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POLÍTICA NACIONAL

Rapaz escolhe Sarney como tema de festa de aniversário e ganha vídeo do político

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André posa para foto no aniversario de 16 anos, onde homenageou o ex-presidente Jose Sarney
Arquivo pessoal

André posa para foto no aniversario de 16 anos, onde homenageou o ex-presidente Jose Sarney

Ao completar 16 anos, auge da adolescência, jovens, em sua maioria, costumam escolher temas para as festas de aniversário relacionadas a heróis de quadrinho, time de futebol do coração ou filme predileto. Mas André Junji, morador de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, preferiu homenagear o ídolo, o ex-presidente José Sarney.

O adolescente, que se considera um direitista, pretende fazer faculdade de veterinária, “mas quem sabe” no futuro ser político. Ele conta que mantém admiração pelo primeiro presidente pós ditadura militar desde a infância:

“Desde pequeno eu sempre gostei muito do Sarney, sempre fiquei com o nome dele na cabeça, e fui me interessando sobre ele, procurando, lendo seus livros e assim foi crescendo cada vez mais a admiração”, conta. 

“O estrategista que ele é, de conseguir sempre estar alinhado ao governo, independente de ser de direita ou de esquerda, ele está em todas”, completa, explicando o motivo da admiração.

Interessado por política, diz que o atual governo do presidente Bolsonaro (sem partido) “não anda lá essas coisas”, e opina: “O (governo) do Sarney dá de 10 a zero”.

A história de André chegou até Sarney gracas a irmã, Paloma Peres, que publicou a história do irmão em um grupo no Facebook de quase 200 mil pessoas. A publicação viralizou, e teve mais de 3 mil curtidas e dois mil comentários.

“Eu tive a ideia de postar em um grupo do Facebook, porque eu sabia que tinha muita gente. Era impossível, mas não custava perguntar. No mesmo dia eu consegui. Eu postei de manhã, e a noite o sobrinho dele (do José Sarney) me chamou falando que ele iria gravar, então foi muito rápido”, revela.

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No dia da festa de 16 anos, no último domingo (6), que teve como decoração banner personalizado, de André ao lado do político maranhense, além de bolo com a foto de Sarney, e outros apetrechos em verde e amarelo, que remetem a um comício eleitoral nacionalista, o jovem recebeu o tão desejado recado do ídolo.

Tema da festa de aniversario de André foi o ex-presidente Jose Sarney
Arquivo pessoal

Tema da festa de aniversario de André foi o ex-presidente Jose Sarney

André recebeu três livros autografados, além de uma carta assinada, onde Sarney lhe parabeniza pela data. Contudo, o principal presente foi a gravação de um vídeo , onde Sarney discursa e agradece o carinho do fã mirim.

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“André, seja muito feliz, felicidades que eu quero estender a todos os seus pais, família e amigos, vou rezar por você, fazer preces para que você realiza a carreira de um grande homem(..) Lembre-se que o Sarney lhe desejou felicidade e quer que você seja presidente da república para governar para o povo brasileiro”.

O adolescente, que assistiu atônito ao video de cerca de 4 minutos, conseguido pela irmã, conta que achava ‘impossível’ conseguir algo parecido com o que recebeu:

“Foi bacana, eu não esperava, foi um presente bem bacana, é o Sarney, querendo ou não é uma admiração grande, mas distante, que a gente pensa que não vai conseguir falar com a pessoa nunca, que é tipo conversar com o Papa, uma coisa quase que impossível”, diz.

Afastado da vida pública desde 2014, quando não tentou a reeleição para o Senado Federal, José Sarney, que já passou pelos governos do Amapá e Maranhão, e está envolvido na cena politica do país há mais de meio seculo, já teve o nome envolvido em esquemas de corrupção e atos controversos.

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Durante o período de ditadura militar, presidiu a Arena, partido governista do regime ditatorial. Durante a carreira, foi alvo de diversas investigações de esquemas de corrupção, tendo inclusive seu nome citado em delações da Operação Lava Jato em 2016.

Questionado sobre o que achava de uma eventual volta  de Sarney ao jogo político, André diz ser contra, e cita a idade, 91 anos, como um dos empecilhos:

“Não, primeiro eu acho que ele não voltaria por conta da idade avançada dele, acho que não tem mais capacidade de ficar viajando do Maranhão para Brasília toda semana, e realmente, uma figura muito contraditória, que em 2015 renunciou ao cargo de senador por saber que não iria conseguir se reeleger de novo, ele iria passar vergonha nas urnas”

Quando questionado sobre o que pensava das críticas acerca do seu ídolo contraditório, foi sucinto, e em tom ‘politico’, disse ser “chatice da oposição”.  

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Moraes pede que PF retome investigação sobre possível interferência de Bolsonaro

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Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Nelson Jr./SCO/STF

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira que a Polícia Federal retome as investigações do  inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na autonomia da Polícia Federal.

“Considerada a  prorrogação de prazo para o término do presente inquérito, por mais 90 (noventa) dias, contados a partir do dia 27/7/2021 e a necessidade de realização de diligências pendentes para o prosseguimento das investigações, não se justifica a manutenção da suspensão da tramitação determinada pelo então relator em exercício, Min. MARCO AURÉLIO, em 17/9/2020″, disse o ministro no despacho.

Por isso, Moraes determinou a imediata retomada da regular tramitação do inquérito, independentemente do julgamento do recurso de Bolsonaro sobre o formato do depoimento que prestará à PF — se por escrito ou presencialmente.  O julgamento do recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União, está marcado para o próximo dia 29 de setembro. 

A AGU defende que o presidente tem a prerrogativa de prestar depoimento por escrito. O antigo relator do caso, ministro Celso de Mello, porém, já havia votado a favor do depoimento presencial de Bolsonaro.

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Bolsonaro tem direito a não prestar depoimento, mas decisões anteriores dos ministros Celso de Mello e Alexandre de Moraes determinaram que, caso ocorra, a oitiva tem de ser presencial. Em novembro, o presidente afirmou ao STF abrir mão do seu depoimento caso ele não aconteça por escrito. Moraes assumiu a relatoria do caso após a aposentadoria de Celso de Mello.

No último dia 20, o ministro Alexandre de Moraes  prorrogou o inquérito por mais 90 dias tendo em vista a necessidade de prosseguimento das investigações. No dia 14, o relator determinou que as investigações continuem a ser conduzidas pelo delegado Felipe Leal, ex-chefe do Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq), grupo responsável por investigar autoridades com foro privilegiado.

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Relembre o caso

Em abril de 2020, quando deixou o cargo, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro disse que Bolsonaro interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral da corporação, Mauricio Valeixo, indicado pelo ex-ministro. O presidente nega ter interferido na Polícia Federal.

O ex-ministro chegou a relatar a conversa que teve com Bolsonaro sobre a demissão do diretor, e disse que o presidente deixou claro que gostaria de fazer uma interferência política no órgão.

“O presidente queria uma pessoa que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações de inteligência, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar essas informações”, disse Moro. “O presidente também informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal e que a troca seria oportuna nesse sentido. Também não é uma razão que justifique, pelo contrário até gera preocupação”, ressaltou, à época.

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Bolsonaro contradiz seu discurso como candidato, diz ACM Neto

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ACM Neto, presidente do DEM
Agência Brasil

ACM Neto, presidente do DEM

Ao analisar a nomeação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, o presidente do partido DEM, ACM Neto, avalia que “é óbvia a contradição” entre o discurso de Jair Bolsonaro quando era candidato em 2018 e a postura que tem adotado como presidente da República.

“Houve no passado todo um discurso condenando partidos que, neste momento, se tornam essenciais para a sustentação do governo. Ele se rendeu ao pragmatismo político”, afirma Neto ao GLOBO .

Para o dirigente do DEM, Bolsonaro decidiu reforçar a sua aliança com o Centrão para “criar bases para o projeto de reeleição em 2022”. Cortejado por pré-candidatos a presidente, Neto diz que a prioridade da legenda neste momento é construir uma candidatura própria. Segundo ele, há dois nomes que despontam como opções no DEM: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o senhor avalia a caminhada de Bolsonaro cada vez mais rumo ao Centrão, grupo político que ele criticava duramente antes de se eleger?

É óbvio que há uma contradição do discurso do candidato de 2018 e a prática do presidente hoje. E o que justifica isso é o pragmatismo político que o presidente vem adotando nas suas decisões. Não há como não se evidenciar essa contradição entre discurso e prática. Eu, ACM Neto, nunca tratei nenhum partido com preconceito. Por que fica evidente a contradição do presidente? Porque houve no passado todo um discurso condenando partidos que, neste momento, se tornam essenciais para a sustentação do governo. Ele se rendeu ao pragmatismo político. E qual o objetivo desse pragmatismo político de Bolsonaro?

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(Risos) Desde manter uma maioria sólida no Congresso até criar bases para o projeto de reeleição em 2022. O DEM descarta apoiar Bolsonaro em 2022?

Não tenho que descartar. Qualquer resposta minha tem que traduzir a maioria do partido. Começamos a discutir 2022, analisar pesquisas, avaliar a situação de cada estado. O DEM tem como prioridade tentar construir candidatura própria a presidente. Temos dois nomes que reúnem as melhores condições: Mandetta e Rodrigo Pacheco. Estamos dialogando com um conjunto de partidos sobre a possibilidade de construir um projeto comum. Será natural que até o fim do ano ainda tenhamos muitos nomes lembrados no tabuleiro. Vamos avaliar se é possível ou não construir articulação política mais ampla. A decisão desses partidos (da chamada terceira via) só deverá ser tomada em 2022. O senhor acredita, então, na quebra da polarização entre Lula e Bolsonaro?

Para mim, o jogo não está jogado. As pesquisas de agora retratam mais o passado que o futuro. É natural que, faltando muito tempo para a eleição, as duas figuras com maior recall (mais conhecidas) pontuem na liderança das pesquisas. Chegará um momento em que o eleitor vai começar a se ligar no processo eleitoral. Quando entrar na agenda, vai parar e observar as outras opções colocadas. O senhor pontuou diferenças em relação a Lula e Bolsonaro. Na sua opinião, qual foi o principal erro de Lula?

Teríamos que conversar uma tarde inteira sobre isso. Não enxergo apenas defeitos, mas, honestamente, acho que Lula, com virtudes e defeitos, faz parte de um Brasil que passou. E qual foi o principal erro de Bolsonaro?

O maior erro do governo tem sido a condução da pandemia. Acho que o governo errou muito mais do que acertou. Desde uma postura de negação logo no início da Covid-19, passando por uma falta de articulação com estados e municípios para que houvesse enfrentamento conjunto desse terrível inimigo e chegando à falta de planejamento para vacinação. O presidente Jair Bolsonaro afirmou que ‘o povo vai reagir’ se não for instaurado o voto impresso na eleição do ano que vem. Qual a sua opinião sobre essa ameaça?

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Entendo que o sistema brasileiro com a urna eletrônica é um dos mais avançados do mundo. Não existe evidência concreta de fraude nas eleições. Nenhuma. Hoje, essa discussão transcende o debate partidário ou a disputa política. O que está em jogo é a defesa da democracia em si. A insegurança que poderíamos viver a partir de uma dúvida sobre o sistema eleitoral é algo que não contribui em nada com o país neste momento. O sistema atual já é auditável. Os candidatos e partidos precisam se organizar para acompanhar melhor cada passo desse processo. O senhor teme que, em caso de derrota, Bolsonaro possa alegar que houve fraude?

Espero que não. Espero que o discurso dele seja resultado de uma convicção como muitos brasileiros têm, mas que, a meu ver, é equivocada. Não acredito que o presidente queira dar um golpe. A democracia brasileira passou por testes muito duros nos últimos anos como o impeachment da Dilma (Rousseff), turbulências no governo Temer, processo eleitoral atípico em 2018, Lava-Jato…E as instituições estão fortes. Graças a Deus, temos uma imprensa livre e que cumpre seu papel. Temos uma sociedade muito consciente. Não vejo nenhum risco à democracia ou de quebra institucional.

Qual o seu projeto político pessoal para o ano que vem?

Só tenho em mente uma alternativa: me preparar para disputar o governo da Bahia. Meu desejo é ser governador. Na Bahia tenho um conjunto de partidos que me acompanham desde 2012, quando me elegi prefeito. E ampliei isso em 2016 e em 2020 com a eleição do atual prefeito, Bruno (Reis). Na Bahia, temos quadro de polarização com o PT e parceria com PSDB, Republicanos, PSL , PL e PDT.

Há chance de o DEM se fundir com PP e PSL para a criação de um ‘superpartido’?

Essa não é uma discussão no DEM. Nosso foco no momento é ter um bom desempenho na eleição do próximo ano ampliando a bancada na Câmara e no Senado, o número de governadores e, a depender, com consolidação de candidatura à presidência. O que surgiu em relação ao ‘superpartido’ é fruto de especulação.

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