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Falas de Lula sobre Ortega incomodam, mas não devem ser entrave para alianças

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Falas de Lula sobre Ortega incomodam, mas não devem ser entrave para alianças
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Falas de Lula sobre Ortega incomodam, mas não devem ser entrave para alianças

Criticada reservadamente até por petistas, a declaração do  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a reeleição do ditador Daniel Ortega, na Nicarágua, incomodou interlocutores de outros campos políticos, mas não deve ser um entrave para aproximações com vistas à disputa eleitoral do ano que vem.

Parlamentares do PT reconhecem que a frase de Lula ao jornal espanhol “El País”, em que ele compara o tempo de permanência de Ortega no poder ao da chanceler alemã Angela Merkel, foi um “tropeço infeliz”, ainda mais diante da boa imagem deixada pelo seu giro pela Europa na semana passada.

Uma liderança de um partido que discute aliança com o PT avalia que a declaração é uma consequência do excesso de confiança motivada pelo bom desempenho nas pesquisas, mas será “irrelevante” na formação de seu palanque.

Já o entorno do ex-governador Geraldo Alckmin, que deve sair do PSDB e vem trocando gentilezas públicas com Lula, recebeu a fala do petista com espanto. Embora preguem respeito ao petista e entendam que a atuação do presidente Jair Bolsonaro leve a união mesmo daqueles que têm diferenças programáticas, aliados do ex-governador acreditam que a fala do petista foi um erro que só confirma a proximidade de gestões petistas anteriores com ditaduras de esquerda.

Alckmin tem evitado dizer se aceitaria ou não uma eventual vice de Lula, embora tenha dado sinalizações positivas em declarações públicas e inclusive chegou a agradecer a lembrança. No entanto, pessoas próximas ao ex-governador acreditam que ele esteja mais empenhado em voltar a disputar o governo de São Paulo e só aguarda a decisão das prévias tucanas para deixar o partido.

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Dentro do PT, a avaliação é que houve desgaste inicial nas redes sociais com o episódio, mas que depois foi atenuado com a divulgação do trecho completo da entrevista ao “El País”. No trecho que o partido divulgou, antes de comparar o tempo no poder de Ortega ao de Merkel, Lula faz uma ressalva que “todo político que começa a se achar imprescindível e insubstituível começa a virar um pequeno ditador”.

O ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato a presidente pelo Podemos, usou parte da declaração dada pelo petista para criticá-lo nas redes sociais.

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O cientista político Cláudio Couto, professor da FGV, afirma que a declaração de Lula sobre a Nicarágua não é um fato isolado na história do ex-presidente.

“Não chega a ser surpreendente se a gente considera as declarações históricas do próprio Lula e do PT de modo geral sobre esse tema”.

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Ao longo das últimas décadas, o PT e Lula tiveram proximidade com os regimes de Fidel Castro em Cuba e de Hugo Chávez na Venezuela. Em julho, por exemplo, o ex-presidente minimizou os protestos que aconteciam na ilha caribenha e disse que o país “poderia ser uma Holanda” se não enfrentasse o embargo econômico dos Estados Unidos.

Couto avalia que a linha adotada pode prejudicar o ex-presidente em seu embate político com o presidente Jair Bolsonaro.

“Quando tem uma liderança política que está se colocando como alternativa democrática a um líder autoritário, que é Bolsonaro, e envereda por uma ambiguidade desse tipo, isso produz desconfiança. Não porque o PT seja uma ameaça democrática, mas simbolicamente é uma situação complicada”.

O cientista político entende que o PT, para se contrapor à acusação de que apoia ditaduras, vai precisar se esforçar para mostrar que durante o período que esteve no poder não ameaçou a democracia. Ele também vê a necessidade de melhorar o discurso em relação aos regimes da Nicarágua, Venezuela e Cuba.

“Mas não acredito nessa segunda possibilidade. É um fetiche e ninguém lida muito facilmente com fetiche. Vão ficar presos a isso durante muito tempo ainda”.

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Enquanto aguarda Alckmin, Lula conversa com PSD e estuda aliança com Pacheco

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Ex-presidente Lula em entrevista ao podcast Podpah
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Ex-presidente Lula em entrevista ao podcast Podpah

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o Adalclever Lopes, coordenador da campanha do prefeito de BH, Alexandre Kalil, na sexta-feira (4). O encontro faz parte dos diálogos que o petista mantém com o partido de Kassab em busca de apoio à sua candidatura . Uma das possibilidades da aliança é que Lula apoie Kalil enquanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), entraria como vice da chapa presidencial.

Por enquanto, a única garantia do petista é o apoio do PSD em um eventual segundo turno contra Bolsonaro (PL).

Pacheco seria o plano B de Lula. O petista aguarda a decisão de Alckmin, o favorito para compor a chapa presidencial . O ainda tucano, no entanto, ainda não se decidiu se vai para o PSB para ser vice de Lula ou se disputa o governo de São Paulo pelo PSD.

Parte da cúpula do PT acredita que uma aliança com Pacheco produziria o mesmo efeito que Alckmin como vice, isto é, representaria um aceno ao centro e ao mercado.

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Moro e Leite se reúnem uma semana após tucano ser derrotado por Doria em prévias

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Sergio moro e Eduardo Leite
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Sergio moro e Eduardo Leite

pré-candidato à presidência Sergio Moro (Podemos) e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) se encontraram na manhã deste sábado (4). A reunião foi divulgada pelos dois políticos em suas redes sociais. 

“O combate às desigualdades, a retomada da economia e a importância da construção de convergências políticas para trazer o país de volta ao equilíbrio e ao bom senso estiveram na pauta”, disse o governador.

O encontro acontece uma semana após Leite perder as prévias do PSDB que escolheram o atual governador de São Paulo, João Doria, como representante do partido na disputa pela presidência da República em 2022 .

Moro, que recentemente se filiou ao Podemos, já aparece na terceira colocação nas pesquisas de intenção de voto. Na publicação em que divulga o encontro, o ex-juíz diz que é “fundamental criarmos pontes para que possamos construir o País que merecemos: longe do passado de corrupção e sem autoritarismo, inflação, pobreza e desemprego”.

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