A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (3.2), a Segunda Fase da Operação Devastate, para dar cumprimento a 65 ordens judiciais, em cinco municípios de Mato Grosso. Desse total, 39 são mandados de prisão preventiva e 26 de buscas e apreensão domiciliar.
As ordens foram cumpridas em Rosário Oeste, Campo verde, Lucas do rio verde, Brasnorte, Nortelândia e Cuiabá. Parcialmente, já foram presas mais de 20 pessoas e apreendidos diversos aparelhos celulares.
Os alvos são investigados por envolvimento direto a facções criminosas atuantes na região de Rosário Oeste e conexões com os outros cinco municípios do Estado.
A operação contou com a parceria da Secretaria de Justiça (Sejus), que ficou responsável por custodiar os presos para audiência, e apoio da Diretoria Metropolitana, Diretoria do Interior e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core).
Ao final dos cumprimentos, todos os detidos foram conduzidos até a delegacia para realização dos procedimentos legais cabíveis e, posteriormente, colocados à disposição da Justiça.
A Primeira Fase da Operação foram iniciadas em 2024, com o cumprimento de 28 ordens judiciais.
Com foco no aprimoramento das investigações de inquéritos policiais de crimes contra a vida, três policiais civis da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deram início ao projeto-piloto Estudo de Caso, com foco na análise de técnicas e procedimentos realizados e na troca de experiências entre os policiais da unidade.
A apresentação e análise do primeiro caso foram realizadas na sexta-feira (13.2), reunindo 55 policiais civis da DHPP, do Núcleo de Pessoas Desaparecidas e das 1ª, 2ª e 3ª Delegacias de Polícia de Cuiabá.
Idealizado pelos investigadores Auri Vieira Nascimento, Rogério Ribeiro dos Santos e Sancler Soares Maciel, o projeto Estudo de Caso busca valorizar as investigações bem-sucedidas já realizadas, assim como identificar pontos que ainda precisam ser aprimorados.
A ideia do projeto nasceu da conversa entre os colegas, que perceberam que, por meio da discussão dos casos, poderiam sistematizar os trabalhos, buscando qualificar as investigações, criando atalhos e soluções, diante de inquéritos dos mais simples aos mais complexos.
Qualificação e aprimoramento
Segundo o investigador Rogério Ribeiro, o método busca analisar e discutir a própria prática e métodos já utilizados com a finalidade de refinar os trabalhos. “Começamos a discutir alguns casos em conjunto, ou em separado, em que conseguíamos apontar alguns erros e acertos e os melhores caminhos a seguir. Essa troca de experiências é muito produtiva e rica, principalmente para os policiais que estão no início da carreira”, disse.
O investigador Sancler explica que as técnicas vislumbradas no primeiro estudo de caso já vêm sendo praticadas entre as equipes de investigadores da DHPP há mais de 10 anos.
“No cotidiano das investigações, pudemos perceber que muitas técnicas aplicadas se repetem na elucidação dos homicídios. Então, nós investigadores sentimos a necessidade de nos reunir a princípio para uma conversa informal e trazer à luz os erros e acertos das investigações”, disse.
Para o investigador Auri, por meio da análise da atuação da equipe no caso concreto, é possível entender as técnicas investigativas e mecanismos utilizados para chegar a um bom resultado, apontando erros e acertos, o que pode ser melhorado, o que deve ser evitado e as ações que devem ser repetidas.
“A ideia é mostrar aos policiais os pormenores de uma investigação de sucesso para que o trabalho possa ser repetido e aprimorado, para que o autor seja responsabilizado de acordo com os fatos praticados e identificados por meio de um trabalho investigativo sério e comprometido da equipe policial”, explicou o investigador Auri.
Caso analisado
O primeiro caso analisado foram as investigações do homicídio que vitimou a advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni, ocorrido no dia 13 de agosto de 2023, no interior da residência do réu, no bairro Santa Amália, em Cuiabá. Seu corpo foi deixado dentro de seu carro, no Parque das Águas, em Cuiabá.
Após a localização do corpo, a equipe de policiais da DHPP deu início às investigações e, mesmo sem saber inicialmente o local do crime ou o possível suspeito, conseguiu chegar ao autor, que foi preso em flagrante horas depois. As investigações revelaram que, depois de matar a vítima, o suspeito deu banho nela, trocou suas roupas e abandonou o corpo no parque.
Com base nos elementos apurados, ele foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso pelos crimes de estupro, fraude processual e homicídio (qualificado em feminicídio, impossibilidade de defesa da vítima, motivo fútil e meio cruel para assegurar a impunidade de outro crime).
Em setembro de 2023, o autor do crime bárbaro foi condenado pelo Tribunal do Júri a 37 anos de prisão.
A DHPP apurou que a vítima passou o sábado em um churrasco com a família e amigos e, por volta das 22 horas, foi a um bar próximo à Arena Pantanal, onde conheceu o autor do crime, um ex-policial militar. Ela deixou o local com ele por volta das 23h30.
Nas diligências, os policiais chegaram ao último local em que a vítima esteve, uma residência no bairro Santa Amália. Imagens de câmeras de segurança mostraram o veículo da vítima saindo do endereço, na parte da manhã, com o autor do crime na direção.
Na residência, os policiais abordaram o ex-policial, que confessou ter dormido com a vítima, porém se contradisse nas informações sobre os fatos posteriores e o envolvimento no crime. Na casa, foram coletados diversos indícios que, na perícia, apontaram para a execução do crime, como manchas e resíduos de sangue.
Ouvido em depoimento na DHPP, o ex-policial militar se contradisse em diversos momentos e chegou a dizer que a vítima havia caído na residência dele, no quarto e na sala, e batido a cabeça. Questionado sobre a lesão que Cristiane apresentava no rosto, ele alegou que a vítima já estava com o hematoma e que teria se machucado durante o churrasco com familiares. Durante o interrogatório, o indiciado chegou a se manifestar assim: “eu fiz m….mesmo. Só não esperava que a polícia me prendesse tão rápido”.
Para o delegado titular da DHPP na época dos fatos, Marcel Gomes, as investigações detalharam a dinâmica do crime e o conjunto de informações reunido nas diligências e perícias técnicas realizadas.
“Foi um trabalho de muito empenho e dedicação da unidade policial, com muitas horas de imagens para análise, diversas oitivas e trabalho técnico para embasar o que foi reunido na investigação preliminar, que culminou com a prisão em flagrante do homicida, reunindo elementos probatórios para sua devida condenação pelos crimes praticados”, disse o delegado.
Carnaval chegou e, junto com a folia, um possível problema: os furtos de aparelhos celulares em meio aos bloquinhos e festas. Para se prevenir ou diminuir os estragos caso ocorra o furto, a Polícia Civil de Mato Grosso listou dicas de cuidados que as pessoas devem tomar nos foliões.
Segundo o delegado Gustavo Godoy, da Delegacia de Estelionato de Cuiabá, os criminosos que furtam celulares já não cometem o crime mirando a revenda dos aparelhos, mas sim os dados que estão no interior dos telefones.
“Hoje, toda nossa vida está dentro de um celular, como as fotos que a gente tira, as transferências que a gente faz com o aplicativo de banco, pagamento de contas, conversas com nossos parentes, tudo que a gente faz envolve um telefone celular. Por conta disso, os criminosos dão especial atenção e valor a esse tipo de dado”, afirmou o delegado.
E o Carnaval se torna o cenário perfeito para as ações de criminosos, pois há distração, aglomeração e consumo de álcool, deixando as vítimas mais vulneráveis. Eles aguardam um momento de distração, como após uma foto em meio a um grande número de pessoas, para subtrair o aparelho, realizar transferências bancárias e aplicar golpes com o celular da vítima.
“Hoje, o foco dos criminosos são os Pix e transferências rápidas. Estando com o telefone, o criminoso consegue inclusive utilizar a opção de ‘esqueci minha senha’ do aplicativo bancário, que manda uma nova senha, um link para a pessoa clicar no e-mail que, muitas vezes, está gravado no próprio celular subtraído”, disse Gustavo Godoy.
Prevenção
O delegado orienta que as pessoas levem um telefone reserva para as festas, que não tenha nenhum aplicativo bancário instalado, para que, caso seja subtraído, não gere um grande prejuízo.
Caso esta não seja uma possibilidade, Gustavo Godoy aconselha que as pessoas desinstalem todos os aplicativos bancários do aparelho ou deixem apenas uma conta, com pouco dinheiro e que não tenha a opção de pedir empréstimo, para ser usada somente para gastos que precisem ser feitos durante a festa.
“Muitos aparelhos têm a opção de Modo Rua, ou Modo Cofre, que você só pode usar em locais que você define como seguro, como a sua casa. Fora dela, você não consegue fazer algumas operações”, orientou o delegado.
Godoy também instruiu os foliões a não deixar o e-mail de recuperação de senha das contas bancárias salvo no aparelho celular. Assim, caso o criminoso consiga acessar o aparelho, ele não consegue ter acesso à conta bancária.
Outro cuidado importante é reduzir os limites diários e noturnos para transferências Pix, pagamentos de contas e outros tipos de transferências bancárias. Assim, caso o celular seja subtraído, o prejuízo não será grande.
“Além disso, sempre que possível, habilite a biometria do celular para desbloquear o telefone e não permitir que sejam feitas algumas transações com o uso da senha. E caso a única opção seja utilizar senhas de desenho, faça senhas um pouco mais difíceis, que fujam do óbvio, como a letra N, Z, essas mais óbvias. Vamos fugir disso. Tem que ter um pouco mais de criatividade na hora de criar senhas de desenho”, orientou o delegado Gustavo Godoy.
E se o furto acontecer?
Se, apesar de todos os cuidados, o furto acontecer, a primeira coisa a se fazer é avisar as instituições bancárias. Vá até um caixa eletrônico ou pegue o celular de um amigo e entre em contato com o atendimento do banco e realize o bloqueio da conta.
“Além disso, use o aplicativo Celular Seguro, do Governo Federal, que possibilita o bloqueio de todas as transações e aplicativos. Esse telefone vai ser um peso morto para o criminoso, ele não vai conseguir acessar muita coisa”, instruiu o delegado.
Godoy também orientou que os aparelhos possuem um programa para procurar o dispositivo subtraído. Se essa opção não estiver disponível, ainda há a possibilidade de apagar todo o conteúdo do aparelho de forma remota, para preservar seus dados, impedir que o criminoso utilize seus aplicativos bancários e deixar o aparelho inutilizável.
Também é importante que a vítima bloqueie o chip da operadora de telefonia, para que o criminoso não consiga fazer a recuperação de senha dos aplicativos bancários por meio do envio de SMS.
Por fim, é imprescindível que a vítima registre um boletim de ocorrência.
“Orientamos também a registrar o boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou na nossa Delegacia Digital, que está disponível no site da Polícia Civil, para que a polícia possa investigar esse tipo de crime, chegar ao autor do furto ou roubo e recuperar seu telefone celular”, finalizou o delegado.