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MATO GROSSO

A cidade em flor: o paisagismo urbano como saúde pública e poesia viva

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Durante muito tempo, desenvolvimento urbano foi quase sinônimo de impermeabilização. Ruas asfaltadas, grandes estacionamentos, calçadas de concreto, prédios e telhados ocuparam o espaço antes coberto por terra e vegetação. Construímos cidades eficientes para os automóveis, mas nas mais das vezes hostis a quem anda a pé.Basta atravessar algumas quadras ao meio-dia em uma cidade quente para perceber a diferença. De um lado da rua, sol direto, asfalto aquecido, nenhum lugar onde parar. Do outro, uma sequência de árvores maduras projeta sombra sobre a calçada. A temperatura do ar talvez não seja muito diferente, mas a experiência física é outra. O corpo sabe antes do termômetro.É por isso que arborização e paisagismo não podem mais ser tratados como acabamento, algo a ser lembrado depois da pavimentação, da drenagem e da iluminação. Uma cidade é também o lugar onde crianças caminham para a escola, idosos esperam o ônibus, trabalhadores atravessam avenidas e famílias ocupam praças. A qualidade desses percursos e desses encontros depende, em boa medida, da existência de sombra, vegetação e espaços agradáveis.E depende de beleza.Pode parecer secundário falar de beleza diante de tantos problemas urbanos, mas não é. O lugar que encontramos todos os dias interfere na vontade de caminhar, permanecer numa praça, ocupar uma calçada ou simplesmente olhar ao redor. Estudos associam a presença de áreas verdes urbanas a melhores indicadores de saúde mental, atividade física e qualidade de vida. A vegetação quebra a repetição do cimento, devolve escala humana à rua e introduz nela aquilo que o concreto não consegue oferecer: folhas em movimento, perfumes, pássaros, cores e estações.Algumas árvores fazem isso de maneira extraordinária.Os ipês talvez sejam o exemplo brasileiro mais evidente. Durante algumas semanas, especialmente ao final do inverno, perdem as folhas e parecem concentrar toda a energia na floração. Amarelos, rosas, roxos e brancos surgem sobre ruas e praças. O ipê-felpudo participa desse espetáculo. Uma avenida coberta por ipês floridos deixa de ser simplesmente uma via de trânsito e, por alguns dias, transforma-se em paisagem.O manacá-da-serra oferece outro tipo de beleza. Suas flores desabrocham brancas, tornam-se rosadas e chegam ao violeta. Como não mudam todas ao mesmo tempo, uma única copa reúne simultaneamente as três cores.Os resedás, asiático e brasileiro, produzem florações abundantes, com pétalas de aparência quase rendilhada. O flamboyantzinho, mesmo de porte menor, cobre-se de vermelho e laranja. A pata-de-vaca combina folhas bipartidas muito características com flores que lembram pequenas orquídeas. O jasmim-manga tem galhos grossos e esculturais e flores perfumadas que parecem ainda mais presentes nas noites quentes.Escova-de-garrafa, grevílea-vermelha-anã e acácia manduirana acrescentam outro elemento à paisagem: atraem abelhas, borboletas e beija-flores. O aricá, também conhecido como pau-de-rosas, completa esse repertório com floração abundante e tonalidades mais suaves.Introduzir árvores assim no espaço urbano é mais do que preencher canteiros. É permitir que a cidade tenha estações visíveis. Que uma criança reconheça a época dos ipês. Que alguém saiba, pelo manacá diante de casa, que a floração começou. Que uma avenida tenha uma identidade que não venha de placas comerciais ou fachadas, mas das árvores que a acompanham.A escolha das espécies, contudo, não pode obedecer somente à beleza. Cada local exige uma árvore. Largura da calçada, rede elétrica, sistema radicular, porte adulto, dimensão da copa, disponibilidade de água, tipo de solo e circulação de pedestres precisam ser considerados. Uma árvore inadequada pode levantar pavimentos, alcançar fios e acabar submetida a podas tão severas que perde justamente aquilo que deveria oferecer.O princípio é simples: a árvore certa no lugar certo. E, entre várias espécies tecnicamente adequadas, por que não escolher aquela que também floresce?A questão ganhou ainda outra dimensão porque o planeta está mais quente. A Organização Meteorológica Mundial registrou 2025 entre os três anos mais quentes desde o início das medições, com temperatura média global aproximadamente 1,43 °C acima da média de 1850 a 1900. Os onze anos entre 2015 e 2025 foram os onze mais quentes registrados.Nas cidades, esse aquecimento soma-se a um fenômeno local. Asfalto, concreto, telhados e outras superfícies impermeáveis absorvem energia solar durante o dia e devolvem parte desse calor mais tarde. A retirada da vegetação reduz a sombra e a evapotranspiração. Surge a conhecida ilha de calor urbana.Em Cuiabá, medições realizadas em dezesseis pontos da cidade encontraram diferenças térmicas de até 4,38 °C no período quente e seco. Outro estudo, utilizando imagens de satélite, mostrou forte aumento da temperatura da superfície em áreas que ao longo das décadas perderam cobertura de Cerrado ou pastagem e foram urbanizadas. A maneira como ocupamos o solo aparece, portanto, no próprio mapa do calor.As árvores atuam justamente nessa fronteira. Suas copas interceptam a radiação que atingiria pessoas, calçadas, fachadas, carros e asfalto. Pela evapotranspiração, utilizam parte da energia disponível na transferência de água para a atmosfera. O IPCC reconhece a vegetação urbana como instrumento de redução do calor, especialmente por esses dois mecanismos.Uma ampla metanálise publicada em 2024 reuniu 182 estudos em 110 cidades ou regiões de diferentes zonas climáticas. Em determinadas condições, foram registradas reduções locais muito expressivas de temperatura junto aos pedestres. Os próprios pesquisadores, porém, mostram que não existe um número que possa ser repetido para qualquer cidade: espécie, copa, clima, umidade, localização e desenho urbano alteram profundamente o resultado.Talvez o efeito mais importante seja ainda mais simples. A copa coloca o corpo humano fora do sol direto. Pode parecer pouco até que se compare, às duas horas da tarde, um ponto de ônibus sem nenhuma árvore com outro protegido por uma copa adulta.O calor transforma a arborização em tema de saúde pública. O câncer de pele acrescenta outro motivo.O INCA reconhece a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta como importante fator de risco para o câncer de pele. Para cada ano do triênio 2026–2028, estima 9.360 novos casos de melanoma no Brasil. Em Mato Grosso, são estimados anualmente cerca de 90 casos de melanoma e 2.540 de câncer de pele não melanoma.Uma árvore não substitui protetor solar, chapéu, vestimentas adequadas, campanhas preventivas ou diagnóstico precoce. Seria absurdo atribuir à arborização uma função médica que ela não possui. Mas árvores bem posicionadas reduzem a exposição direta ao sol de quem anda pelas ruas, utiliza uma ciclovia, espera transporte coletivo ou permanece numa praça.Planejamos iluminação pública para que as pessoas possam usar a cidade depois que anoitece. Precisamos começar a planejar sombra para que possam utilizá-la quando o sol está alto.Isso exige mudar inclusive a forma como os programas municipais são avaliados. Divulgar que cinco mil ou dez mil mudas foram plantadas diz muito pouco. Quantas estarão vivas cinco anos depois? Qual será o tamanho de suas copas? Que proporção das calçadas estará efetivamente sombreada? Os bairros mais quentes receberam prioridade? Há árvores nas rotas escolares, nos pontos de ônibus, nas proximidades das unidades de saúde, nas praças e ciclovias?Mil mudas pequenas abandonadas à estiagem produzem mil números num relatório e quase nenhuma sombra no futuro.É nesse ponto que os viveiros municipais voltam a fazer sentido. Um município que mantém viveiro próprio pode produzir continuamente espécies adaptadas ao clima local, cultivar mudas até que atinjam porte mais resistente, diversificar as árvores utilizadas e repor perdas sem depender de compras episódicas. Pode também planejar hoje a arborização que só estará plenamente formada daqui a dez ou quinze anos.O viveiro, sozinho, evidentemente não basta. Arborização urbana exige equipes permanentes, com engenheiros florestais ou agrônomos, biólogos, profissionais de paisagismo, técnicos e jardineiros capacitados. Alguém precisa decidir onde plantar, preparar o solo, conduzir a formação das copas, cuidar da irrigação inicial, acompanhar doenças e realizar podas tecnicamente adequadas.Podar árvore não é mutilá-la para afastá-la dos fios. Plantar não é abrir um buraco, deixar uma muda e esperar que a natureza resolva o restante.Em cidades de estação seca prolongada, como tantas de Mato Grosso, os primeiros anos exigem ainda planejamento rigoroso de irrigação. A árvore que um dia suportará meses de estiagem pode morrer jovem por algumas semanas sem água. O investimento público não termina quando a muda deixa o caminhão da prefeitura.Seria muito desejável que as cidades conhecessem sua cobertura arbórea e suas ilhas de calor tão bem quanto conhecem suas ruas. Com imagens de satélite e ferramentas de geoprocessamento hoje disponíveis, é possível identificar bairros quase sem árvores, estabelecer metas de cobertura de copa e formar corredores contínuos de sombra.Arborização deve ser tratada como infraestrutura urbana. Tem custo, exige projeto, manutenção e profissionais especializados, exatamente como pavimentação, drenagem ou iluminação. A diferença é que essa infraestrutura cresce, floresce, abriga pássaros e melhora com o passar dos anos.Há, porém, algo nela que nenhuma planilha consegue registrar adequadamente.No fim do inverno, um ipê amarelo pode interromper por alguns segundos a pressa de quem passa. Um manacá reúne três cores na mesma copa. Um resedá floresce diante de uma casa. Um beija-flor reaparece numa avenida que antes tinha apenas postes e carros.A cidade continua sendo asfalto, trabalho, trânsito e ruído. Mas entre uma esquina e outra surge uma sombra, uma flor, um pouco de frescor.Cidades precisam disso.Precisam de sombra. E precisam de beleza.*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT promove alinhamento estratégico da rede de proteção em Juara

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A Promotoria de Justiça Cível de Juara (a 709 km de Cuiabá) promoveu, na quinta-feira (17), uma reunião de alinhamento com instituições que integram a rede de proteção à infância e à juventude do município. A iniciativa teve como objetivo fortalecer a atuação estratégica e integrada dos órgãos responsáveis pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes, com a definição de diretrizes voltadas ao aprimoramento dos fluxos de atendimento e à delimitação mais clara das atribuições de cada instituição.Coordenado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o encontro foi realizado na sede do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e reuniu representantes do Poder Judiciário, da Secretaria Municipal de Assistência Social, do Creas, da Casa de Passagem Francisca Isaura, do Conselho Tutelar e do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), órgãos que compõem a rede de proteção no município.Durante a reunião, foram debatidos aspectos relacionados ao funcionamento da rede, com destaque para a necessidade de aperfeiçoar a comunicação entre os serviços, consolidar fluxos de atendimento mais eficientes e definir com maior precisão as responsabilidades de cada órgão. Também foi ressaltada a importância da articulação permanente entre as instituições para garantir respostas mais ágeis e eficazes às demandas envolvendo crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade ou com direitos violados.Outro tema abordado foi o fortalecimento dos procedimentos relacionados à Ficha de Comunicação do Aluno Infrequente (Ficai) e à busca ativa escolar, ferramentas consideradas estratégicas para o enfrentamento da evasão e da infrequência escolar. A proposta é ampliar a capacidade de identificação precoce de situações de risco e assegurar a adoção das medidas necessárias para a permanência dos estudantes no ambiente educacional.Na ocasião, o Ministério Público informou que passará a realizar acompanhamento sistemático das ações desenvolvidas pela rede de proteção, por meio de avaliações periódicas sobre o cumprimento das atribuições institucionais e a efetividade dos atendimentos prestados. A medida permitirá identificar desafios, corrigir eventuais falhas de comunicação e promover melhorias contínuas nos fluxos de trabalho e na integração entre os órgãos.A qualificação permanente dos profissionais que atuam diretamente no atendimento de crianças e adolescentes também foi apontada como prioridade. Nesse contexto, foi destacada a importância da participação contínua de conselheiros tutelares, equipes do Creas e demais serviços especializados em atividades de capacitação e atualização técnica.No fim do encontro, ficou definida a adoção de medidas permanentes para o aperfeiçoamento e a formalização dos fluxos de atendimento, incluindo a elaboração de fluxogramas que orientem os encaminhamentos e estabeleçam de forma objetiva as responsabilidades de cada instituição integrante da rede de proteção.

Leia mais:  Nova Lei de Licitações é tema de capacitação no MPMT

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT valida diagnóstico das redes de proteção à mulher

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio da Procuradoria de Justiça Especializada Criminal e do Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Gênero Feminino (CAOVD), apresentou nesta sexta-feira (18) o Relatório do Diagnóstico das Redes de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e das Redes de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência. O documento, que reúne informações das 33 comarcas participantes do Projeto Gaia (Gestão Articulada e Interinstitucional de Apoio ao Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher), foi validado durante a reunião.Realizado de forma virtual, o encontro reuniu membros e servidores do Ministério Público em 24 comarcas. Também participaram integrantes da Corregedoria-Geral do MPMT, reforçando o compromisso institucional com o fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.Durante o encontro, foi apresentado o relatório elaborado pelo Núcleo de Estatística do Departamento de Planejamento e Gestão (Deplan), que consolida e analisa as informações coletadas junto às comarcas participantes. O estudo reúne dados sobre a estrutura, potencialidades e desafios das Redes de Enfrentamento e Atendimento, servindo de subsídio para o planejamento e a qualificação das ações institucionais voltadas à proteção das mulheres.Além da apresentação dos resultados, a reunião teve como objetivo validar as informações sistematizadas e possibilitar que as Promotorias de Justiça participantes contribuíssem com observações e apontamentos sobre os dados levantados.Na próxima etapa, o CAOVD encaminhará relatórios analíticos individualizados para cada comarca participante. Os documentos trarão informações específicas sobre as redes locais e servirão de base para a implementação de melhorias, com foco no fortalecimento da articulação interinstitucional, no aperfeiçoamento dos fluxos de trabalho, na qualificação dos serviços e na ampliação da efetividade das políticas públicas de proteção às mulheres em situação de violência.A iniciativa integra as ações estratégicas do MPMT voltadas ao aprimoramento da governança das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher e ao fortalecimento da atuação integrada entre os órgãos e instituições que compõem a rede de proteção.Projeto Gaia – Tem como objetivo fortalecer a atuação articulada e interinstitucional no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa promove o diagnóstico, a qualificação e o aprimoramento das Redes de Enfrentamento e Atendimento nas comarcas participantes, buscando ampliar a proteção e garantir um atendimento mais humanizado às mulheres em situação de violência.Participam do projeto as comarcas de Água Boa, Alta Floresta, Alto Araguaia, Barra do Bugres, Barra do Garças, Cáceres, Campo Novo do Parecis, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Colíder, Comodoro, Diamantino, Guarantã do Norte, Juara, Juína, Lucas do Rio Verde, Mirassol D’Oeste, Nova Mutum, Nova Xavantina, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Pontes e Lacerda, Porto Alegre do Norte, Poxoréu, Primavera do Leste, Rondonópolis, São Félix do Araguaia, São José do Rio Claro, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra, Várzea Grande e Vila Rica.

Leia mais:  Capacitação reúne rede de proteção de quatro municípios

Fonte: Ministério Público MT – MT

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