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‘Enfim admitiu’: Moro diz que Bolsonaro nunca foi contra corrupção

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Jair Bolsonaro ao lado de Sergio Moro, quando o ex-juiz ainda ocupava o cargo de Ministro da Justiça
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Jair Bolsonaro ao lado de Sergio Moro, quando o ex-juiz ainda ocupava o cargo de Ministro da Justiça

Após o presidente Bolsonaro alegar que o combate à corrupção e o apoio a Lava Jato não fizeram parte da sua campanha em 2018 , o ex-ministro da Justiça Sergio Moro utilizou as redes sociais para criticá-lo. 

“Bolsonaro enfim admitiu ontem que nunca defendeu o combate à corrupção e a Lava Jato. Era só mais um discurso do seu estelionato eleitoral”, escreveu Moro em publicação no Twitter. 

Esta não é a primeira vez que Bolsonaro e Moro entram em atrito. O ex-ministro da Justiça é o possível candidato à presidência pelo Podemos nas eleições deste ano e deve disputar o cargo com o atual presidente que tenta reeleição. 

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Moro procura ‘ganhar terreno’ no cenário digital através do MBL

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Moro busca 'ganhar terreno' em campanha digital através do MBL
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Moro busca ‘ganhar terreno’ em campanha digital através do MBL

Atrás do  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual ocupante do posto,  Jair Bolsonaro (PL), nas pesquisas de intenção de voto e no alcance nas redes sociais, o  presidenciável Sergio Moro (Podemos) aposta no  Movimento Brasil Livre (MBL) para alavancar a campanha digital.

Integrantes do grupo formalizaram ontem a entrada no partido do ex-ministro, mas a aliança já é anterior, com publicações coordenadas a favor de Moro e críticas aos principais adversários dele na disputa. A primeira ação mais explícita ocorreu há uma semana, após a entrevista em que Lula chamou o ex-juiz da Lava-Jato de “canalha”.

Em poucas horas, o perfil oficial do MBL e políticos como o deputado federal Kim Kataguiri (SP), de saída do DEM para o Podemos, e Adelaide Oliveira, uma das coordenadoras do movimento, impulsionaram a tag #LulaCanalha. O termo somou mais de 30 mil menções e chegou aos assuntos mais comentados do Twitter.

No dia seguinte, foi a vez de #BolsonaroCovarde, novamente com o endosso de integrantes do grupo, como o deputado estadual de São Paulo Arthur do Val, que está deixando o Patriota e deve concorrer ao governo estadual.

Também com o apoio do MBL, ontem foi a vez de #LulaArregou alcançar a lista de temas mais populares. A hashtag fez referência ao post em que Moro usou a expressão ao replicar uma notícia dizendo que o ex-presidente havia mandado o PT desistir da CPI para investigar a relação do ex-ministro com a consultoria Alvarez & Marsal.

Fliperama

O MBL ganhou tração nas redes sociais no curso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, quando organizou manifestações pelo país. O movimento se notabilizou por uma linguagem irônica, por vezes agressiva, com expressões curtas e memes com potencial de rápida disseminação. Ontem, Moro recebeu o apoio de outro grupo envolvido nos atos a favor da saída da petista do cargo, o Vem pra Rua.

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Na esteira da disputa por ampliar seu alcance na internet, Moro também tem buscado passar uma imagem descontraída, em contraposição à postura mais rígida da época de magistrado.

No sábado, ele publicou no Instagram uma foto em que aparecia com uma roupa formal — nas agendas de pré-campanha, ele adotou como “uniforme” o uso de blazer e camisa social, sem gravata —, mas jogava em uma máquina de fliperama o game Street Fighter 2.

Na legenda, recheada de ironias, disse que “ser brasileiro é viver no modo hard” e recobrou seus “tempos de universidade, nos anos 1990, jogando num fliperama de rodoviária”. Nos comentários, foi apoiado por Kataguiri: “Desafia Lula e Bolsonaro pra um x1 valendo a Presidência”, brincou o parlamentar.

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Já na noite de segunda-feira, Moro foi o convidado do podcast Flow, que tem grande popularidade entre os jovens. Até ontem, o episódio somava mais de 1,3 milhão de visualizações.

Nas redes sociais, o bate-papo e sua repercussão foram amplamente divulgados pelo ex-juiz, com vídeos, imagens e trechos de frases ditas por ele. Mais uma vez, o MBL auxiliou compartilhando o link da transmissão ao vivo e com análise do que foi dito no canal de lives do movimento.

A guinada de postura é a aposta em um cenário desfavorável: a participação de Lula em um podcast similar, o Podpah, por exemplo, ultrapassou a casa de 8,5 milhões de visualizações desde 2 de dezembro, quando foi ao ar.

Engajamento menor

Conforme mostra levantamento da Bites, nos últimos 30 dias, o ex-ministro ganhou 17 mil novos seguidores nos seus perfis oficiais no Twitter, Instagram e Facebook.

Já o petista, acumulou 322 mil novos usuários em suas contas, e Bolsonaro, 187 mil. A análise ressalta, ainda que as bases de Bolsonaro (41 milhões) e Lula (11,6 milhões) são mais expressivas que a de Moro (6 milhões) — este recorte leva em consideração também o YouTube.


O engajamento do ex-juiz também segue distante. No mesmo período, Moro fez 300 posts e alcançou 4,5 milhões de interações (entre curtidas, compartilhamentos e comentários). Lula, por sua vez, fez 275 publicações e chegou a 8,2 milhões de interações. Bolsonaro postou 288 vezes e chegou a 29 milhões.

“Esses números mostram que Moro ainda tem uma grande estrada para pavimentar dentro das redes sociais”, afirma Manoel Fernandes, diretor da Bites.

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Moro diz que divulgará na sexta-feira valores recebidos de consultoria

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 Sergio Moro
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Sergio Moro

Em reação aos questionamentos de seus oponentes e até do Tribunal de Contas da União (TCU), o ex-ministro e pré-candidato à presidência Sergio Moro anunciou que vai divulgar na próxima sexta-feira os valores recebidos por ele pelos serviços prestados à consultoria americana Alvarez & Marsal, onde atuou após deixar o Ministério da Justiça.

De acordo com aliados, o objetivo de Moro é tentar enterrar o assunto antes que ele ganhe mais força e rebater as suspeitas levantadas a respeito da sua atuação na iniciativa privada.

Segundo pessoas próximas, Moro ficou extremamente incomodado com a decisão do TCU de abrir um processo para investigar suas relações profissionais, o que considera abusiva, e sobretudo com a ameaça de parlamentares do PT de colher assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o assunto.

Moro relatou a pessoas próximas que não quer aparentar que age a reboque da pressão. Agora, ele avaliou que o momento é mais oportuno porque a criação de uma possível CPI arrefeceu. Ainda assim, ele tem buscado reforçar que discorda da postura adotada pelo TCU.

“Não estou cedendo ao TCU, o TCU está abusando, mas eu quero ser transparente com você, com a população brasileira, como toda pessoa pública deve ser”, disse Moro, em vídeo divulgado nas suas redes sociais nesta quarta-feira.

Ontem, o procurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, propôs que o órgão obtenha informações junto ao Banco Central e ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a respeito dos honorários recebidos pelo ex-ministro. O objetivo seria verificar se houve ou não conflito de interesses no caso.

A Alvarez & Marsal administra o processo de recuperação judicial da Odebrecht, alvo da Operação Lava Jato, na qual Moro participou como magistrado. Documentos do processo mostram que o escritório no Brasil recebeu R$ 65 milhões de empresas investigadas na operação. O escritório diz que o ex-juiz não atuava em processos envolvendo essas empresas, mas o procurador argumenta que ele pode ter se beneficiado de recebimentos indiretos.

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Pessoas que aconselham Moro na área jurídica consideram que a ação do TCU não tem fundamento porque quem nomeia o administrador da recuperação judicial é o juiz responsável, a quem também cabe acompanhar e fiscalizar os serviços.

No campo político, aliados querem explorar o momento para que Moro possa se posicionar melhor sobre a o caso e ganhar visibilidade em cima disso. O deputado Bozzella (PSL-SP) diz que Moro é alvo de uma “perseguição” de parte da classe política por sua atuação como juiz federal e por apresentar uma possível ameaça aos adversários na eleição de 2022, conforme mostram pesquisas de intenção de voto, nas quais ele tem aparecido em terceiro lugar.

O parlamentar acredita que a manifestação do ex-ministro sobre a questão pode ser até positiva para ele como forma de diferenciá-lo de seus adversários.

— Como ele não tem nada para esconder, dá ainda mais força e mais condições de ele provar o que diz e mostrar quem é — afirmou Bozzella — O homem público tem que estar preparado para qualquer tipo de ataque. Então é até bom. Se continuar esse tipo de patrulhamento, dá a oportunidade de ele se expor ainda mais para a sociedade de uma forma diferente, sem prejuízo para a sua imagem.

O senador Alvaro Dias (Podemos-PR), disse que a questão dos valores recebidos por Moro e sua origem são “indiferentes”. De acordo com Dias, Moro está “seguro da lisura dos seus procedimentos”.

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Outro aliado de Moro, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) concorda que o pré-candidato deve se manifestar logo para prestar todos os esclarecimentos e evitar qualquer ruído:

— Acho positivo. Quando entramos na vida pública, tudo da nossa vida passa a ser público. E ele não precisava esperar mais à frente porque esse assunto pode render mais, então tem que matar logo na fonte. O Moro é um cara muito sério, os ataques já eram previstos. Eu faria o mesmo que ele.

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