AGRONEGÓCIOS
Suspenção de novos registros de Glifosato não proíbe a comercialização nem o uso
Publicado
12 de setembro de 2026
A suspensão, por 90 dias, de novos registros e autorizações de defensivos agrícolas à base de glifosato não impede a comercialização nem o uso dos produtos já aprovados no Brasil. Para o produtor rural, portanto, a decisão da Justiça do Trabalho não altera imediatamente o acesso ao herbicida mais utilizado nas lavouras brasileiras.
A medida foi determinada pela 7ª Vara do Trabalho de Brasília em ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF). A liminar interrompe temporariamente apenas a liberação de novos produtos enquanto órgãos federais apresentam informações sobre os possíveis impactos do glifosato sobre a saúde dos trabalhadores e o meio ambiente.
O sistema Agrofit, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), registra 181 produtos formulados à base de glifosato e de diferentes sais do ingrediente ativo. São defensivos que já passaram pelas avaliações federais e não foram alcançados pela suspensão.
O impacto imediato também tende a ser limitado porque o prazo de 90 dias é curto diante do tempo normalmente exigido para a aprovação de um novo produto. Em 2026, sete formulações à base de glifosato receberam registro. Os processos levaram entre 371 e 1.679 dias para ser concluídos, período que varia de pouco mais de um ano a mais de quatro anos e meio.
No Mapa, 58 produtos formulados, destinados diretamente ao uso nas propriedades, aguardam registro após receberem parecer de eficiência agronômica. Outros 14 produtos técnicos equivalentes estão na fila. Estes últimos são matérias-primas utilizadas pela indústria para fabricar as formulações que chegam ao campo.
No Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), há 35 produtos formulados na fila e outros cinco em análise. Esses números não devem ser somados aos do Mapa, pois um mesmo pedido precisa passar pelo ministério, pelo Ibama e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de obter o registro definitivo.
Embora não provoque desabastecimento neste momento, a paralisação pode retardar a entrada de novas marcas, formulações e produtos equivalentes. Caso a restrição seja prorrogada ou ampliada, poderá reduzir a concorrência e limitar alternativas comerciais disponíveis aos agricultores.
O glifosato é usado no controle de plantas daninhas em culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e café. Também tem papel importante no sistema de plantio direto, ao permitir a dessecação da cobertura vegetal sem a necessidade de revolvimento intenso do solo.
Dados do Ibama mostram que foram comercializadas 231,9 mil toneladas de glifosato e seus sais em 2024. O volume correspondeu a aproximadamente 28% das 825,7 mil toneladas de ingredientes ativos de defensivos vendidas no país naquele ano. Apesar da redução das vendas nos dois anos anteriores, o produto permaneceu na liderança do mercado brasileiro.
Ao conceder a liminar, o juiz Gustavo Carvalho Chehab considerou necessário impedir a ampliação da quantidade de produtos em circulação enquanto são reunidos novos elementos técnicos. O magistrado não determinou a retirada imediata do glifosato nem acolheu, nesta etapa, o pedido de proibição total apresentado pelo MPT-DF. Essa parte da ação ainda será julgada.
A Justiça determinou que a Anvisa avalie possíveis irregularidades nas bulas dos produtos existentes e informe, em 20 dias, as providências adotadas. O Ibama deverá apresentar avaliações ambientais, mapas de risco e informações sobre uma eventual reanálise, além de elaborar um relatório sobre as consequências do recolhimento, armazenamento e descarte dos produtos caso a substância venha a ser retirada do mercado.
A discussão científica permanece aberta. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos. A avaliação identifica a capacidade de uma substância causar câncer, mas não mede isoladamente o risco nas condições concretas de uso e exposição.
No Brasil, a Anvisa concluiu em 2020 uma reavaliação toxicológica iniciada sete anos antes e manteve o glifosato autorizado, com restrições e medidas para reduzir a exposição. Autoridades reguladoras dos Estados Unidos e da União Europeia chegaram a conclusões diferentes da classificação da agência internacional, embora avaliações e atualizações científicas continuem em andamento.
Até que haja nova determinação, o produtor poderá adquirir e utilizar os defensivos registrados, respeitando a receita agronômica, as doses, as culturas autorizadas, os equipamentos de proteção e as orientações constantes na bula. A principal incerteza está no andamento da ação, que ainda discutirá se as regras atuais são suficientes ou se serão necessárias novas restrições ao herbicida.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIOS
Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
Publicado
12 de setembro de 2026
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIOS
Semana do Aviador abre pista ao público com acrobacias e voos panorâmicos
Publicado
12 de setembro de 2026
A 2ª Semana do Aviador abre sua programação ao público neste sábado (12), em Lucas do Rio Verde, com demonstrações de aeronaves, equipamentos embarcados, acrobacias aéreas e voos panorâmicos. As atividades começam às 7h30, na pista do Show Safra, e o encerramento está previsto para as 14 horas.
O segundo e último dia do evento combina atrações para a comunidade com orientações sobre manutenção e segurança das aeronaves. A primeira atividade técnica, às 8 horas, será conduzida pela Quality Aviation e tratará das boas práticas na manutenção e na operação de motores PT6 e hélices.
O motor PT6 equipa parte importante das aeronaves utilizadas na aviação agrícola. Cuidados com inspeção, manutenção preventiva e operação correta ajudam a evitar falhas, ampliar a vida útil dos equipamentos e reduzir o risco de interrupções durante períodos críticos das lavouras.
Para o produtor, a disponibilidade das aeronaves pode ser decisiva quando há poucos dias para controlar uma praga ou uma doença. Uma parada inesperada, além de elevar custos, pode fazer com que a aplicação seja realizada fora do momento adequado e comprometer sua eficiência.
Às 9h15, o especialista David Branco, sócio-fundador da Branco Aviação, abordará a segurança na aviação executiva, com atenção aos acidentes ocorridos durante procedimentos de aproximação e pouso. A palestra também tratará do profissionalismo e da adoção de práticas capazes de reduzir riscos nas operações.
As apresentações ao público estão previstas para começar às 10h30. Serão demonstrados modelos de aeronaves em operação no Brasil e equipamentos utilizados a bordo. A programação inclui ainda acrobacias da equipe Rambo Aviação, sorteios de brindes e camisetas e voos panorâmicos.
Alunos da rede municipal selecionados em uma ação realizada com a Secretaria Municipal de Educação terão a oportunidade de participar dos voos. A iniciativa procura aproximar estudantes e moradores de uma atividade que costuma ser vista apenas à distância nas áreas de produção.
O sábado encerra dois dias de discussões sobre o futuro da aviação agrícola. Na sexta-feira (11), pilotos, operadores, técnicos e representantes do poder público debateram mercado, legislação, precisão das aplicações e segurança de voo.
Entre os participantes do primeiro dia estiveram Cláudio Júnior Oliveira, diretor operacional do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) e do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), e Omar Roberto da Silveira, chefe regional do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em Sorriso.
O debate sobre legislação também reuniu representantes do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde. Entre os assuntos técnicos estiveram as aplicações em ultrabaixo volume, a perda de controle em voo, o desempenho durante a decolagem e o risco de colisão com obstáculos.
Mato Grosso possui mais de 800 aeronaves agrícolas e concentra a maior frota estadual do país. A dimensão acompanha a extensão das lavouras e a necessidade de realizar aplicações em intervalos cada vez menores, especialmente nas culturas de soja, milho e algodão.
Organizada pela Fundação Rio Verde, a Semana do Aviador integra a programação do Show Safra Aero. O Pensar Agro e a Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT) estão entre os apoiadores do evento.
Serviço
2ª Semana do Aviador
Data: sábado, 12 de setembro
Apresentações aéreas: 10h30
Encerramento: 14 horas
Local: pista de pouso e decolagem do Show Safra, no Parque Tecnológico da Fundação Rio Verde, às margens da MT-449, em Lucas do Rio Verde
Entrada: gratuita, com credenciamento obrigatório
https://www.instagram.com/p/DdIMrR0tm_w/
Fonte: Pensar Agro
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