Uma professora de Alta Floresta conseguiu na Justiça o direito à aposentadoria após ter períodos de trabalho desconsiderados pelo INSS por causa de falhas em registros do sistema previdenciário. A decisão reconheceu que contratos temporários e substituições realizados ao longo da carreira também podem ser usados para comprovar o tempo de magistério.
Na sentença, o juiz Alexandre Sócrates Mendes destacou que a profissional apresentou declarações emitidas por órgãos públicos de Mato Grosso e do Paraná comprovando décadas de atuação na educação básica. Parte desses vínculos não aparecia corretamente no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), o que levou ao indeferimento administrativo do benefício.
Segundo a decisão, erros de registro atribuídos ao poder público não podem prejudicar trabalhadores que conseguem comprovar o exercício da profissão por meio de documentos oficiais. O magistrado entendeu que a soma dos períodos reconhecidos ultrapassou os 25 anos exigidos para a aposentadoria de professora nas regras de transição da Reforma da Previdência.
Perspectiva de gênero
A sentença também aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O entendimento levou em consideração a realidade enfrentada por muitas mulheres na educação, marcada por vínculos temporários, instabilidade profissional e dificuldades na consolidação de registros previdenciários ao longo da carreira.
Para o magistrado, exigir que a trabalhadora apresente décadas depois documentos além das certidões oficiais emitidas pelos próprios entes públicos significaria impor um ônus excessivo à profissional da educação.
Implantação do benefício
Com a decisão, o INSS deverá implantar a aposentadoria em até 30 dias, além de pagar os valores retroativos desde julho de 2024. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 100, limitada a R$ 10 mil.
Na decisão, o juiz reforçou que a fragmentação da trajetória profissional de mulheres docentes, comum em contratos temporários sucessivos, não impede o reconhecimento do tempo de serviço quando houver documentação pública idônea comprovando o exercício do magistério.
Processo nº 1006628-13.2025.8.11.0007
Autor: Roberta Penha
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Dez adolescentes acolhidos pelo projeto Nossa Casa participaram domingo (24), da 7ª Copa Chidori de Karatê, realizada no Palácio das Artes Marciais, em Cuiabá, a competição vale como 1ª Etapa do Campeonato Estadual de Karatê-Dô Tradicional (FKTMT). Para muitos deles, foi a primeira experiência em uma competição esportiva. A participação contou com apoio do Programa Padrinhos, iniciativa da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), vinculada à Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ/TJMT).
Além da estreia nos tatames, o momento também marcou a mobilização pelo Dia Nacional da Adoção, celebrado nesta segunda-feira (25 de maio). Adolescentes, servidores da Ceja, juíza auxiliar da CGJ, Anna Paula Gomes de Freitas e Sansão, e a secretária-geral da Ceja, Elaine Zorgetti Pereira, prestigiaram a Copa usando camisetas da campanha “Adotar é Legal!”.
A juíza auxiliar destacou que o campeonato representa a concretização do apoio oferecido por padrinhos e madrinhas do Programa da Ceja.
“Essas crianças e adolescentes estão sob a proteção da Justiça da Infância e foram agraciados com o Programa Padrinhos. Convidados pelas desembargadoras Helena Maria Bezerra Ramos e Antônia Siqueira Gonçalves, desembargadores e desembargadoras do TJMT passaram a contribuir mensalmente para ajudar essas crianças com cursos e tudo aquilo que necessitarem materialmente. Um dos primeiros frutos desse apadrinhamento foram as aulas karatê e agora essa competição”, afirmou.
Ela, que também já praticou a modalidade, ressaltou o papel do esporte na formação dos adolescentes. “O karatê não é um simples esporte. Ele ensina sobre caráter, comportamento, honestidade e autocontrole. É uma filosofia de vida.”
A análise foi corroborada pelo presidente da Federação de Karatê Tradicional de Mato Grosso, Jean Lucas Teixeira. “O karatê resgata a disciplina, o caráter e o autocontrole. Com apoio dos projetos sociais conseguimos ampliar oportunidades e ajudar essas crianças a se desenvolverem emocionalmente”, afirmou.
Os treinos ocorrem duas vezes por semana, às 18h, na casa lar onde os adolescentes vivem. As aulas são ministradas pelo professor Gilberto Salles de Camargo, conhecido como Giba, atleta da Seleção Brasileira de Karatê e tricampeão mundial da modalidade e que começou a carreira em um projeto social.
“Assim como essas crianças comecei com apoio de um projeto social. Eles estão animados com a novidade. Ainda mais que agora estão uniformizados, treinando e participando de uma competição”, disse o professor Giba ao analisar a importância do apadrinhamento, que permitiu a compra dos quimonos e garantiu a participação dos adolescentes no campeonato.
O adolescente Danilo Vieira, de 17 anos, contou que já teve oportunidade de praticar o karatê anteriormente em outro projeto social, mas que agora está muito motivado pela oportunidade de competir novamente e treinando com frequência. “Eu quero lutar, ganhar campeonatos e conseguir uma medalha”, afirmou demostrando todo o espírito karateca. Ele também destacou os ensinamentos que leva das aulas. “Foco, respeito, gratidão, ajudar o próximo e não brigar.”
Davi Alexandre Maciel, de 12 anos, começou a praticar o esporte há 3 meses e já encarou o seu primeiro campeonato e comemorou a experiência. “Eu nunca tinha lutado em campeonato. Gostei muito e acho que vou vencer”, disse confiante. O adolescente agradeceu a todo apoio recebido. “Eu gostei muito do esporte, do quimono, de tudo. Sem os padrinhos não seria possível.”
Programa – Criado pela Ceja, o Programa Padrinhos busca fortalecer vínculos afetivos, sociais e materiais de crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente. A iniciativa permite que pessoas da comunidade contribuam como padrinho/madrinha nas modalidades: Afetivo, Prestador de Serviços e Provedor. Cada apadrinhamento apoia o desenvolvimento dos acolhidos e amplia oportunidades de inclusão social.
Milhares de pessoas lotaram o Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, neste fim de semana, para acompanhar a primeira corrida noturna da história do MX1GP Brasil Sportbay 2026, considerado o maior campeonato de motocross da América Latina. Com mais de 300 pilotos de 22 países na capital mato-grossense, a etapa consolidou Mato Grosso como referência na realização de grandes eventos esportivos.
Com iluminação de refletores de alta potência, a pista ganhou um cenário inédito, que elevou a emoção das disputas e proporcionou mais dinamismo e visibilidade ao público. Durante o evento, realizado pela Federação Mato-grossense de Motociclismo, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), a área exclusiva de bastidores dos autódromos, conhecida como paddock, ficou aberta ao público.
Fãs puderam acompanhar os últimos ajustes nas motocicletas, conversar com integrantes das equipes técnicas e interagir com os pilotos, que distribuíram autógrafos e atenderam crianças e adolescentes.
Para o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, David Moura, o sucesso da etapa reforça o protagonismo de Mato Grosso no cenário nacional dos grandes eventos esportivos. “Receber uma competição deste porte, com repercussão internacional e uma estrutura inédita como a corrida noturna, demonstra a capacidade de Mato Grosso em sediar grandes eventos esportivos. O Parque Novo Mato Grosso já se consolida como uma sede de eventos esportivos e do entretenimento, movimentando o turismo, gerando renda e aproximando ainda mais a população de competições de alto nível”, destacou.
No sábado (23.5), foram realizadas quatro corridas oficiais das principais categorias da competição: MX1, MX2, MX4 e MXJR, todas marcadas por disputas acirradas e decididas nos detalhes.
Na principal categoria, a MX1, Enzo Lopes conquistou a vitória da segunda bateria com apenas 0,854 segundos de vantagem sobre o belga Jeremy Van Horebeek. O holandês Glenn Coldenhoff completou o pódio, 6,453 segundos atrás do líder. O brasileiro Vitor Hugo de Borba terminou em quarto lugar, seguido de Guilherme Bresolin. A diferença mínima na chegada evidenciou o alto nível técnico da competição.
Na MX2, o espanhol Salvador Pérez Carneiro levou a melhor na única prova da categoria a completar as 20 voltas. Pela MX4, João Vitor Cardeli abriu mais de seis segundos de vantagem sobre os adversários. Já na MXJR, Lorenzo Ricken venceu Zion Berchtold por apenas 1,682 segundo em uma chegada eletrizante.
As categorias reúnem diferentes perfis de competidores. Na MX1 disputam pilotos profissionais com motos de 450 cilindradas. A MX2 é destinada a competidores profissionais com motocicletas de 250 cilindradas. A MX4 reúne atletas acima de 40 anos, com motos de 250cc e 450cc, enquanto a MXJR é voltada a jovens de até 17 anos, em motos de até 250 cilindradas.
Campeão da MX4, João Vitor Cardeli destacou o nível elevado da pista montada em Cuiabá.“É uma pista em que todo cuidado é necessário para conseguir uma vitória tão importante no Campeonato Brasileiro”, afirmou.
Além do impacto esportivo, o evento aqueceu a economia local. A praça de alimentação registrou intenso movimento durante os três dias de programação, com comercialização de alimentos e bebidas acima da expectativa dos comerciantes.
O fornecedor de alimentos para eventos, festas e shows, Luzivan Pinheiro de Souza, conhecido como Velho Chico, elogiou a estrutura do Parque Novo Mato Grosso e destacou o legado deixado pelo espaço. “Mato Grosso merecia ter um parque deste porte, deste tamanho. Tem futuro. O público lota o local. É um legado deixado pelo Governo do Estado. Agora é importante dar seguimento ao que já foi feito”, ressaltou.
Segundo ele, toda a mercadoria levada para comercialização foi vendida rapidamente. “Não prevíamos tanta procura. Vendemos 300 quilos de carne, 30 quilos de macarrão e, agora à noite, mais 250 lanches. Foram três dias de sucesso total”, completou.