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Sete de setembro: bolsonarismo nas PMs acende alerta para ações antidemocráticas

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Bolsonarismo nas Polícias Militares aumentou em 2021, mostra pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Governo do Estado de São Paulo

Bolsonarismo nas Polícias Militares aumentou em 2021, mostra pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Pelo menos 160 cidades do país serão palco de manifestações tanto pró-governo, quanto da oposição, neste 7 de setembro — data de comemoração da Independência do Brasil. Inflados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) — que sinalizou que deve participar dos atos de Brasília e São Paulo —  as manifestações governistas preocupam autoridades, principalmente pela alta adesão das polícias militares aos ataques feitos pelo Chefe do Executivo às instituições democráticas.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado nesta semana, o ano de 2021 revela aumento de adesão das Polícias Militares ao bolsonarismo. O  número de profissionais das forças de segurança pública interagindo em ambientes radicais de apoio ao Chefe do Executivo cresceu 24%.

“As Polícias Militares estão bastante ‘bolsonarizadas’, e isso é um problema para as instituições, já que elas param de atuar como polícia de Estado para exercerem um papel de polícia favorável a uma ideologia”, explica Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Brasília e São Paulo são os palcos de protestos que mais preocupam. Caravanas de policiais militares de diversos estados partiram rumo à capital federal.  Nas redes sociais, há intensa movimentação de apoiadores de Bolsonaro para divulgar as viagens. Os anúncios são compartilhados em grupos de Whatsapp, Telegram e em comunidades do Facebook.

Em São Paulo, o comandante da Polícia Militar e chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, coronel Aleksander Lacerda,  foi afastado por ato de indisciplina, após publicar, em suas redes sociais, mensagens de convocação para a manifestação bolsonarista que ocorrerá no dia 07 de setembro.  Além disso, a capital paulista terá atos pró e contra Bolsonaro a uma distância de menos de 4 km.

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Segundo Rafael Alcadipani, as polícias militares mostram maior alinhamento às ideias radicais de Bolsonaro do que as polícias Civil e Federal. O especialista aponta haver hipótese de ataques às instituições por membros da Segurança Pública, mas não de forma organizada.

“Não acredito na incidência de um movimento transloucado, institucional e organizado atentar contra a ordem democrática apenas para defender Bolsonaro. Dito isso, acredito que, sim, há possibilidade de alguns elementos mais radicalizados dessas PMS tentarem cometer alguma ação de lobo solitário, como um ataque a um ministro do Supremo ou utilização de violência durante essas manifestações. Também há um risco de que a polícia tenha dois pesos e duas medidas: que ela seja mais agressiva contra as manifestações de oposição do que caso haja quebra da ordem pelas manifestações da direita.”

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Ricardo Prado, ex-promotor de Justiça, professor de Direito Penal e presidente do Movimento do Ministério Público Democrático (MPD), lembra que a Constituição assegura a liberdade de consciência e de crença, todavia, “estabelece que configura crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”.

“Militares e policiais não são cidadãos comuns, eles exercem a importante função de garantir a segurança pública e, exatamente por isso, possuem limitações inerentes a seus cargos. Não podem fazer greve, nem exercer atividade política (para isso precisam se afastar das funções)”, explica.

“Os policiais e militares que se envolverem em ações ilegais contra o Estado são passíveis de demissão do serviço público. Espero que todos cumpram a lei e evitem problemas para si mesmos.”

Governo de SP promete punição “rigorosa” a PMs insurgentes

Após o afastamento do comandante da PM Aleksander Lacerda, o governador João Doria (PSDB) determinou que todos os manifestantes que forem às ruas no feriado de 7 de setembro sejam revistados, inclusive os policiais — da ativa ou reformados.

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“A Polícia Militar recebeu a orientação para que todos, sem exceção, com mochilas, com bolsas, com bolsos, serão revistados. Em hipótese nenhuma será permitido qualquer tipo de armamento em poder de quem quer que seja, mesmo que sejam policiais aposentados. Se forem, serão convidados a se retirar e não participarão da manifestação”, afirmou.

Para o especialista em Segurança Pública Rafael Alcadipani, é boa a ideia de revistar policiais e manifestantes, mas não pode ser a única medida preventiva.

“A Constituição garante que as manifestações sejam feitas sem a utilização de armas, mas isso não é sempre 100% garantido que vá funcionar. É uma medida, mas é difícil garantir que todas as pessoas vão de fato ser revistadas. É uma boa medida, mas não pode ser a única. É preciso vigiar os extremistas de forma que se atente de forma clara e objetiva para que não tentem fazer nada que fuja das normas da corporação.”

Procurada pelo iG , a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que eventuais descumprimentos das normas serão apuradas e punidas.

“Os integrantes da Polícia Militar do Estado de São Paulo, compromissados com os valores e deveres da instituição e respeito às leis, são responsáveis pelos seus atos e opiniões quando deles se afastam. Os policiais militares da ativa, conforme a legislação, são proibidos de participar de eventos de caráter político-partidário. Toda e qualquer denúncia de descumprimento das normas vigentes são rigorosamente apuradas e punidas, se confirmadas. As forças policiais atuam diuturnamente para garantir os direitos e a segurança de todos.”

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POLÍTICA NACIONAL

‘É preciso furar a bolha da esquerda e da direita e chegar ao povo’, diz Tabata

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Tabata Amaral
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Tabata Amaral




Após deixar o PDT de Ciro Gomes sob a acusação de trair as orientações do partido e c om trocas de ataques públicos,  a deputada Tabata Amaral anunciou na última semana sua filiação ao PSB. A paulistana chega à sigla em meio a um racha entre integrantes que apoiam aliança com o ex-presidente Lula (PT) nas próximas eleições e outros que defendem seguir com o pedetista. Em entrevista ao GLOBO, Tabata diz que é necessário construir uma alternativa “que fure a polarização entre Lula e Bolsonaro”, cita os nomes dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e do governador Eduardo Leite (PSDB) como capazes de assumir uma terceira via, e critica a crise causada pelo presidente Jair Bolsonaro e o Poder Judiciário: “Ele é criminoso. Se impeachment fosse apenas uma questão jurídica, ele deveria estar preso”.

Após saída conturbada do PDT por ter votado a favor da reforma da Previdência, a senhora anunciou a filiação ao PSB. Por que escolheu a legenda?

Foi um conjunto de fatores. O PSB é um partido que sempre foi progressista, que tem clareza do seu papel na atual conjuntura do país, com esse governo autoritário, criminoso e corrupto. Nesse momento de ataques não dá para ficar em dúvida, não dá para ter movimento dúbio. Essa clareza foi importante na minha decisão. Além disso, o partido passa por uma autorreforma e se mostra aberto ao diálogo. Eu tive uma experiência no PDT com autoritarismo e machismo, que impera nos partidos. O PSB está aberto a formação de novas lideranças. Recebeu recentemente a filiação do Flávio Dino (governador do Maranhão), do Freixo (deputado federal) e mais de cem lideranças.

Terá carta branca para votar contra o partido? Assim como a senhora, outros parlamentares foram punidos pelo PDT e pelo próprio PSB. Esse ponto chegou a ser negociado?

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A reforma da Previdência foi amplamente discutida, tanto na Câmara quanto internamente no partido. Na minha defesa no TSE após sair do PDT, eu não questionei a importância da fidelidade partidária. Eu questionei o machismo e o autoritarismo que guiou lideranças do PDT no meu caso. Foi uma decisão desigual, arbitrária e sem justificativa. Foi algo pessoal, sem razão de ser. E isso está no voto dos ministros.


A senhora será independente?

O que me dá segurança é saber que o partido não tem dono. Cabe mais do que os mandos e desmandos de uma pessoa. Tenho a compreensão de que o PSB está aberto ao diálogo, ao debate e as diferentes posições. Vou poder participar das discussões em comissões, das bancadas.

Integrantes do PSB, entre eles o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, trabalham para que o partido apoie o ex-presidente Lula nas próximas eleições. Defende um acordo entre PSB e PT ?

Minha primeira batalha é contra o governo Bolsonaro, com seu autoritarismo, incompetência e desmandos. Trabalho para que a sociedade tenha uma alternativa viável. Meu maior medo é de que as pessoas cheguem nas urnas e votem em A para não votar B, sem discutir meio ambiente, caminhos para superar a crise política, econômica, social, o alta desemprego. O mais importante é dizer o que queremos para o Brasil para furar essa polarização, para que a gente não repita as últimas eleições, com Aécio e Dilma, Bolsonaro e Haddad, e agora Bolsonaro e Lula. Não acho que seja o momento de se discutir nomes.

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Há alas do seu novo partido que defendem apoiar o candidato do PDT Ciro Gomes, que te criticou duramente após a senhora votar a favor da reforma da Previdência, em prol de uma terceira via entre Lula e Bolsonaro. Como vê essa possibilidade?

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Independentemente do nome, meu compromisso será com a democracia, com um projeto que discuta o Brasil, que aponte caminhos. Se esse projeto será com PT ou PDT, não posso dizer. Uma das coisas que me alegra no PSB é saber que o partido tem pessoas capazes de discutir um projeto de país.

A senhora fala na necessidade de uma candidatura capaz de “furar a bolha da polarização”. Quais nomes seriam capazes de ocupar esse espaço?

Eu venho de uma família que nunca discutiu política. Moramos numa comunidade em que a velha política impera. Não há uma discussão diária sobre política. Em Brasília só se fala de política, todos os dias. Na comunidade só se fala do atual desemprego, do preços dos alimentos, da energia elétrica. O tema da eleição não é uma prioridade para a população. Ainda temos tempo de sobra de encontrar um nome capaz de ocupar esse espaço. Tenho admiração pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e pelo governador Eduardo Leite (PSDB). Apesar disso, esse é o momento deles dizerem ao que vieram, dialogarem e apresentarem o que pensam sobre o Brasil. Quando as conversas forem avançando, vamos ver qual será o melhor projeto.

Como construir consenso em torno de uma pessoa, em meio a tantos nomes postos: Ciro, Mandetta, Doria…

Disputas partidárias e ideológicas ficam pequenas diante do atual governo. É preciso que os partidos do campo democrática conversem.

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As manifestações convocadas pelo MBL, Vem Pra Rua e Livres contra Bolsonaro, que a senhora participou, teve menos adesão do que os atos pró governo. É possível unir a esquerda à centro-direita nas ruas?

Na última manifestação foi a primeira vez que vi pessoas da comunidade dizendo que queriam ir para a rua se manifestar contra Bolsonaro. As pessoas estão vendo o desemprego, a inflação e os crimes do presidente. O impeachment está em pauta. A manifestação do ex-presidente Temer não teria acontecido se o impeachment não estivesse pautado. Trabalho para que tenhamos a pressão das pessoas nas ruas. Para eles é fácil fazer um acordão em Brasília para que o governo se arrasta até o fim do mandato, mas um ano é muito tempo para quem está desempregado. Impeachment é processo político, não adianta hashtags. Precisa furar a bolha da esquerda e da direita. Precisa chegar ao povo. Perdi a conta dos crimes de responsabilidade que Bolsonaro cometeu. Se impeachment fosse apenas uma questão jurídica, ele deveria estar preso. Ele é criminoso, responsável por mortes que não deveriam ter acontecido por Covid-19, diz que não vai cumprir ordem judicial… É um governo incompetente, criminoso e corrupto.

A senhora é criticada tanto pela esquerda quanto pela direita. Como a sua filiação foi recebida no PSB?

A repercussão foi positiva tanto no partido quanto nas redes sociais. Eu tenho que me incomodar quando as pessoas não reclamarem mais. O único caminho que temos é construir um projeto que melhore a vida de todos. Defendo a igualdade, por meio da responsabilidade fiscal e social. Nunca vi um país se desenvolver sem um estado eficiente. Quando falo de combate a corrupção, desigualdade, isso incomoda as pessoas, mas sigo no meu posicionamento.

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“Queiroga é um fracasso, um Pazuello de jaleco”, diz Renan Calheiros

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Renan Calheiros
Divulgação/Agência Senado/Pedro França

Renan Calheiros


Senador e relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga é “um fracasso, um Pazuello de jaleco”, em alusão ao ex-titular da pasta, que, diferente de Queiroga, não é médico.

As críticas ao atual ministro da Saúde foi pela recomendação de não vacinar adolescentes , sem comorbidades, de 12 a 17 anos. “Interromper a vacinação de adolescentes com argumentos mentirosos é confissão de crime do Bolsonaro. Como sempre disse: Queiroga é também um fracasso, um Pazuello de jaleco”, disse o parlamentar em seu Twitter. 



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Atuação

Um dos senadores mais atuantes na CPI da Covid, Renan tem sido um duro crítico do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Nesta sexta-feira (17), Renan disse que poderá concluir que houve o crime de genocídio contra a população de Manaus no começo deste ano .


A capital do Amazonas foi a primeira grande cidade brasileira a ser atingida pela segunda onda da pandemia e sofreu com a falta de oxigênio, enquanto o governo federal tomava medidas para promover o tratamento precoce com remédios sem eficácia comprovada.

Ele também voltou a dizer que o documento poderá incluir o crime de genocídio contra a população indígena. Documentos do Ministério da Saúde em posse da CPI mostram que houve a distribuição de cloroquina, ineficaz no combate à Covid-19, em aldeias indígenas. Outro relatório da pasta apontou que o esforço de vacinação na população indígena foi atrapalhado pela atuação de líderes religiosos e pela disseminação de “fake news”, como por exemplo a informação falsa de que a imunização transformaria gente em jacaré.

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