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POLÍTICA NACIONAL

MP diz que família de miliciano repassou salário de gabinete de Flávio a Queiroz

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Flávio Bolsonaro (à esquerda) e Fabrício Queiroz (à direita) arrow-options
Reprodução/Instagram

Fabrício Queiroz era motorista do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) afirmou, no pedido de busca e apreensão que teve como alvos o senador Flávio Bolsonaro (sem partido/RJ) e funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que a família do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, transferiu para o ex-assessor Fabrício Queiroz quase 20% (cerca de R$ 203 mil) dos salários recebidos no gabinete do então deputado estadual.

O MP argumenta que familiares de Adriano, ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) faziam parte de um  esquema de “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro , e que o próprio miliciano também tirava proveito dos recursos.

Danielle Mendonça da Costa e Raimunda Veras Magalhães, respectivamente esposa e mãe de Adriano da Nóbrega, receberam um total de R$ 1,029 milhão em salários na Alerj, segundo a investigação. Deste montante, o total repassado por Danielle e Raimunda “direta ou indiretamente” para a conta bancária de Queiroz chegou a R$ 203.002,57, o equivalente a 19,7% dos salários, de acordo com o MP.

A investigação também aponta que Danielle Mendonça e Raimunda Magalhães sacaram em espécie R$ 202.184,64 no período analisado. Danielle esteve lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj de setembro de 2007 a novembro de 2018. Raimunda, por sua vez, ficou nomeada entre maio de 2016 e novembro de 2018. O MP argumenta que há indícios de que os familiares de Adriano da Nóbrega não prestavam serviços de fato, figurando como funcionários fantasmas no gabinete.

Um dos indícios apresentados pelo MP são trocas de mensagens entre Queiroz e Danielle Mendonça, em maio e dezembro de 2017, nas quais o ex-assessor tenta marcar um encontro fora da Alerj para entregar os contracheques da mulher de Adriano da Nóbrega e pede que ela informe os valores exatos depositados em sua conta bancária, a fim de “prestar contas”. Para os investigadores, os diálogos apontam a existência de uma “rachadinha” – isto é, uma prática ilícita na qual parte dos salários é devolvida pelos funcionários.

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Para o MP, a nomeação de parentes de Adriano da Nóbrega para o gabinete de Flávio acabou “transferindo, assim, ainda que indiretamente, recursos públicos para o acusado de integrar milícia , por intermédio de seus familiares que figuravam como ‘funcionários fantasmas’ na Alerj”.

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‘Contava com o que vinha do seu’

Diálogos obtidos pelos investigadores no celular de Danielle Mendonça, um dos alvos da Operação Os Intocáveis em julho deste ano, indicam que o miliciano Adriano da Nóbrega tinha conhecimento dos repasses de salários recebidos no gabinete de Flávio Bolsonaro e também contava com os recursos.

Em conversa com Adriano em dezembro de 2018, obtida pela investigação, Danielle relata que “o amigo” – uma referência, segundo o MP, a Fabrício Queiroz  – havia comunicado sua exoneração do gabinete de Flávio, ocorrida no mês anterior. Adriano responde, nos diálogos seguintes, que tentaria rever outras formas de auxílio financeiro à mulher. Em outra conversa, no início de janeiro de 2019, Danielle volta a reclamar da falta do salário na Alerj, e o miliciano também lamenta: “Não foi culpa minha, né. Conta com o que vinha do seu tmbm (também)”.

Para o MP, além dos diálogos reveleram que Adriano da Nóbrega também tirava proveito dos recursos advindos do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, a troca de mensagens mostra que o miliciano tentou obstruir as investigações sobre as “rachadinhas” no gabinete de Flávio ao orientar a mulher a não comparecer aos depoimentos marcados pelo Ministério Público. Após as suspeitas envolvendo Queiroz e o gabinete de Flávio virem à tona, em dezembro do ano passado, o MP enviou um ofício solicitando a presença de Danielle para prestar esclarecimentos.

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Em um diálogo, no dia 15 de janeiro, Adriano diz que “o amigo pediu para você (Danielle) não ir em lugar nenhum e também não assinar nada”. Danielle responde, então, que já estava em contato “com o advogado indicado”. Para o MP , o “amigo” citado na conversa é Fabrício Queiroz, que trocou mensagens com aparentes orientações a Danielle no dia seguinte. Embora o ex-assessor de Flávio Bolsonaro tenha apagado as mensagens enviadas por ele mesmo naquele dia, as respostas de Danielle fazem referência à investigação do MP. Ela chega a enviar para o ex-assessor uma cópia do ofício dos investigadores, a mesma imagem enviada a Adriano da Nóbrega no dia 15.

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Adriano seria declarado oficialmente foragido das autoridades na semana seguinte, ao ser um dos alvos da Operação Os Intocáveis, que apontou o ex-oficial do Bope como chefe do Escritório do Crime. O grupo criminoso é considerado o principal suspeito pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) em março de 2018.

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Caso Henry: Jairinho e Monique se unem contra laudos policiais

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Caso Henry: Jairinho e Monique se unem contra laudos policiais
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Caso Henry: Jairinho e Monique se unem contra laudos policiais

Monique Medeiros  e Jairinho, ambos presos acusados de envolvimento na  morte de Henry Borel, de 4 anos de idade, passaram a contestar – através de seus advogados – o mesmo ponto em suas defesas: a idoneidade e a credibilidade das provas periciais produzidas pela Polícia Civil durante as investigações do óbito de Henry. As informações são do portal Uol.

No dia 6 deste mês, na primeira audiência do caso, ambas as defesa seguiram a mesma linha de questionamento. Jairinho e Monique não possuem defesa conjunta, mas convergiram ao afirmar que o laudo de necrópsia do menino Henry possui erros periciais.

O Ministério Público do Rio de Janeiro contesta a hipótese de acidente coméstico e reafirma que as provas são suficientes para incriminar o antigo casal. Fábio Vieira, promotor do caso, afirma que o “laudo que comprova que o menino foi espancado, temos o histórico do réu de agressões contra crianças. Não é só o laudo pericial”.

Já Henrique Damasceno, delegado responsável pelas investigações, disse que, “mesmo sem ser médico, me chama a atenção, porque soprar a boca de uma criança no colo não é minimamente o que se faz para tentar reanimá-la”. Durante a semana, foi revelado um vídeo com Jairinho, Monique e Henry no elevador do condomínio onde a família morava que mostra o padrasto do menino assoprando sua boca numa possível tentativa de reanimação .


A defesa de Monique contesta, realizada através do advogado Thiago Minagé, contesta as afirmações e diz ter “certeza que esse inquérito tem chances de ser anulado”. “Foram divulgadas informações como a polícia quis, para depois, quando nós da defesa fôssemos questionar, já termos a opinião pública formada. O que eu estou pontuando é que o inquérito foi feito de forma irregular, tem muitos erros”.

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PP e PL disputam Bolsonaro, e Valdemar Costa Neto ameaça romper com o Planalto

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PP e PL disputam Bolsonaro, e Valdemar Costa Neto ameaça romper com o Planalto
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PP e PL disputam Bolsonaro, e Valdemar Costa Neto ameaça romper com o Planalto

Cortejado por PP e PL,  Jair Bolsonaro, sem partido desde novembro de 2019, dá sinais trocados para as duas legendas e tem adiado a decisão até encontrar a configuração nos estados que mais lhe agrada. O flerte duplo, porém, pode causar o rompimento com o PL, caso a sigla não seja a escolhida pelo presidente da República. O alerta já foi levado ao Palácio do Planalto por interlocutores do presidente do PL,  Valdemar Costa Neto.

Na segunda-feira, horas após Costa Neto divulgar um vídeo fazendo o convite a Bolsonaro, o presidente e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), encontraram-se no Planalto com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que agiram para evitar perder o presidente para o PL.

Na reunião fora da agenda, Bolsonaro voltou a colocar na mesa suas exigências. Pediu garantias de que o PP apoiará seus candidatos ao Senado em estados estratégicos, o que inclui o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, em São Paulo.

Também foram discutidas as possibilidades de lançar o vice Hamilton Mourão pelo Rio e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em Roraima. Os caciques do PP apelaram também para o fato de Bolsonaro já ter sido filiado ao partido e ter se mostrado fiel ao governo. Ao final da conversa, ouviram que a sigla voltou a ser a favorita na corrida pela filiação.

Tão logo informação sobre a reunião com o PP começou a circular, integrantes do PL, que haviam recebido a sinalização de que Bolsonaro estava com o pé na sigla, reagiram negativamente. Na visão de parte dos assessores do presidente, o movimento de Valdemar Costa Neto ao gravar o vídeo aumentou a pressão sobre Bolsonaro para a filiação. A avaliação é de que, agora, se o presidente não aceitar se unir ao PP, a sigla pode acabar se aliando ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal rival político.

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Empenhado em convencer Bolsonaro a se filiar ao PL, Costa Neto tem enviado senadores para reuniões com ministros do Palácio do Planalto. Ontem, o senador Wellington Fagundes (PL) esteve com a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, sua correligionária, e também com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.

Nas investidas, o PL tem tentado vender facilidades e destacado as dificuldades que o PP terá em estados em que o partido tem alianças históricas com o PT. Nas conversas, mencionam Pernambuco e também a Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, onde o PP tem o vice-governador João Leão no palanque do petista Rui Costa (PT).

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Assessores de Bolsonaro têm defendido que o presidente já tem o apoio do PP, com Ciro à frente da Casa Civil, e que a filiação do PL garantiria o apoio de dois grandes partidos para 2022. PL e PP têm, respectivamente, 43 e 42 deputados na Câmara atualmente. A aliados, o presidente do PL admitiu dificuldades na possibilidade em compor uma chapa com Bolsonaro indicando o vice caso o presidente decline do convite para se filiar à legende dele.

Bolsonaro tem dito a aliados que pesa contra a decisão de se filiar ao PL o palanque de São Paulo. Lá, o partido tem um acordo com Rodrigo Garcia (DEM), vice de João Doria (PSDB), inimigo político de Bolsonaro.

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Enquanto o presidente não se decide, Ciro Nogueira tenta minimizar o impasse.Ele tem brincado que os convites de filiações mostram que Bolsonaro é a “moça mais paquerada da festa”, o que destoaria da queda da popularidade do presidente nas pesquisas de intenções de votos.

Tanto PP quanto PL, porém, já foram resistentes à filiação de Bolsonaro por conta da falta de unidade dentro das siglas e também devido à baixa aprovação do governo. Mas ainda há a percepção nas duas legendas de que a chegada do presidente será capaz de atrair novo filiados, alavancando a eleição de vários deputados em 2022, e quadros políticos. Um deles é Eduardo Bolsaonaro (PSL-SP), que se filiará ao partido do pai, e tem potencial para levar muitos votos com ele.

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Nogueira tem afirmado a seus interlocutores não ver empecilho caso o presidente escolha outra legenda que não seja o PP.

No início do mês, a ida de Bolsonaro para o PP era considerada “90% certa”, mas as negociações esfriaram com a resistência de estados do Nordeste. Há duas semanas, o presidente, então, retomou a conversa com Valdemar Costa Neto. Na quarta-feira, passada o presidente do PL participou de um jantar com senadores do partido, a ministra Flávia Arruda e deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF).

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