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VÁRZEA GRANDE

Tudo pronto para a realização do Bazar do Bem

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Mais de 3.500 peças entre roupas novas e seminovas, calçados, bolsas e acessórios, doados por empresários e sociedade em geral, estarão à venda, com preços acessíveis durante o Bazar do Bem. O evento que terá toda a renda revertida para o lar dos idosos “São Vicente de Paulo” acontece nos dias 1 e 2 de dezembro, no antigo Buffet Cravo e Canela, localizado na Rua Livramento, 407, próximo a Igreja Nossa Senhora da Guia.

Essa é a primeira ação realizada pela primeira-dama de Várzea Grande, Promotora de Justiça Kika Dorilêo Baracat que criou uma rede de voluntariado que vai reforçar os programas sociais desenvolvidos no município. O Gabinete de Apoio às Ações Transformadoras – GAAT – além de dar suporte às ações elencadas pela Secretaria de Assistência Social, vai criar eventos beneficentes em prol de causas e ainda ajudar instituições.

“Lançamos a ideia do bazar e a população local abraçou essa causa, além do engajamento de personalidades políticas e empresariais que manifestaram seu apoio por meio das redes sociais, gravando vídeos destacando a ação, e também fazendo o chamamento de outras pessoas para participarem desse evento social”, destacou a primeira-dama surpreendida com adesão de várias pessoas que ajudam de forma voluntária o Bazar.

Kika Dorilêo Baracat disse que toda a população está convidada a visitar o bazar e adquirir peças lindas, e com preços acessíveis, e o mais importante, contribuir com a causa social. “Muitas instituições contam com doações voluntárias para exercerem suas atividades, por isso os eventos beneficentes são importantes para assegurar a arrecadação de recursos e garantir que o trabalho continue sendo desenvolvido sem interrupções. Esse é o nosso desejo, por isso criamos o Gabinete de Apoio às Ações Transformadoras, cujo objetivo é contribuir com as causas sociais e também ajudar as instituições ou organizações não governamentais”.

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A primeira-dama informou ainda que o Gabinete é composto exclusivamente por pessoas voluntárias às causas sociais, sem fins lucrativos e que queiram ajudar nas ações desenvolvidas pelo poder público ou eventos que tenham caráter social. “Enquanto primeira-dama estarei atuando no gabinete nos dias em que a minha agenda de trabalho, como Promotora de Justiça, permitir. A minha contribuição ao GAAT também é feita de forma voluntária”.

ATUAÇÃO: Uma das propostas do GAAT foi o de criar um espaço online – onde às pessoas voluntárias e apoiadores – pudessem acompanhar as ações sociais desenvolvidas em Várzea Grande e, ao mesmo tempo, colaborar com as causas, dando sugestões ou contribuindo com uma das ações já em curso.

O Gabinete de Apoio às Ações Transformadoras – GAAT – tem um perfil inserido na Rede Social Instagram cuja logomarca do gabinete foi elaborada pela Agência de Publicidade Company – que doou a criação da marca. “Aqueles que quiserem fazer parte desta rede de solidariedade basta seguir a página e acompanhar de perto todas as nossas ações e serviços”, convidou a primeira-dama.

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Inscrições para o curso de Microempreendedor Individual poderão ser feitas até o dia 2 de fevereiro

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A Secretária de Assistência Social, Ana Cristina Vieira, em reunião com a equipe técnica do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), resolveu ampliar o prazo de inscrições para o curso de Microempreendedor Individual que será realizado no município. O cadastro para a capacitação poderá agora ser feito até o dia 2 de fevereiro, em uma das unidades do Centro de Referência em Assistência Social – CRAS – dos bairros Cristo Rei, Santa Maria, Jardim Glória e São Mateus. Ao todo estão sendo oferecidas 260 vagas. 

“A procura pelo curso tem sido satisfatória, mas resolvemos estender o prazo para preencher as vagas existentes. O curso de Microempreendedor Individual é uma oportunidade para aqueles que pretendem se empreender no mercado de trabalho, em sua área de atuação, ou mesmo em outra que possibilite a sua independência financeira”, destacou Ana Cristina.

Ela lembrou ainda que o curso não terá nenhum custo para os alunos que irão receber todo o kit escolar, uniforme, material impresso, auxílio transporte e alimentação. Porém é necessário que o beneficiário esteja inscrito no Programa Auxilio Brasil (Bolsa Família), ser maior de idade e ter cursado o ensino fundamental. Para a efetivação da inscrição é necessária ainda a apresentação do comprovante de residência, dados bancários (cópia do cartão), certidão de nascimento, histórico escolar, RG, CPF, cartão NIS, cartão de vacinação e quitação militar (obrigatório para o sexo masculino).

A gestora disse ainda que em função da pandemia a equipe técnica da secretaria adotou algumas medidas para que o curso, que será realizado de forma presencial (sendo três encontros por semana), ocorra sem interrupção. “Todas as medidas de segurança serão adotadas, como a aferição da temperatura na entrada do local de aulas, distanciamento entre os participantes, bem como a obrigatoriedade do uso de álcool em gel e máscara de proteção”.

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Os locais que serão realizados os cursos da IFMT já foram definidos de acordo com as regiões de abrangência dos CRAS.

Na região do Cristo Rei, foram definidos três pontos de atuação: Na Escola Municipal de Educação Básica – EMEB “Antônio Joaquim de Arruda”, localizada na Rua H1, quadra 17, bairro Jardim União. Na Escola Estadual ‘José Leite de Moraes’, localizada na Rua Professora Isabel Pinto. E na Escola Estadual ‘professor José Mendes Martins’, localizada na Rua João Lopes Macedo, Jardim Maringá.  

Na região da Santa Maria, as aulas acontecem na Escola Municipal de Educação Básica Antônio Salustiano Areia, localizado na Avenida Leôncio Lopes de Miranda, na região conhecida como Capela do Piçarrão.

Na região do Jardim Glória, as aulas serão realizadas na Escola Municipal de Educação Básica ‘Nair de Oliveira Corrêa’, localizada na Rua Francisco Monteiro, Mapim.

E na região do grande São Mateus, na Escola Municipal de Educação Básica ‘Abdala José de Almeida’, localizada nas Ruas das Palmeiras, S/N, Quadra 183.

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Livro de professora da Rede Municipal de Várzea Grande é tema de reportagem do Jornal Gazeta

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O jornal A Gazeta, em sua edição de domingo, 23 de janeiro, publicou uma reportagem sobre o livro “Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios” de autoria da professora Rosana Fátima de Arruda, publicado pela Editora Carlini & Caniato. A obra recebeu recursos da Lei Aldir Blanc e foi lançado durante a realização do IV Seminário de Diversidades e Relações Étnicos-Raciais em novembro de 2021. Na reportagem, a autora conta como foi o trabalho de pesquisa ao longo de sua trajetória pedagógica na Rede Municipal de Várzea Grande que resultou na produção literária.

Segue o texto da reportagem na íntegra:

A professora Rosana Fátima de Arruda, ativista do IMUNE (Instituto de Mulheres Negras) e conselheira do Conselho Municipal Promoção de Igualdade Racial (CMPIR) de Várzea Grande, observou ao longo de mais de duas décadas de trabalho em salas de aula as mais diversas formas de desigualdade racial no ambiente escolar.

Depois de muita pesquisa lançou em 2021 o livro Educação Para as Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios. Rosana conta que, ao refletir sobre a realidade dos alunos negros, percebeu a necessidade de entender as relações sociais que estavam baseadas na cor, no fenótipo.

“Busquei em nível de pós-graduação entender o fato e o que eu poderia fazer para melhorar e o resultado de um dos estudos e ações está posto no livro”, comentou. Rosana atua como professora concursada na Rede Pública Municipal de Várzea Grande há 27 anos. Desde 2009, quando participou de um curso de formação promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), tem se dedicado às pesquisas sobre o assunto.

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Naquele ano, a professora lecionava na EMEB “Nair de Oliveira Correa”, no bairro Mappin. “E foi após assumir a coordenação pedagógica que comecei a perceber que o que acontecia com os alunos negros da minha sala se repetia em toda a escola. Os alunos negros reprovavam e eram os mais agressivos ou os mais retraídos. Ou seja, estar na coordenação me oportunizou algumas reorganizações no trabalho escolar que me consumiram a visão particularizada da sala de aula, para uma visão geral da escola”, relatou.

O envolvimento com alunos e professores possibilitou à pesquisadora fazer comparações e análises mais gerais do desempenho escolar dos alunos da escola. “Cheguei a algumas conclusões. Evasão dos alunos negros: constatei que a grande maioria tinha familiares desempregados, que nos anos finais havia mais meninas que nos anos iniciais e que a maioria dos alunos agressivos e repetentes eram negros. O histórico familiar oscilava entre morar com avós, tios, pais separados ou não, mas todos tinham a violência como algo em comum”, relatou.

Na análise da professora, os paradigmas e desafios deveriam romper com a prática do negacionismo do racismo, de que vivemos numa democracia racial, de que todos temos as mesmas oportunidades e que o sucesso é marcado pela meritocracia. “É preciso entender e compreender que o racismo (podendo ser manifestado como preconceito, discriminação direta ou indireta, ou até como injuria racial) está presente na vida cotidiana”, alerta Rosana continua: “é preciso educar o nosso olhar para identificar nas nossas relações sociais as relações conflituosas e tensas baseadas na cor e intervir.

Para essas intervenções chamamos de educação para as relações étnico-raciais. Dessa forma garantimos o direito da igualdade racial na educação, saúde, política, esporte, lazer, enfim, porém atrelado a isso, é preciso também considerar as políticas equitativas. As políticas equitativas são os programas, ações que vão dar suporte aos estudantes na correção, justiça no acesso e/ou permanência dos direitos garantido”.

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Ter o conhecimento e consciência de que o racismo é estruturante e o combate no campo educacional é a educação das relações étnico-raciais a incentivou a continuar a pesquisa. “Mobilizei a escola para propor algumas mudanças no currículo escolar, então criei um grupo de teatro que aos finais de semana eu os atendia trabalhando algumas técnicas de socialização e respeito. Convidei palestrantes, pessoas especialistas que trabalhavam no Projeto Fortalecer da Promotoria de Justiça (projeto criado para diminuir as faltas das crianças na escola) para palestrar aos pais da escola.

Ainda propus à escola uma rediscussão dos temas a ser abordado e sugeri que um bimestre fosse trabalhado a questão racial e que um dos temas da sala do professor fosse direcionado para esse foco”, contou. Segundo ela, a princípio foi bem aceita entre os professores, porém, com a proximidade do desenvolvimento do tema algumas colocações começaram a surgir: Vamos falar só sobre negros? Como valorizar e fazer as crianças se aceitarem como negras? Como enfocar o candomblé, se uma grande parcela dos alunos é cristã? Hoje o que caracteriza uma pessoa como negra: a cor da pele ou ascendência? “São questionamentos que me incomodaram e que superei com estudos, reflexões e práticas coerentes”.

Hoje já há uma grande produção de material literário e didático que dá suporte à prática pedagógica antirracista. Para tanto é preciso uma mudança do comportamento, atitude e ações do professor frente aos desafios de introduzir no curricular o ensino das influências e contribuições do povo negro e indígena em paralelo aos conhecimentos europeus já estabelecido, defendeu.

Atualmente, Rosana trabalha com formação continuada de professores na área de ciências humanas (anos iniciais e finais), tendo como temática: “BNCC e a diversidade étnicoracial”. “Desenvolvo na prática o que ensino, pois, também atuo na EJA, e diariamente trabalho com a desconstrução das relações sociais marcadas pelo racismo ao incluir na prática pedagógica a Educação das relações étnico-raciais e saberes e conhecimentos ligados a conteúdo da história e cultura afro-brasileiros, indígenas e africanos”, disse.

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O objetivo dos cursos é preparar o professor para atuar com as diferentes etnias presentes nas escolas municipais. Os professores e coordenadores têm atuado na inclusão de alunos de diferentes nacionalidades. “Posso citar a inclusão de uma estudante haitiana que foi alfabetizada numa escola do município, ela era a tradutora do português para a sua mãe. Outra experiência, foi a participação do aluno boliviano no atendimento da escola em tempo integrado (ETA), enfim, são muitos as boas práticas em educação étnico-racial e a formação é essencial”, diz.

O livro “Educação Para as Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios” contou com recursos da Lei Aldir Blanc por meio do edital Nascentes e foi distribuído em todos os estabelecimentos escolares (municipal e estadual) de Várzea Grande, às bibliotecas e universidades. O livro possui uma linguagem acessível, conceitos sobre o fenômeno do racismo, estratégias de práticas antirracistas para fazer parte do PPP e os caminhos que os municípios podem tomar para estabelecer políticas públicas e fortalecer o currículo escolar.

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