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Para evitar rejeição, candidatos se afastam de Lula e Bolsonaro

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Para evitar rejeição, candidatos se afastam de Lula e Bolsonaro
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Para evitar rejeição, candidatos se afastam de Lula e Bolsonaro

Para não correr o risco de perder votos, pré-candidatos aos governos estaduais de Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí e Tocantins têm se esforçado para manter uma postura neutra em relação ao cenário de polarização nacional.

Entre os motivos para não apoiar nomes na disputa — mesmo entre os dois mais bem colocados nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) — estão acordos regionais, alto índice de aprovação da gestão e composições extraoficiais feitas pelo próprio eleitorado.

Cortejado pelo presidente Jair Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem sido aconselhado por interlocutores a não declarar voto a nenhum dos dois pré-candidatos.

A avaliação, segundo pessoas próximas à direção nacional, é a de que o chefe do Executivo mineiro já desfruta de uma alta aprovação em seu estado, enquanto Bolsonaro tem rejeição de mais da meteade do eleitorado. Além disso, um eventual comprometimento com um dos dois cotados preocupa aqueles que veem nascer no estado o voto “LulaZema”.

Por enquanto, o governador eleito na onda do bolsonarismo em 2018 mal se pronunciou acerca das eleições presidenciais deste ano e, quando questionado, tem declarado apoio ao pré-candidato do Novo, Felipe d’Avila.

“O governador não tem pretensão de tomar lado nessa disputa nacional. Não é do perfil dele, que é mais ameno, mais suave e tenta ficar fora dessa situação de extremar opiniões. Ao mesmo tempo, é um dos poucos governadores que mantiveram relação de respeito com Bolsonaro. Mas, se o Novo lançar candidato, impede qualquer tipo de manifestação”, afirma o ex-secretário geral do governo de Minas Gerais Mateus Simões, que deixou o posto no início do mês para preparar a campanha de Zema à reeleição.

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Outro que cogita não apoiar nome algum em 22 é ACM Neto (União Brasil) e ex-líder da oposição ao PT. Ele aposta, no entanto, no voto “LulaNeto” para vencer as eleições na Bahia.

Como Lula tem superioridade eleitoral histórica no Nordeste, o ex-prefeito de Salvador não vê outro caminho a não ser adotar a postura de “mergulhar” e se afastar ao máximo de temas nacionais.

Presidente do União Brasil no estado, o deputado Paulo Azi afirma que a neutralidade se impôs em função do arco de alianças construído em torno da candidatura de ACM Neto, que inclui siglas como PDT, Podemos, Republicanos e Solidariedade.

“São diversos partidos com pré-candidatos à Presidência distintos, então a neutralidade acabou sendo uma imposição e também uma atitude em respeito a essas legendas”, afirmou o deputado, negando que a atitude possa ser mal interpretada pelo eleitorado ou tenha relação com Lula. “Já estamos procurando transmitir ao eleitor essa posição. Neto tem dito com clareza que vai estar preparado para governar com o presidente escolhido pela população brasileira”.

A situação se repete em outros estados do Nordeste e também do Norte, onde Lula tem vantagem sobre Bolsonaro. Piauí é exemplo disso: lá, Silvio Mendes (União Brasil) é o candidato do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), mas tem repetido publicamente fará campanha para Bolsonaro.

Em entrevistas, Mendes afirma que a questão nacional está “distante” e irá dedicar seu tempo e energia ao estado do Piauí. No Tocantins, aliados de Wanderlei Barbosa (sem partido) dizem que ele também quer distância das questões nacionais. O político tomou posse como governador em março deste ano, após Mauro Carlesse (PSL), de quem era vice, renunciar para evitar um impeachment.

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“Pseudoneutros”

Para cientistas políticos, esse tipo de postura se baseia apenas em cálculo político-eleitoral.

“Os “isentões” são pseudoneutros. Não têm nada de estratégia por princípio. Eles têm lado, mas preferem esconder. Num segundo turno contra um candidato apoiado pelo Lula, muitos teriam dificuldade de bancar de “isentões”, afirma o professor de ciência política da FGV Cláudio Couto.

Em Pernambuco, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), filho de Fernando Bezerra Coelho (MDB), que é ex-líder do governo Bolsonaro, também quer se desvincular da polarização nacional.  Ao GLOBO, Coelho afirma que está preocupado apenas com os problemas de Pernambuco, seja o presidente de esquerda, direita ou de centro. Ao mesmo tempo, o ex-prefeito diz que poderá apoiar o nome que surgir num acordo da terceira via, caso haja uma candidatura única lançada por PSDB, Cidadania, MDB e União Brasil. A proximidade de Bolsonaro tem sido usada por adversários da esquerda como Marília Arraes (Solidariedade) e Danilo Cabral (PSB) para atacá-lo. Diante disso, para fazer um aceno ao eleitorado de esquerda ele chegou a dizer que “Lula é um patrimônio do povo brasileiro”.

“Sou muito pragmático. Nem Lula, nem Bolsonaro são candidatos a governador. Mas os dois fazem parte da história do país. Trazer esse debate é algo que não é benéfico pro estado, que tem alguns dos piores indicadores sociais do país. O governador eleito tem que trabalhar com qualquer presidente, não dá para deixar a ideologia partidária influenciar nas demandas do estado”, afirma Coelho, cujo pai foi da base de apoio dos governos petistas e foi ministro da Integração Nacional na gestão de Dilma Rousseff (PT) (2011 a 2013). Depois, porém, ele deixou o governo e votou a favor do impeachment.

Estudioso de campanhas eleitorais, o cientista político Carlos Melo relembra o contexto da direita popular baiana.

“ACM Neto é um herdeiro da tradição do ‘Carlismo’, que vem da antiga UDN, depois da Arena e PFL. É um movimento popular, mas é de direita. Embora o carlismo tenha raízes na Bahia, nos últimos anos o PT se tornou quase hegemônico no poder lá”, afirma Melo, acrescentando: “Já Zema foi resultado da onda bolsonarista de 2018. Como ele vira as costas para uma base que o elegeu e que representa no eleitorado cerca de 30%? Esse percentual do voto bolsonarista, porém, não o elege num segundo turno e ainda tem o risco da rejeição do Bolsonaro colar e ele quebrar a cara. Então, o melhor é ficar ‘neutro’”.

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Datafolha: 55% acham que Bolsonaro pode tentar invalidar eleição

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Presidente comumente critica o uso de urnas eletrônicas
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Presidente comumente critica o uso de urnas eletrônicas

A mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada neste sábado (28), mostra que uma parcela de 55% da população entende que é preciso se preocupar com a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentar invalidar o resultado das eleições de outubro.

O instituto aponta ainda que uma fatia de 40% dos brasileiros não enxerga esse risco. Outros 5% não souberam responder. A pesquisa foi realiza na quarta-feira (25) e na quinta-feira (26) com 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181 cidades de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. O levantamento, contratado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05166/2022.

A pesquisa também mostra que entre os eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a preocupação com a possibilidade de tentativa de invalidação do resultado da eleição por parte de Bolsonaro é maior, chegando a 70%. Para 26% dos que têm preferência pelo petista, não há risco.

Já entre os que declaram voto no presidente, o percentual dos que enxergam risco de Bolsonaro tentar invalidar a eleição é de 26%, enquanto 68% descartam essa hipótese.

O Datafolha também mostra que as mulheres têm uma preocupação maior do que os homens com a questão. Entre as entrevistadas pelo instituto, 57% disseram ver a possibilidade de Bolsonaro contestar o resultado da eleição. Já entre os homens, o patamar foi de 52%.

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Datafolha: 69% estão “totalmente decididos” para a Presidência

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7 em cada 10 brasileiros têm certeza em quem vão votar
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7 em cada 10 brasileiros têm certeza em quem vão votar

Os números da pesquisa Datafolha mais recente, revelam o caminho estreito para as movimentações dos pré-candidatos nos quatro meses restantes até a eleição. De acordo com o instituto, 69% estão “totalmente” decididos a votar no postulante já escolhido, enquanto 30% admitem a possibilidade de mudança. No levantamento anterior, de março, o índice era semelhante: 67% diziam que a definição estava tomada, enquanto 32% consideravam a hipótese de troca.

O patamar impõe desafios tanto para os nomes que se descolaram dos adversários — casos do ex-presidente Lula (PT), que lidera com 48%, e do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem 27% — quanto para os que tentam crescer de forma acelerada em busca do segundo turno, a exemplo de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

No grupo de aliados de Lula, há quem defenda uma intensificação do diálogo com o entorno de Ciro, com o objetivo de fazê-lo abrir mão da disputa. Entre os eleitores do pedetista, 37% apontam o ex-presidente como a segunda escolha, o que poderia alargar a margem em busca da vitória no primeiro turno. Segundo o Datafolha, Lula tem 54% dos votos válidos, o que garantiria o resultado sem a necessidade da segunda etapa, caso o pleito fosse agora.

O discurso em direção ao PDT, no entanto, já despertou reações. Segundo o presidente da sigla, Carlos Lupi, a insistência em interferir em uma “candidatura irreversível” tem revoltado a base pedetista, o que pode fazer com que Lula fique sem apoio em um eventual segundo turno contra Bolsonaro.

Na avaliação do dirigente, “ninguém tem o direito de interferir na autonomia” do PDT e da candidatura de Ciro, assim como o PDT não tenta reverter a candidatura petista. Ele explica, no entanto, que essa tentativa nunca partiu da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mas tem sido sutilmente sugerida por parlamentares petistas. A iniciativa, segundo Lupi, pode ter efeito inverso e acabar afastando quadros pedetistas ainda mais da campanha de Lula.

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“A Gleisi nunca me falou nisso; é uma mensagem subliminar que vai sendo passada sutilmente pelos deputados do partido. Mas, cada vez que falam isso, vão destruindo pontes para relações futuras. Isso vai revoltar a nossa base, já está revoltando. Se continuar assim, vai chegar lá na frente e muita gente vai querer votar nul”, afirma.

Para o cientista político e professor da PUC-Rio Ricardo Ismael, a intensificação da campanha pode provocar movimentações, ainda que cerca de 70% do eleitorado apresente a intenção de voto como definida.

“Se isso estivesse acontecendo a 15 dias do primeiro turno, teríamos um quadro de votos consolidados. Há eventos pela frente que podem influenciar a decisão. O que temos neste momento é uma vantagem do Lula que pode ajudá-lo na formação de palanques estaduais”, analisa Ismael.

O Datafolha apontou também reflexos do discurso presidencial com ataques ao processo eleitoral e às instituições. A hipótese de Bolsonaro tentar invalidar as eleições é vista com preocupação por 55% do eleitorado, enquanto 40% dizem que não há motivo para preocupação, e 5% não souberam responder.

Em outro questionamento, 60% avaliaram que as declarações colocando em dúvida o sistema de votação atrapalham as eleições (para 39%, atrapalham muito, enquanto 21% dizem que atrapalha um pouco). Outros 37% consideram que não há interferência.

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