Na tarde desta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu audiência pública para discutir a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a efetivação da política antimanicomial no estado. O debate, requerido pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), foi realizado no Plenário Renê Barbour e fez alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
A data, dia 18 de maio, marca o movimento nacional em defesa do cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico e reforça os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado.
Carlos Avallone afirmou que o principal desafio é estruturar a rede de atendimento para garantir que a política antimanicomial funcione de forma efetiva no estado. “Quanto mais a gente melhorar essa atenção, melhor vai funcionar. Não adianta acabar com os hospitais psiquiátricos sem que a rede consiga absorver essas pessoas dentro do sistema necessário”, destacou.
Segundo o parlamentar, a audiência também teve como objetivo discutir gargalos e encaminhamentos para fortalecer a política de saúde mental em Mato Grosso. Entre os pontos debatidos estão a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a qualificação das equipes e a integração da rede para garantir atendimento adequado dos pacientes de saúde mental em qualquer lugar em que ele esteja. “Nós temos recursos para a saúde mental, ainda que não seja muito. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, apontou.
O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, explicou que a Reforma Psiquiátrica mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil. “A Lei Paulo Delgado trouxe diretrizes para o cuidado em liberdade e no território. A partir dela, o Brasil passou a enxergar essas pessoas com dignidade e direitos, garantindo reinserção social e acesso à família e ao trabalho”, afirmou.
Segundo Gabriel, a RAPS foi criada justamente para substituir o modelo manicomial tradicional por serviços territorializados, como CAPS, residências terapêuticas e unidades de acolhimento. Ele ressaltou, no entanto, que a atual capacidade da rede ainda é insuficiente para atender a demanda do estado. “Mato Grosso possui uma pluralidade de povos e territórios que precisam de atenção específica, como indígenas e quilombolas. Ainda temos insuficiência de serviços mesmo nos centros urbanos, principalmente CAPS e unidades de acolhimento”, disse.
O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirmou que o Ministério Público vem acompanhando a situação da saúde mental nos últimos anos e apontou avanços na ampliação do financiamento da rede. “Conseguimos um aporte de R$ 88 milhões em quatro anos para melhorar a contrapartida do [Governo do] Estado no financiamento dessas unidades”, explicou. Ele também destacou a necessidade de ampliar o número de profissionais especializados. “Não basta só ter a estrutura física. Se não houver profissionais qualificados, principalmente psiquiatras, o serviço não consegue funcionar plenamente”, disse.
Já o presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, afirmou que a psiquiatria historicamente apoia o cuidado humanizado em saúde mental, mas alertou para a dificuldade de contratação de profissionais devido à baixa remuneração oferecida na rede pública. Segundo ele, um recente processo seletivo em Cuiabá ofertou salário de R$ 5,9 mil para médicos psiquiatras com carga horária de 20 horas semanais, valor muito abaixo dos pisos nacionais da categoria.
“A grande maioria dos psiquiatras do Brasil foi formada e fez sua especialização no SUS. Por que não podemos trabalhar onde fomos formados? Por que não podemos contribuir para isso?”, questionou.
Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), a enfermeira e Coordenadora de Organização das Redes de Atenção à Saúde (CORAS), Daniely Beatrice, participou da audiência e destacou que, embora a saúde mental seja tratada de forma transversal integrando diferentes linhas de cuidado, a ausência de uma coordenação estadual exclusiva e a limitação da equipe técnica representam grandes desafios estruturais.
Beatrice explicou que o estado possui atualmente 55 centros de atenção psicossocial (CAPS), mas necessita de mais 30 para atingir a meta populacional, um cenário complexo devido ao grande número de municípios com menos de 15 mil habitantes. Segundo ela, para preencher essa lacuna, a gestão investe na qualificação da Atenção Primária, tendo já capacitado 80 profissionais para o manejo de transtornos mentais baseado nas diretrizes da OMS.
A coordenadora sinalizou que a principal meta técnica para este ano é a implantação de leitos específicos de saúde mental em Hospitais Gerais e Regionais, desmistificando o atendimento de crise e consolidando os princípios da luta antimanicomial por meio do acesso qualificado em toda a rede. Ela ainda garantiu que levaria as demandas apresentadas para o poder executivo, garantindo que há orçamento e vontade para viabilizar ações.
Durante a audiência, representantes de órgãos públicos, entidades de saúde e movimentos sociais também discutiram estratégias para fortalecer a RAPS, ampliar o atendimento em saúde mental e garantir a reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico no estado. Carlos Avallone também é presidente da Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O organismo realiza reuniões para tratar das demandas desse setor.
A audiência que tratou sobre a vigência, nestes três últimos anos, da Lei Estadual nº 12.197/2023 – conhecida como “Transporte Zero”, ocorrida na sexta-feira (22), pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, trouxe importantes informações aos representantes das 22 colônias de pescadores, autoridades políticas, especialistas, empresários e lideranças de diversas regiões mato-grossenses. Uma delas foi o anúncio feito pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD) sobre o aceite do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em relação às Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs n°. 7471, n°.7514 e n°.7590) que questionam a legislação vigente.
“O ministro André Mendonça finalmente aceitou receber o amicus curiae (amigos do tribunal), ou seja, aceitou as entidades que querem entrar no processo que está ocorrendo na Suprema Corte, se abre ou se não abre a pesca em Mato Grosso. E antes ele não aceitava receber os documentos à palavra dessas entidades que são ligadas à questão da natureza e da pesca. No início do mês de maio, ele resolveu aceitar”, informou o parlamentar.
ADIs – Dentre as instituições que entraram com o pedido de medida cautelar por meio das ADIs, estão o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o Partido Social Democrático (PSD) e a Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), todas em face dos dispositivos modificados ou inseridos à Lei nº 9.096 de 2009, pelas leis estaduais nº 12.197 de 2023 e nº 12.434 de 2024 do estado de Mato Grosso.
“São mais de dez instituições sérias que entregaram a sua documentação sobre esse caso das leis vigentes no estado. Essa é uma notícia nova. Então, pode a qualquer momento o ministro André expedir o seu voto. E aí, nós vamos pedir aos demais ministros que pautem essa matéria logo, como fez com a Ferrogrão, liberando os estudos para esse importante modal ferroviário. Há quase três anos aguardamos um parecer para essa matéria e, agora, o magistrado aceitou o amicus curiae para pesca. Isso é muito bom, muito vantajoso, porque nós temos certeza de que uma análise serena, responsável, legal, equilibrada vai devolver o direito ao pescador artesanal profissional”, explicou Wilson Santos.
As entidades que requisitaram o ingresso no feito como amicus curiae, envolvem a Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), Defensoria Pública da União (DPU), Associação Juízes para a Democracia, Associação do Segmento da Pesca do Estado de Mato Grosso (ASP/MT), Fórum Nacional de Sociedade Civil na Gestão de Bacias Hidrográficas (FONASC/CBH), Instituto de Pesquisa e Educação Ambiental – Instituto GAIA, Instituto Centro de Vida (ICV) e o Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad).
O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) afirmou, nesta segunda-feira (25), que a nova modelagem de gestão do Hospital Regional Jorge de Abreu, em Sinop, vai assegurar a expansão e a modernização dos serviços de saúde para toda a Região Norte de Mato Grosso. A declaração do parlamentar ocorre após a assinatura da ordem de serviço que transfere a administração da unidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires.
“O hospital vai ganhar 60 novos leitos e aumentar a capacidade de atendimento. Isso é uma vitória para a população da nossa Região Norte, que terá um hospital de ponta, com eficiência no atendimento e gestão humanizada. O governador Otaviano Pivetta acerta ao dinamizar a gestão do hospital, que atende mais de 600 mil habitantes dos municípios da Região Norte”, pontuou o parlamentar.
O deputado esclareceu a população a respeito dos rumores de um eventual fechamento da unidade ou redução dos leitos de urgência e emergência. Ao lado do governador Otaviano Pivetta, ele explicou que a mudança representa, na verdade, um salto na capacidade de assistência médica regional. “Não haverá redução de especialidades médicas. Muito pelo contrário, haverá a ampliação da capacidade. As especialidades atuais serão mantidas e existe, inclusive, a projeção de ampliação de leitos e também de novas especialidades médicas no Hospital Regional de Sinop”, afirmou.
“É importante esclarecer os fatos e tranquilizar a nossa população. Não existe terceirização. O que está acontecendo é um repasse da gestão do poder público estadual para o poder público do consórcio, que reúne os municípios e é considerado um dos mais organizados do estado”, explicou Diego Guimarães. “A gestão será conduzida pelos secretários municipais, prefeitos e pela equipe do consórcio. Eles estão na ponta, conhecem a realidade da população, sabem das dificuldades da região e entendem a importância desse hospital para melhorar o atendimento à população”, emendou.
Segundo o governador Otaviano Pivetta, a gestão via consórcio público de saúde reforça o compromisso do Estado com uma saúde pública mais eficiente e próxima da população. “Para que vocês tenham ideia, essa unidade hospitalar hoje tem 98 leitos, e ela terá, muito em breve, 158 leitos. Também na capacidade de oferta de serviços, vai haver um crescimento de 100%, vai dobrar a produção. Além disso, nós vamos acrescentar serviços na área de urologia, cirurgia pediátrica e cirurgia oncológica”, declarou o governador.
Para Diego Guimarães, a governança liderada pela equipe técnica do consórcio e pelos prefeitos locais aproxima o hospital das reais demandas de quem vive na ponta. O processo de transição administrativa deve durar entre 60 e 120 dias, com garantia contratual de que nenhum serviço atual sofrerá interrupção.
O deputado explicou, ainda, que os serviços de urgência e emergência do hospital não serão suspensos, e a população continuará sendo atendida. “O atendimento de urgência e emergência vai continuar. E mais do que isso: continuará sendo especializado, com porta aberta para atender toda a Região Norte do estado de Mato Grosso. Isso é fundamental para garantir mais qualidade e eficiência no atendimento”.
O plano estratégico da nova gestão prevê que o Hospital Regional passe dos atuais 98 leitos para 158 leitos operacionais — um acréscimo de 60 novas vagas. A estrutura será descentralizada para absorver demandas complexas que antes exigiam o deslocamento de pacientes até a capital.
Entre as principais metas está a implantação de novos serviços de alta complexidade, como cirurgias pediátricas, urológicas e procedimentos oncológicos, com meta de 80 procedimentos anuais nas áreas ginecológica, mastológica, urológica e digestiva.
A nova configuração de leitos prevê 68 vagas clínicas, 40 cirúrgicas, 20 de UTI Adulto, 10 de UTI Pediátrica, 10 voltadas para a saúde mental e 10 leitos de observação diária. Além disso, haverá uma ampliação substancial na oferta de exames especializados na área neurológica, incluindo eletroneuromiografias e ecodopplers, com a projeção de atingir a média de 210 procedimentos mensais.
Para garantir a manutenção integral da estrutura, a aquisição de insumos e a folha assistencial, o aporte total garantido para o custeio alcança a cifra de R$ 137,1 milhões por ano. Desse montante, R$ 29,8 milhões serão aplicados exclusivamente na compra de materiais permanentes e na modernização do parque tecnológico hospitalar ao longo dos próximos 12 meses.
Diego Guimarães ressaltou que seu papel na Assembleia Legislativa será o de fiscalizar rigorosamente o cumprimento de todo o cronograma estabelecido. O parlamentar concluiu reafirmando seu compromisso de acompanhar de perto cada etapa dessa transição, com o objetivo de garantir que a mudança resulte em um hospital muito mais eficiente, que acolha melhor as pessoas e entregue uma saúde pública de qualidade para a região.