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POLÍTICA NACIONAL

Debatedores pedem controle estatal menor em política de minerais críticos

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Em debate nesta quinta-feira (28) na Comissão de Infraestrutura (CI), representantes do setor de mineração defenderam a criação da política de minerais críticos que permita rapidez nas decisões, incentivos ao investimento privado e controle estatal equilibrado.

A audiência pública foi a segunda da semana sobre o tema, a pedido do senador Wilder Morais (PL-GO). Ele é relator do Projeto de Lei (PL) 4.443/2025, do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. 

Os minerais críticos, como cobalto, lítio, grafite e níquel, e as terras-raras, grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica,  são essenciais para projetos de transição energética e tecnologias de ponta, como painéis solares, smartphones, motores de veículos elétricos e equipamentos militares.

O Brasil tem a segunda maior reserva global de terras-raras, ficando atrás apenas da China. As reservas nacionais de minerais críticos, como lítio, grafite e nióbio, também colocam o país em destaque mundial.

Wilder alertou para o risco de o Brasil perder o que considerou uma janela de oportunidade aberta pela demanda global, caso as medidas de incentivo demorem a ser implementadas.

— O mundo inteiro está atrás desses minerais críticos. A nossa missão aqui, como parlamentares, é que a gente não possa perder esse bonde. No estado de Goiás temos dois processos já bastante avançados em terras-raras, estamos apoiando de perto.

Incentivos ao setor

O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, afirmou que a mineração exige investimentos altos e de longo prazo, com alto risco. Segundo ele, a oportunidade existe porque, desde a pandemia de covid-19, as nações perceberam a necessidade de depender menos umas das outras — o que ele chamou de “fim da hiperglobalização”.

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Cesário defendeu pontos de outro projeto sobre o tema, o PL 2.780/2024, aprovado na Câmara no início de maio e em análise no Senado, que, segundo ele, prevê mais incentivos fiscais e benefícios de exportação.

— Vamos ter que encontrar o equilíbrio fino entre o controle do Estado e a liberdade do mercado. Infelizmente, boa parte das nossas empresas mineradoras não se financia no Brasil; vai para o Canadá ou para a Austrália.

O projeto da Câmara prevê incentivos fiscais de R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034. E cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, para cobrir eventuais inadimplências. O fundo será composto por até R$ 2 bilhões da União, além da receita de empresas ligadas à mineração.

Lição do lítio

A consultora do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Rafaela Guedes, citou o exemplo da produção de lítio para afirmar que a futura política corre o risco de afastar investimentos se focar em barreiras para a exportação. Segundo ela, o ideal é o “incentivo condicionado a contrapartidas” das empresas.

— No passado, o Brasil manteve restrição para exportação de lítio, para estimular o desenvolvimento industrial doméstico. Na prática, não produziu a cadeia robusta que se desejava. O que se observou foi um ambiente menos atrativo ao investimento. Quando o Estado tenta substituir, por comando normativo, condições que ainda não existem no mundo real, o risco é afastar investimento.

Ela elogiou a política de impostos reduzidos para o setor de infraestrutura e de portos (Reidi e Reporto), cujos beneficiários precisam ter projetos previamente aprovados e não ter pendências fiscais para usufruir dos benefícios. 

O projeto de Renan estabelece um percentual mínimo de mineral para ser processado no Brasil antes da exportação do produto. Já o projeto da Câmara cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), que pode determinar limites à exportação, como a vinculação a futuros parâmetros de industrialização nacional.

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Cimce

Rafaela e o conselheiro da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Guilherme Simões Ferreira, criticaram o poder que o projeto da Câmara dá ao Cimce. Ferreira afirmou que conselhos com funções executivas costumam não ter estrutura suficiente para atender às demandas do setor em tempo adequado.

— Já vivenciamos, na prática, essa situação. Quem exerce atividade no setor mineral sabe da morosidade da atividade de pesquisa em faixa de fronteira, porque precisa do atendimento prévio do Conselho de Defesa Nacional, e nem sempre há uma operacionalização que permite celeridade na tomada de decisão.

Ambos defenderam a tramitação conjunta dos dois projetos. Mas, para Ferreira, o texto do Senado tem como foco “uma política de fomento à descoberta”, o que ele defendeu como mais eficiente do que uma política de “punição e controle” estabelecida na outra proposta.

Estrutura limitada

O diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, afirmou que o órgão não possui estrutura para receber as novas atribuições propostas, como a habilitação de projetos de pesquisa e desenvolvimento do setor e a fiscalização de sua aplicação. Segundo Moreira, a ANM possui poucas pessoas e está em processo de modernização do seu funcionamento.

— Tem sido um debate permanente sobre a estruturação e o fortalecimento da ANM, e nós ainda não experimentamos essa questão de modo muito contundente.

Moreira defendeu uma política “sem muita criatividade”, com investimento nas estruturas já existentes. É o caso das zonas de processamento, criadas pelo Poder Executivo em regiões de intensa mineração para atrair empresas focadas no tratamento dos materiais. As regiões contam com incentivos governamentais e com licenciamento ambiental especial, ambas as medidas previstas na proposta do Senado.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova critérios para colação de grau antecipada em universidades

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que define regras para estudantes de ensino superior anteciparem a formatura. A medida beneficia alunos com alto desempenho escolar que forem aprovados em cursos de mestrado ou programas de residência.

Pelo texto, o estudante precisa ter concluído pelo menos 85% da carga horária total da graduação. Também é obrigatório ter terminado todas as disciplinas obrigatórias, o estágio e o trabalho de conclusão de curso (TCC).

Outra exigência é manter uma média de aproveitamento superior a 70% nas matérias obrigatórias do curso. O aluno deve, por fim, apresentar documento oficial de aprovação na pós-graduação ou residência, contendo as datas para a matrícula.

O relator, deputado Patrus Ananias (PT-MG), apresentou uma nova versão ao projeto de lei original – PL 1574/25, do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). A principal alteração inclui a exigência de que o aluno apresente um documento oficial que informe, além da aprovação no curso de pós-graduação ou residência, as datas específicas para a matrícula.

O substitutivo também reforça que, cumpridos esses requisitos, a instituição de ensino é obrigada a fornecer a documentação em tempo hábil.

“A intenção do autor é meritória, porém a proposição demanda alguns ajustes em prazos e garantia da apresentação da documentação necessária em tempo hábil para matrícula”, afirmou Ananias.

Próximas etapas
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova gratuidade em competições esportivas para jovens de baixa renda

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A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1313/24, que estabelece gratuidade de inscrição em campeonatos esportivos para crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. A proposta define a gratuidade como condição obrigatória para que organizações esportivas e clubes possam receber repasses de recursos públicos federais.

Pelo texto, clubes e entidades esportivas devem reservar pelo menos 10% das vagas em seus campeonatos de forma gratuita para crianças e adolescentes de famílias no Cadastro Único (CADÚnico). A proposta altera Lei Geral do Esporte.

O objetivo é usar o esporte como ferramenta de inclusão, condicionando o repasse de dinheiro público ao atendimento desse critério social voltado a jovens em situação de vulnerabilidade econômica.

A relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), destacou que a medida amplia as chances de desenvolvimento social, emocional e econômico para esse público. “Entendemos que o projeto é oportuno ao focar o benefício em crianças e adolescentes pertencentes a famílias de baixa renda”, afirmou a deputada.

A análise técnica indicou que a medida não gera aumento de despesas para a União, pois apenas estabelece uma nova regra para a distribuição de recursos que já existem.

A proposta é de autoria do deputado Luiz Lima (PL-RJ) e já passou pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Esporte.

Próximas etapas
O texto será ainda analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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