SAÚDE
Ministério da Saúde fortalece pesquisa clínica com novos acordos de cooperação
Publicado
17 de abril de 2026
O Ministério da Saúde anunciou novas iniciativas para fortalecer a pesquisa clínica no Brasil e ampliar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de desenvolver tecnologias inovadoras em saúde. A informação foi oficializada durante o evento SUS Inova Brasil – Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, realizada no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17/04). O evento contou com a presença do ministro da pasta, Alexandre Padilha, autoridades, gestores públicos, instituições científicas e tecnológicas, setor produtivo, representantes de startups, investidores e sociedade civil.
Coordenados pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do ministério, as ações incluem dois acordos de cooperação técnica. O primeiro com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o segundo com a Rede HU Brasil, antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A ideia é ampliar a estrutura nacional para realização de estudos clínicos, fortalecer a formação de profissionais especializados e melhorar a articulação entre pesquisa, regulação e atendimento à população. A expectativa é que as ações contribuam para que o país participe mais de estudos internacionais e desenvolva soluções inovadoras voltadas às necessidades do SUS.
Integração entre inovação e regulação
O acordo com a Anvisa prioriza a cooperação entre a política pública de inovação em saúde e o sistema de regulação sanitária do país. A iniciativa busca aprimorar o ambiente regulatório, de modo a favorecer o desenvolvimento de pesquisas clínicas no SUS fortalecendo a soberania tecnológica em saúde.
Do ponto de vista estratégico, a parceria é um instrumento para aumentar a capacidade nacional de conduzir pesquisas de alta qualidade, alinhadas ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). A expectativa é que, em cinco anos, o Brasil tenha uma base robusta e articulada nessa área, facilitando que tratamentos inovadores cheguem para a população.
Entre as ações previstas, estão a qualificação de centros de pesquisa com base em padrões internacionais, a formação de profissionais na área e o desenvolvimento de ferramentas digitais para monitorar os estudos. O plano de trabalho também inclui a elaboração de diretrizes e estratégias para ampliar a pesquisa clínica em diferentes regiões do Brasil.
Busca-se, ainda, promover a adoção das chamadas Boas Práticas Clínicas (BPC), que são um conjunto de normas éticas e científicas que orientam como os estudos clínicos devem ser planejados, conduzidos, monitorados e registrados.
Hospitais universitários como centros de inovação
Já a segunda iniciativa, desenvolvida em conjunto com a HU Brasil, visa qualificar a rede de hospitais universitários federais como ambientes de inovação, para que sejam polos estratégicos para o desenvolvimento de pesquisas clínicas e inovação em saúde. A colaboração posiciona a rede HU Brasil como eixo operacional da política nacional de pesquisa clínica no SUS.
O acordo tem vigência inicial de 36 meses e não envolve transferência direta de recursos financeiros. A cooperação está organizada em três grandes eixos:
- formação e capacitação em pesquisa clínica (incluindo Boas Práticas Clínicas, bioética e regulação);
- fortalecimento da infraestrutura e dos centros de pesquisa nos hospitais universitários; e
- desenvolvimento de estudos clínicos estratégicos alinhados às prioridades do SUS.
A ação também prevê a consolidação da Rede Brasileira de Pesquisa Clínica (RBPClin); uso de plataformas digitais para gestão e monitoramento; e a promoção de qualidade, ética e integridade científica.
Importância dos estudos clínicos
A realização de estudos clínicos é um motor essencial para o avanço da medicina moderna, estabelecendo um caminho seguro e ético para a descoberta de novas vacinas e tratamentos de ponta. Pautadas por acompanhamento de comitês de ética e pela participação voluntária consciente, essas pesquisas garantem que a inovação caminhe lado a lado com a proteção e o bem-estar dos participantes.
O fortalecimento do investimento em pesquisa clínica é estratégico para a soberania nacional, pois reduz a dependência de tecnologias estrangeiras e permite a criação de soluções terapêuticas sob medida para as necessidades da população brasileira. Além disso, a iniciativa democratiza o acesso a tratamentos de última geração e fortalece o sistema público de saúde.
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Da ciência ao cuidado: Ministério da Saúde debate estratégias para acelerar o acesso à inovação nos serviços do SUS
Publicado
17 de abril de 2026
Inovação em saúde, pesquisas clínicas, inteligência artificial, terapias avançadas e tecnologias de ponta ocuparam o centro do debate público durante a realização da Feira SUS Inova Brasil. O evento foi promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, na capital carioca nesta sexta-feira (17/04). A programação contou com espaços de conexões e painéis temáticos que reuniu representantes da sociedade civil e especialistas do setor público e privado.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, ressaltou que o evento soma-se aos esforços do Governo do Brasil para acelerar o caminho entre o que é produzido no país e a disponibilização no sistema público. O debate, destacou a secretária, precisa ser feito com a participação direta de gestores municipais e estaduais para construir estratégias cada vez mais integradas e colaborativas.
Entre as medidas já adotadas, está o apoio às pesquisas clínicas. “É a partir delas que a gente vai conseguir testar essas novas tecnologias que estão sendo feitas. E, quanto mais a gente for eficiente nesse processo, mais a gente consegue aproximar e trazer essas tecnologias para o uso efetivo no sistema de saúde lá na ponta”, enfatizou.
Outra ação destacada por Fernanda De Negri foi a implementação do Programa Nacional de Inovação Radical. Realizado em conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a inciativa tem o objetivo de impulsionar o conhecimento científico em soluções concretas, por meio de medicamentos, tratamentos e dispositivos que atendam às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “As ações são justamente para acelerar e reduzir esse gap entre a pesquisa e a inovação, e o uso dessa inovação no sistema público de saúde”, concluiu.
Caminhos da inovação aplicada
Quatro outros painéis também integraram o evento. O primeiro foi dedicado à saúde digital. Nele, especialistas discutiram como o uso eficiente de dados, da inteligência artificial e da medicina de precisão podem apoiar a modernização do SUS e, consequentemente, contribuir para a diminuição de custos. O debate mostrou que a análise qualificada dessas informações já orienta a criação de políticas públicas e apoia gestores locais a tomar decisões mais rápidas, seguras e eficientes, impulsionando novas formas de inovar na saúde pública.
O segundo painel destacou a importância de transformar resultados de pesquisas em soluções reais para o SUS, por meio da pesquisa clínica, da avaliação de novas tecnologias e da inovação em saúde. Os debatedores apontaram oportunidade para avançar em questões regulatórias, de organização dos serviços e de parcerias estratégicas para que essas inovações sejam adotadas em larga escala.
Tecnologia que transforma
A discussão sobre inovação em saúde avançou com o debate sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e seu papel na redução das desigualdades regionais no país. Especialistas destacaram que políticas públicas orientadas às características de cada território podem impulsionar o desenvolvimento produtivo local, fortalecer cadeias estratégicas do SUS e gerar impacto social direto nas comunidades. A aposta em soluções que dialogam com as realidades das regiões brasileiras foi apontada como caminho para ampliar a equidade, promover autonomia tecnológica e consolidar um modelo de inovação capaz de responder às necessidades concretas da população.
O último painel foi em torno de como o cuidado com pacientes com câncer está mudando com a novas tecnologias, que vão desde exames mais precisos, como os que usam biomarcadores e biossensores, até tratamentos avançados, como a terapia CAR-T, que usa as próprias células de defesa do paciente para atacar o tumor. O diálogo reforçou que unir diagnósticos mais confiáveis a terapias inovadoras é fundamental para que o SUS consiga adotar essas novidades de forma sustentável e para um número cada vez maior de pessoas.
Conexões
A programação contou ainda com espaços de conexão. Foi nesse ambiente que a mestranda em Gestão de Competitividade e Saúde, Ariane Volin, de 44 anos, natural do Pará e atualmente morando em São Paulo, encontrou oportunidade de compreender melhor os estágios da inovação no Brasil, especialmente no que diz respeito à pesquisa e à aplicação de práticas de governança.
Para ela, a feira é uma vitrine e um momento oportuno para aprofundar seu olhar sobre gestão. “O conteúdo apresentado contribui diretamente para minha pesquisa sobre governança pública em projetos. Estou acompanhando temas como privacidade, segurança da informação e a aplicação prática do conhecimento”, ressaltou Ariane.
Assista aos debates da Feira SUS Inova Brasil
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
SUS amplia acesso ao tratamento da hemofilia e garante mais qualidade de vida aos pacientes
Publicado
17 de abril de 2026
Conviver com a hemofilia é aprender, desde cedo, que o cuidado faz parte da rotina. Pequenos sinais exigem atenção, e cada conquista, como viver com mais liberdade, estudar, trabalhar ou simplesmente se movimentar com segurança, tem um valor ainda maior.
No Brasil, esse caminho não precisa ser percorrido sozinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante acompanhamento integral, desde o diagnóstico até o seguimento nos serviços especializados. E, nos últimos anos, esse cuidado tem avançado de forma consistente, com a ampliação do acesso ao tratamento, a incorporação de novas tecnologias e o fortalecimento da rede assistencial.
Na prática, isso se traduz em algo simples, mas poderoso: mais autonomia, menos complicações e uma rotina cada vez menos limitada pela doença.
Diagnóstico precoce e cuidado contínuo
A hemofilia é uma condição genética caracterizada pela deficiência de fatores de coagulação do sangue — do tipo A, quando há ausência do fator VIII, ou do tipo B, relacionada a ausência do fator IX. Em 2025, o Brasil registrou 14.576 pessoas com doenças, sendo 12.151 com hemofilia A e 2.425 com hemofilia B. Entre os principais desafios estão os episódios de sangramento, que podem surgir de forma espontânea ou após pequenos traumas, trazendo dor e impactando o cotidiano.
Por isso, identificar a doença precocemente faz toda a diferença. O diagnóstico oportuno permite iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações mais graves, como lesões articulares e dor crônica. O país também tem avançado no reconhecimento da hemofilia em mulheres e meninas, historicamente subdiagnosticadas, ampliando o acesso ao cuidado e promovendo mais equidade na assistência.
Esse conjunto de avanços já aparece no dia a dia dos pacientes. Com acompanhamento contínuo e uma rede estruturada, diminuem as internações, reduzem-se os episódios de sangramento e cresce a possibilidade de viver com mais liberdade. Nos Centros de Tratamento de Hemofilia da hemorrede pública, equipes multiprofissionais acompanham de perto cada paciente, oferecendo orientação, acolhimento e suporte em todas as fases da vida.
Além disso, o SUS disponibiliza estratégias de profilaxia, abordagem considerada a mais eficaz para prevenir sangramentos e evitar danos articulares, contribuindo diretamente para melhores desfechos clínicos e qualidade de vida.
Inovação e qualidade de vida
Ao mesmo tempo, as inovações terapêuticas vêm transformando a forma de viver com a doença. Disponibilizado no SUS em 2021, o emicizumabe representa um importante avanço no tratamento da hemofilia A, especialmente para pacientes com formas mais graves e com inibidores, ao permitir aplicações menos frequentes, por via subcutânea e com possibilidade de administração domiciliar. Recentemente, seu uso foi ampliado para crianças de 0 a 6 anos com hemofilia A grave, mesmo na ausência de inibidores, ampliando o acesso a essa tecnologia e seus benefícios.
O impacto vai além do aspecto clínico. A rotina deixa de ser marcada por procedimentos frequentes e passa a abrir espaço para uma vida com mais autonomia e previsibilidade. Com a ampliação do uso do medicamento para diferentes públicos, incluindo crianças, o SUS avança na oferta de terapias mais eficazes e alinhadas às necessidades individuais.
Paralelamente, seguem em avaliação novas tecnologias para o tratamento da hemofilia B, com o objetivo de ampliar as opções terapêuticas disponíveis, incorporando avanços que tragam maior eficácia, comodidade posológica e melhoria na qualidade de vida dos pacientes.
Mais do que garantir acesso ao tratamento, o enfrentamento da hemofilia passa também pela informação. Ampliar o conhecimento sobre a doença e fortalecer o engajamento de profissionais de saúde, pacientes e familiares são estratégias fundamentais para promover o diagnóstico oportuno e assegurar a assistência adequada em todo o país.
“O SUS tem avançado de forma consistente na organização do cuidado às pessoas com hemofilia, com ampliação do acesso ao diagnóstico, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento da rede de atenção especializada. Esses esforços refletem diretamente na qualidade de vida dos pacientes e no cuidado integral ofertado em todo o país”, afirma o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática (DAET), Arthur Mello.
Celebrado em 17 de abril, o Dia Mundial da Hemofilia reforça a importância de dar visibilidade à condição e de ampliar o acesso ao cuidado. Mais do que uma data, é um convite para reconhecer avanços, fortalecer políticas públicas e seguir ampliando oportunidades para que cada pessoa com hemofilia possa viver com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.
Saiba mais sobre a Hemofilia em sete passos
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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