WELINGTON SABINO
Folhamax
Apontada como a pessoa responsável cuidar da prestação de contas da verba secreta do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), Mirela Miranda Ojeda, hoje ex-servidora do Ministério Público Estadual (MPE) nega ter praticado qualquer ilegalidade durante os 10 anos em que foi servidora da instituição. Ela foi citada pelo cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa Júnior, como a servidora que cuidava de notas e comprovantes de gastos recebendo ordens para praticar irregularidades com objetivo de modificar as prestações de contas.
Eu seu reinterrogatório no processo da “grampolândia pantaneira” por crimes de escutas telefônicas ilegais, Gerson Correa afirmou que a verba era usada de forma indevida sem qualquer controle de prestação de contas por parte de promotores e procuradores de Justiça do Gaeco que chegavam a custear despesas pessoais. O dinheiro deveria ser utilizado em campo pelos policiais e equipes operacionais durante operações do Gaeco.
O militar relatou que em 2015 o promotor Marco Aurélio de Castro, então coordenador do Gaeco, andou procurando alguns agentes do Gaeco para assinar documentos da verba com datas retroativas. E depois Mirela Ojeda, que era assessora dele procurou o coronel Evandro Ferraz Lesco na Casa Militar a mando de Marco Aurélio informando que deveria levar prestação de contas assinadas para serem substituídas por outras.
Lesco, que coordenou o núcleo operacional do Gaeco até 2014, confirmou a informação. Durante seu reinterrogatório na última terça-feira (16), ele disse que, de fato, assinou as notas com data retroativa, mesmo não fazendo mais parte do Gaeco. “Eu assinava, ela retirava o documento antigo e colocava esses novos. Fiquei com medo porque naquela época já se tinha conhecimento de desentendimento entre promotores por essa verba”, disse Lesco.
Agora em nota, a ex-servidora do Gaeco afirma que os militares mentem quando citam o nome dela em irregularidades. “Esclareço que durante o período em que trabalhei como assistente ministerial sempre cumpri as ordens dos meus chefes dentro da lei, com honestidade e responsabilidade nas demandas financeiras para uso exclusivo nas diligencias sigilosas a serviço daquele grupo”, sustenta Mirela.
No depoimento, o cabo Gerson Corrêa relatou que entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro semestre de 2016 houve uma discussão entre os Samuel Frungilo e Marco Aurélio de Castro nos corredores do Gaeco que foi presenciada por outros servidores por causa do uso indevido da verba secreta. Por causa disso, segundo o militar, Mirela Ojeda, teria sido removida do Gaeco. Informações disponíveis no Diário Oficial, mostram que ela foi remanejada para a Ouvidoria do Ministério Público somente no segundo semestre de 2017 onde permaneceu até março deste ano quando foi exonerada.
Gerson disse ainda no depoimento que a verba secreta é depositada nas contas dos membros do MPE de forma antecipada para utilização em campo pelos policiais e equipes operacionais. Quando precisava, a então assessora do coordenador do Gaeco fazia saques e repassava às equipes que participariam de operações. Depois, deveria ter prestação de contas por parte dos agentes e policiais apresentando notas fiscais e recibos à assessora de Marco Aurélio. Se sobrassem valores, eram devolvidos para Mirela. Ela fazia prestação de contas perante o MP com o valor integral e a sobra era depositada em cofre físico do Gaeco à disposição dela e do chefe do Gaeco. No cofre, os valores iam se acumulando para finalidades diversas.
A ex-servidora contesta as declarações dos militares. “Repudio as declarações mentirosas contra a minha pessoa e aos membros do Ministério Público, uma vez que o período de 10 anos que trabalhei junto ao grupo, as prestações de contas eram rigidamente conferidas e aprovadas pelos Procuradores e promotores de Justiça dentro da legalidade”, diz ela ao afirmar que sua função era atestar e lançar na planilha de despesas do Gaeco, obedecendo as ordens de seus superiores, dentro da lei de prestação de contas da Procuradoria-Geral de Justiça.
Por fim, Mirela Ojeda ressalta que está a disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o assunto. A defesa do cabo Gerson informou que vai indicar a ex-servidora como testemunha para comprovar as denúncias feitas pelo militar sobre o desvio de finalidade da verba operacional.
CONFIRA NA ÍNTEGRA
NOTA A IMPRENSA. EM OBEDIENCIA A LEI DE DIREITO DE RESPOSTA
Mirela Miranda Ojeda, venho informar que: Referente ás declarações envolvendo caluniosamente meu nome sobre as verbas secretas do GAECO, esclareço que durante o período em que trabalhei como Assistente Ministerial sempre cumpri as ordens dos meus chefes dentro da lei, com honestidade e responsabilidade nas demandas financeiras para uso exclusivo nas diligencias sigilosas a serviço daquele grupo. Que repudio as declarações mentirosas contra a minha pessoa e aos membros do Ministério Público, uma vez que o período de 10 anos que trabalhei junto ao grupo, as prestações de contas eram rigidamente conferidas e aprovadas pelos Procuradores e promotores de Justiça dentro da legalidade. Que eram também anualmente aprovadas pelo Tribunal de Contas ao rigor da lei. Informo ainda que todas as contas prestadas pelos Policiais eram realizadas nos retornos das viagens e diligências sigilosas, e que por vinculo de confiança eram conferidas e aprovadas pelos Procuradores e Promotores de Justiça, cabendo a mim, por praxe de serviço, atestar e lançar na planilha de despesas daquele grupo, obedecendo as ordens a mim imputadas, dentro da lei de prestação de contas da Procuradoria Geral de Justiça. Desta forma estou a disposição se qualquer juizo, instância e/ou Tribunal para prestar quaisquer esclarecimentos que porventura se fizerem necessários…Desde que sejam dentro das normas constitucionais que regem o Estado democrático de direito.