na realidade árida. Em certa medida, todos estão algemados às suas piores versões. No centro dessa engrenagem, Nastácia Filíppovna é a expressão mais aguda dessa mesma tragédia. Marcada por anos de exploração e abuso nas mãos de Tótskii, ela sucumbe à mais cruel forma de autoengano: perdeu o próprio olhar. A sua ruína não é apenas o trauma sofrido, mas o fato de que ela assumiu a degradação como identidade, passando a enxergar a si mesma exclusivamente através dos olhos de quem a sujou. Ocorre que Míchkin não aceita o roteiro fatalista de nenhum deles. Ele se recusa a converter o acidente moral na essência ontológica da pessoa.A prova definitiva dessa postura surge na cena aterradora em que Gánia, cego de raiva e humilhação, tenta agredir a própria irmã e o príncipe entra no meio para receber a bofetada. A reação de Míchkin desarma moralmente o agressor. Ele não revida. Ele não humilha. Ele apenas sofre, de forma sincera e antecipada, pela vergonha profunda que o outro sentirá de si mesmo. O príncipe redime a cena porque enxerga, sob os escombros do ato covarde, a centelha de humanidade fraturada de quem o cometeu. Há nisso uma intuição psicológica tão devastadora que fatalmente nos empurra para uma projeção inevitável: o que faríamos com um Míchkin no século XXI?A resposta mais amarga é que o crucificaríamos ainda mais rápido. O fatalismo que Dostoiévski combate — a ideia de que um erro resume a sua biografia inteira — virou a regra de ouro do nosso tempo. As redes sociais apenas industrializaram a nossa pressa em reduzir pessoas aos seus piores momentos. Se a aristocracia do século XIX ria do príncipe e o tomava por louco, nossos tribunais digitais o cancelariam sem piedade. A recusa dele em apedrejar o outro seria lida como cumplicidade; sua empatia, diagnosticada como fraqueza.É precisamente contra esse pano de fundo sombrio que a famosa máxima “a beleza salvará o mundo” ganha um peso aterrador.Trata-se de algo muito além da estética — a exuberância de Nastácia, afinal, só atua como estopim de ciúmes, rivalidades e ruínas. A verdadeira beleza do romance habita uma dimensão estritamente moral e espiritual. Ela reside na teimosia de enxergar dignidade onde o mundo só aponta destroços. Na capacidade de resgatar o que sobrou de sagrado sob os escombros da culpa. Dostoiévski, no entanto, é um pensador complexo demais para nos legar uma parábola reconfortante. O livro não acaba em uma apoteose triunfal da virtude; acaba em colapso. Porque o escritor entendeu uma lei tristíssima: nenhuma quantidade de compaixão externa anula a liberdade do outro. Míchkin descortina o horizonte das possibilidades, oferece a redenção, mas não pode habitá-la nos outros.Por isso, terminamos a leitura com um nó na garganta. O livro nos arranca da confortável posição de observadores, obriga-nos a encarar o nosso próprio reflexo e nos confronta com o tema da dignidade humana e dos invólucros a que a submetemos. Questão de amarga solução. Talvez por isso a pergunta central do romance continue tão viva: se a nossa dignidade é intrínseca e somos infinitamente maiores do que a pior história que contamos sobre nós mesmos, por que insistimos em viver — e em julgar — como se não fôssemos?
*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MATO GROSSO

Corpo de Bombeiros combate incêndio em vegetação próximo à área urbana de Campo Verde

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O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, na tarde de terça-feira (16.6), um incêndio em vegetação no bairro Campo Real, em Campo Verde (a 131 km de Cuiabá). A ocorrência foi registrada em uma área de transição entre o perímetro urbano e a zona rural.

A equipe da 11ª Companhia Independente Bombeiro Militar (11ª CIBM) foi acionada por meio da Central de Emergências 193. Ao chegar ao local, os bombeiros encontraram uma área de vegetação seca em chamas, com chamas que ultrapassavam 1,5 metro de altura.

Após avaliar o cenário, os militares iniciaram o combate direto ao fogo utilizando o canhão monitor do Auto Tanque (AT) para aplicação de água sobre as chamas. A operação contou com o apoio de um caminhão-pipa da Prefeitura Municipal de Campo Verde, que auxiliou no abastecimento da viatura e nas ações de combate.

Durante a ocorrência, foram utilizados aproximadamente 20 mil litros de água para controlar e extinguir o incêndio. A atuação das equipes impediu que as chamas se propagassem para áreas adjacentes.

Após a extinção do incêndio, os bombeiros realizaram o rescaldo em toda a área afetada para eliminar possíveis focos remanescentes e evitar o reacendimento. Não houve registro de vítimas ou danos a edificações.

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

Seduc abre seleção de 100 estudantes para programa de intercâmbio na Inglaterra em 2027

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A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) publicou o edital da edição 2027 do programa Intercâmbio MT no Mundo, que irá selecionar 100 estudantes da Rede Estadual para uma experiência educacional internacional com duração de até três semanas, na Inglaterra.

O programa tem como objetivo ampliar as oportunidades de aprendizagem dos alunos em contextos internacionais, fortalecendo competências linguísticas e interculturais, além de contribuir para o desenvolvimento acadêmico e pessoal dos participantes.

Podem participar estudantes matriculados no 9º ano do Ensino Fundamental e no Ensino Médio da Rede Estadual em 2026, incluindo alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), indígenas e quilombolas. Não será necessário realizar inscrição, já que a participação na etapa inicial ocorrerá automaticamente a partir dos dados dos sistemas da Seduc.

Para seguir no processo seletivo, os candidatos deverão permanecer matriculados na Rede Estadual em 2027, ter 15 anos completos até a data do embarque e atender aos critérios de desempenho escolar, frequência e proficiência em língua inglesa estabelecidos no edital.

A seleção será realizada em três etapas. A primeira consiste na verificação dos critérios de elegibilidade. A segunda levará em conta os resultados das Avaliações Somativas de Língua Portuguesa e de Matemática aplicadas em 2026.

Já a terceira etapa avaliará o desempenho dos estudantes na Plataforma Mais Inglês, considerando indicadores como a quantidade de lições concluídas, as atividades com inteligência artificial, o resultado no teste de proficiência EF SET e as certificações obtidas na plataforma.

Os alunos selecionados participarão de um curso de General English, com carga horária de 30 aulas semanais, em uma instituição de ensino no exterior. Além das atividades acadêmicas, o programa custeará emissão de passaporte, transporte dos municípios de origem até Cuiabá, passagens aéreas internacionais, hospedagem em casa de família anfitriã, alimentação, seguro-viagem, material didático, atividades culturais e auxílio financeiro semanal para despesas pessoais.

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As 100 vagas serão distribuídas entre as 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs), de forma proporcional ao número de estudantes de cada regional. Também haverá formação de cadastro de reserva para eventual convocação de suplentes.

Cronograma
• Publicação do edital: junho de 2026
• Divulgação da lista de estudantes elegíveis: 17 de agosto de 2026
• Prazo para recursos da etapa de elegibilidade: de 17 a 19 de agosto de 2026
• Resultado final da etapa de elegibilidade: 20 de agosto de 2026
• Análise das Avaliações Somativas de Língua Portuguesa e Matemática: de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2026.
• Resultado da etapa de desempenho em Língua Inglesa: 22 de fevereiro de 2027.
• Classificação preliminar: 1º de março de 2027.
• Prazo para recursos: de 1º a 3 de março de 2027
• Resultado final e convocação dos selecionados: 8 de março de 2027
• Entrega de documentos nas escolas: de 10 a 19 de março de 2027
• Envio da documentação às Diretorias Regionais de Educação (DREs): de 22 a 26 de março de 2027
• Análise e validação dos documentos: de 2 a 30 de abril de 2027
• Período do intercâmbio: a ser definido pela Seduc

Confira o edital em anexo.

Fonte: Governo MT – MT

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