Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGÓCIOS

Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro

Publicado

A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.

Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.

Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.

Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.

Leia mais:  Exportações de carne de peru crescem 23% e receita mais que dobra em 2026

O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.

Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.

O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.

Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência

Leia mais:  Mapa reconhece servidores e iniciativas de destaque no Prêmio Ouv+ Integridade 2026

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

AGRONEGÓCIOS

Brasil e Trinidad e Tobago avançam em cooperação agropecuária, inovação e segurança alimentar

Publicado

A missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a Trinidad e Tobago fortaleceu o diálogo bilateral e abriu novas perspectivas de cooperação em áreas estratégicas para a agropecuária, a inovação e a segurança alimentar. A agenda incluiu reuniões com autoridades governamentais, organismos internacionais e centros de pesquisa de referência na região do Caribe.

Um dos principais compromissos da missão foi a reunião entre a delegação brasileira, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, com o ministro da Agricultura, Terras e Pesca de Trinidad e Tobago, Ravi Ratiram, e o diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Muhammad Ibrahim. Durante o encontro, foram discutidas iniciativas voltadas ao intercâmbio de material genético, ampliação do comércio agropecuário e cooperação tecnológica.

Trinidad e Tobago apresentou interesse em acessar material genético brasileiro de mandioca, café e coco-anão, além de propor a instalação de uma planta esmagadora de soja no país. A iniciativa busca aproveitar o baixo custo da energia elétrica local para a produção de óleo vegetal e ração animal destinados ao mercado caribenho, potencial ampliado pela recente adesão do país ao Mercosul.

O Brasil, por sua vez, manifestou interesse em avançar nos protocolos de certificação sanitária para exportação de carne bovina, carne suína, pet food e citros. A delegação também apresentou os resultados alcançados pelo país no uso de bioinsumos, destacando os cerca de 42 milhões de hectares manejados com tecnologias de controle biológico.

Cooperação em pesquisa e desenvolvimento

A agenda incluiu visita ao Caribbean Agricultural Research and Development Institute (CARDI), instituição regional de pesquisa agrícola que atua em 14 países da Comunidade do Caribe (CARICOM). Com histórico de cooperação com a Embrapa, o instituto identificou novas oportunidades de parceria em temas como banana resistente à Fusarium TR4, milho, trigo tropical, forrageiras e melhoramento genético da raça ovina Berganês.

Leia mais:  Clima extremo amplia perdas bilionárias no campo e pressiona sistema de seguros

O CARDI tem papel central na estratégia regional para reduzir em 25% os gastos com importação de alimentos até 2030. Nesse contexto, a experiência brasileira em agricultura tropical foi apontada como uma importante referência para o fortalecimento da produção local.

A delegação também visitou o Cocoa Research Centre (CRC), da Universidade das Índias Ocidentais, que abriga uma das maiores coleções de germoplasma de cacau do mundo, com cerca de 2.400 acessos genéticos. Durante a visita, os representantes brasileiros conheceram a nova fábrica de chocolate do centro, com capacidade de produção de 200 toneladas por ano e equipada com máquinas fabricadas por empresa brasileira.

O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, destacou a contribuição histórica da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) para a pesquisa cacaueira mundial e ressaltou as oportunidades de cooperação em melhoramento genético e sustentabilidade. Também foi discutida a criação da iniciativa regional ProCacau, voltada à integração em pesquisa, genética e desenvolvimento de mercados na América Latina e Caribe. 

Fertilizantes e promoção do agronegócio brasileiro

A missão contemplou ainda visita técnica à região de Point Lisas, principal polo petroquímico de Trinidad e Tobago com potencial estratégico para distribuição de fertilizantes na região.

Outro destaque da agenda foi a apresentação da iniciativa Agro Brasil Experience, programa que promove a vinda de autoridades, pesquisadores e formadores de opinião estrangeiros ao Brasil para conhecer, em campo, as tecnologias, a inovação e as práticas sustentáveis desenvolvidas pelo agronegócio brasileiro.

Ao fortalecer parcerias com instituições de pesquisa, organismos internacionais e governos da região, a missão reafirma o compromisso do Brasil com a promoção da inovação, da segurança alimentar e da cooperação agrícola internacional, em articulação com parceiros como o IICA, ampliando oportunidades para o desenvolvimento sustentável e para a inserção do agronegócio brasileiro em novos mercados.

Leia mais:  Pesca de praia com foco na sustentabilidade

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Comentários Facebook
Continue lendo

AGRONEGÓCIOS

Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27

Publicado

Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.

Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.

A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.

O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.

Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.

Leia mais:  Soja responde por 84% das exportações e consolida força do agronegócio

Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.

A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.

O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

DIAMANTINO

POLÍTICA MT

POLICIAL

MATO GROSSO

POLÍTICA NACIONAL

ESPORTES

Mais Lidas da Semana