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Uso de biomassa nativa em MT é debatido em audiência pública

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A relação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental esteve no centro do debate da audiência pública promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), na tarde desta terça-feira (7), para discutir o uso de biomassa oriunda da vegetação nativa por grandes empreendimentos. Com o tema “Biomassa e Sustentabilidade: o uso de vegetação nativa nos Planos de Suprimento Sustentável (PSS) pelos grandes consumidores de matéria-prima florestal”, o encontro reuniu autoridades públicas, representantes do setor produtivo e da sociedade civil.A audiência foi realizada de forma presencial no Auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, com transmissão ao vivo pelo YouTube (assista aqui) e pela plataforma Microsoft Teams. A iniciativa partiu da 15ª e da 16ª Promotorias de Justiça Cíveis de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital. De acordo com os promotores de Justiça Ana Luiza Avila Peterlini de Souza e Joelson de Campos Maciel, o objetivo do debate foi ampliar a participação social e reunir subsídios técnicos, jurídicos e institucionais que sirvam de base à atuação do Ministério Público na defesa do meio ambiente.Na abertura dos trabalhos, a promotora de Justiça Ana Luiza Avila Peterlini de Souza, da 15ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa do Meio Ambiente Natural de Cuiabá, explicou que a audiência pública foi convocada no âmbito de um inquérito civil instaurado para apurar o uso da biomassa oriunda da supressão de vegetação nativa como fonte de energia por grandes empreendimentos em Mato Grosso. Segundo ela, o foco central do encontro foi discutir os Planos de Suprimento Sustentável (PSS), instrumentos exigidos pela legislação para garantir que o consumo de matéria-prima florestal ocorra de forma sustentável, reduzindo a pressão sobre a vegetação nativa.“Embora seja um tema que envolva interesses econômicos, interesses fiscais e diversos outros componentes, para nós do Ministério Público o nosso principal interesse aqui é ambiental. Evidentemente, sem deixar de compreender a magnitude e a complexidade do tema, o nosso objetivo central é a defesa do meio ambiente”, afirmou.A promotora manifestou preocupação com dados que indicam que cerca de 80% da biomassa atualmente consumida pelos grandes empreendimentos tem origem em desmatamento, em um cenário no qual a maior parte da supressão vegetal no estado ainda ocorre de forma ilegal. Ela destacou que o PSS é um instrumento obrigatório previsto em lei e que sua finalidade é assegurar a sustentabilidade do abastecimento florestal. “O plano deveria reduzir a pressão sobre a floresta nativa, e não aumentar, garantindo uma oferta contínua de matéria-prima sem dependência da exploração da vegetação nativa”, defendeu.Ao encerrar sua exposição, Ana Luiza Peterlini ressaltou a existência de uma divergência jurídica entre o Código Florestal, que restringe o uso de vegetação nativa por grandes consumidores, e normas estaduais que permitem esse uso mediante autorização ambiental. “Há, na nossa ótica, uma violação ao Código Florestal, porque o Código de 2012 é absolutamente taxativo ao dizer que os grandes consumidores devem utilizar floresta plantada ou manejo florestal sustentável. Ao permitir o uso da vegetação nativa, essa normativa estadual representa um retrocesso ambiental e compromete a sustentabilidade do próprio plano de suprimento”, destacou.Na sequência, o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel, da 16ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital, contextualizou brevemente a diferença entre o modelo de economia linear e a proposta da economia circular, amplamente adotada em países desenvolvidos. Segundo ele, esse modelo prioriza o reaproveitamento de insumos, práticas sustentáveis e critérios ambientais cada vez mais exigidos pelo mercado internacional, especialmente europeu.De acordo com o promotor, essas exigências impactam diretamente a competitividade das empresas, sobretudo no que se refere às emissões de gases de efeito estufa e ao uso de combustíveis fósseis. Ao tratar da realidade de Mato Grosso, ponderou sobre o desafio de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, destacando a necessidade de antecipar os impactos das decisões atuais. “Não adianta apenas usar o argumento da geração de emprego, que é muito importante, mas é preciso pensar a que custo estaremos daqui a 10 ou 15 anos e o que vai se tornar o estado se esse enfrentamento não for feito agora”, enfatizou, defendendo a preservação das florestas nativas como reservas ecológicas e de biodiversidade. Representando o setor industrial, o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, destacou a importância da biomassa para o desenvolvimento sustentável do Estado e defendeu a adoção de políticas públicas que incentivem a ampliação das florestas plantadas. Segundo ele, Mato Grosso vive um momento promissor de crescimento industrial e precisa planejar essa expansão de forma equilibrada.“A biomassa é uma oportunidade para construirmos um plano estratégico do Estado, com incentivo às florestas plantadas e ao manejo florestal sustentável, fundamentais para o futuro do desenvolvimento industrial”, afirmou. Silvio Rangel colocou ainda a Fiemt à disposição para contribuir com o diálogo entre o setor produtivo, o Estado e as instituições na formulação de políticas públicas.A superintendente de Agronegócio e Energia da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), Camila Bez Batti, apresentou as ações voltadas ao fortalecimento do setor florestal e da cadeia da biomassa, ressaltando a integração entre desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. “Com o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, já lançado pelo governo, conseguimos estabelecer diretrizes e metas para a expansão de florestas plantadas, o manejo sustentável e o fortalecimento da cadeia da biomassa, garantindo segurança jurídica e um ambiente favorável para o produtor e para a indústria”, afirmou.Segundo a superintendente, o Estado tem como meta expandir 700 mil hectares de florestas plantadas até 2040 e promover a transição gradual da biomassa nativa para a biomassa plantada, consolidando Mato Grosso como referência nacional no suprimento sustentável para a agroindústria.Já a secretária-adjunta de Licenciamento Ambiental e Recursos Hídricos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), Lilian Ferreira dos Santos, apresentou os fundamentos do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, ressaltando que a iniciativa busca suprir lacunas e ambiguidades existentes na aplicação do Plano de Suprimento Sustentável previsto no Código Florestal. Ela defendeu que o Código não foi originalmente concebido para a realidade produtiva de Mato Grosso, o que tornou necessária uma regulamentação estadual mais específica.A secretária explicou que o plano está estruturado em três pilares – expansão da silvicultura, fortalecimento do manejo florestal sustentável e consolidação de uma cadeia de biomassa certificada e rastreável – e estabelece metas até 2040, prevendo a redução progressiva do uso de biomassa oriunda da supressão de vegetação nativa. “É um horizonte sustentável e possível de ser implantado, que envolve todas as cadeias produtivas do Estado”, afirmou, acrescentando que o decreto que regulamenta o plano está em fase final de tramitação.O presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa, manifestou preocupação com os impactos do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, sobretudo em relação à meta de eliminação gradual do uso de biomassa oriunda da supressão de vegetação nativa até 2040. Segundo ele, apesar da participação da entidade nas discussões, nem todas as informações do plano foram plenamente compartilhadas com o setor, o que gerou insegurança entre produtores e investidores.Fausto Takizawa destacou que a Arefloresta representa diversos segmentos da cadeia florestal e alertou que a área atual de florestas plantadas no Estado ainda é insuficiente para atender à crescente demanda da indústria, fortemente dependente da biomassa para garantir segurança energética, geração de empregos e arrecadação. Ele ressaltou que o plantio florestal exige planejamento de longo prazo, uma vez que culturas como o eucalipto têm ciclo produtivo de seis a sete anos.Segundo o presidente, a permissão para o uso de biomassa de supressão vegetal, ainda que autorizada, desestimula novos plantios e cria riscos comerciais diante das exigências do mercado internacional. “O caminho para eliminar essa dependência é plantar, não existe outro”, afirmou, defendendo que o desafio é transformar o crescimento econômico de Mato Grosso em um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, alinhado às exigências ambientais e de mercado.Também se manifestaram na audiência pública representantes da Enebra Energia, FS Industria de Biocombustiveis Ltda., Verde Floresta Group Ltda., Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT), da sociedade civil e outras instituições. Interessados em apresentar contribuições adicionais poderão encaminhá-las em formato PDF, por meio do sistema de Peticionamento Eletrônico, até 17 de abril de 2026, no procedimento Simp nº 044125-105/2025.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Integração digital entre Jucemat e Bombeiros simplifica abertura de empresas e torna MT referência nacional

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A integração entre a Junta Comercial de Mato Grosso (Jucemat) e o Corpo de Bombeiros tem simplificado a abertura de empresas no Estado e virou um dos principais destaques da reunião da Federação Nacional das Juntas Comerciais, realizada de 27 a 30 de abril, em Cuiabá. O modelo elimina etapas, reduz a burocracia e concentra todo o processo de regularização em um fluxo digital único.

Antes, o empreendedor precisava percorrer diferentes órgãos para concluir a formalização do negócio. Depois de registrar a empresa, era necessário buscar a licença junto ao Corpo de Bombeiros e retornar ao sistema para finalizar o processo. Com a integração, esse caminho passou a ser automático, com troca de informações entre os sistemas e acompanhamento em tempo real.

“O Corpo de Bombeiros participava desse processo, mas não era integrado. O empreendedor tinha que ir até outro órgão e depois voltar. Hoje, com os sistemas integrados, tudo ocorre de forma digital, o que facilitou muito o nascimento da empresa e o acompanhamento dessa atividade”, explicou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Flávio Gledson Vieira Bezerra.

A avaliação nacional é de que o modelo adotado no Estado contribui diretamente para um ambiente de negócios mais eficiente e previsível, com impacto na geração de empresas e empregos.

“A junta de Mato Grosso tem agilidade, tem transparência, traz segurança jurídica, desburocratiza a vida do empresário mato-grossense. Quando o registro mercantil anda bem, o Brasil empreende melhor”, afirmou a presidente da Federação Nacional das Juntas Comerciais, Nayara Brito.

Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, a integração entre os órgãos reforça a estratégia de facilitar o acesso ao empreendedorismo.

“Somos referência naquilo que fazemos, fazemos bem feito, e os empreendedores sabem que podem contar com o trabalho da junta e do Corpo de Bombeiros, porque queremos que esse mecanismo de desenvolvimento esteja disponível para todos”, disse.

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Encontro Nacional

O encontro em Cuiabá reúne representantes de todas as juntas comerciais do país justamente para alinhar normas, padronizar procedimentos e buscar soluções que reduzam o tempo de abertura e regularização de empresas.

“Mato Grosso recebe não só a reunião de presidentes da federação, como também técnicos e procuradores para discutir normas e melhorar o fluxo para os empresários. A gente precisa agilizar isso, saber como o empresário entra com o processo e se vai demorar ou não. Vamos trocar informações para que todas as juntas saiam ganhando”, afirmou o presidente da Jucemat, Manoel Lourenço.

A reunião segue até o dia 30 de abril, com debates sobre integração de sistemas, combate a fraudes e padronização de processos em todo o país.

Fonte: Governo MT – MT

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Polícia Civil deflagra operação contra estelionatárias envolvidas em fraudes financeiras contra idosos

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A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (29.4), a Operação Rede Fraudulenta, para cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão e prisão preventiva contra um grupo criminoso envolvido em crimes de estelionato, por meio de fraudes financeiras, praticadas contra vítimas idosas.

Na operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão domiciliar e dois mandados de prisão preventiva, expedidos pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial, com manifestação favorável do Ministério Público. A operação tem como alvo três mulheres que atuavam nos golpes.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Estelionato de Cuiabá, indicam a atuação de um grupo que abordava vítimas, em especial pessoas idosas, mediante contato telefônico e visitas presenciais, oferecendo supostas vantagens financeiras, como a redução de parcelas de empréstimos consignados ou a unificação de dívidas com condições mais favoráveis.

Modo de ação

Durante a abordagem, os suspeitos conquistavam a confiança das vítimas e solicitavam dados pessoais, documentos e registros fotográficos, sob o pretexto de formalização contratual.

De posse dessas informações, realizavam operações financeiras sem autorização, incluindo a contratação de empréstimos em nome das vítimas, bem como transferências bancárias por meio de Pix e outras modalidades, direcionando os valores para contas vinculadas ao grupo criminoso ou a terceiros.

A investigação aponta que as condutas eram praticadas de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os envolvidos, desde o contato inicial até a execução das fraudes financeiras, dificultando a identificação imediata dos responsáveis.

Mandados

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos aparelhos eletrônicos e outros materiais que serão submetidos à análise pericial, com o objetivo de aprofundar as investigações, identificar possíveis vítimas adicionais e esclarecer a participação de outros envolvidos.

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O delegado responsável pelas investigações, Marlon Nogueira, destaca que as investigações continuam, para a completa elucidação dos fatos e à responsabilização penal de todos os integrantes do grupo.

“É importante que a população desconfie de ofertas de serviços financeiros realizadas por telefone ou por visitas inesperadas, especialmente quando houver solicitação de dados pessoais, fotografias ou assinaturas, recomendando sempre a busca por informações diretamente junto às instituições financeiras oficiais”, disse o delegado.

Fonte: Governo MT – MT

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