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POLÍTICA NACIONAL

Moraes prorroga inquérito que apura se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal

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Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Rosinei Coutinho/SCO/STF

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu (23), nesta sexta-feira, prorrogar por mais 90 dias o inquérito que apura suposta interferência indevida do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal , aberto após acusação do ex-ministro Sergio Moro de que o presidente pressionou pela troca do superintendente do Rio de Janeiro.

A investigação, entretanto, está paralisada até que o STF finalize o julgamento sobre o formato do depoimento do presidente. O antigo relator do caso, o ministro Celso de Mello , votou para que Bolsonaro tenha que prestar depoimento pessoalmente, mas a defesa do presidente pediu dispensa do depoimento e argumentou que ele poderia ser por escrito. O julgamento foi adiado e nunca mais foi retomado.

Como será necessário realizar diligências ainda dentro do inquérito, Moraes despachou pela prorrogação. “Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações, a partir do encerramento do julgamento do agravo regimental iniciado pelo plenário em 8/10/2020, bem como a proximidade do recesso, nos termos previstos no art. 10 do Código de Processo Penal, prorrogo por mais 90 dias”, escreveu.

O depoimento do presidente deve ser uma das últimas diligências do caso. Depois disso, a PF deve finalizar o relatório que apontará se Bolsonaro cometeu algum crime ou se não há indícios de crime. Investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) consideravam que já havia indícios suficientes para caracterizar o crime de advocacia administrativa, que é o patrocínio de interesses privados dentro da administração pública.

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Acusação de Moro

Na época dos fatos, em maio do ano passado, Bolsonaro decidiu demitir o diretor-geral da PF Maurício Valeixo, homem de confiança de Moro, e afirmou em mensagem que um dos motivos para a troca era o fato de as investigações do inquérito das fake news estarem chegando a bolsonaristas. Por não aceitar a demissão do aliado, Moro decidiu pedir exoneração do cargo de ministro da Justiça e rompeu com Bolsonaro na ocasião.

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Em seguida, Bolsonaro nomeou o delegado Alexandre Ramagem para comandar a PF, mas sua posse foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou possível desvio de finalidade, porque Ramagem tinha relação de proximidade com o presidente e com seus filhos. Com isso, o presidente nomeou Rolando Alexandre de Souza para o comando da PF.

No início deste mês, o governo fez nova troca do comando da PF e nomeou o delegado Paulo Maiurino para chefiar a corporação. Após sua nomeação, a gestão de Maiurino substituiu o delegado que chefiava o setor de inquéritos contra políticos, Felipe Leal, após ele ter feito um ofício que apontou ilegalidades na utilização das mensagens de procuradores da Lava-Jato obtidas por meio de um ataque hacker.

Maiurino também trocou o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, que enviou uma notícia-crime ao STF contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles acusando-o de obstruir investigações contra madeireiros. Essas mudanças feitas pelo novo diretor-geral da PF acabaram provocando mal-estar dentro da corporação.

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Bolsonaro chama CPI de vexame e diz que ministros farão vídeo sobre cloroquina

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Bolsonaro em conversa com apoiadores no Palácio do Alvorada
Facebook Reprodução

Bolsonaro em conversa com apoiadores no Palácio do Alvorada

Jair Bolsonaro disse, neste sábado (8), em conversa com apoiadores no Palácio do Alvorada, que a  CPI da Covid é um “vexame” porque “só se fala em cloroquina”. O presidente disse, ainda, que fará um vídeo com 22 ministros para dizer quais deles tomaram o remédio —  comprovadamente ineficaz para tratar a doença causada pelo Sars-Cov-2.

“O cara que é contra [a cloroquina] e não dá alternativas. Tenho certeza que alguém aqui tomou hidroxicloroquina“, disse.

“A gente vai fazer um vídeo nesta semana, os 22 ministros. Todos aqueles que tomaram hidroxicloroquina vão falar: eu tomei. É a alternativa no momento. ‘Ah, não tem comprovação científica’. Mas não tem cientificamente dizendo o contrário também“, continuou. (Veja o vídeo abaixo).

O chefe de estado também disse que as mortes que envolveram o uso de cloroquina em Manaus se deram por conta de superdosagem. “Qualquer remédio se tomar em excesso pode entrar em óbito”, afirmou.

Bolsonaro também votou a colocar em dúvida o número de mortos por Covid-19 no Brasil. “Tudo é suspeita de covid.”

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“Meus pais sempre se amaram”: filha defende Flordelis e chama irmãos de ingratos

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Filha adotiva defendeu a parlamentar durante depoimento nesta semana
Câmara dos Deputados

Filha adotiva defendeu a parlamentar durante depoimento nesta semana

Os deputados do Conselho de Ética e de Decoro Parlamentar da Câmara ouviram nesta última quinta-feira (6) o depoimento de Érika Dias, filha adotiva da  deputada Flordelis (PSD-RJ), convidada a depor como testemunha de defesa da mãe, que é acusada de ser a mandante do assassinato o marido, o pastor Anderson Carmo, morto a tiros em junho de 2019, em Niterói.

Érika afirmou que Flordelis tinha uma boa relação com o pastor e disse não ter conhecimento sobre o plano de assassiná-lo ou sobre as denúncias de abuso feitas por suas irmãs. Ela negou ainda que tenham ocorrido desavenças ou tratamento diferenciado entre os irmãos e se queixou das ações policiais e do tratamento da mídia e das redes sociais em relação ao caso.

Sem violência

“Meus pais sempre se amaram. Nunca presenciei nenhum tipo de violência ou desrespeito. Meu pai sempre amou minha mãe, e minha mãe sempre amou meu pai. Nunca vi briga dos meus pais chegar às vias de fato. Foram discussões de casal”, declarou Érika.

A filha também afirmou que a deputada é uma pessoa muito humilde, “nunca foi de ter luxos ou de gastou além da conta”. Além disso, afirmou que quem comprava as roupas para a mãe era Anderson. Sobre a relação com Flordelis, ressaltou que ambas ficaram mais próximas após a prisão dos irmãos : “eu era uma filha um pouco distante por trabalhar muito, e estudar todo fim de semana”.

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Plano de assassinato

Érika  disse não ter tido conhecimento sobre um plano de seus irmãos para matar o pastor e também afirmou desconhecer uma tentativa anterior de envenenamento. “Ele tinha problema estomacal e chegou a emagrecer muito. Não gostava de ir ao médico”, disse.

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A depoente insinuou que os irmãos que depuseram contra sua mãe estão trabalhando na Prefeitura de São Gonçalo por indicação do filho adotivo da deputada, Misael , que era vereador no município. “Acho uma ingratidão. Na minha opinião como civil, já condenaram ela.”

Ao revelar que já trabalhou como secretária da igreja dos pais, declarou que todas as doações e ofertas iam direto para conta bancária e não eram guardadas em um cofre. Ainda segundo ela, o pastor Anderson não andava com uma mochila com dinheiro da igreja. Em uma das versões sobre o crime, esse dinheiro teria sido roubado para pagar pelo assassinato do pastor.

Críticas ao trabalho da polícia e da imprensa

Érika denunciou as ações da polícia em sua casa por apreenderem aparelhos sem mandado: “teve um policial que quase me prendeu por desacato. Um dos policiais meteu a mão dentro da minha mochila e pegou meu tablet bem na semana de prova na faculdade. Não apresentou mandado. Eu me senti muito desrespeitada como cidadã, como pessoa. Arrombaram a porta. Parecia casa de bandido. Pago meus impostos, quero ser tratada com respeito”.

A testemunha também lamentou o tratamento da mídia e relatou que um blogueiro chegou a entrar em sua casa sem se identificar. Segundo ela, o homem tirou fotos, interrogou as crianças e entrou no quarto de Flordelis .: “Eles fazem acusações, querem publicar matérias tendenciosas. Estão ganhando seguidores às custas da minha família e às custas do caso”.

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