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POLÍTICA NACIONAL

Lula compara Brasil de 2019 à Alemanha nazista ao falar sobre “guerra à cultura”

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Daniel Castelo Branco/O Dia

Ex-presidente falou a público no Circo Voador

O ex-presidente Lula participou de um evento em defesa da cultura no Circo Voador, no Rio de Janeiro , na noite desta quarta-feira. Ao lado da namorada, Janja, e discursando para militantes, artistas e intelectuais, o petista criticou o desmonte da cultura feito pelo governo federal e chegou a comparar o Brasil governado por Bolsonaro à Alemanha de Hitler: “Como na Alemanha nazista, querem destruir o Brasil começando pela cultura”, afirmou.

Ao contrário do usual, Lula , preservando sua garganta por recomendações médicas, leu um discurso previamente escrito – o que não o impediu de, eventualmente, assumir o tom enérgico que a sua militância está acostumada a ouvir. “A minha relação com vocês não é eleitoral, é um compromisso de fé”, disparou, ao final, sendo ovacionado pelas arquibancadas lotadas do Circo Voador.

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Em seu discurso, Lula agradeceu à classe artística e intelectual pelo apoio, convocou a luta contra “a ascensão do fascismo no país”, prometeu recriar o Ministério da Cultura em um novo governo petista e alertou para a volta da censura – “esse monstro que já julgávamos extintos no nosso país”.

O ex-presidente também aproveitou para rebater as críticas pela radicalização de seu discurso: “Não diga que eu saí mais radical da cadeia, diga que eu saí mais consciente”, garantiu. Em seguida, disse que, durante seu tempo encarcerado em Curitiba, leu muitos livros sobre racismo e história da África, e que está determinado a combater o “arraigado racismo institucional brasileiro”.

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Lula listou inúmeras medidas e investimentos culturais de seus governos e afirmou que “é através da cultura que o povo brasileiro vai fazer a revolução que esse país precisa”. “Fernanda Montenegro, olhando 30 segundos pra uma câmera, fez mais que o Bolsonaro sentado por 30 anos numa cadeira de deputado”, disse, arrancando risadas e aplausos dos presentes.

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Ele também alegou inocência de todas as acusações e fez fortes críticas a Moro e Dallagnol. “Se tem alguém nesse país capaz de formar quadrilha, é o Dallagnol com a força-tarefa da Lava Jato”.

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Por fim, homenageou o educador e filósofo Paulo Freire . “Esse país não pode distribuir arma, tem que distribuir livro”.

2020

O evento no Circo Voador reuniu também diversas figuras políticas da esquerda carioca, como o deputado federal Marcelo Freixo ( PSOL -RJ) e as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ), que poderão disputar entre si os votos da esquerda para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2020. Os três tiveram discursos conciliatórios e de união, chegando a cantar a música “Juízo Final”, de composição de Nelson Cavaquinho, juntos.

Além deles, estiveram presentes também a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, o ex-ministro da Defesa, Celso Amorim e o ex-senador Lindbergh Farias.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes

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POLÍTICA NACIONAL

Além de Bolsonaro, redes sociais já puniram outros líderes mundiais; veja todos

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Presidente Jair Bolsonaro durante live
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Presidente Jair Bolsonaro durante live

O presidente Jair Bolsonaro integra uma lista restrita de líderes mundiais que já tiveram postagens removidas ou contas suspensas pelas grandes plataformas de redes sociais nos últimos anos. Levantamento feito pelo GLOBO identificou apenas outros quatro políticos alvos de restrições, no momento em que ocupavam cargos de comando, por violarem as políticas das principais redes. A maioria disseminou mensagens falsas sobre a Covid-19 e recebeu a punição após a atualização de políticas das plataformas sobre o tema.

A penalidade mais severa foi aplicada ao ex-presidente dos EUA Donald Trump em janeiro , quando ocupava a Casa Branca. Após a invasão do Congresso americano, Twitter, Facebook e Instagram baniram os perfis do republicano. Já o YouTube aplicou uma suspensão proibindo novas postagens.

Antes disso, postagens de Trump já haviam sido excluídas ou sinalizadas como falsas ao longo de 2020 por disseminar desinformação sobre a Covid-19, o processo eleitoral americano e por “enaltecimento à violência” durante os protestos pela morte de George Floyd, jovem negro assassinado por policiais brancos em maio do ano passado.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também já teve publicações excluídas, por motivos similares aos de Bolsonaro. Em março de 2020, o Twitter apagou uma postagem em que o presidente recomendou uma cura caseira contra a Covid-19.

Em março deste ano, foi a vez de o Facebook bloquear por 30 dias a página de Maduro por “reiteradas violações” da política sobre desinformação relacionada à pandemia. O perfil foi impedido de publicar mensagens ou fazer comentários por um mês. A medida foi adotada após a remoção de um vídeo sobre o Carvativir, remédio sem eficácia comprovada contra a doença, promovido por Maduro como “gotinhas milagrosas” para tratar o coronavírus.

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Outro reincidente no que diz respeito ao descumprimento de regras das plataformas é o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Em janeiro, uma de suas contas no Twitter foi suspensa após uma publicação com ameaças a Donald Trump. No mesmo mês, outra postagem foi removida. No texto, o líder supremo anunciou a proibição de importar vacinas contra a Covid-19 fabricadas nos Estados Unidos e no Reino Unido e lançou dúvidas sobre sua eficácia.

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Já o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, foi alvo de remoção de conteúdo no Twitter. A plataforma excluiu uma postagem em que ele ameaçou um grupo separatista no Sudeste da Nigéria. A rede entendeu que o presidente violou suas regras.

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O mandatário fez referência à Guerra de Biafra, que deixou três milhões de mortos nas décadas de 1960 e 1970, para enviar um recado aos responsáveis por uma onda de violência na região. “Muitos daqueles que se comportam mal hoje são muito jovens para estarem cientes da destruição e perda de vidas que ocorreram durante a Guerra Civil da Nigéria. Aqueles de nós que ficaram nos campos por 30 meses, que passaram pela guerra, vão tratá-los na língua que eles entendam”, escreveu.

Ação e reação

Professor do Departamento de Estudos de Mídia da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, o pesquisador brasileiro David Nemer avalia que houve demora das plataformas em aplicar suas próprias regras a perfis de autoridades e de interesse público, mas que a expectativa é que a partir de agora ampliem a moderação de conteúdo.

“Essas punições serão mais comuns porque cada vez mais as redes sociais são apontadas como responsáveis por proporcionar discursos extremistas e todas as suas consequências. Há pressão no Congresso nos Estados Unidos, e mesmo no Brasil. Pelo próprio modelo de negócio dessas redes, políticos extremistas geralmente atraem seguidores para as plataformas e geram muito engajamento. A expectativa é de maior moderação, já que essas contas comandam e ditam a agenda do debate nas plataformas”, conclui Nemer.

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Por outro lado, em meio a aplicação de punições, as empresas do setor entraram na mira de governos. Na Nigéria, Buhari baniu o funcionamento do Twitter após ter uma mensagem removida. A plataforma negocia seu retorno. Medida semelhante foi adotada em Uganda pelo presidente Yoweri Museveni. Em janeiro, o Facebook foi bloqueado dias após a plataforma remover contas falsas ligadas a seu governo antes das eleições.

No Brasil, Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto de lei para restringir a ação das redes. O texto quer exigir que as empresas de tecnologia apresentem uma “justa causa” para retirar as publicações de suas plataformas, o que, para especialistas, pode facilitar a divulgação de mensagens com desinformação.

A suspensão das contas de Trump também levou países governados por aliados a anunciarem projetos na mesma linha. Foram os casos da Polônia, que apresentou uma proposta no início do ano para dificultar a remoção de conteúdo, e do estado da Flórida, governado pelo republicano Ron DeSantis, que aprovou uma lei para proibir a remoção de contas de políticos nas plataformas, revogada em seguida pela Justiça.

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‘Kit Covid’: Prefeituras continuam a adquirir medicamentos ineficazes

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'Kit Covid': Prefeituras continuam a adquirir medicamentos ineficazes
Isabela Silveira

‘Kit Covid’: Prefeituras continuam a adquirir medicamentos ineficazes

Mesmo após a comprovação de que o chamado ‘Kit Covid’ possui remédios ineficazes no combate ao novo coronavírus, Prefeituras de cidades ao redor do país continuaram a adquirir os medicamentos. É o caso dos municípios de Redenção-PA, Passo Fundo-RS, Campo Maior-PI e Araputanga-MT. As informações são do portal Uol.

Estas cidades – localizadas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul – concluíram seus processos licitatórios partir de junho, ou seja, após a não recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a utilização destes medicamentos.

Nos contratos, há permições para que a aquisição seja realizada conforme a demanda do sistema de saúde local. Segundo a organização ‘Transparência Brasil’, 49 prefeituras realizaram o processo de compra do ‘Kit Covid’ no primeiro semestre deste ano. Somente no Rio Grande do Sul, foram identificadas 40 prefeituras que compraram os remédios ineficazes – com valores que somam cerca de R$ 768 mil.

Em Redenção, o licitação chegou a quase R$ 1 milhão – um total de R$ 901 mil – e prevê a entrega, até o fim do ano, de 900 mil comprimidos de ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina e zinco. Com essa quantidade, cada morador poderia receber até nove pílulas.

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João Lucimar Borges, secretário municipal de Saúde de Redenção e vereador eleito pelo PSD, alegou não se lembrar do processo licitatório. “Preciso verificar, mas sei que a hidroxicloroquina não estamos mais usando. Quando houve toda a discussão em torno do remédio, sentamos com a equipe técnica e decidimos tirar do kit. A azitromicina e o zinco tenho certeza que estamos distribuindo. A ivermectina preciso checar”.

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Após algumas horas, o político voltou a afirmar que conversou com um infectologista da pasta e explicou a ação. “Quando eu assumi o cargo, em janeiro, houve um pico altíssimo de casos. Todo mundo estava tentando se apegar em alguma coisa, às vezes [o kit] era até uma coisa psicológica para as pessoas. Agora, estamos evoluindo”.

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