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POLÍTICA NACIONAL

Lula entra em ação e PT tenta atrair PDT para arco de alianças

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Lula em pronunciamento
Reprodução/Facebook Lula – 19.01.2022

Lula em pronunciamento

Mesmo com a pré-candidatura à Presidência de Ciro Gomes posta no páreo, o PDT tem sido alvo de investidas do PT, que ainda nutre a esperança de atrair a sigla para o arco de alianças do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . O próprio Lula vem atuando para conquistar o apoio almejado e tem telefonado para o presidente do PDT, Carlos Lupi, na tentativa de manter a porta aberta ao diálogo entre as duas legendas de esquerda.

Em uma outra frente de ação, petistas acenaram a representantes do PDT com a possibilidade de apoiar candidaturas pedetistas nos estados, em troca da promessa de adesão à chapa encabeçada por Lula no plano nacional. Quem está à frente dessas articulações é o deputado federal José Guimarães (PT-CE), que cuida das alianças estaduais na campanha presidencial petista.

Até aqui, Lula fez ao menos três ligações para o Carlos Lupi. A interlocutores, o cacique pedetista fala sobre o poder de persuasão do ex-presidente e afirma que resiste a se reunir pessoalmente com ele para não ser “seduzido”.

Ao GLOBO, Lupi confirmou as conversas com Lula e não rechaçou uma reunião presencial entre os dois antes das eleições. O presidente do PDT, contudo, nega qualquer chance de seu partido abrir mão da candidatura de Ciro Gomes para subir no palanque petista.

“Conversamos por telefone algumas vezes, tenho um carinho por Lula. Não rechaço um encontro. Mas Lula é elegante, ele respeita a candidatura de Ciro” diz Lupi, que foi ministro no governo de Dilma Roussef (PT), sucessora de Lula.

Uma das ligações de Lula para Lupi foi intermediada pelo senador pedetista Weverton Rocha (MA), pré-candidato ao governo do Maranhão. O parlamentar já fez diversos acenos públicos ao ex-presidente, embora o candidato oficial do PT no estado seja Carlos Brandão (PSB), que assumiu o governo de Flávio Dino (PSB). 

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Na prática, contudo, a tendência é que Lula tenha dois palanques no Maranhão — e Weverton já informou isso à Executiva do PDT. 

É apostando em situações parecidas com a do maranhense que o PT vem assediando membros do PDT, em busca de apoios para Lula. De acordo com uma fonte ligada ao PT, não é preciso sequer que Ciro saia da disputa. Basta que, nos bastidores, parte dos pedetistas trabalhe por Lula.

Nas pesquisas de intenção de voto, Lula aparece em primeiro lugar, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedetista fica em terceiro, com mais de dez pontos percentuais de diferença para os primeiros no ranking. 

Entre os petistas, há a avaliação de que os eleitores de Ciro migrariam para Lula na medida em que o ex-ministro perder força na disputa. Com os votos de Ciro, segundo a análise do partido, o ex-presidente teria mais folego contra Bolsonaro ou poderia derrotá-lo no primeiro turno. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Lula tem 43% das intenções de voto, enquanto Ciro tem 6%. Bolsonaro, por sua vez, aparece com 26%. 

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o partido gostaria de ter o PDT na aliança pró Lula. Ela argumenta que as demais siglas do campo político da esquerda já firmaram o apoio ao ex-presidente. A dirigente, porém, nega que haja uma ofensiva para atrair os pedetistas. 

“Gostaríamos muito de ter o PDT na nossa coligação. É do nosso campo político. Todos os demais partidos desse campo se uniram em torno de Lula. Mas não estamos fazendo nenhuma ofensiva política em relação ao PDT. Eles têm candidato, e respeitamos esse direito e legitimidade do PDT” disse.

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O Rio é outro exemplo onde o PDT terá um palanque duplo, com Lula e Ciro. O pré-candidato pedetista é o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, que já foi do PT e que se reuniu algumas vezes com o ex-presidente desde que anunciou sua pré-candidatura. 

Em seu próprio estado, o Ceará, onde PT e PDT mantém uma aliança longeva, Ciro também pode perder apoio do seu partido. Pelo acordo, os pedetistas indicarão o candidato que sucederá o petista Camilo Santana, ex-governador do estado que renunciou para concorrer ao Senado. O grupo de Ciro quer fazer candidato o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, mas o nome dele sofre resistência do PT cearense. O partido prefere que a indicada seja a atual governadora Izolda Cela, que, mesmo sendo do PDT, não é próxima do clã Gomes e tem laços mais estreitos com o PT. 

Sobre os entraves em seu estado, Ciro disse em entrevista à rádio Jornal Jangadeiro que pode enfrentar o PT se o acordo virar um “negócio de conchavo”. Completou ainda que há “um lado corrupto” no PT cearense.

“É bom que todo mundo saiba que esse acordo vai acontecer se o interesse do Ceará estiver acima. Se for com negócio de conchavo, picaretagem, eu topo enfrentar o PT também” disse Ciro, que completou: “Eu não vou me submeter a um lado corrupto do PT que também existe no Ceará.”

Não seria a primeira vez que Ciro sofre perdas para Lula. O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) chegou a ser apontado como candidato do PDT ao governo do Amapá. Hoje, o parlamentar é um dos coordenadores da campanha do ex-presidente. E o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), antes de disputar o Executivo fluminense como candidato oficial do Lula no estado, foi cotado para concorrer ao lado do pedetista.  

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Em meio ao assédio do PT, cresce um sentimento entre pedetistas para que Ciro se mantenha com dois dígitos nas pesquisas para ser considerado competitivo. A esperança de alguns líderes do partido é que o ex-ministro cresça à medida que a aliança da terceira via derreta. 

“O que a gente vê agora é que não existe uma terceira via. Existe uma tentativa de compor uma alternativa às candidaturas de Bolsonaro e Lula. Mas essa via não se viabiliza. Não adianta quem não tem votos apoiar que também não tem voto. O Ciro é a única via provável, porque ele tem uma militância, já tem uma quantidade de voto estabelecida. Imagino que esse deva ser o caminho dos partidos que querem uma mudança realmente no Brasil” afirma o deputado federal Mário Heringer (PDT-MG), presidente do diretório pedetista mineiro.

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Relator do Orçamento 2021 usou R$ 11 milhões para beneficiar amigo

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Márcio Bittar foi relator-geral do orçamento da União em 2021
Agência Senado

Márcio Bittar foi relator-geral do orçamento da União em 2021

Relator-geral do orçamento da União em 2021, o senador Márcio Bittar (União-AC) encaminhou R$ 11 milhões em emendas do Fundo Nacional de Saúde (FNS) para a Santa Casa da Amazônia, acusada de cometer fraude para receber os recursos. Na recepção da entidade, administrada por um amigo do parlamentar, há fotos do congressista e da mulher dele, Márcia Bittar, candidata a senadora pela PL. O Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça em março para pedir a anulação do repasse.

Na condição de relator, Bittar era o responsável por coletar sugestões de alteração ao orçamento apresentadas por deputados e senadores e enviá-las ao Executivo. Parte delas era feita por meio das emendas de relator ao orçamento secreto, instrumento usado por parlamentares para destinar verbas federais a seus redutos eleitorais sem serem identificados. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a falta de transparência e determinou a divulgação dos autores das indicações e das destinações.

No caso das emendas de Bittar, o MPF sustenta que o administrador da entidade beneficiada, o ex-deputado federal José Aleksandro da Silva, lançou mão de estratégias de confusão patrimonial para que o dinheiro chegasse ao destino. O hospital que ele comandava inicialmente se chamava Santa Casa de Rio Branco. Criada em 1975, a unidade acumulou dívidas trabalhistas e tributárias, o que a impedia de receber verbas públicas. Nesse cenário, de acordo com o procurador Lucas Almeida, responsável pela investigação, Aleksandro reativou o CNPJ de uma outra entidade, com o nome de Santa Casa da Amazônia, para onde foram destinadas as emendas de Bittar. Os dois hospitais, porém, funcionam no mesmo endereço, em Rio Branco, capital do estado.

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Relação próxima

“Pela análise das consultas realizadas em relação à inscrição da Santa Casa da Amazônia (…), fica claro por que os dirigentes das entidades fizeram uso deste CNPJ alternativo: sabiam, antecipadamente, que os impedimentos da Santa Casa de Rio Branco inviabilizaram a destinação das emendas parlamentares”, afirmou o integrante do MPF na ação. O processo mira transferências ao hospital que totalizam R$ 96 milhões em verbas públicas, entre elas as emendas de Márcio Bittar.

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Procurado, o senador não respondeu às tentativas de contato do GLOBO. Aleksandro afirmou que não há provas de qualquer irregularidade supostamente cometida por ele. Disse ainda que atua há mais de 20 anos pela causa social para “melhorar o sistema de atendimento ao paciente”.

Aleksandro e Bittar não tentam ocultar a proximidade entre eles. Em setembro de 2021, ambos estavam no lançamento da pedra fundamental da reforma da Santa Casa. Na referida pedra há um texto onde se lê que o “estimado amigo Márcio Bittar” estará “em cada ambiente, em cada inauguração, em cada evento ou serviço”, “abrilhantando” o local “com uma foto oficial sua, ao lado da foto oficial do nosso presidente da República Jair Messias Bolsonaro”. De fato, a imagem do senador foi exposta na parede ao lado da de Bolsonaro.

“Está demonstrado que houve violação aos princípios da impessoalidade, moralidade e publicidade, porque o evento realizado em 23 de setembro de 2021 e as homenagens registradas pela vistoria do MPF demonstram que há promoção política de Senador da República e favorecimento à ex-esposa do Senador da República”, afirmam os procuradores.

Noutro trecho da ação, o MP diz: “o uso de emendas parlamentares como moeda de troca de favores entre os Poderes Executivo e Legislativo e seus apoiadores locais viola a finalidade e a motivação dos atos administrativos, em afronta à moralidade administrativa.”

Sistema sucateado

Os procuradores abordam a precariedade do sistema de saúde local para questionar a escolha da Santa Casa como o destino da verba. Eles “narram um cenário de ‘falta de equipamentos, ineficiência no funcionamento, carência de especialistas’ que assolam outros hospitais como Hospital das Clínicas, Maternidade Bárbara Heliodora e INTO.”

Conforme O GLOBO revelou na semana passada, a Fundo Nacional de Saúde tem sido utilizado para abastecer redutos eleitorais de aliados do governo, sem critérios técnicos. As transferências via FNS dificultam a fiscalização, pois são realizadas na modalidade conhecida como “fundo a fundo”: o dinheiro do orçamento vai para o fundo nacional e, de lá, é repassado diretamente para um fundo estadual ou municipal de saúde.

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Em aceno a evangélicos, Bolsonaro participa de evento religioso no PR

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Presidente Jair Bolsonaro discursa na Marcha para Jesus, em Curitiba
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Presidente Jair Bolsonaro discursa na Marcha para Jesus, em Curitiba

O presidente Jair Bolsonaro (PL) participou, neste sábado, da Marcha para Jesus, evento religioso em Curitiba. O mandatário estava acompanhado do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) . Mais cedo, ele se encontrou com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Durante a marcha, Bolsonaro ficou em cima de um carro de som e divulgou vídeos em que acena a apoiadores. A participação do presidente no evento é mais um aceno aos eleitores evangélicos, uma base cara a ele para a eleição deste ano.

Bolsonaro recebeu o convite para participar do evento no início do mês, em uma reunião com pastores no Palácio da Alvorada. O encontro foi organizado pelo bispo Robson Rodovalho, que foi colega de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

A Marcha para Jesus acontece anualmente em várias cidades do país, em datas diferentes, e é organizado por igrejas evangélicas de diversas denominações.

Apoio do governador

Na sexta-feira, o governador paranaense afirmou que deve apoiar a reeleição de Bolsonaro ao Planalto. Ratinho Júnior, porém, afirmou que por ora vai aguardar a definição de qual será a posição do PSD na disputa presidencial.

“Eu tenho uma gratidão muito grande pelo presidente Bolsonaro porque o governo federal foi muito importante para o Paraná nestes últimos três anos. É natural que essa gratidão tenha que se transformar em uma parceria política”, disse Júnior em entrevista coletiva após evento para duplicação da Rodovia dos Minérios.

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O governador também afirmou: “Eu tenho meu partido político, tenho que respeitar esse momento de decisão das convenções, mas o PSD caminhando para a neutralidade, eu fico liberado para poder tomar a minha decisão e caminhar junto neste projeto.”

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